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P RESENTATION DU CONTEXTE ECOLOGIQUE DU PROJET

Dans le document 84 - Dossier de réhabilitation du Ventoux (Page 26-30)

INSEPARÁVEIS

Fotografia 11: A mais perigosa.

Fonte: pesquisadora (2019)

“Deve ser de lagarta, deixou ali seu casulo” (J. 4 anos)” Ah!, as crianças tão atentas aos detalhes, as minuciosas coisas do mundo, dessa vez, entraram em ação ao ver uma teia em uma árvore no parque. Cabeça erguida e olhos voltados, para a árvore, O, vem correndo ao encontro da professora, pega em sua mão e começa a puxá-la, ao mesmo tempo em

que começa a falar: “Prof.ª, prof.ª, vem ver

o que é isso[...]”; Ao chegar a professora

depara-se com uma roda de crianças, e rapidamente a pergunta: “ Oh prof.ª, o que é

aquilo?” (O, 4 anos), apontando para a teia

na árvore.

Nesse cenário, logo as crianças iniciam suas hipóteses:

“É uma teia de aranha” (C, 4 anos); “Deve ser de lagarta, deixou ali seu casulo” (J, 4 anos);

“E se for de um morcego, ele pode voltar e sugar nosso sangue” (G, 4 anos);

“Não, morcego não vive de dia” (M, 4 anos);

“É teia de ruga” (M. 4 anos);

Mas afinal, de quem é essa teia? Com mais dúvidas do que certezas, a professora16

juntamente com as crianças decidiram tirar a

16 A professora conversou com a professora de biologia

do colégio sobre a possibilidade da retirada da teia. A professora de biologia foi até o parque e contou para as crianças que a teia estava abandonada. Por

teia e coloca-lá na sala de aula. Ao voltar para a sala a professora faz uma roda de conversa. Segundo Angelo é uma estratégia pedagogia de grande relevância, pois ela

configura-se como um espaço em que as crianças possam dialogar em situações significativas e variadas, partilhar e confrontar ideias, onde a liberdade da fala e da expressão proporcionam ao grupo como um todo, e a cada individuo em particular, o crescimento na compreensão dos seus conflitos (2013, p. 60).

Nesse momento a professora mantém-se calma, não inferindo de maneira precipitada no interesse trazido do parque pelo grupo de crianças sobre a teia. Inicia o diálogo trazendo o questionamento do O, para fomentar a curiosidade das crianças na roda, possibilitando assim uma investigação. Na grande roda, o grupo teve tanto interesse que

esse motivo a teia foi levada para a sala de aula, pois, não interferiria no ecossistema.

os questionamentos logo começaram a surgir. As perguntas foram sistematizadas na teia a seguir:17

17 Sistematização em forma de teia, criada pela

pesquisadora.

Observou-se que a Professora, torna os questionamentos das crianças prioridade em seu planejamento, não só nesse momento, mas em outros como, por exemplo: na organização dos espaços da sala de referência, momento em que as crianças escolheram o que queriam na sala por meio de sugestões e posteriormente votação, fato acompanhado durante a pesquisa. Malaguzzi afirma que: “Aprender a reaprender com as crianças, é nossa linha de trabalho. Avançamos de tal modo que as crianças não são moldadas pela experiência, mas dão forma à experiência” (1999, p. 97). Com as crianças dando forma a experiência, a professora intencionalmente vai planejando estratégias de investigação baseada no princípio do Protagonismo.

Para atender as curiosidades das crianças, a professora preparou um espaço que propiciasse para elas o encantamento e antes

ARANGOTEIA “As aranhas são coloridas?” “Todas as aranhas tem pelo?” “Por onde elas soltam o fiozinho pra fazer a teia?” “ e o nariz? As aranhas tem nariz?” “As aranhas tem dentes?” “Todas as aranhas são venenosas?” “Qual é a maior e a menor aranha?” “ O que elas comem?” “As aranhas tem seis pernas?” “Quantos anos elas vivem?” “Como as aranhas fazem a teia?” “Qual é a mais perigosa?” “ Elas tem quatro olhos?”

de tudo que fosse acolhedor e gerador de relações, objetivando que as investigações se desenvolvessem. Assim planejar experiências significativas na Educação infantil é assumir um compromisso com o desenvolvimento integral das crianças.

Consequentemente, não há como pensar em uma Pedagogia por Projetos e da escuta, e não pensar no espaço como comunicador da concepção de Educação Infantil e de infância que habita ali. Segundo Ceppi (2013) os espaços podem ser planejados de uma maneira que agrade as crianças, que convide elas a brincar e a interagir com o espaço. Gandini (1999) contribui colocando que o espaço deve ser visto como um segundo educador, pois, ao longo do ano passa por transformações tanto feita pelo professor quando pelas crianças. A fim de, acolher de forma sensível as necessidades das crianças. Frente a isso, o planejamento do espaço deve ser cuidadosamente preparado para e com as

crianças, deve ser um ambiente que segundo Barbosa e Horn é

[...] composto por gosto, toque, sons e palavras, regras de uso do espaço, luzes e cores, odores, mobílias, equipamentos e ritmos de vida. Também é importante educar as crianças no sentido de observar, categorizar, escolher e propor, possibilitando-lhes interações com diversos elementos (2008, p. 73).

Portanto, se acredito em uma educação que se baseia na Pedagogia da Infância, da Pergunta e da Escuta, sei que a criança não é um mero interlocutor, mas o próprio sujeito de suas experiências de aprendizagens, que participa, investiga e pergunta assim, a continuidade e o encantamento acontecem cotidianamente, tendo os espaços como agentes educativos, favorecedores da autonomia das crianças.

Tendo os materiais de pesquisa ao seu alcance, espaço e tempo para perguntar, buscar, ler e discutir, as crianças iam criando autonomia e desenvolvendo seu

processo educativo. Para Corsino, tratasse de uma

autonomia do agir, do pensar, do buscar formas de expressar-se é um dos objetivos da educação e instaura-se na segurança e na certeza de que é possível ousar e transformar. Na segurança de quem confia e se sente valorizado pelo outro” (2009, p. 117).

Durante as observações, percebi que a autonomia das crianças esteve presente em vários momentos, como por exemplo: na escolha dos espaços, nas idas ao banheiro, nas brincadeiras externas e internas, na hora do lanche, nos questionamentos do projeto, nas pinturas, etc.

Diante disso, tudo é linguagem, Linguagem verbal e não verbal. Linguagem que, conforme Junqueira Filho (2014) são diferentes e necessitam de olhares distintos para elas, para que sejam entendidas,

praticadas, aprendidas, atualizadas e apropriadas.

Portanto, pode ser entendido como linguagem qualquer produção, tanto das crianças quanto da professora. Linguagens geradoras que Junqueira Filho (2014, p. 33) argumenta que têm um “sistema de funcionamento que lhe é próprio, [...] o qual dialeticamente produz, veicula e armazena conhecimento sobre a própria linguagem [...], sobre o sujeito que a investiga e sobre o mundo”, que oportuniza a produção de conhecimento sobre si, sobre o outro e sobre o mundo. Desse modo, sabendo que conteúdo- linguagem é toda e qualquer produção, logo tudo que o professor e as crianças realizam pode ser aprendido, é também considerado como um conteúdo-linguagem. Sob esse viés apresento um vídeo rico em hipóteses das crianças, disponibilizado pela professora de

referência da turma, que pode ser acessado por QRCode18.

Vídeo 1: Teorias sobre a teia da aranha

FONTE: Professora de referência da turma. (2019)

O vídeo: “Teorias sobre a teia da aranha” reconhece as crianças potentes que habitam esse cotidiano escolar. As crianças hipotetizam:

18 o Qrcode é uma ferramenta que possibilita ao usuário compartilhar,

fotos, vídeos de uma maneira mais rápida e segura. Para acessar basta seguir as seguintes instruções: para usuários de IOS: 1º: abra a câmera do seu smartphone;2º: direcione a câmera para o qrcode;3º pronto, agora você pode desfrutar das teorias das crianças. Para

“Ela solta pelo bumbum. Eu acho que elas soltam o xixi que é a Teia” (C, 4

anos);

“Primeiro ela faz aquela bola no meio e depois ela faz a linha que sai pelo bumbum”;

“Elas fazem com os pés” (O, 4 anos); “Primeiro ela chupa o xangue e depois faz a teia com fio de luz” (G, 4 anos);

“Elas vão fazendo uns risquinhos e forma a teia” (A, 4 anos);

“Os fiozinhos eles são de linha de costura” (m, 4 anos);

“Mas eles são grudento e pegam os insetos” (V, 4 anos);

“Ela tem teia dentro do corpo, daí ela vai indo e ela constrói” (F, 4 anos).

Ouvir essas crianças e suas teorias é saber da importância de significar suas relações. É planejar que estratégias

usuários de android: 1º: abra o play store; 2º na ferramenta de busca digite:qr code reader.3º: espere o download ser concluído e abra o aplicativo qr code reader; 4º: direcione a câmera para o

qrcode; 5º: pronto! agora você pode desfrutar das teorias das

desenvolver para acolher suas falas, suas dúvidas, suas hipóteses. É pensar como compartilhar esse cotidiano de planejamento com intencionalidade e sensibilidade.

Dessa forma, percebi que a professora valoriza os questionamentos das crianças, se utiliza deles para investigar outros interesses como, por exemplo: “será que a Roberta vive aqui?” (J, 4 anos). Devemos ensinar nossas crianças a perguntar, devemos nós reinventar, e acreditar numa Pedagogia da Pergunta, na qual o professor não tenha medo das curiosidades das crianças, mas sim, encorajem as crianças a questionar e a hipotetizar. Pois são as dúvidas que constituem o fio condutor de todo conhecimento humano construído (FREIRE, FAUNDEZ, 1985).

Enfim, a escuta, os projetos de trabalhos e o Protagonismo Compartilhado estão interligados e são inseparáveis, para que haja uma Pedagogia da Infância na escola.

Diante dessas considerações, na próxima seção será abordada a professora como protagonista e promotora de experiências de aprendizagem.

5.3 A PROFESSORA COMO PROTAGONISTA E

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