• Aucun résultat trouvé

Studies with Ashkenazi Jewish persons

Dans le document 2006 02 monograph (Page 91-0)

6. Risk assessment

6.3 New statistical models and tools: development and preliminary testing

6.3.1 Studies with Ashkenazi Jewish persons

3.4.4.1 Introdução

A partir da década de 1990 foram profundas as transformações ocorridas no capitalismo brasileiro. Com o advento do receituário e da pragmática neoliberal definidos no Consenso de Washington, desencadeou-se uma onda enorme de desregulamentação dos direitos trabalhistas, acompanhada de um conjunto de transformações no plano da organização da produção que ficou conhecida como acumulação

99 Este subseção está baseado em três entrevistas que fizemos com ex-operários, sendo dois

mecânicos e um ex-supervisor da agroindústria. Mas, a maioria das informações colocadas no texto, tem como base o conhecimento do cotidiano desta mestranda, tanto em relação a agroindústria, contra a qual a mesma tem várias ações, bem como no cotidiano desta com os trabalhadores da categoria. Por isto, justificam-se as poucas citações de outros autores.

flexível (ANTUNES, 2006, p.15)100.

Em Santa Catarina, a agroindústria Sadia S.A., para continuar competitiva no mercado externo e interno, começa sua reestruturação produtiva exatamente pela unidade de Chapecó, por nós estudada. Anteriormente, na década de 1980 já havia esta unidade terceirizado vários serviços, tais como: transporte de aves, limpeza, mecânica e manutenção (em parte) do parque fabril.

Mas, conforme Cruz, (2000, p. 53), é a partir da década de 1990, que os executivos da agroindústria começam a discutir a TQC (Total Quality Control), sendo que 1991 iniciaram contatos com empresas japoneses para estudos e a viabilidade da implantação da Qualidade Total. Nesta época, baseado neste novo processo de organização do trabalho, são implantadas, de forma gradativa, várias técnicas de trabalho, que adiante serão estudadas, demonstrando claramente a introdução de elementos do novo processo de organização do trabalho, o toyotismo.

O discurso utilizado para a implantação dos elementos do toyotismo era a “grandeza” da agroindústria, baseada na família Sadia, a qualidade do produto, e de quanto a mesma cresceria, agregando novos empregos através da qualidade dos produtos. Chamavam de “A Sadia da nova era ou Sadia do novo milênio”. No entanto, embora este discurso passasse a hegemonizar a consciência da classe trabalhadora e de toda a sociedade da região, visto o trabalho da mídia, das escolas, e muito bem discutido no chão da fábrica, é por certo que o objetivo da introdução dos elementos desde novo processo de organização do trabalho buscava um aumento de produtividade, com menos empregados, bem como uma maior qualidade do produto para que a agroindústria liderasse em termos de competitividade, e crescesse no mercado interno e externo.

Era a qualidade exigida pelo mercado (grifo nosso).

Para a comprovação do afirmado basta verificar alguns números descritos anteriormente, quando temos dois indicadores, sendo: a) exportação: em 1980 foram exportados para 100 milhões de dólares, e, em 1994, 500 milhões de dólares; b) faturamento: em 1988 foi de 1 bilhão de dólares; em 1994 de 2,9 bilhões de dólares e em 2008 foi de 12,2 bilhões de dólares. Somente pelos números da exportação e pelo faturamento pode-se perceber o crescimento da agroindústria em todas suas unidades, e, logicamente, na unidade de Chapecó. Isto significa que os elementos do toyotismo implantados, que convivem com elementos

100 Segundo Oliveira (2004) materializa-se de vez a reestruturação produtiva no Brasil, com a

do fordismo/taylorismo, deram muito certo: a produção aumentou, os lucros aumentaram de forma “estrondosa”, e os salários, (conforme se verá mais adiante) diminuíram, enquanto as doenças aumentaram.

A reestruturação da produção de seu parque industrial somente foi possível com o investimento em automação e novas tecnologias que provocaram o aumento da capacidade produtiva e, ao mesmo tempo, a redução de postos de trabalho (CRUZ, 2000, p. 52).

Refletindo a opção da empresa pelo investimento em novas tecnologias, é construída em Chapecó a fábrica de empanados, que já no primeiro ano, com três turnos, (toda automatizada), empregava 250 emrpegados (80% de mão-de-obra menos que numa fábrica tradicional), produzindo 700 toneladas/mês de nuggets (presunto, queijo e crocante), tortinha, empadinha e coxinha101.

Esta re-estruturação produtiva e operacional fez com que a Sadia, no ano de 1997 (CRUZ, 2000, p. 53), reorganizasse o seu parque industrial, saindo da área de bovinos e soja, (em larga escala), e projetando para que, a partir de 1998, tivesse como prioridade a fabricação de alimentos industrializados, congelados e resfriados, e também com a entrada no ramo de massas frescas e pizzas congeladas.

No período que vai de 1990, em diante a substituição e introdução de máquinas dentro desta unidade é uma constante, sendo que as antigas foram substituídas por outras automatizadas ou computadorizadas, e, nesta unidade de Chapecó, em 1996 foi praticamente reconstruída a área de frangos sem que houvesse a interrupção da produção. É importante constatar que, a partir de 1991, as mesas onde se industrializavam os frangos e perus vão sendo substituídas por esteiras rolantes onde são colocados os mesmos (ou parte destes), e de forma automática é esta quem dita a quantidade da produção. Um de nossos entrevistados, mecânico da empresa nesta época, aqui denominado José, nos diz:

101 Estes levantamentos, elaborados por Dulcinéia Cruz foram feitos no ano de 2000, quando a

mesma apresentou a sua dissertação de mestrado. Agora, em 2010, conforme nos referimos, quando da subseção que tratou da plana da fábrica, na parte da fábrica de empanados processa-se por hora, entre 1500 a 2500 quilos de carne em cada linha, e tem cinco linhas, o que se aproxima de 10.000 quilos carnes hora processada. A mesma (fábrica de empanados) opera em três turnos e em todos os turnos, tem aproximadamente 700 empregados. Das vinte e quatro horas dia, são processados produtos, numa média de 21 horas, e as outras três para a higienização. Isso significa dizer que é processado por dia uma média de 221.000 mil quilos (podendo chegar a 250.000 mil quilos) de produtos industrializados nesta fábrica. Isto significa 221 toneladas dia, aproximadamente, que por vinte e cinco dias mês, das 6.525 toneladas de produtos industrializados, aproximadamente.

[...] então, na implantação do CQS, antes da implantação do CQS não existia tempo, era o tempo necessário para o trabalhador se achava que tinha que desossar (grifo nosso). Desossava-se coxa e colocava na mesa, não existia esteira. Vocês têm que entender uma coisa, o que é mesa e o que é esteira. Mesa é parada, esteira é que gira, chegou ao CQS, houve a necessidade, ai por parte da empresa, pegava alguém treinado, quando colocaram a esteira e colocava para todos os trabalhadores da esteira ver que eles estavam tirando tempo do trabalhador, para que o trabalhador pudesse no menor tempo possível, daí era aplicado nos outros trabalhadores. Aí sim é um trabalho de CQS, que eles diziam bom – hoje nós éramos com uma mesa parada, colocamos uma esteira no trabalho de CQS, foi desenvolvendo, chegou a conclusão seguinte: o trabalho de CQS que alguém fez que tem que ter um tempo para desossar essa coxa, ai começava-se a conferir os tempos de todos que estavam desossando [...] Então antes, quando não existia tempo, o trabalhador trabalhava numa mesa, desossava, levava o tempo todo, quando veio o CQS veio a esteira com velocidades que era uma velocidade com polia que a gente mudava, mas também a polia não tinha a opção do encarregado, do chefe ir lá e aumentar porque na polia não tinha, até podia fazer mas tinha que trocar as polia, daí era demorado. Então com o trabalho do CQS mudou o quê? Houve a necessidade de colocar esteira, colocar um tempo pra cada trabalhador, um número na esteira, a esteira é numerada, ai cada trabalhador já tem 20 segundos prá desossar e cada trabalhador tem o seu número e também junto já veio a possibilidade de colocar um inversor e a

possibilidade..., vamos analisar o seguinte: cada

trabalhador tem um número certo? Cada um tem tantos segundos pra fazer, aumenta-se a velocidade da esteira e o trabalhador continua fazendo seu número porque se ele não fizer e começar dar show perde a meta dele, ai que vem o problema, o trabalhador aumenta o ritmo dele, aumenta a repetição e ele tem que fazer a meta, se ele não fizer e deixar a carne no osso ou a pele ele vai perder aquela meta, aí ele vai ser avaliado pela meta. Então obriga o trabalhador a fazer o seu número, a desossar e assim vai indo e vai aumentando a produção e quem ta mesmo se ferrando é o trabalhador.

Paralelamente à implantação de elementos do processo de

organização do trabalho toyotismo, a empresa, visando à

competitividade, vai perseguindo as certificações internacionais da ISO, na busca de maior credibilidade para a marca SADIA no mercado externo. Conforme Cruz, (2000, p. 58), em 1995 a unidade de Chapecó

atendeu às exigências da ISO-9000, e recebeu o certificado da ISO- 9001102, pelo órgão certificador Bureau Veritas Quality International (BVQI). E, em 1999 esta mesma unidade é recomendada para receber a certificação da ISO 14001103.

É importante frisar que os elementos do novo processo de organização do trabalho foram sendo introduzidos sem que houvesse a parada da produção, nem poderia haver, e com trabalhadores que se encontravam há muito tempo na indústria, visto que era comum até esta época, trabalhadores terem mais de dez anos de casa, e inúmeros deles terem iniciado a vida de operário e virem a aposentar-se na agroindústria. Ademais, conforme já se frisou, a implantação foi se dando de forma gradativa, sendo que, ao ter-se iniciado em 1991, (com a cooperação de técnicos japoneses) dá-se de forma mais perceptível a partir de 1995/1996, encerrando o ciclo praticamente em 2000104.

Para corroborar o afirmado no parágrafo anterior, recorremos a nosso entrevistado João, que diz:

Ela, na verdade, até ali em noventa e um não era assim tão acentuada, começou a partir de mil novecentos e noventa e cinco que começaram a surgir novas necessidades em função até de exigência do mercado externo tá. Então a partir daí foi um incremento bem significativo nas questões das evoluções tecnológicas, porque a empresa teve que mudar e nós também como condutores disso, a gente também teve que mudar o conceito.

Já José, outro de nossos entrevistados, também argumenta neste sentido:

Então, começa em 91 com o 5S e vai dando seqüência cada ano vai se aplicando CQS, vai se aplicando novos programas da Sadia e aonde que chega mesmo no ano 2000, o trabalho que mais impactou no meu ponto de vista, foi em 2000 onde se implantou mesmo o CQS Sadia. O CQS Sadia na época quando foi implantado, se dizia que era pra ajudar o trabalhador, o funcionário que fazia o CQS ajudava na

102 A ISO-9001 refere-se à garantia da qualidade em projetos/desenvolvimento, produção,

instalação e assistência técnica.

103

A ISO 14001 se refere à preservação do meio-ambiente, e a unidade de Chapecó recebeu esta certificação.

104 Estas informações foram coletadas em conversas informais, entrevistas, e também pelo

conhecimento desta mestranda que se encontra nesta região desde 1986, e tem inúmeras ações contra esta empresa, bem como milita no movimento político (partido e sindicato). Boa parte desta dissertação está baseada em nosso conhecimento cotidiano. Ainda, quando se fala “encerrando o ciclo praticamente em 2000”, não significa que a indústria não continua automatizando-se, significa tão somente que na percepção dos operários é que a qualidade total dá-se com mais ênfase no período de 1996/2000.

questão do trabalho do trabalhador, no dia a dia, onde começou aumentando o trabalho, aumentando as tarefas e diminuindo já, radicalmente o número de funcionários.

Fica claro que, na década que vai de 1991 até o ano de 2000, os elementos do processo de organização do trabalho toyotismo que interessavam à agroindústria já estavam implantados de modo definitivo, causando grande impacto na parcela da classe trabalhadora que labora neste e em outros frigoríficos de nossa região. Resta discutir neste momento, quais os elementos deste novo processo que mais foram introduzidos na agroindústria.

3.4.4.2 Quais elementos do toyotismo foram introduzidos na agroindústria

Na subseção 3.3.4.3 destacaram-se as principais características do toyotismo que, em síntese, podem ser assim caracterizados a) ao contrário do processo anterior, agora o capital quer novamente o saber operário; b) A flexibilização do trabalho, através do discurso da crise, sob hegemonia capitalista, criou-se um discurso que a saída para a crise é a união das classes, isto é, todos deverão ser co-particípes, para sair-se da crise e haver crescimento econômico, “que beneficiará a todos e não apenas os donos do capital”. E, uma das formas de sugestões para o fim da crise é exatamente a diminuição de direitos; c) o trabalho por produtividade; d) a introdução de novas tecnologias, principalmente a informática e robótica, que são os alicerces da base tecnológica da terceira revolução industrial; e) é uma produção vinculada à demanda mais preocupada em atender as exigências do mercado consumidor; f) os operários, além de trabalharem em equipe, devem ser multifuncionais, isto é, devem ser capazes de realizar várias funções; g) tem o princípio do just in time, ou seja, o melhor aproveitamento possível do tempo de produção; h) estoques mínimos, através do kanban, que são placas ou senhas de comando para que seja refeito o estoque; i) estrutura verticalizada, ao invés de estrutura horizontalizada j) Organização dos círculos de Controle de Qualidade – CCQs; k) e implantou, mesmo que para uma pequena parcela da população trabalhadora o emprego vitalício, isto não na realidade brasileira.

Passa-se a analisar quais desses elementos deste processo de organização do trabalho foram implantados, a partir de 1991, nesta agroindústria:

a) A questão do saber operário: se no processo de organização anterior o saber operário era algo que precisava ser “retirado”, e o saber,

a organização (grifo nosso), ficava ao encargo de técnicos,

especialistas, neste momento buscava-se novamente resgatá-lo. Esta busca não tinha/tem como objetivo o retorno aos tempos dos “ofícios” do capitalismo imaturo onde o trabalhador era dono do saber fazer. A finalidade aqui é outra: resgatar a subjetividade do trabalho, para que o trabalhador no chão da fábrica possa dar a solução para os problemas do dia-a-dia. O trabalhador não voltará a ter o controle dos ritmos do trabalho, controlados pela máquina, mas, pelo seu conhecimento cotidiano, poderá o mesmo solucionar problemas e dar sugestões para o aumento da produção.

Nesta agroindústria em estudo a introdução dos elementos toyotistas começa em 1991 com os 5S (senso de utilização, senso de ordenação, senso de limpeza, senso de saúde, senso de autodisciplina) e gradativamente vão sendo implantados o CQS - Círculos de Qualidade Sadia; TQS - Total Qualidade Sadia; MASP- Metodologia de Solução de Problemas ou PDCA - Método de Análise e Solução de Problemas105; BMP - Boas Práticas de Produção; EFG - Eficiência Global; MA - Manutenção Autônoma; PL- Planilha de Controle; MT- Manual de Treinamento; PO - Procedimentos Operacionais. Todas estas técnicas do novo processo de organização do trabalho visaram/visam a maior produtividade, com a “cooptação” da subjetividade do trabalhador, aumentando seu individualismo, e fazendo com que o mesmo se imaginasse ser um colaborador, não mais empregado. A busca desta subjetividade era a de que, ao se sentir valorizado, através de círculos, “onde podia falar o que interessava à empresa” ele falasse do saber do chão da fábrica, para que se pudesse resolver os problemas ocorridos, ou ver de que forma poderia ser aumentada a produção. Através de relatos orais de alguns trabalhadores, sabe-se que nesta planta da fábrica, a idéia de ser colocado em algumas partes de frangos e perus números, (ex. na coxa do frango e do peru), foi idéia de um trabalhador para melhorar a produtividade. Isto porque o pedaço de carne da ave vem numerado, ex. de 1 a 20, tem-se 20 trabalhadores: assim, um trabalhador pega o número um, outro o dois e sucessivamente; o trabalhador que pega o

105 Todas estas técnicas nos foram repassadas em conversas informais com um ex-supervisor da

empresa. Mas, este não falava em PDCA, quem nos indicou esta sigla foi nosso entrevistado José. Quando da análise da cartilha do CQS apresentada ao grupo de trabalhadores, na integração, (cartilha em anexo), nas folhas 2, resta consignado o que significa PDCA, que pode, conforme conversas informais, ser utilizado também como MASP- metodologia de solução de problemas.

número um não pode deixar passar nenhum pedaço que lhe compete sem trabalhá-lo, pois, caso deixe passar, não tem uma boa produtividade, e isto será contado para a verificação na questão do aumento salarial do operário.

Apenas a título de ilustração da questão da numeração das peças, (para aumento de produtividade), transcreve-se o que nos diz outro de nossos entrevistados, que nominamos de Valmor:

Como eu tava falando, eu acho que o principal é o aumento da produção, só querem aumentar quase que diária a produção e aquelas tarefas sempre repetitivas, por exemplo, as mulheres, têm até uma irmã minha que trabalha lá, esses dias eu estava olhando ela, ela tá limpando uma coxa que tá descendo de uma esteira, a esteira é numerada, ele tem de 01 a 20, cada vez que passa o número 19 ela tem que pegar, ela já tá limpando aquela coxa e pensando – quando que vai vir esse número 19 pra eu pegar de novo – quando ela mal terminou, ou não terminou ainda já tem o número 19 pra ela pegar e colocar na caixinha do lado, entendeu. Tem uma caixa de plástico que ficam as coxas que ela não consegue limpar no tempo, quando ela vê, aquela caixa já tá cheia de coxas, por isso que ela tem que limpar numa velocidade pra não encher aquela caixa, porque ela não pode deixar passar nenhum número 19 pra baixo daquela esteira, se passar já vem o cara, que tem o último que fica cuidando e já vai perdendo a meta dela, não vai ganhar funcionário destaque, não vai ganhar nada, não ganha mais aumento.

Observe-se bem o aspecto da subjetividade: conforme nosso entrevistado José, citado nas páginas anteriores, o começo dá-se com os 5 S. Era preciso mudar a mentalidade do trabalhador que vivia apenas a realidade taylorista/fordista, ele precisava ter senso de utilização, (das ferramentas, máquinas, e outros meios de produção da empresa); senso de ordenação, (de ordem desses meios de produção); senso de limpeza, (do local de trabalho) senso de saúde, (provavelmente das aves, mais tarde veremos que somente aumentaram as doenças do trabalho, portanto, não se pode falar em saúde do trabalho); e por último o senso de autodisciplina, (precisava se autodisciplinar). Com estas mudanças, buscadas (e conseguidas, mesmo que a ferro e fogo), através dos 5S, é possível ir-se implantando novas técnicas, para se ter um trabalhador

“cordato” 106, “disciplinado”, participativo, e sempre disposto a “ajudar a empresa”.

José, em sua entrevista, nos fala de como a agroindústria usou e continua usando este “saber operário”, para seu proveito próprio. Ele nos diz:

Isso aí é o que o CQS avisa, o CQS vem pra que isso aconteça. O trabalhador que é mais esclarecido tem mais diferença e conhece mais ele começa a desenvolver uma tarefa pra aumentar tudo, produção, diminuir trabalhador, porque não adianta você querer aumentar a produção, não adiantava você querer aumentar a produção e aumentar o número de pessoas, já o CQS nem andava o projeto nem andava o que eles faziam o saber das pessoas, o saber do operador, o saber do funcionário e eles ocupavam aquele trabalhador como líder do CQS, tratava-se o líder do CQS, ai parecia ser uma empresa com líder, com secretário, com todas as funções. Pra que isso? Pra que o projeto desse seqüência. Então tinha tudo, secretária, líder, tudo o passo certo. Pra quê? Pra que os próprios trabalhadores, quando é um trabalho que favorece a empresa sair do papel, não ficarem só no papel, e quando envolve custo pra empresa mas vai aumentar a produção, não tem problema nenhum.

A questão do aproveitamento do saber operário (somente no que interessa a empresa) foi tão introduzida nesta unidade, que alguns trabalhadores, por exemplo, os mecânicos, tem uma meta de apresentar um trabalho e meio no CQS, ou seja, uma equipe de dez tem que apresentar quinze trabalhos de melhoria/ano. Isto nos diz o entrevistado Valmor:

É, cada um de nós, por exemplo, têm 1.5 de CQS, um trabalho e meio nós temos que fazer cada um, se somos dez na equipe, temos que fazer quinze trabalhos. Mas não é só pelas metas que o pessoal faz lá, da para perceber, o pessoal quer ver a melhor maneira possível, ter aquela criatividade e botar aquela criatividade, não é só pelo projeto, que a maioria faz, mas daí [...].

Noutro trecho da entrevista, este mesmo Valmor nos fala de que o CQS foi introduzido para que os operários pudessem auxiliar nos problemas e apresentar propostas de maior produtividade. Perguntado se

106 Fala-se em “cordato”, “disciplinado” e isto não significa que o trabalhador do período

anterior não tinha estas características. Quando será discutida a formação desta classe trabalhadora, e mesmo pela subseção anterior, quando se discutiu a implantação do taylorismo/fordismo percebe-se que esta parcela da classe trabalhadora tinha/tem estas características. No entanto, para a implantação dos elementos do toyotismo, era necessário um trabalhador disciplinado em relação aos meios de produção da agroindústria, além de

Dans le document 2006 02 monograph (Page 91-0)