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Overview of the occurrence, magnitude and impact of

magnitude and impact

2.3.1 Overview of the occurrence, magnitude and impact of

Para Kaufman (apud OLIVEIRA, 1998), as bases da masculinidade, que serão usadas por toda a vida, são firmadas aos cinco ou seis anos de um garoto, e pela teoria da dinâmica dos papéis e da psicologização, ele torna-se a corporificação das relações de violência na adolescência e vida adulta.

Em linhas gerais, temos o seguinte processo dentro do desenvolvimento humano: os bebês começam a perceber a diferença entre homens e mulheres antes mesmo de serem capazes de construir a noção do que significa pertencer a um gênero. Apenas aos 19 (dezenove) meses, aproximadamente, que eles começam a usar rótulos de gênero como ―mamãe‖ e ―papai‖ para descrever as pessoas do seu mundo social e, a partir do segundo ano de vida, passam a associar brinquedos típicos de gênero, a exemplo de bonecas, com o gênero considerado apropriado às meninas (PAPALIA; FELDMAN, 2013).

Ainda entre o 1º e o 3º ano, verifica-se a emergência do senso de identidade por meio do autoconceito, isto é, a imagem que cada um possui de si mesmo, o que se desdobra na identidade de gênero, pois é nesse âmbito que a criança desperta a consciência de ser do sexo feminino ou masculino (PAPALIA; FELDMAN, 2013).

Tal consciência decorre de três categorias que se encontram diretamente relacionadas à identidade de gênero, quais sejam: tipificação do gênero, papéis de gênero e estereótipos de gênero. É logo no início da infância que se manifesta a tipificação do gênero, caracterizada pelo processo de internalização do comportamento que é considerado apropriado para cada sexo de acordo com a cultura (PAPALIA; FELDMAN, 2013).

A tipificação do gênero corrobora com os papéis de gênero, os quais se apresentam nos interesses, atitudes, habilidades e traços de personalidade que uma cultura atribui a cada gênero e se concretizam através de estereótipos que, segundo defendem Campbell, Shirley e Candy (2004) e Ruby e Martin (1998 apud PAPALIA; FELDMAN, 2013), começam a ser observados em crianças de 2 ou 3 anos, intensificando-se durante os anos pré-escolares e atingindo o ápice aos 5 anos de

idade, tendo em vista ideias preconcebidas que elas possuem acerca dos comportamentos esperados dos homens e das mulheres.

Nessa perspectiva, os papéis de gênero e os estereótipos de gênero podem ser sintetizados no que se convencionou chamar de expressão de gênero, uma vez que esta corresponde aos aspectos exteriores, postos em ação, tais quais as vestimentas, a forma de se comunicar e se expressar, condizentes com normas sociais impositivas. Estas que são construídas culturalmente e assim reiteradas ao longo da história, de modo a induzir o pensamento de que seria algo determinado pela natureza, quando, na verdade, tratam-se de repetições das normas (BENTO, 2006).

Sobre a discussão acerca dos papéis sociais masculinos, Harrison, Chin e Ficarrotto (apud OLVEIRA, 1998, p. 08), destacam quatro necessidades que caracterizam o núcleo do papel masculino nas sociedades ocidentais contemporâneas: 1) a necessidade de ser diferente das mulheres; 2) a necessidade de ser superior aos demais; 3) a necessidade de ser independente e autoconfiante; e 4) a necessidade de ser mais poderoso do que os outros, por meio da violência, se necessário.

Segundo os autores, essas necessidades e as pressões sociais que se exercem para que os papéis masculinos sejam cumpridos e mantidos, são incompatíveis com as demandas emocionais típicas de qualquer ser humano, podendo ser esse o motivo da somatização de problemas, causadora de tantas consequências físicas.

Nesse sentido, tais expectativas de comportamento masculino restringe às subjetividades, causa tensões e angústias, na medida em que se procura obedecer a esse modelo de papéis masculinos. Nolasco (1993), assegura que o processo de socialização capitalista do papel masculino como vilão, aliado à crise do individualismo, tem culminado com a crise de identidade pela qual passa o homem contemporâneo.

As exigências viris, de posse e poder, bem como ser assertivo e competitivo sexualmente, mantêm os homens presos à questão do desempenho. Os padrões de comportamentos que os qualificam como homens se aproximam dos exigidos para máquinas. Enquanto identificados como homem máquina, estes indivíduos ficam impossibilitados de problematizar a maneira como socialmente tornaram-se homens.(...) Ao longo da vida, um homem passará por

experiências que lhe ensinarão o que significa desempenhar o papel masculino. Desde criança, ele é estimulado a se afastar de suas "experiências interiores", ao mesmo tempo em que é pressionado a obter o melhor desempenho no que faz. (NOLASCO, 1993, 30).

Oliveira (1998) critica a teoria dos papéis sociais por ser fruto da investigação funcionalista, cujas questões de gênero estão diretamente ligadas ao contexto dos problemas familiares, em que outras dimensões da questão são excluídas da análise, a exemplo das relações de poder entre homens e mulheres, dentro e fora das famílias. Assim, olvidando as estruturas de poder, os comportamentos específicos e as condições para manutenção dessa mesma estrutura. Além disso, ―se a culpa é do sistema, nada pode ser feito enquanto ele não for alterado, assim eu me eximo de responsabilidades no que diz respeito à minha prática cotidiana, já que sou mero joguete neste sistema demoníaco‖ (OLIVEIRA, 1998, p. 13).

Enquanto alguns, chamados sociobiólogos, apontavam as diferenças biológicas como definidoras dos papéis sociais, outros diziam que o homem não era o culpado pelas condutas que praticavam, mas pelo papel masculino que se exigia dele socialmente, pois havia uma sobrecarga em ter que provar a condição de macho, que muitas vezes era conduzido para agressão, guerra e destruição (OLIVEIRA, 1998).

O resultado disso é a criação de estereótipos de gênero, tanto pelo pela mídia, quanto pela arte, responsabilizando homens pela política e economia, com expectativas de ―autonomia, autoconfiança, liderança, agressividade, força, aventura, arrogância, poder de decisão, capacidade de domínio, assertividade, rusticidade, orientação para realização‖ (OLIVEIRA, 1998, p. 09), e mulheres responsáveis pelo cuidado com os filhos e com a casa, com comportamento sensível, ligado à natureza, dependente, submissa, calma e emotiva. Tais estereótipos acabam sendo reforçados pelos processos de socialização, como igreja, escolas, clubes de interesse, práticas esportivas. E enquanto não se questionam as condições para a manutenção dessa estrutura e as relações de poder decorrentes, a teoria acaba por cair no círculo vicioso de alimentar a mesma condição masculina.