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Overview and Contributions

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 8-14)

Fonte: Fundación Nuestro Mar (2009)91

91 Disponível em

http://www.nuestromar.org/noticias/mar_calmo_102009_26298_preparan_carta_de_los_rios_las Acesso em 19 de Janeiro de 2015.

165 Os desentendimentos acerca da navegação e do controle dos afluentes desses principais rios regionais será uma das causas de conflitos entre brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios que não cessarão com as consultas diplomáticas. O primeiro e central desafio estratégico brasileiro era sua província do Mato Grosso, acessível, mais facilmente por navegação fluvial. O Paraguai tinha o potencial de negar o acesso brasileiro a essa região se quisesse. As fortalezas, como a de Humaitá, foram construídas para consolidar esse controle da navegação em uma época instável sobre o domínio dos rios.

A política paraguaia de direitos de navegação nos rios Paraná e Paraguay era logicamente inconsistente, argumentando uma posição com a Argentina e outra com o Brasil. [...] a navegação desses rios era a única maneira prática do Império alcançar o Mato Grosso e a única forma de enviar suprimentos e vende a única forma dos produtores de lá enviarem seus produtos ao mercado. O Paraguai, com efeito, pretendia vetar o poder brasileiro de enviar navios para o norte. Lopez pai e filho temiam não somente os navios de guerra no Rio Paraguay, mas também o estabelecimento de bases militares lá (SAEGER, 2003, p. 91-92).

As diatribes criadas pelo Paraguai pareciam não fazer sentido para a diplomacia brasileira. Não entendiam os brasileiros o porquê da política exterior do Paraguai ser tão astática no que tange aos rios. Em abril de 1856 o governo de Carlos António López havia chegado a um acordo com o Brasil para a livre navegação dos rios. O acordo de amizade e comércio foi firmado com uma cláusula de posterior negociação entre as partes sobre as questões de limites territoriais. No entanto, o acordo de 1856 foi sendo cada vez mais desrespeitado pelo Paraguai.

O presidente [Carlos López] atrasou a ratificação do acordo, mas o aprovou; contudo fez de tudo para frustrar sua observância. Ele cobrava taxas irregulares sobre os bens em trânsito para o Mato Grosso e suas sentinelas e fiscais de aduana eram orientados a serem exageradamente oficiosos com os navios estrangeiros (WILLIAMS, 1979, p.159).

166 Essa instabilidade gerava desconfiança e gerou uma questão pendente para as relações entre Brasil e Paraguai.

O governo paraguaio condicionava a livre navegação do Rio Paraguai à delimitação e respeito definitivos das linhas d fronteira. O imbróglio resultou na expulsão do encarregado de negócios imperiais em Assunção, o diplomata Felipe José Pereira Leal, em setembro de 1853. Ele entregou projeto de navegação e limites compreendido como verdadeiro ultimato pelo governo paraguaio. De modo imperial, o governo brasileiro respondeu com a diplomacia canhoneira (TEIXEIRA, 2011, p.3).

Essa instabilidade na política paraguaia acerca da navegação dos rios prejudicava o comércio e a logística brasileira para sua província do Mato Grosso. A questão só foi resolvida com a demonstração de força naval brasileira e a conclusão de um acordo em 1858 que dava liberdade de navegação ao Brasil. Contudo, a ação brasileira convenceu Solano López, comandante das Forças Armadas na época, que o Paraguai deveria avançar no seu projeto de potência militar e que o Brasil deveria era seu principal rival.

Desde então, a sensação era que o acordo de 1858 havia sido realizado à sombra de um conflito iminente entre paraguaios e brasileiros. As relações entre o Brasil e o Paraguai estavam rotas nesse período. O diplomata norte-americano lotado em Assunção comenta esse momento.

Os López querem a velha questão dos limites fronteiriços resolvida e reclamam que o Brasil está importunando a todo tempo e que não chegarão a um acordo. Reclamam que estão tomando seu território. Eles têm um ódio visceral dos brasileiros e costumam chamá-los de macacos92.

Apesar de todo sentimento hostil Carlos López recomendava prudência ao filho para não acutilar o Brasil. Ele acreditava na resolução diplomática tal como os brasileiros. Contudo, o maior problema era o fato do Brasil não estar preocupado

92 Charles A. Washburn para William Seward, Assunção. 22 de Abril de 1862. Archivo Nacional

167 com o Paraguai, mas sim com a situação uruguaia. É correto dizer que o Paraguai era secundário no cálculo estratégico do Império.

Sem dúvida, era perigoso deixar o Paraguai seguir adiante com suas movimentações militares. É nesse ponto que o terceiro aspecto geopolítico da Guerra do Paraguai entre em questão. As disputas territoriais entre os contendores. A começar por paraguaios e argentinos que não se entendiam desde que os espanhóis abandonaram seu Vice-Reinado do Prata e os argentinos se autoproclamaram seus herdeiros. No início Buenos Aires não reconhecia a independência paraguaia, mas mesmo depois de reconhecê-la as pendências territoriais permaneciam.

O maior temor paraguaio era a possibilidade de Buenos Aires fechar o estuário do Rio da Prata impedindo o comércio exterior do Paraguai com o resto do mundo. A Ilha de Martim Garcia, por exemplo, mantida sob controle argentino, se militarizada com canhões em uma fortaleza, poderia facilmente impedir a saída dos navios paraguaios para o Oceano Atlântico.

Na região do Gran Chaco as disputas eram severas. O mapa abaixo mostra as áreas em litígio entre o Paraguai e a Argentina. Por Argentina aqui se entende tanto o governo central da Confederação em Buenos Aires quanto o governo da Província de Corrientes e Entre Ríos com suas autonomias. Para os paraguaios o território controlado pelos argentinos entre o Rio Bermejo e o Rio Pilcomayo pertencia a eles. Outrossim, a região entre o rio Paraná e o Rio Uruguai na divisa com o Rio Grande do Sul e a Ilhota de Apipé controlada pela Argentina também era reclamada pelos paraguaios.

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