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Chapitre VIII. Adaptation du système

VIII.4 Ouverture du système

O Projeto de Intervenção integrará uma perspetiva expressiva do movimento, utilizado como um processo para promover a integração emocional, cognitiva e física da pessoa. Este projeto privilegia a comunicação não-verbal, a arte do movimento e a criatividade, que vão operar como veículos mediadores da expressão da unidade corpo-mente. A empatia é o ponto de partida, quanto mais flexíveis forem os padrões de movimento, maior é a capacidade da resposta relacional.

São inúmeros os estudos na área da Dançoterapia na promoção da saúde, e os benefícios associados a esta prática vão desde melhorias na capacidade de comunicação e expressão (Lewis-Bernstein, 1986; Levy, 1992), diminuição da tensão, promoção do bem-estar e libertação de sentimentos (Mills e Daniluk´s, 2002), melhorias ao nível da interação, compreensão de si próprio e do outro e desenvolvimento das competências sociais (Palo-Bengtsson, Winblad e Ekman,1998).

Mais recentemente surgem também outros estudos que, apesar de não terem como população-alvo uma amostra com características semelhantes à presente, têm resultados com implicações importantes. Wilbur et al., (2015), num estudo que envolveu a dançoterapia e a gestão do stress em veteranos de guerra, e Brauninger (2012), num estudo que recorreu às terapias orientadas para o corpo diretamente no tratamento do stress, mostraram resultados evidentes, apesar de a curto-prazo, das repercussões positivas deste tipo de intervenção na gestão dos níveis de stress.

Finalmente, é importante mencionar uma meta-análise de Koch, Kunz, Lykou e Cruz (2013) que aborda o percurso da intervenção pela dança em diagnósticos do foro

psicológico, evidenciando melhorias significativas ao nível da QV, autoimagem, bem- estar e competências sociais, e diminuição dos sintomas de depressão e ansiedade. Todas as investigações analisadas levam a uma perceção positiva dos resultados na medida em que se espera que, após diversos meses de dançoterapia, com recurso às linhas orientadoras do contacto-improvisação, os problemas de comunicação verbal sejam absorvidos pela facilidade na comunicação pelo corpo, aumentando a capacidade empática de cada pessoa, em relação à outra. Pensa-se que esta prática irá colmatar num clima mais assertivo e menos agressivo na dinâmica familiar, diminuindo assim os níveis de stress (Koch et al, 2015; Santos, 2008).

A recetividade por parte dos prestadores de cuidados surge como a principal dificuldade antevista pela Estagiária. Outro parâmetro que pode dificultar a aplicação do Projeto em causa poderá ser a disponibilidade e o conciliar dos horários dos diferentes prestadores com os horários da Estagiária, e disponibilidade do espaço em causa.

Análise da Intervenção da Estagiária

Nesta secção será feita uma análise do trabalho desenvolvido nos diferentes contextos, para no último Capítulo ser feita uma reflexão final pessoal, de todo o processo. Relativizando o facto de não ter havido uma complexificação crescente das tarefas desempenhadas, começando desde muito cedo com uma intervenção direta e autónoma, não podem deixar de ser referidas algumas das dificuldades sentidas ao longo do estágio. A falta de observação inicial foi um dos principais desafios, aliada à inexistência, até então, de intervenção psicomotora na Instituição, ou mesmo em outras Instituições da Ilha. Pode dizer-se que o Estágio foi pioneiro da Intervenção Psicomotora em São Jorge.

Começando pelo contexto de maior à vontade e preparação prática da estagiária – Terapia Psicomotora em Meio Aquático, as evoluções dos clientes em termos de habilidades e melhorias funcionais foram evidentes, desde a amplitude de movimento, ganho de força muscular, diminuição da espasticidade e do tónus muscular e responsividade e reação ao estímulo, até à aquisição e evolução notória nas técnicas de natação. A Estagiária faz um balanço muito positivo da intervenção neste contexto, realçando-se a evolução na adaptação ao meio e reação positiva crescente em relação às sessões ter sido muito gratificante. Recomenda-se a continuação deste trabalho, e também a extensão deste tipo de intervenção a todos os clientes do CAO.

No âmbito da Intervenção Psicomotora em ginásio importa diferenciar as sessões individuais e de grupo: a nível individual há que mencionar as evoluções de alguns clientes (e.g.: aquisição da posição bípede com apoio físico parcial da C.F., da marcha com apoio físico parcial da H., a autonomia na mobilidade com bengala/andarilho do R., o aumento da força muscular e mobilidade articular do B. e a diminuição do tónus muscular da C., as melhorias ao nível da equilibração e consequente autonomia da marcha do M.). Todas estas aquisições não são resultado apenas das sessões individuais de IPM, mas da intervenção em todos os contextos dos clientes e, em alguns casos, de um trabalho continuado em casa pela família. Em alguns casos não se verificaram as evoluções esperadas, ressalvando a importância da continuação deste trabalho, justificando também a necessidade de, em situações particulares, aumentar a frequência das sessões individuais para trissemanal e intentar novamente uma intervenção em coresponsabilização com a família.

A Estimulação Multissensorial e Snoezelen foi talvez o domínio onde a Estagiária sentiu uma maior lacuna em termos de formação. A AACCNEE tem uma sala de Snoezelen totalmente equipada, o que potenciou em grande parte a intervenção neste contexto. Não perdendo o PII de vista, foi importante não restringir a intervenção aos horários das Sessões. A realidade é que houve uma evolução clara no funcionamento desta Oficina, sendo que antes deste estágio as sessões passavam apenas por colocar

os clientes nas diversas estações da sala de estimulação e deixá-los “estar a relaxar” e, desde Setembro, todas as atividades tinham um objetivo intencional e direcionado numa complexificação crescente, gradual e individual. Um próximo passo será uma formação para toda a Equipa sobre materiais, utilidades, estratégias e atividades na Sala de Snoezelen. Uma proposta da Estagiária no sentido de melhorar a qualidade da estimulação multissensorial no CAO seria a utilização do Jardim de Inverno (Figura 3 – Canto Sup. Esq.) para a criação de um “Jardim dos Sentidos”, um espaço inclusivo e acessível a todos, com diferentes variedades de plantas, cujas características estimulariam os sentidos de diferentes formas, desde ervas aromáticas a plantas comestíveis, passando por espécies com distintas cores e texturas. Este jardim teria também um caminho de pé descalço (e.g.: areia, terra) para desafiar quem estivesse disposto a caminhar nele para experienciar diferentes texturas sob os seus pés. Para adicionar uma componente auditiva a este conjunto de sensações, o jardim sensorial teria uma fonte de água e um conjunto de canas de bambu sob a forma de instrumento musical. Além de toda a estimulação multissensorial, o Jardim Sensorial do CAO de Velas estaria aberto a outras Instituições e à comunidade em geral, funcionando também como elo de ligação com o exterior. Esta ideia é apenas um Projeto proposto à Direção da Associação, e ainda à espera de aprovação.

Finalmente, abordando um contexto sentido como dos mais gratificantes, importa refletir acerca das Sessões de Expressão e Movimento. Talvez por ser um domínio que abarcou sempre a inclusão e partilha com outras Instituições representou, sem dúvida, uma mais-valia na vida de todos. Desde, em termos individuais, o desenvolvimento da capacidade criativa, expressão corporal, capacidade comunicativa não-verbal e verbal, noção corporal e estruturação espaciotemporal, e em termos de grupo a partilha, entreajuda, comunicação e inclusão, eram as duas horas semanais mais ansiadas por todos, clientes e funcionários. Os dois Projetos que constituíram esta Oficina. de Setembro a Maio. foram: “Movimento e Luz”, com um programa que compreendeu sessões de Expressão Corporal e Dança Contemporânea com os clientes e funcionários de duas Instituições ao longo de três meses e colmatou numa apresentação ao público de uma peça de dança; “A Nova História dos Sapatos Vermelhos”, uma parceria que incluiu sessões de Expressão Dramática e Teatro ao longo de quatro meses e foi finalizado com a apresentação de uma peça de teatro. Em ambos os projetos a inclusão e partilha de vivências foi sem dúvida o ponto-chave a frisar.

Além da atuação nos quatro contextos acima referidos a Estagiária ficou também responsável pela Oficina de Massagem e Relaxamento onde, aplicando inúmeras das técnicas aprendidas em Métodos de Relaxação Psicossomática, pretendeu não uma aplicação direta a nível profilático, mas potenciar aos clientes momentos de bem-estar e descontração. A atuação ao nível dos sete fatores psicomotores denotou, de forma geral, melhorias adaptativas de cada um dos clientes, com diferentes níveis e ritmos de evolução, o que evidenciou a importância da IPM nesta realidade.

Além das evoluções dos clientes em termos de autonomia e funcionalidade outra mais-valia deste estágio foi o aumento do número de clientes na Instituição: em Setembro de 2015, o CAO tinha 14 clientes com baixa taxa de retenção de clientes considerados autónomos e em Abril de 2016, o CAO de Velas tem inscritos 17 clientes com graus completamente variados de autonomia. Os protocolos com Instituições como a EBS de Velas para aulas de Música e Inglês e com a Câmara Municipal de Velas para integração no mercado de trabalho são uma das grandes evoluções para ir de encontro às necessidades das diferentes pessoas apoiadas.

Do ponto de vista profissional este Estágio representou, não só uma entrada no mercado de trabalho, mas também uma forma de consolidar tudo o que foi aprendido nos 4 anos de formação e perceber, finalmente, o que é a intervenção psicomotora e qual o

seu papel na vida dos clientes. Talvez pelo facto de a Psicomotricidade ser uma área de intervenção em crescimento, com um reconhecimento ainda abaixo do expectável para qualquer profissional na área da saúde, o potencial deste tipo de intervenção não foi visto, à partida, como dotado do seu real valor, perspetiva esta que foi sendo alterada com o decorrer do tempo.

Como primeira Psicomotricista na ilha de São Jorge esta parece a oportunidade ideal para a criação de mais um Pólo da Associação Portuguesa de Psicomotricidade nos Açores. Atualmente, esta área de intervenção já chegou às Ilhas de São Miguel, Faial, Pico, Graciosa e São Jorge e, num futuro próximo, com o trabalho e partilha de todos os profissionais envolvidos, espera-se que chegue a todas as outras e se desenvolva como área de intervenção, crescendo como ferramenta de promoção da QV dos clientes. Apesar da Região Autónoma dos Açores fazer parte do território Português, são ainda muitas as limitações no que diz respeito ao acesso às deslocações e, consequentemente, partilha de experiências de forma direta e presencial. Sendo assim, a união e partilha dentro do arquipélago parece um passo importante para uma posterior ampliação. Rumo a este objetivo um passo já dado, durante o ano de Estágio foi a organização de um intercâmbio entre o CAO de Velas e o CAO da Ilha Graciosa, orientado pelo Psicomotricista Pedro Andrade, a decorrer já este mês de Agosto.

Assim, e em suma, todas as iniciativas pensadas pela Estagiária, em conjunto com o trabalho prático que desenvolveu com cada um dos clientes do CAO de Velas, visam potenciar uma melhoria substancial no funcionamento da Instituição, e especialmente, na vida dos seus clientes.

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