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Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 18-27)

A evolução da ética empresarial acompanhou o desenvolvimento econômico.

Na economia de troca onde não havia o lucro nem empresa, a ética se limitava na relação de poder entre as partes e na necessidade de obter certos bens ou artigos. Com o advento do lucro, os pensadores o consideraram um acréscimo indevido, representando uma dificuldade para a moral.

A compatibilidade entre ética e atividade lucrativa se deu pela primeira vez no Século XVII, em “A Riqueza das Nações”, quando Adam Smith conseguiu demonstrar que o lucro tem uma outra face, a de vetor de distribuição de renda e de promoção do bem-estar social.

A encíclica “Rerum Novarum”, do Papa Leão XVIII, foi uma tentativa formal de expor princípios éticos aplicáveis ao relacionamento entre empresa e seus empregados. Princípios que valorizavam o respeito aos direitos e à dignidade dos trabalhadores.

Nos Estados Unidos, em 1890, entrou em vigor a lei denominada “Sherman Act”, que passou a proteger a sociedade contra acordos de empresas, contrários ou restritos da livre concorrência. Outras leis surgiram para complementar o Sherman Act, proibindo a prática de discriminação de preços por parte de uma empresa em relação aos seus clientes.

Houveram várias outras tentativas de se impor um comportamento ético nas empresas, mas somente na metade do século XX que o assunto ganhou importância. Em 1972, a Conferência Internacional Sobre o Meio Ambiente

realizada pela Organização das Nações Unidas em Estocolmo – Suécia fez com que quase todos os segmentos, inclusive às empresas adotassem ou reforçassem suas leis diante da necessidade de preservar os recursos naturais. Outro acontecimento que chamou atenção do mundo, foi a aprovação pelo Congresso norte-americano da lei relativa à ética empresarial denominada

Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) em 1977. Essa lei passou a proibir e a

estabelecer penalidades para as pessoas ou organizações que oferecessem subornos a autoridades estrangeiras para obter negócios.

A ética empresarial no Brasil tem diversos aspectos regulados em leis próprias. A Lei 4.137 de 1962 que reprimia abuso do poder econômico e as prática concorrências foi modificada recentemente pela Lei 8.884 de 1993. Os textos legais que refere à proteção do meio ambiente, proteção do trabalho, proteção do consumidor e outros, têm se multiplicado nos últimos anos o que demostra a crescente importância da ética nas relações.

No início dos nos 90, a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social – FIDES realizou um Simpósio Internacional sobre “A Ética no Mundo da Empresa”, onde participaram empresários, políticos, jornalistas e consultores do Brasil e do exterior. As contribuições desses participantes foram reunidas num livro com o mesmo título do Simpósio, escrito pelo organizador Nelson Gomes Teixeira publicado pela Editora Pioneira em agosto de 1991.

Humberg um dos participantes e contribuintes levantou a seguinte questão, que foi o cerne do Simpósio: “É possível para a empresa definir e

de tirar vantagem em tudo, e em que os próprios ocupantes de cargos públicos são os primeiros a violar as regras morais?”

Humberg (1991) sintetizou em seis pontos, as recomendações e conclusões para às empresas a respeito da pergunta chave acima levantada pelos participantes:

1. “É preciso que se aumente a discussão de temas políticos, éticos, morais, culturais e não se fique apenas no debate político. Só assim vamos definir qual o país que queremos e quais são seus padrões éticos;

2. A falta de uma ética vinda de cima não deve impedir que as pessoas e empresas tenham a sua. É um processo que vai se desenvolvendo e exige, acima de tudo, paciência e firmeza;

3. Não basta a empresa fazer bem, ela precisa fazer o bem. Esta é a base ética, que se exige de uma empresa participativa. A solidariedade é o pilar sobre o qual se assentam os valores sociais, entre os quais a ética;

4. O empresário tem que pensar mais na visão social e na preservação do bem comum. E, é nisso que eticamente ele está falhando, deixando de mostrar – pelo seu comportamento – o caminho da mudança;

5. A empresa deve ser um veículo de desenvolvimento social das pessoas, e não apenas de gerador de lucros para seus proprietários e acionistas;

6. Embora raras, as empresas com preocupação ética são capazes de competir com sucesso e obter não apenas a satisfação pessoal dos colaboradores, como também resultados econômicos compensadores.”

De forma geral, a mudança de comportamento e até mesmo a conscientização é um processo gradativo, que não servem de parâmetros imediatos de avaliação de resultados de Simpósios, Conferências. A ECO’92 no Rio de Janeiro é um bom exemplo, de que os efeitos começam a aparecer meio que modestos anos à frente. Mesmo lento, o empresário está aos poucos se conscientizando de que pode ser agente efetivo no bem-estar social, indo além de cestas de Natal ou doações à creches no dia das crianças.

No Brasil, temos entidades não governamentais, institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas com a questão da responsabilidade social empresarial, como é o caso do IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas criado pelo Hebert de Souza, o “Betinho” que mobilizou o país na luta pelo combate à fome e à miséria e incentivou as empresas divulgarem seus balanços sociais através de um modelo bastante simples. A atuação incansável da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança pela erradicação do trabalho infantil e a adoção do selo “Empresa Amiga da Criança” por número expressivo de empresas são também exemplos vivos da aplicação da responsabilidade social.

Outra organização sem fins lucrativos que tem se destacado é o Instituto Ethos. Fundado em 1998 tem como associados algumas centenas de empresas brasileiras de diferentes portes e ramos de atividade e é parceiro de entidades internacionais, como o “Prince of Wales Business Leadership Forum”, do Reino Unido, e o “Business for Social Responsibility”, dos Estados Unidos. O Instituto Ethos tem como missão mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável. Tal

entidade se preocupa em disseminar a prática da responsabilidade social por intermédio de atividades de intercâmbio de experiências, publicações, programas e eventos voltados para seus associados e para a comunidade de negócios em geral. Dentre as publicações de grande valor estão a “Formulação e Implantação de Código de Ética”, “Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial”, “Questionário dos Indicadores Ethos” e “Como as Empresas podem (e devem) valorizar a Diversidade”.

O Instituto Ethos é um dos membros do AccountAbility Council (AA1000), conselho mundial formado por 4 grupos: acadêmicos, consultores, empresas não lucrativas e setor privado. Veja quadro 4 abaixo:

Quadro 4: Accountability Council

Council Member Organization Affiliation Organization Type Country Base

Carol Adams Glasgow University University UK

Roger Adams ACCA Accountancy

Institute UK

Gavin Andersson Development Resources Centre NGO South Africa

Richard Evans Ethics Etc Consultancy UK

Reino Fridh IKEA Group Corporate Sweden

Adrian Henriques Independent Consultant UK

Vernon Jennings Novo Nordisk Corporate Denmark

Mark Lee Business for Social Responsibility NGO USA

Craig Mackenzie Friends Ivory & Sime Corporate UK

Professor Alberto Martinelli

University of Milan University Italy

Ed Mayo New Economics Foundation NGO UK

Malcolm Mcintosh University of Warwick University UK

Paul Monagham The Co-operative Bank Corporate UK

Sarah Murphy Forum for the Future NGO UK

Valdemar de Oliveira

de Neto Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

NGO Brazil

Peter Pruzan Copenhagen Business School University Denmark

Kay Sexton AccountAbility NGO UK

Maria Sillanpaa KPMG Consultancy UK

Dr. Chris Tuppen BT Group Corporate UK

Simon Zadek Independent Consultant UK

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