Cadre conceptuel de l’étude
6. Mondialisation, un phénomène contemporain
6.2. Médias et démocratie : la presse en ligne de mire
6.2.2. Outils numériques et pratiques multimédia dans le journalisme
Garcia (1997) argumentou que o setor saúde sempre teve uma potencialidade educativa, a qual geralmente esteve voltada para a manutenção da ordem social estabelecida. Desse modo, o autor defendeu que diversos modos de se conceber a saúde - ligados à concepção de homem e de sociedade - foram definindo as políticas de saúde e educação em saúde no Brasil.
Assim, esse autor pontuou que os dados referentes à história da saúde foram de importância significativa para que o mesmo entendesse que o trabalho desenvolvido nessa área esteve/está intimamente relacionado com a necessidade de manter e perpetuar os meios de produção capitalista. Nas palavras do autor (ibdem: 14):
O investimento do caráter educativo das ações em saúde foi a forma utilizada para a efetivação de um projeto da classe dominante que não tinha como objetivo mudar a situação de vida das classes desfavorecidas. Pelo contrário, seu objetivo era a sua própria manutenção e fortalecimento.
Nesse sentido, até a década de 20 o Estado brasileiro não tinha uma política estruturada em relação à saúde, ficando essa encargo para as entidades filantrópicas e religiosas. Sendo que, o interesse maior da saúde pública no Brasil até a década de 30, para Garcia (1997: 22), não residiu na reprodução da força de trabalho, mas na circulação e
distribuição de mercadorias; o que estimulou as campanhas sanitárias e profiláticas voltadas a áreas portuárias. Essas campanhas exigiram além de uma maior intervenção estatal, a formação de intelectuais para a sua organização.
Ainda segundo Garcia (ibdem), na década de 20, o surgimento do movimento sanitarista e o da escola nova fez com que a luta pelo ensino universal e gratuito se somasse à luta pela universalização dos Centros de Saúde de serviços preventivos sob a responsabilidade do Estado. Esse fato culminou com a disseminação dos pensamentos higienista e sanitarista nas unidades escolares e na criação do Departamento Nacional de Saúde.
Os anos 30 e 40 foram marcados pela incipiente expansão das indústrias brasileiras, pelo acelerado crescimento urbano, pelo surgimento da classe média e pela ampliação de políticas populistas, principalmente nas áreas de educação e saúde. Nesse contexto, a saúde passou a ser tema dos currículos escolares, sendo que as instituições escolares passaram a disseminar e a incutir a idéia de que a saúde era uma responsabilidade de cada indivíduo (higiene e cuidados pessoais).
Na década de 60, a crise do Estado, na qual os discursos e práticas dominantes contradiziam as condições de vida da maioria do povo brasileiro, refletiu numa crise vivida pela saúde pública. Fundamentado em Luz (1986)39, Garcia (1997: 25-6) mencionou que entre os anos de 1968 e 1974, os discursos dominantes na área da saúde centravam-se em torno do planejamento econômico.
Categorias como "racionalidade, produtividade, crescimento, desburocratização (desrotinização), descentralização (da execução de atividades) e, finalmente, ao término da conjuntura, aparece a temática da participação, entendida em geral como adesão, seja dos agentes institucionais, seja da população, aos planos e programas institucionais.(ibid., p.120)
As décadas de 70 e 80 foram marcadas pela crise financeira e política do regime ditatorial, pela reabertura e redemocratização da sociedade brasileira, pela crítica ao modelo privatista e hospitalocêntrico da assistência à saúde no país e pelo surgimento do Movimento Sanitário. Esse movimento fundamentado nos escritos de Paulo Freire e nas experiências de educação popular representou, segundo diversos autores pesquisados, uma
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LUZ, Madel. As instituições médicas no Brasil: instituições e estratégia de hegemonia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1986
ruptura com a tradição autoritária da educação em saúde e uma nova forma de se conceber a participação das classes populares no planejamento, execução e avaliação das políticas públicas de saúde.
Garcia (1997:28) sintetizou que em alguns momentos, a relação entre educação e saúde esteve ligada às informações transmitidas nas escolas. Em outros, foi representada pelas campanhas sanitárias. Em todos os casos, as ações educativas em saúde tinham um caráter biologicista e relacionado a determinados interesses religiosos, políticos (manutenção da ordem social) e econômicos (proteção da exportação/importação; manutenção da força de trabalho) e, voltados para o atendimento dos interesses de alguns grupos sociais privilegiados. Em todos esses casos, o caráter educativo das ações em saúde perpassaram apenas pela prevenção, tratamento e cura de doenças.
O referido autor afirmou que a área de saúde pode ter um outro papel além do que lhe foi atribuído historicamente, pois defendeu que as ações educativas em saúde podem contribuir para a transformação social. Para Garcia (1997), ampliar o caráter educativo das ações em saúde para além das questões biológicas e preventivas, passa por considerar o seu potencial político transformador como uma nova proposta para os serviços de saúde.
Fundamentada nos autores citados, penso que a educação em saúde deve ultrapassar seu aspecto meramente informativo - de transmissão unilateral de técnicas e conhecimentos de hábitos higiênicos e comportamentos que evitem contaminações por agentes patogênicos, epidemias e/ou cuidados com doenças crônicas já instaladas (como diabetes e a hipertensão arterial por exemplo).
Entendo, pois, que a educação em saúde deve priorizar as discussões sobre a saúde enquanto um estado resultante de um processo histórico-social, portanto, cultural e material; além de formar cidadãos conscientes de que o acesso aos serviços públicos de saúde foram direitos conquistados pela população organizada e não por obra benemérita de algum governo populista.
Para que ocorra uma real efetivação do SUS e o sucesso das novas estratégias em saúde, como o PSF, considero necessária uma transformação na prática do profissional de saúde, fundamentada numa concepção teórica que considere primordial a atuação e a co- participação dos diversos sujeitos sociais na criação, implantação e desenvolvimento de
políticas públicas comprometidas com os interesses e necessidades de toda uma coletividade.
Nessa perspectiva, o trabalho de educação em saúde com famílias de classes populares que defendo é aquele que priorize a “construção compartilhada do saber”; que busque a superação do antagonismo existente entre conhecimento oficial e o conhecimento do senso comum; que reconheça cada indivíduo e cada família como portadores de saberes próprios sobre o processo de saúde/doença, bem como suas estratégias particulares de enfrentamento a patologias já instaladas.
Por isso, esse trabalho de pesquisa pautou-se no respeito a intimidade, aos valores éticos, culturais e religiosos; a história e o momento (ou ciclo) de vida e, principalmente, no saber construído através das vivências cotidianas em busca do atendimento público em saúde dos(as) mediadores(as) em saúde das famílias entrevistados(as).