• Aucun résultat trouvé

Chapitre 3. La formalisation des pratiques de l’enseignant

3.2 Les outils de formalisation

5.1. Discussão dos resultados

O presente estudo procurou estudar qual o impacto que o Curso de Complemento de Formação em Enfermagem teve na carreira dos Enfermeiros, no sentido da promoção e progressão profissional.

Neste capítulo, procura-se dar sentido aos resultados encontrados, com base nas respostas dos Enfermeiros, obtidas no questionário elaborado.

Pretende-se, neste capítulo, descrever os resultados que se consideram mais evidentes, sobretudo mais pertinentes para as hipóteses formuladas, por forma a relaciona-los com a literatura.

Neste estudo, verificou-se que os alguns Enfermeiros inquiridos frequentaram a formação inicial de Enfermagem que não aquela que encontramos na actualidade, quer seja o Curso de Bacharelato em Enfermagem, quer seja o Curso Geral de Enfermagem, denotando-se, assim, que as transformações no ciclo de estudos foram vivenciadas por Enfermeiros ainda em pleno exercício da sua função.

Foi possível também concluir que, tantos os Enfermeiros que realizaram a sua formação de base nos cursos de Bacharelato ou Curso Geral, tiveram a oportunidade de realizar o CCFE, por forma a alcançar o grau académico de licenciado, verificando- se que a sua maioria teve conhecimento para o realizar, contudo, uma percentagem dos inquiridos optou por não o frequentar.

Paralelamente, os Enfermeiros que não realizaram o CCFE, justificam tal facto, maioritariamente, com “motivos pessoais” e “falta de tempo”.

Por outro lado, todos os Enfermeiros que terminaram a sua formação de base com o grau académico de bacharel, encontram-se em regime de trabalho semanal de 42 horas (horário acrescido).

Neste estudo, verificou-se que os Enfermeiros do departamento de Cirurgia do Centro Hospitalar de Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria E.P.E. revelam que a motivação para frequentar o CCFE não recaiu no factor “imposição legal”, no factor “plano de estudos do CCFE atractivo” ou no factor “colmatar falhas de conhecimentos”, mas sim, maioritariamente nos factores “aumentar oportunidades de promoção na carreira”, “aumentar oprtunidades de progressão na carreira” e no factor “aumentar salário”.

136

Tese de Mestrado para a obtenção do grau de Mestre em MPA – Administração Pública, Especialização em Administração da Saúde.

Estes resultados apoiam a teoria de Victor Vroom (1964) quando refere que, “a

formação profissional tem um valor particular para os indivíduos, porque os indivíduos a percepcionam como instrumento para alcançar outros resultados, como sejam o aumento de salário e/ou a promoção profissional”(Guerra, 2008).

Ao mesmo tempo, os individuos inquiridos revelam também que um factor determinante que os levou a realizar o CCFE foi o factor “faciltar o desenvolvimento profissional” podendo, assim, relacionar este factor com a literatura de Mathieu et al.

(1992), Mathieu & Martineau (1997), citados em Guerra (2008), quando evidenciaram

que “a motivação era sobretudo função da percepção, de que um melhor desempenho

(facilitado pela formação) leva à sensação de conquista, aumenta o salário e a probabilidade de promoção”, ou seja, o facto de os Enfermeiros sentirem que o CCFE iria facilitar o seu desenvolvimento profissional, aumentavou a percepção de que iriam ser promovidos na carreira ou ter, por exemplo, um aumento salarial.

Conclui-se, portanto, que a Teoria das Expectativas de Victor Vroom, baseada no facto de que a motivação é o resultado de uma complexa relação entre três variáveis: valência, instrumentalidade e expectância ou expectativa se aplica à motivação dos Enfermeiros inquiridos para frequentar o CCFE, fundamentado pelos resultados obtidos, relembrando Szilagyi & Wallace Jr(1990) ao referirem que, “a

valência é definida como o quanto uma pessoa deseja uma recompensa. É a intensidade expressa do seu desejo por certa recompensa ou resultado, que pode ser um aumento salarial, uma promoção, um reconhecimento, um trabalho de melhor qualidade (…)” e também Guerra (2008) ao referir que “a instrumentalidade diz respeito à estimativa de que determinado desempenho seja um caminho adequado para chegar a uma recompensa” e, por último, Guerra (2008) dizendo que, “a

expectância ou expectativa refere-se à estimativa de que o esforço de um indivíduo resultará num desempenho conseguido ou a possibilidade de que esse desempenho produza o resultado esperado”.

A hipótese H1 obteve resultados estatísticos bastante significativos em que, a quase totalidade dos Enfermeiros inquiridos que realizaram o CCFE discordam quanto à afirmação “Fui promovido na carreira”, ou seja, os Enfermeiros que realizaram o CCFE não foram promovidos na carreira. Da mesma forma, as hipóteses H2, H3 e H4 obtiveram resultados similares à afirmação anterior, concluindo-se que, após a realização do CCFE, os Enfermeiros não progrediram na carreira, não tiveram um aumento salarial nem foram reconhecidos.

137

Tese de Mestrado para a obtenção do grau de Mestre em MPA – Administração Pública, Especialização em Administração da Saúde.

A hipótese H5, permitiu concluir que, os Enfermeiros bacharéis, ou aqueles que optaram por não realizar o CCFE, tem um cargo significativamente diferente comparado com o que ocupavam quando ingressaram na instituição. A análise estatística acerca dos cargos actuais permite evidenciar que quase metade dos Enfermeiros bacharéis ocupam cargos superiores ou que existe uma grande percentagem de Enfermeiros bacharéis com cargos superiores, sendo que estes resultados diferem dos pressupostos de Bilhim (2009) quando refere que, “só pode ser candidato ao procedimento de recrutamento quem seja titular de um nível habilitacional e área de formação correspondentes ao grau de complexidade da carreira e categoria do posto de trabalho a ocupar”, no caso de recrutamento dentro da instituição para ocupação de cargos superiores.

Por outro lado, os mesmos resultados apoiam Cardim e Miranda (2007) quando dizem que “ a existência de formação adequadas (salvo nas profissões

regulamentadas), não implica necessáriamente o recrutamento “adequado”, uma vez que o processo de gestão de recursos humanos não é linear nem assenta exclusivamente na procura de competências técnicas, tornando-se assim compreensível o predomínio, no nosso país, da preparação pela experiência em grande número de profissionais que são promovidos internamente após integração na organização (…)”.

Ao testar a hipótese H6, verificou-se que os cargos ocupados pelos bacharéis não diferia significativamente dos cargos ocupados pelos licenciados que frequentaram o CCFE.

Para as outras hipótes formuladas mas não centrais do estudo, verificou-se que a motivação para frequentar o CCFE não difere consoante o cargo ocupado e a idade dos Enfermeiros.

Sendo assim, a literatura sugere que a motivação para a formação pressupõe um objectivo, que, neste caso, relembrando Vroom, por exemplo seria a progressão e promoção na carreira dos Enfermeiros através da formação. Focado nas alterações ocorridas no ciclo de estudos na Enfermagem, nomeadamente no CCFE, este constituia um bom instrumento que permitiria aos Enfermeiros concretizar as motivações prévias para a frequência no CCFE, o que não se verificou nos Enfermeiros do departamento de Cirurgia. CHLN-HSM.

138

Tese de Mestrado para a obtenção do grau de Mestre em MPA – Administração Pública, Especialização em Administração da Saúde.

5.2. Limitações do estudo e investigação futura

Uma das limitações apontadas ao presente estudo é o facto de os dados terem sido recolhidos em apenas um hospital. Esta circunstância torna a interpretação estatística e a generalização dos resultados difícil uma vez que, para além de ser apenas um hospital, é uma instituição que apresenta uma cultura organizacional que pode influenciar directamente a opinião dos inquiridos devido às acções de gestão que são implementadas na mesma instituição.

Da mesma forma, a amostra do estudo tem dimensões relativamente baixas para também poder generalizar os resultados, sugerindo que a administração do questionário deva ser mais cuidadosa, presencial e com incentivos aos indivíduos para responderem, sendo também esses incentivos dificeis de criar.

Outra limitação importante é o facto de, através do instrumento aplicado, ter sido possível perceber outros factores que contribuem para a discrepância na classe dos Enfermeiros, entre os seus elementos, nas mais variadas situações e contextos. Contudo, essas lacunas percebidas através do instrumento aplicado não foram aqui explanadas pois não era o objectivo central deste estudo, sugerindo que trabalhos futuros devam ser realizados, por forma a detectar especificamente tais lacunas, de modo a serem expostas convenientemente.

139

Tese de Mestrado para a obtenção do grau de Mestre em MPA – Administração Pública, Especialização em Administração da Saúde.