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Outils de caract´erisation exp´erimentale

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1.5 Conclusion

2.1.2 Outils de caract´erisation exp´erimentale

A Figura 16 mostra a distribuição espacial do escoamento superficial (mm) simulado, por sub-bacias, na bacia do rio Cunha para o ano de 2001.

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Figura 16 – Distribuição Espacial do Escoamento Superficial nas Sub- bacias para o ano de 2001.

As Tabelas 18 e 19 mostram as áreas (%) das classes uso e ocupação do solo e de declividade para algumas as sub-bacias da bacia do rio Cunha.

Tabela 18 – Áreas (%) do Uso e Ocupação do Solo para as Sub-bacias.

Área (km²)

Uso e Ocupação do Solo - Área (%) Sub-

bacia Água Floresta Pastagem Agricultura Solo Exposto

1 0,09 6,10 4,82 50,76 11,42 26,90 2 1,11 9,20 27,49 37,24 16,05 10,01 3 0,70 - 55,80 17,45 25,32 1,29 4 4,04 - 81,14 12,08 5,27 1,58 5 0,19 0,10 28,45 50,06 15,66 5,73 6 1,43 0,14 57,92 7,71 32,69 2,68 7 1,00 0,20 28,36 56,46 4,60 10,37 8 3,40 0,26 58,41 21,62 16,51 3,55 9 0,07 5,45 11,82 62,12 1,82 18,79 10 2,71 0,24 66,24 21,36 10,70 1,51 11 0,48 1,02 51,16 35,71 5,54 6,56 12 0,63 0,21 78,32 13,67 6,59 1,21 13 0,72 0,71 47,77 30,87 15,28 5,29

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Tabela 19 – Áreas (%) das Classes de Declividade para as Sub-bacias.

Classes de Declividade - Área (%) Sub-bacia 0 – 20% 20 – 45 % >> 45 % 1 88,32 11,68 - 2 53,05 29,72 17,23 3 4,43 42,68 52,93 4 49,99 32,50 17,51 5 40,80 49,50 9,70 6 9,63 54,73 35,41 7 54,72 36,72 8,51 8 26,25 43,88 29,78 9 93,33 6,67 - 10 32,38 41,43 26,22 11 46,46 35,85 17,69 12 34,83 52,29 12,88 13 44,70 39,52 15,72

Segundo a Figura 16, a variação da distribuição espacial do escoamento superficial nas sub-bacias é de 641,00 a 1.212,48 mm.

O maior escoamento superficial (1.212,48 mm) é o da sub-bacia quatro (4). Esta bacia, através da Tabela 18, apresenta grande parte de sua cobertura composta de floresta (81%), o que poderia gerar o menor escoamento superficial conforme outros estudos, tais como Bosch & Hewlett (1982); Hodnett et al. (1995) e Trimble et al. (1987). Em relação à declividade, esta bacia apresenta maior percentual de área entre as classes plano a ondulado e fortemente ondulado (82,49%) e apenas 17,5% na classe montanhosa.

As sub-bacias 10 e 13 são as que apresentam menor escoamento superficial (747,90 e 641,00 mm, respectivamente). Isto foi evidenciado visto que possui a maior parte de sua cobertura composta de floresta (66% e 47,7%), o que provoca a diminuição da parcela da chuva que escoa pela superfície do solo. Para as declividades também apresentam maior percentual de área (73,8% e 84%) distribuída entre as classes planas a fortemente onduladas.

As demais sub-bacias apresentam escoamento superficial entre os valores mínimo e o máximo obtidos. Diferenciam-se basicamente pela ocupação do solo em relação à presença de cultivos agrícolas e de pastagens.

As sub-bacias 3, 6 e a 8 apresentam percentual de suas áreas significativamente ocupada por cultivos agrícolas e pastagens (42,7%, 40,4%, 38%, respectivamente) o que colaborou para o incremento de escoamento superficial (1.142,00; 1.121,00; e 1.038,00 mm, respectivamente). Isto ocorreu visto que essas coberturas oferecem pouca área de interceptação às gotas de chuva e, por haver preparo/revolvimento do solo, muitas vezes, as camadas superficiais de infiltração da água da chuva encontram-se bastante modificadas.

De Maria (1999) apud Pruski e Sobrinho (2009) estimou perdas de água em áreas ocupadas por cultivos agrícolas em 2.519 m³.ha -1 e para áreas de pastagens o equivalente a um décimo deste, correspondendo em torno de 171 bilhões de m³ por ano, nestas áreas.

Além disso, estas sub-bacias apresentam grande variação na declividade, sendo compostas basicamente das porções fortemente onduladas à montanhosas da bacia do rio Cunha (95,6%, 90%, e 73,6%, respectivamente), o que favorece o aumento do escoamento superficial.

A Figura 17 mostra a distribuição espacial para a produção de sedimentos (ton.ha-1), por sub-bacia, na bacia do rio Cunha também para o ano de 2001.

A produção de sedimentos varia de 0,34 a 327 (ton.ha-1) segundo a distribuição espacial para a bacia no ano de 2001 (Figura 17). As sub-bacias que mais produziram sedimento foram as de número 3 e a 6. Estas se localizam próximas à exutória da bacia do rio Cunha e são caracterizadas por CAMBISSOLOS.

A alta produção de sedimentos destas pode ter ocorrido devido as duas sub-bacias apresentarem elevado escoamento superficial (1.142,00 e 1.121,00mm, respectivamente) (Figura 16). O escoamento superficial favorece o desprendimento das partículas de solo, através das tensões cisalhantes envolvidas no escoamento da água pela superfície do solo (PRUSKI, 2009). As partículas são carreadas até os rios aumentando a quantidade de sedimentos nos mesmos, caracterizando os processos de erosão hídrica.

Além disso, as sub-bacias 3 e 6 apresentam grande percentual de suas áreas em regiões declivosas (Tabela 19). Segundo Pruski (2009) maiores declividades acarretarão aumento na tensão cisalhante relacionada ao escoamento superficial, devido ao aumento da velocidade de escoamento das águas superficiais, e, consequentemente haverá maior propensão para a ocorrência de erosão do solo.

A falta de cobertura vegetal densa, que é o caso de cultivos agrícolas e pastagens colabora expressivamente com estes processos por não proporcionar resistência à passagem da água pelo solo e, em geral,

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haver baixa infiltração de água nas camadas de solo ocupadas por estes usos. As sub-bacias apresentam alto percentual de suas áreas com estes usos (42,7% e 40,4%), mostrados na Tabela 18.

A sub-bacia 8 também apresentou elevada produção de sedimentos (155 ton.ha-1). Isto se deve às mesmas condições apresentadas para as sub-bacias 3 e 6, ou seja, elevado escoamento superficial (1.038,00 mm), grande área coberta por agricultura e pastagens (38%) e declividades acentuadas. Esta bacia caracteriza-se por ARGISSOLOS E CAMBISSOLOS, este último em maior porcentagem. A sub-bacia 4 apesar de apresentar o maior valor simulado pra o escoamento superficial (1.212,48 mm), apresentou produção de sedimentos baixa (1,7 ton.ha-1).

Considerando-se as influências que o escoamento superficial possui na produção de sedimentos como já mencionado anteriormente, uma maior produção de sedimentos poderia ter sido obtida através das simulações. Isto se deve ao fato dos resultados de produção de sedimentos não terem sido comparados a dados reais da bacia e/ou de locais próximos, como se procedeu com a vazão através da calibração. Portanto, não se sabe o comportamento real da bacia do rio Cunha em relação à produção de sedimentos.

Na Tabela 19 observa-se que esta Sub-bacia apresenta sua maior área em regiões planas a fortemente onduladas (82,49%), assim como as Sub-bacias 7 (91,44%), 9 (100%), 11 (82,31%) e 12 (87,12%) que também apresentaram baixa produção de sedimentos. Como a USLE e seus derivados (RUSLE, MUSLE) já têm mostrado, a declividade é um fator importante nos processos erosivos. A baixa produção de sedimentos na Sub-bacia 4 deve ter resultado da baixa declividade em detrimento da ação do escoamento superficial que se apresentou superestimado em relação ao uso e ocupação do solo encontrado na sub-bacia. As outras sub-bacias apresentaram média ou baixa produção de sedimentos, variando de 0,34 ton.ha-1 a 70 ton.ha-1.

Figura 17 – Distribuição Espacial da Produção de Sedimentos (ton.ha-1) nas Sub-bacias para o ano de 2001.

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