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2.3 Concilier la dynamicité des applications avec les services de la grille

2.3.2 Outils de déploiement

O bairro da Mouraria contou com um total de 57 inquéritos recolhidos. Em termos de vivência no dia-a-dia, uma maioria esmagadora dos residentes afirmam realizar todas as suas atividades e frequentar todos os estabelecimentos na zona em questão. O número mais baixo sendo a percentagem de pessoas que visitam exposições, que ronda os 28,07%. Contudo, até os valores mais baixos mostram-se elevados, quando em comparação com os restantes bairros. De notar especialmente a discrepância com Alfama, que em tanto diverge em termos de resultados, apesar destes famosos bairros históricos estarem muito próximos tanto em termos de história, como de geografia e desenvolvimento urbano.

Continuando esta comparação e da amostra aqui recolhida, temos uma variedade muito maior quando olhamos para os anos de residência no bairro. Enquanto que em Alfama tínhamos uma fatia muito maior de pessoas que se mudaram recentemente para lá, na Mouraria temos um leque de vivências muito maior, com tantos residentes recentes como antigos (Anexo 13)

Isto pode ser a razão pela qual temos vemos aqui uma comunidade muito mais enraizada no espaço, que já se ambientou e adaptou à oferta local e já depende dela de uma forma possivelmente até rotineira. Seja o motivo a proximidade a casa, seja o relacionamento com vizinhos e conhecidos, seja até apenas uma questão de procura e oferta.

As atividades que se mostram difíceis de realizar devido à presença de turistas são, mais uma vez, a frequência de restaurantes e a utilização de transportes públicos. 15,79% dos residentes admitiu não realizar mais a primeira atividade devido ao turismo, enquanto 24,56% declarou não realizar a segunda.

73.68% 89.47% 70.18% 59.65% 56.14% 28.07% 38.60% 73.68% 49.12% 5.26% 7.02% 15.79% 3.51% 14.04% 3.51% 1.75% 3.51% 24.56% 0.00% 10.00% 20.00% 30.00% 40.00% 50.00% 60.00% 70.00% 80.00% 90.00% 100.00%

Realiza Tem Dificuldade em realizar

Figura 18: Actividades realizadas pelos residentes no bairro da Mouraria e dificuldades em realizá-las devido ao turismo

Em relação à pergunta número 2.1 da parte dois do inquérito, temos um número muito maior de residentes a confirmarem que se aperceberem das melhorias na sua zona de residência. Mais uma vez, isto pode ser explicado pela quantidade que residentes que já têm uma longa vivência na área, permitindo assim mais tempo para a visualização de melhorias no espaço.

Em primeiro lugar temos novamente a revitalização de infraestruturas e do espaço urbano, que conta com o reconhecimento de 63,16% dos residentes. Logo depois, temos o embelezamento das ruas com 49,12% a afirmar que notam uma melhoria considerável. Não muito atrás, temos a melhoria dos espaços públicos com 47,37%. A maior oferta cultural e comercial são duas alterações que também se encontram bastante próximas, com 35,09% e 36,84% por essa ordem. Até o desenvolvimento positivo de espaços verdes e do serviço comunitário e a manutenção das áreas comuns tiveram percentagens dignas de destaque.

Uma vez que a Mouraria era um dos bairros que apresentava um maior nível de pobreza e maior número de problemas sociais (Proença, 2015, p.151), assim como uma maior degradação do espaço público, é um sinal muito positivo para esta análise que os seus residentes estejam conscientes que este bairro sofreu um desenvolvimento positivo muito grande nos últimos anos, contando com uma variedade enorme de áreas abarcadas. Em relação à questão _ da parte dois, temos uma percentagem muito pequena de residentes a considerar o turismo o principal impulsionador destes progressos. Os mais notáveis são a revitalização, novamente, com 33,33% a atribuir o turismo como principal

24.56% 47.37% 49.12% 28.07% 7.02% 15.79% 35.09% 36.84% 63.16% 7.02% 26.32% 8.77% 12.28% 14.04% 8.77% 5.26% 5.26% 10.53% 17.54% 33.33% 5.26% 5.26%

Reconhece melhorias Considera que as melhorias são direccionadas ao turista

Figura 19: Melhorias reconhecidas pelos residentes da Mouraria e crença de que estas são direccionadas ao turista

causa para as melhorias observadas, e a maior oferta comercial em segundo lugar, com 17,54%.

Os problemas dos bairros também não passam despercebidos aos residentes. 52,63% confirmam o seu desagrado com a questão do barulho fora das horas permitidas por lei, assim como 54,39% destaca a sua insatisfação com a sujidade dos espaços públicos. A quantidade de pessoas a reconhecer a problemática do tráfico de droga nos bairros é acentuada também, com 22,81%. Isto já é um afastamento claro da situação de Alfama, em que um número muito menor de residentes afirmou confrontar essa realidade.

Ainda assim, o lugar de topo vai para o aumento do custo de vida mais uma vez, com 68,42% dos habitantes a queixar-se. Logo atrás, com uma diferença mínima, temos a questão da circulação de viaturas, com 64,91% de inqueridos insatisfeitos. Esta realidade justifica-se não porque temos turistas a trazer viaturas para os bairros, mas porque temos negócios a se desenvolverem quase exclusivamente para o turista, que envolvem dificuldades no trânsito local, como é o caso dos Tuk-Tuks.

Contudo, os residentes não atribuem a culpa destas questões aos turistas. Apenas 32% considera os turistas culpados do barulho e da difícil circulação de viaturas. A percentagem mais acentuada que presenciamos é novamente o aumento do custo de vida, que acusa uns impressionantes 45,45% de habitantes insatisfeitos com a presença de turistas no bairro.

Na última parte, temos uma média alta de pessoas a concordar que o alojamento local devia situar-se fora das zonas habitacionais e dos bairros históricos. Temos aqui também a média mais alta de residentes, de todas as áreas abrangidas por este inquérito,

22.81% 54.39% 52.63% 28% 8.77% 22.81% 68.42% 8.77% 64.91% 14.04% 68.42% 12.28% 15.79% 31.58% 19.30% 7.02% 7.02% 17.54% 7.02% 32% 3.51% 45.45% 0.00% 10.00% 20.00% 30.00% 40.00% 50.00% 60.00% 70.00% 80.00%

Presente no bairro Intensificado pelo turismo

a dizer que os turistas nem deveriam poder frequentar as ruas, para o bem da comunidade. Ainda assim, há que ver que a média é ainda de apenas 1,4 numa escala de 0 a 5 o que, apesar de ser a maior, é ainda um valor positivamente baixo.

É também o bairro com a média mais alta, entre todos os outros, de pessoas a afirmar que este fenómeno é maioritariamente negativo. Contudo, estes preocupam-se que os bairros estejam a perder aquilo que lhes é característico e creem também que devia ser dada mais prioridade às necessidades dos habitantes e que deveria haver uma melhor regulamentação da questão do imobiliário... Ainda assim, todos os pontos que abrangem os benefícios do turismo contam com uma opinião muito positiva por parte inquiridos.

A Mouraria foi o bairro com menor participação por parte dos comerciantes. Mesmo na fase dos inquéritos aos residentes, a Mouraria e Alfama foram os que tiveram menos inquiridos. É difícil avaliar os motivos desta situação, mas ainda assim e em ambos os inquéritos foram atingidos os números mínimos desejados para este estudo nesta região, portanto a dificuldade na recolha pode ter originado um atraso no estudo de caso, mas não um impedimento de maior.

Foi também o bairro que contou com menos comerciantes moradores na área histórica do estabelecimento, com apenas 20% residentes. Possivelmente relacionado com este fator, temos aqui também menos negócios com uma existência no bairro prolongada: apenas 30% entre 16 a 15 anos de existência, todos os restantes sendo ainda mais novos do que isso. Em termos de nacionalidade, contou com 80% portugueses e o restante, emigrantes de diferentes nacionalidades.

Apesar da principal categoria comercial continuar a ser a alimentação, contou ainda com 20% de estabelecimentos de artesanato e outros produtos de fabrico regional, 20% lojas de roupa e ainda uma agência de viagens, exclusivamente para o mercado asiático e com foco nos emigrantes habitantes na cidade de Lisboa.

Em termos de público-alvo, 60% dos comerciantes diz não fazer distinção entre os clientes, apenas 10% dá prioridade aos turistas e 20% estão direcionados para os locais. Apesar disto, e mesmo tendo em conta um negócio com um público muito de nicho e o

30.00% 40.00% 30.00% 10.00% 20.00% 60.00% 10.00%

facto de que a maior parte dos negócios dizer não fazer alterações para atrair turistas (70% não mudam nada para garantir o maior interesse dos estrangeiros), há ainda uma maioria de 60% que diz que os seus principais clientes são os visitantes e não os residentes.