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Un outil de microcoordination

Os estudos realizados em amostra de mão abrangeram a totalidade das amostras (109) e seguiram os critérios, escalas e classificações seguidamente expostas ao longo deste item.

3.3.1.CRITÉRIOS QUALIFICATIVOS PARA A CLASSIFICAÇÃO DO ASPECTO DA ROCHA

EM SUPERFÍCIE FRESCA

Para a realização do estudo a esta escala, foram definidos alguns critérios qualitativos, que permitem caracterizar de modo conciso as diversas amostras em estudo e uniformizar conceitos ao longo das várias análises/descrições efectuadas ao longo do trabalho; assim, é possível realizar uma análise comparativa e posterior interpretação e correlação dos vários resultados obtidos.

Estes critérios têm como principal finalidade criar uma maior articulação entre as observações de campo e as descrições laboratoriais dos diversos litótipos, criando-se assim uma maior simbiose entre as análises realizadas a meso e a microscala e podendo contribuir, igualmente, para melhorar e facilitar a comunicação prática nestas matérias entre geólogos e outros profissionais.

Tabela 3.1. Critérios qualificativos adoptados para definir o aspecto da rocha em superfície fresca.

Designação Símbolos Avaliação no terreno/ em amostra de mão

Muito resistente R1

Rocha muito resistente, sem quaisquer evidências de alteração e sem rugosidade ao tacto. Para partir é necessário mais de um golpe de martelo.

Resistente

R2

Rocha resistente que normalmente parte com um golpe forte do martelo, baixa rugosidade ao tacto e com formação incipiente de pó na superfície fresca. Pode apresentar ou não evidências de alteração nas imediações das descontinuidades presentes.

Moderadamente resistente R3

Rocha fácil de partir com o martelo, com rugosidade ao tacto e com formação evidente de pó de pedra na superfície fresca. Pode apresentar ou não evidências de alteração.

Baixa resistência R4 Rochas desagregam-se facilmente com pequenos golpes do martelo.

Muito baixa resistência R5 Pode ser partida com dificuldade com as mãos.

Tabela 3.2. Critérios qualificativos adoptados para definir a escala de grandeza dos veios presentes nas rochas em análise, baseada na sua espessura.

Designação Símbolos Avaliação no terreno /em amostra

de mão

Veios muito grosseiros VMG >5mm

Veios médios VM 1-2mm

Veios finos VF 0,5-1mm

Micro -veios MV <0,5mm

Tabela 3.3. Classificação dos veios da rocha, baseada na sua constituição.

Designação Símbolos Avaliação no terreno/ em amostra de mão

Veios de calcite incolor VPCC Veios preenchidos por calcite “tipo cristal”.

Veios de calcite acinzentada VPCA Veios preenchidos por calcite acinzentada.

Veios com evidências claras da ocorrência de ferruginização e

alteração

VPCF Veios com evidências claras da ocorrência de ferruginização e

alteração, levando-os a apresentar cores amareladas a alaranjadas – avermelhadas.

Veios avermelhados e/ou com películas vermelhas

VPCP Veios normalmente com as características apresentadas VPCF +

películas vermelhas nos bordos do veio. Estes veios apresentam uma clara gradação vertical da alteração da cor ao longo da sua amplitude, que passa de um amarelo-alaranjado (em cerca de 85% da sua espessura) a um vermelho intenso em cerca de 15% da sua espessura, na sua parte mais periférica (formando uma fina película). Veios com evidências de

dissolução

VED Veios com evidências de dissolução, podendo estar parcialmente ou

totalmente dissolvidos.

Na descrição dos veios, sempre que possível, incluir-se-á a sua irregularidade, continuidade, fracturação e preenchimento. Nos casos em que ocorra mais do que uma geração de veios, tentar-se-á compreender a sua cronologia e correlacioná-la com a evolução diagenética ocorrida em cada litótipo.

Tabela 3.4. Critérios qualificativos adoptados para definir a escala de das fracturas, baseada na sua espessura.

Designação Símbolos Avaliação no terreno/em amostra de

mão

Fracturas muito grandes FI >5mm

Grandes fracturas FII 2-5mm

Médias fracturas FIII 1-2mm

Pequenas fracturas FIV 0,5-1mm

Microfracturas FV <0,5mm

Na descrição das fracturas, sempre que possível, tentar-se-á abordar a sua irregularidade, rugosidade e continuidade. Nas situações em que ocorra mais do que uma geração de fracturas tentar-se-á correlacionar essas diferentes gerações com a evolução diagenética observada no litótipo em análise.

Nos casos em que se justifique, abordar-se-á o grau de preenchimento das fracturas e tipo de material de preenchimento.

Tabela 3.5. Critérios qualificativos adoptados para definir a escala relativa de partículas alteradas e/ou ferruginizadas em cada amostra, baseada na percentagem de partículas ferruginizadas.

Designação Símbolos Aspectos associados e suas percentagens padrão

Elevada EFP > 70% de partículas ferruginizadas e/ou alteradas

Frequente FFP 45 - 70% de partículas ferruginizadas e/ou alteradas

Moderada MFP 25 - 45% de partículas ferruginizadas e/ou alteradas

Baixa BFP 10 - 25% de partículas ferruginizadas e/ou alteradas

Tabela 3.6. Classificação granulométrica utilizada para a descrição em amostra de mão.

Designação das partículas Símbolos Avaliação em amostra de mão

Grosseira GG Partículas com dimensão > 2mm.

Média GM Partículas entre com dimensão entre 0,5mm-

2mm.

Fina GF Partículas com dimensão <0,5mm.

3.3.2.ESCALAS DE CORES PADRÃO DEFINIDAS PARA OS CALCÁRIOS E DOLOMITOS DO

MACIÇO CALCÁRIO ESTREMENHO ESTUDADOS

Estas escalas têm com principal objectivo uniformizar a classificação da “cor” atribuída a cada amostra ao longo das várias descrições efectuadas no trabalho, permitindo ainda em certos casos correlacionar a cor da amostra com a sua natureza e aspectos diagenéticos actuantes.

Uma boa descrição/interpretação e caracterização das variações verticais e laterais da cor entre as várias camadas de um afloramento e/ou entre vários afloramentos, pode auxiliar na compreensão da actuação diferencial ou não dos fenómenos de alteração de outros processos diagenéticos actuantes a mesoscala e, assim, dar uma noção mais precisa da origem dessa cor.

A utilização desta escala, acompanhada por uma boa descrição à macroscala/mesoscala, permite reduzir a margem de erro na identificação de cada litótipo nas campanhas de campo. Não se utilizaram as cores de Munsell®, devido à falta de correspondência entre as cores das amostras e as cores presentes na classificação de

Munsell®; Soil color charts (1975 Edition).

Tabela 3.7. Escala qualificativa para a classificação dos brancos do Maciço Calcário Estremenho em amostra seca.

Cor Padrão Descrição Amostra Padrão

Branco puro Branco tipo cal e/ou flocos de neve.

S87 - 11

Branco levemente creme a amarelado

Branco levemente creme a amarelado, podendo apresentar

um amarelado de fundo bem evidente. S87 - 4

Tabela 3.8. Escala qualificativa para a classificação dos cremes do Maciço Calcário Estremenho em amostra seca.

Cor padrão Descrição Amostra Padrão

Creme claro Creme claro, similar à cor de baunilha. V.F.1

Creme esbranquiçado Creme claro esbranquiçado, podendo apresentar manchas

e/ou zonas brancas associadas. SAL.E

Creme Creme acinzentado, podendo apresentar leves tons

amarelados e/ou alaranjados claros associados. V.Ventos-0

Creme amarelado claro levemente acinzentado e/ou

de esbranquiçado de fundo

Creme claro levemente amarelado, similar ao creme claro

de um café expresso cremoso. SAL.1

Creme acastanhado claro a creme acastanhado escuro

Associados leves tons de cinzento e/ou alaranjados de

Tabela 3.9. Escala qualificativa para a classificação das cores padrão para os Dolomitos do Maciço Calcário Estremenho em amostra seca.

Cor padrão Descrição Amostra Padrão

Cinzento claro levemenete acastanhado

Típico de alteração diagenética (creme cristal friável).

Ch2 Cinzento acastanhado claro a

creme levemente amarelado

Aspecto açucarado Ch1

Creme rosado/alaranjado claro

Similar ao rosa de abóbora S13-14

Rosa/Paleo-rosa Rosa a um vermelho de tijolo burro mal cozido. S13-24

Paleo – vermelho Similar ao vermelho terra rossa e/ou tipo tijolo

burro bem cozido

ChExtra

3.3.3.CLASSIFICAÇÕES UTILIZADAS EM AMOSTRA DE MÃO

A terminologia seguidamente apresentada justifica-se pelo facto de todas as descrições realizadas macroscala/mesoscala abordarem aspectos como: granulometria, grau de selecção, forma, arredondamento e arranjo espacial das partículas.

Estes factores são indispensáveis para qualquer geólogo começar a conceber e a desenvolver uma noção sobre a génese, desenvolvimento e distribuição dos poros dentro de uma rocha, ao longo das várias fases da sua história geológica. O entendimento/compreensão da génese e da distribuição dos poros numa rocha, constitui uma ferramenta de extrema importância para a prospecção de fluidos e/ou reconhecimento de barreiras de permeabilidade, que podem controlar a precipitação e acumulação de determinados tipos de minérios.

3.3.3.1. Classificação da distribuição granulométrica das partículas

A distribuição granulométrica das partículas sedimentares em cada amostra foi classificada de acordo com os seguintes padrões: unimodal, bimodal e polimodal (Suguio, 2003). Observar a figura 3.1.

3.3.3.2. Classificação da calibragem das partículas

A calibragem das partículas sedimentares em cada amostra foi classificada de acordo com os seguintes tipos-padrão: boa, moderada e má.Observar a figura 3.2.

Figura 3.1. Alguns exemplos de tipos de distribuição granulométrica de partículas sedimentares,

Figura 3.2. Exemplos padrão para a classificação da calibragem, em que da esquerda para a direita

temos: boa calibragem, moderada calibragem e má calibragem; figura retirada dos apontamentos da Cadeira de Sedimentologia (2004/2005) do Curso de Geologia da GeoFCUL.

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