6.3 Collecte de traces d'exécutions
6.3.1 Outil pour la collecte de traces d'exécutions greé à Bonita
Para além da comparação entre as revisões (secção anterior), considerámos também interessante averiguar qual a opinião que os investigadores que desenvolvem o seu trabalho em Portugal, e cuja língua materna não é o inglês, têm em relação aos serviços de tradução e de revisão de que podem usufruir. Procurámos ainda saber qual a sua opinião em relação à tradução e à revisão (no geral), qual a importância dada às
mesmas, e qual o tipo de revisão que consideram mais importante para as suas comunicações em inglês.
O questionário (Anexo III – Questionário a investigadores: formulário) foi disponibilizado através da internet, entre os dias 21 de Janeiro e 1 de Fevereiro de 2012. Foram obtidas 23 respostas ao questionário (Anexo IV – Resultados do questionário a investigadores).
Mais de metade dos investigadores (52%) respondeu que não possui nenhum curso de inglês, mas uma percentagem de 61% afirmou ter facilidade em escrever artigos em inglês. Seis investigadores ainda não submeteram artigos para publicação, por estarem numa fase anterior da investigação (recolha de dados), ou por estarem agora a iniciar o processo de escrita científica. Dos que já submeteram artigos, apenas dois os viram rejeitados (um porque a investigação não foi considerada relevante, e outro por questões relacionadas com o inglês). Os principais comentários dos peer reviewers aos artigos já publicados foram direccionados à metodologia (55%) e à discussão/conclusão (45%). Apenas 18% dos comentários visam a qualidade da escrita.42
Quatro investigadores contaram com a ajuda de colegas de laboratório e sete pediram ao orientador/coordenador ajuda para a revisão do artigo antes de ser submetido à revista. Apenas um indica que o orientador é inglês, mas todos consideram que a qualidade do artigo melhorou. Todos, também, encaram a revisão como sendo importante para o controlo de qualidade do artigo, mas a revisão técnica foi considerada mais importante do que a revisão linguística.
Apesar de alguns investigadores terem referido que a revisão foi feita por um colega de laboratório, nenhum dos inquiridos considerou essa revisão como sendo a mais importante. As que foram indicadas como mais relevantes foram a revisão “combinada” de um especialista da área e de um inglês (não especialista) – sete respostas – e a revisão feita pelo orientador/coordenador – seis respostas.
Alguns comentários deixados pelos investigadores revelam que, por vezes, não se lembram, ou não sabem, que podem requisitar serviços de tradução/revisão. Porém, a maioria considera ter competência suficiente, ou nunca ter sentido necessidade de procurar tais serviços. Há também alguns comentários relativamente aos preços que são pedidos por estes serviços (que os investigadores consideram elevados).
42
Apesar de não poderem ser utilizados para fazer generalizações (a amostra não é suficientemente significativa para tal), estes resultados servem para apresentar uma imagem do panorama da investigação feita em Portugal. Verifica-se que a maioria dos investigadores recorre a colegas de laboratório e ao orientador/coordenador para que seja feita uma revisão (quer linguística, quer técnica) antes de os artigos serem submetidos às revistas. Estes resultados confirmam o que já tinha sido visto na secção 2 do Capítulo III. Tendo em conta os comentários relativos aos preços praticados por serviços de tradução/revisão, os resultados indicam ainda que os investigadores não estão dispostos, ou não têm possibilidades (sendo a segunda a mais provável, uma vez que muitos investigadores são pagos através de bolsas de investigação), para suportar esses custos, preferindo optar por alternativas mais económicas: pedir a um colega de laboratório.43 Apesar de não ser a melhor solução (como indicaram em resposta ao questionário), acaba por ser a melhor alternativa, uma vez que, pelo menos, conseguem que o trabalho seja visto por outra pessoa.44
De forma a procurar uma solução para esta situação, as propostas feitas por Vasconcelos (43) são pertinentes, nomeadamente: a existência de unidades curriculares de escrita científica, particularmente em cursos da área da ciência e da tecnologia; a existência de centros de tradução/revisão nas universidades; e a elaboração de um exame de competência linguística de inglês, para avaliar e encaminhar os alunos para cursos apropriados. Por fim, será aconselhável procurar uma cada vez maior e mais estreita colaboração entre investigadores/cientistas e profissionais da tradução.
43
O facto de pedirem ao orientador/coordenador para que faça uma revisão não é de estranhar, uma vez que o seu trabalho deve ser supervisionado pelo mesmo.
44
CONCLUSÃO
Com a realização e conclusão do estágio foi possível executar tarefas que permitiram o desenvolvimento de novas capacidades e um contacto com a realidade do mundo da tradução. Acima de tudo, a elaboração deste relatório possibilitou a aquisição de conhecimentos específicos sobre um assunto extremamente importante no mundo da tradução e que, de certa forma, complementam a formação adquirida durante a componente lectiva do curso de Mestrado.
Tal como foi visto no final do último capítulo, existem algumas propostas bastante razoáveis que visam melhorar e facilitar a divulgação da ciência por parte de investigadores não nativos ingleses (principalmente os que se deparam com problemas em relação à língua franca da ciência). De particular interesse (e talvez sendo a proposta mais fácil de implementar) será a inclusão de unidades curriculares sobre escrita científica em cursos da área das ciências. Isto contribuirá para uma melhor qualidade do ensino superior e uma maior exposição dos alunos ao mundo científico. Poderá até ser considerado um investimento para o futuro das universidades, pois estarão a apostar na formação de investigadores que, provavelmente, desenvolverão a sua actividade nas próprias universidades.
Do ponto de vista da tradução, também será importante incluir uma unidade curricular sobre revisão nos cursos de Tradução. A relevância desta questão pode, muito provavelmente, passar despercebida durante os cursos. Uma solução (tendo em conta a eventual “resistência” à alteração de planos curriculares) poderá ser a colaboração com empresas que possam oferecer esse tipo de formação específica (por exemplo, a Tradulínguas). Numa perspectiva mais virada para a tradução/revisão técnica, seria interessante haver uma maior divulgação de cursos de tradução/revisão junto de cientistas de várias áreas, para que possam colaborar como tradutores/revisores especializados.
Por fim, é importante alertar para o facto de haver pouca bibliografia sobre a revisão, principalmente em Portugal. Assim sendo, este relatório poderá dar frutos e abrir o caminho para estudos específicos sobre a revisão (alguns dos quais já propostos por alguns dos autores citados) como, por exemplo, a comparação de revisões entre alunos de tradução e profissionais da tradução, a comparação entre revisões feitas na
língua materna e revisões feitas na segunda língua, a comparação entre revisões monolingues e revisões comparativas, e ainda um estudo mais aprofundado sobre a própria prática da revisão por parte de empresas de tradução.
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