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Origines de la perte de propriétés mécaniques du composite

CHAPITRE IV IMPACT DE LA FORMULATION DE LA MATRICE SUR SES PROPRIETES ET CELLES

III. Comportement thermomécanique du composite optimisé

2. Origines de la perte de propriétés mécaniques du composite

gradação, da renovação. A própria organização é constituída por elementos em trânsito, é atravessada pelo fluxo, a degradação, a renovação. A maravilha, o paradoxo e o problema residem no facto de esta actividade permanente e ge- neralizada produzir estados estacionarios, no facto de o turnover ininterrupto produzir formas constantes, no facto de o devir incessantemente criar ser. Co- mo iremos ver, as organizações recorrentes são organizações que, no e pelo de-

sequilíbrio, na e pela instabilidade, no e pelo aumento de entropia, produzem estados estacionarios, homeostasias, isto é, uma certa forma de equilibrio, uma certa forma de estabilidade, uma forma certa de constância, uma verdadeira morfostase.

1. O estado estacionario

A constância da chama duma vela, da forma dum remoinho, da morfolo- gía duma estrela, a homeostasia duma célula ou dum organismo vivo são inse- paráveis dum desequilibrio termodinâmico, isto é, dum fluxo de energia que as percorre. O fluxo, em vez de destruir o sistema, alimenta-o, contribui necessa- riamente para a sua existência e para a sua organização. Mais ainda, a paragem do fluxo provoca a degradação e a ruína do sistema.

Trata-se, portanto, de considerar estes estados, que se equilibram no dese- quilíbrio; que, compostos por elementos instáveis, são globalmente estáveis; que, percorridos por fluxos, são constantes na sua forma. O termo steady

State, ou estado estacionario de não equilíbrio, defíne-os. A partir dai, surge o problema organizacional: como é que estas formas e estes estados estacionarios estão ligados à mudança e ao movimento?

Já é muito notável que exista um estado estacionario apesar de haver dese- quilíbrio, instabilidades, movimento, mudança. É perfeitamente admirável que exista um estado estacionario porque há desequilíbrio, instabilidades, movi- mento, mudança.

A invariância relativa das formas do sistema depende, efectivamente, do

turnover dos seus elementos constitutivos. Temos pois de conceber que a per- manência do movimento mantém a organização da permanência das formas e que esta organização mantém o movimento. A partir daqui, surge uma relação recorrente entre a organização e a renovação dos constituintes, incluindo os constituintes desta mesma organização. Daí nasce e mantém-se o estado primá- rio de toda a organização activa: o estado estacionario.

O sistema activo só pode ser estabilizado pela acção. A mudança garante a constância. A constância garante a mudança. Toda a organização da constân- cia destina-se a garantir a renovação, que por sua vez garante a constância. Os dois caracteres antinómicos activismo/invariância, por um lado, estacio- naridade/constâncià, por outro, não só concorrem entre si, mas também co-produzem-se mutuamente:

activismo/dinamismo > estacionaridade/constância

Esta idéia é claramente visível nos remoinhos, onde a forma fenoménica e o cinel generativo se confundem: aquilo que é constante é, ao mesmo tempo, aquilo que está em movimento. O movimento recorrente é aquilo que transfor- ma o escoamento dinâmico dum fluxo em circuito de forma constante, e, a partir daí, cada um dos dois termos co-produz o outro. O fluxo é a condição do trabalho, o qual transforma o fluxo em organização produtiva, não tanto a produção dalgum objecto, mas a produção-de-si; não tanto a organização dal-

178 EDGAR MORIN guma actividade distinta, mas a*organização-de-si. O fluxo alimenta o circuito recorrente, que é o do todo orgknizador-de-si.

O estado estacionario deve ser concebido como um aspecto-chave da pro- dução-de-si, e isto nos dois sentidos, o sentido da produção e o sentido do si.

Para começar, o estado estacionario faz parte da organização recorrente que o produz: não só é renovado permanentemente, mas também é necessário à renovação do próprio processo recorrente: é necessário que exista uma cons- tância, uma permanência, numa palavra, um ser, para que exista a organização que alimenta este ser. O ser, à sua maneira, mantém a organização que, por sua vez, o mantém.

E aqui o aspecto ontológico do estado estacionario deve ser sublinhado tanto mais que geralmente é ignorado. Como uma maionese sob o rodopio da batedeira, o ser e a existência adquirem uma primeira consistência, sob o efeito da recorrência, no e pelo estado estacionario. Com efeito, a partir da desor- dem, o movimento generativo produz uma ordem e um determinismo internos; a partir da improbabilidade estatística geral, produz uma probabilidade de existência local e temporária. Através do mesmo movimento criam-se, mantêm-se e conservam-se, reciprocamente, organização, ser e existência. Com efeito, ser é permanecer constante nas suas próprias formas, na sua própria or- ganização, na sua própria genericidade, isto é, na sua própria identidade. O es- tado estacionario constitui assim o estado primário dum ser dotado duma orga- nização activa. E, para o ser vivo, a homeostase, complexo de estados estacio- narios pelo qual o organismo mantém a sua constância, identifica-se com o ser deste organismo. "

O estado estacionario, numa física atomizada sem conceito de organização e sem conceito de ser, é um estado físico particular. Pelo contrário, vemos que, numa perspectiva de organização recorrente, e portanto generativa, é um ser dotado de quanto-a-si, que se forma e se consolida no e pelo estado estaciona- rio.

2. A dinâmica estacionaria: nnetadesequilíbrio, meta-instabilidade

Nestas condições, não podemos opor como alternativas simples equili- brio/desequilibrio, estabiUdade/instabilidade: temos simultaneamente de en- globar e ultrapassar estes termos que se tornam complementares, sem deixarem de ser antagónicos.

Efectivamente, nem a noção termodinâmica (ausência de fluxo), nem a no- ção mecânica (estado de repouso resultante da igualdade das forças antagóni- cas) de equilibrio, nem a noção de desequilibrio são pertinentes qugndo consi- deradas isoladamente para a compreensão do steady state e, no entanto, cada uma delas pode contribuir com uma parte de verdade contanto que falemos de

metadesequilíbrio. Nesta noção, equilibrio e desequilíbrio associam-se comple- mentarmente (visto que o desequilíbrio é necessário ao sempre recomeçado reequilíbrio do estado estacionario), mas permanecem antagónicos. A idéia de metadesequilíbrio é uma idéia activa; é o equilíbrio/reequilíbrio, desequilíbrio compensado ou recuperado, a dinâmica de reequilíbrio.

A complexificação da relação equilíbrio/desequilíbrio devemos juntar a complexificação da relação estabilidade/instabilidade. A idéia de estabiUdade

comporta já não só a manutenção dum estado definido, mas também a pro- priedade de retomar este estado após pequenas perturbações. Neste sentido, podemos considerar o steady state como um estado de estabilidade, que supor- ta variações e oscilações. Mas é esquecer que o regresso ao estado estável, no

steady state, não é o regresso ao repouso, mas o produto da actividade. É es- quecer sobretudo que o steady state comporta a instabilidade como virtude ori- ginal. Já vimos: o desequilíbrio e a instabilidade são genésicos, a organização activa apresenta indelevelmente a marca desta origem; nasceu das turbulências, choques, rupturas, antagonismos. Este traço genésico tornou-se genérico: os sóis, os remoinhos, os turbilhões contêm a confrontação de que nasceram.

Na sua origem, na sua existência, na sua permanência, os estados estaciona- rios dos seres-máquinas comportam, como factor fundamental, da sua ordem e da sua organização, um factor fundamental de desordem e de desorganização. Assim, o steady state nasce duma instabilidade, mantém-se através de insta- biUdades, reconstitui incessantemente uma estabilidade global para lá da insta- biUdade. Poderíamos ter falado de meta-estabilidade, se o termo não tivesse já um emprego físico circunscrito. A idéia de ultra-estabilidade (Ashby, 1956), proposta para exprimir a propriedade dum sistema de manter a sua estabilida- de, em condições de stress que normalmente deviam suprimi-la, poderia integrar-se aqui, mas seria insuficiente. Precisamos duma noção que indique que a estabilidade nova já não é uma verdadeira instabilidade nem uma verda- deira estabilidade: donde a idéia, que sugiro, de meta-instabilidade, que se in- tegra na idéia de dinamismo estacionario'.

O que aqui foi dito vale a fortiori para o ser vivo, no qual (e para além do equilíbrio e do desequilíbrio, da estabilidade e da instabilidade) a unidade do ser e do movimento se efectuam neste estado seguro e frágil, constante e flutuante: a vida.

Assim, para concebermos toda a organização activa, toda a máquina natu- ral, temos de associar de modo central as idéias de equilíbrio e de desequilíbrio, de estabilidade e de instabilidade, de dinamismo e de constância; mas esta asso- ciação deve ser concebida como anelamento, isto é, como relação recorrente entre estes termos que formam circuito, onde aquilo que é gerado gera, por sua vez, aquilo que o gera.

3. A Idéia de regulação

A idéia de regulação aparece no universo das máquinas artificiais com a ci- bernética; é a introdução de dispositivos informacionais que operam uma re- troacção negativa por detecção e anulamento do erro. A partir daí, parece uma das propriedades da organização propriamente informacional. No entanto, notara-se que existiam nas máquinas pré-cibernéticas dispositivos de retroacçâo negativa (como o dispositivo de esferas na máquina a vapor). Todavia, não se extraiu a conseqüência teórica de que a regulação precede a informação. Ora

' Assim, incessantemente a organização reequilibradora, reestabilizadora reage às perturbações que sobrevêm do exterior (variações nos fluxos, forças e pressões) e do interior (tendência para a dis- persão e para a desintegração), e a sua reacção manifesta-se através de pequenas flutiiações que, ao mesmo tempo, exprimem (desvio) e corrigem (regresso à norma) as perturbações sofridas.

180 EDGAR MORIN importa fundar a regulação, nã« na informação, mas no anel recorrente; este não é um dispositivo que aperfeiçoe o automatismo, a eficacia, a fiabilidade das máquinas; é generativo da própria existência do ser. Importa pois salientar que:

• O seres-máquinas naturais não podem existir sem regulação e que a regula- ção é um dos caracteres próprios da retroacção recorrente do todo e sobre o todo; • As arquimáquinas e as máquinas selvagens não comportam um dispositi- vo especifico de correcção do desvio e do erro.

O anel retroactivo não é, portanto, fundamentalmente, o resultado ou o efeito do dispositivo informacional de correcção do erro; é o anel retroactivo que é fundamental, e o dispositivo informacional corrector é um desenvolvi- mento próprio do fenómeno vivo, que ressurge, de modo unicamente regula- dor, no estado cibernético das máquinas artificiais.

Como vimos, a regulação espontânea da estrela, fruto de dois processos an- tagónicos, confunde-se com o anel retroactivo dum todo formidavelmente complexo. Esta regulação comporta, no que concerne o nosso Sol, enormes pulsações de amplitudes vastíssimas, sobressaltos e paroxismos. Comporta tur- bulências aterradoras na fotosfera. Comporta enormes desordens. O admirá- vel não é tanto o carácter grosseiro desta regulação, ameaçada por enormes desordens que podem fazer explodir a estrela, no seu percurso, como indicam as migalhas de sol que semeiam aqui e ali o mapa celeste. O admirável é que esta regulação, unicamente espontânea, suporte e supere tais desordens. Mais uma vez, aquilo que omitimos admirar no mundo, não só biológico e antropos- social, mas também físico, foi a'virtude espontaneista da organização-de-si.

Estamos demasiado habituados a procurar e encontrar a regulação num dispositivo de correcção de erros e não na poiesis, onde o jogo das solidarieda- des e dos antagonismos forma um anel. Porque a totalidade activa não é, repe- timos, uma transcendência investindo as partes, mas o conjunto das inter- -retroacções entre partes e todo, todo e partes.

Assim, toda a organização activa comporta necessariamente uma regula- ção, no sentido em que a retroacção do anel (ou circuito recorrente global) ten- de a anular os desvios e perturbações que surgem relativamente ao processo to- tal e à sua organização; assim, esta retroacção do todo pode dizer-se negativa.

É evidente que existe uma distância prodigiosa entre as regulações espontâ- neas da grande caldeira solar, indistintas da produção e reorganização-de-si, onde o que aquece, o aquecer e o aquecido são o mesmo, e a regulação da cal- deira de aquecimento central com termóstato, que só concerne o funcionamen- to da máquina.

Todavia, mesmo neste caso em que se apresenta muito circunscrita e apa- rentemente muito simples, a regulação é muito mais do que uma ccjrrecção do desvio própria dum dispositivo sui generis, quanto mais não seja porque a in- trodução deste dispositivo acarreta a criação dum anel não só entre as «saidas» e as «entradas» da caldeira, mas também entre esta e entidades do seu meio. Comecemos por considerar uma caldeira sem termostato. Esta corresponde a uma organização aparentemente atomística do aquecimento em que estão im- plicadas três unidades distintas:

De facto, existe não só fluxo e transformação de energia entre estas três entida- des, mas também ajustes e regulações, sendo estes efectuados por seres huma- nos.

A introdução dum termostato, digamos no local a aquecer", constitui a in- trodução dum dispositivo de regulação nas relações entre alimentação/cal- deira/local. O termóstato estabelece uma medida e fixa uma norma. Mede, através da temperatura, o calor produzido no local, e, quando esta temperatu- ra desce abaixo do grau requerido, a informação assim inscrita conve-te-se num sinal que desencadeia e aumenta a combustão até ao restabelecimento da norma.

Ora a introdução deste dispositivo de retroacção cria, de facto, um metas- sistema de tipo novo em relação às anteriores inter-relações entre as três entida- des: o caudal da alimentação, a combustão na caldeira e a temperatura do local tornaram-se automaticamente interdependentes no seio duma nova totalidade retroactiva dotada de qualidades próprias. O anel não está só entre as «infor- mações de saida» (output) que retroalimentam (feed-back: retroalimentar) as «informações de entrada» (input). O anel está agora entre a alimentação, a cal- deira e o local, via comimicação de informações. Já não existe unicamente a máquina-caldeira, existe a constituição dum ciclo maquinai mais vasto que en- globa a alimentação e o local. O anel constitui, em suma, uma organização re- corrente que se gera por si mesma, e se desvanece logo que pára. A partir dai, o anel retroactivo comporta e traz as seguintes propriedades organizacionais:

alimentação ^ caldeira ^ local

t

L

termostato <-

• A organização e a manutenção dum estado estacionario;

• A organização duradoura dum estado improvável, por modificação do jogo provável das causas e dos efeitos (sendo a probabilidade, a curto prazo, a combustão intemperante e, a longo prazo, a homogeneização das temperaturas exterior e interior);

• A organização dum trabalho antagónico à homogeneização das tempera- turas, criando e organizando uma heterogeneidade térmica;

• O estabelecimento dum determinismo interno opondo-se aos acasos e perturbações de origem interna e externa, nomeadamente a conjuração dos pe- rigos (incendiarios, explosivos) de sobreaquecimento e dos perigos (gelo, etc.) de subaquecimento;

• A sujeição a uma norma, a um fim (cf., mais adiante, cap. iv desta parte).

Assim, a retroacção negativa não é exactamente um acrescento que traga o

finish da correcção, e a regulação não é um simples contributo de regularidade.

Poderia limitar-me ao termostato fixado na própria caldeira, que regula o aquecimento segun- do a temperatura da água no inicio, mas a integração do local, sem modificar em nada a natureza do exemplo, ilustra-o melhor.

182 EDGAR MORIN

Não é apenas a organização da pficácia e da precisão automática num funcio-

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