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oriEntationS StratEGiquES Et Plan d’actionS a l’HoriZon 2030

Como já destacado anteriormente, os bancos gerenciam sua liquidez com o propósito principal de valorizarem seu capital em um ambiente de incerteza e em função de suas expectativas quanto ao futuro.

Nesse sentido, a preferência pela liquidez dos bancos determinará a forma como os mesmos gerenciam suas carteiras de ativos e seus pássivos, bem

como os volumes e os preços de sua oferta de crédito, a qual terá impactos sobre os níveis de investimento, da renda e do emprego agregados.

Keynes, em seu Tratado da Moeda, faz duas importantes ponderações sobre a forma como os bancos administram seus ativos:

[…] save in exceptional circumstances, all banks use their reserves up to the hilt; that is to say, they seldom or never maintain idle reserves in excess of what is their conventional or legal proportion for the time being. Indeed, why should they, so long as a perfectly liquid asset can be purchased which yields a rate of interest? The problem before a bank is not how much to lend […] but what proportion of its loans can be safely made in the relatively less liquid forms. (Keynes, 1978b, p. 47)

[…] what bankers are ordinarily deciding is, not how much they will lend in the aggregate—this is mainly settled for them by the state of their reserves— but in what forms they will lend—in what proportions they will divide their resources between the different kinds of investment which are open to them. (Keynes, 1978c, p. 59)

Com base nas considerações acima feitas por Keynes, podemos depreender que um banco sempre utiliza suas reservas até o limite de suas exigências legais, não se defrontando com o problema de decidir que montante de recursos emprestar no agregado, mas sim com o problema de definir que proporções de seus recursos devem ser alocadas nas diferentes formas de aplicações financeiras disponíveis, especialmente naquelas relativamente menos líquidas. Keynes apresenta três alternativas para aplicações de recursos: i) letras de câmbio e empréstimos de curtíssimo prazo no mercado monetário; ii) investimentos; e iii) adiantamentos a clientes. A Figura 2 a seguir evidencia os graus de liquidez e de rentabilidade de cada uma dessas opções disponíveis para aplicações de recursos.

Figura 2 – Graus de liquidez e de rentabilidade das opções disponíveis para aplicações de recursos

Fonte: Keynes (1978c) e Paula (2014, p. 33). Elaboração própria.

Assim, no Tratado da Moeda, Keynes já deixava claro que os bancos tomam as suas decisões de alocação de recursos do lado do ativo em termos do

trade-off entre liquidez e rentabilidade, isto é, em função de suas preferências pela

liquidez, embora aquele termo ainda não tivesse sido cunhado à época.

A dicotomia entre um ativo totalmente líquido que não paga juros, a moeda, e outro totalmente ilíquido que paga juros, os títulos, utilizada posteriormente por Keynes em sua Teoria Geral, tinha como único propósito simplificar a elaboração de sua teoria da preferência pela liquidez, além de, naturalmente, facilitar a compreensão daquele novo conceito, vinculado à incerteza fundamental típica de economias monetárias.

Convém observar que Keynes não inclui a moeda entre as opções de aplicações financeiras disponíveis, o que faz sentido, pois, como já havia sido ressaltado pelo próprio Keynes, os bancos, via de regra, somente manterão reservas em seu ativo de acordo com as exigências impostas pela autoridade monetária, sendo que, apenas excepcionalmente, os bancos deterão reservas em montantes superiores às exigências determinadas pelo Banco central, por exemplo, nos casos de crises financeiras, quando há deterioração das expectativas e aumento da incerteza quanto ao futuro.

Dessa forma, a questão da preferência pela liquidez dos bancos, em Keynes, não se trata de manter um ativo totalmente líquido que não paga juros, a moeda, em detrimento de outro totalmente ilíquido pagador de juros, os títulos; trata- se na verdade de uma questão de graus de liquidez e de rentabilidade dos diversos ativos disponíveis para aplicações de recursos.

Considerando-se essa estrutura simplificada de opções de aplicações financeiras apresentada por Keynes, os bancos, em uma situação de otimismo e euforia, prefeririam aplicar os seus recursos em investimentos e adiantamentos a clientes. Já em um cenário oposto, de deterioração de expectativas, os bancos dariam preferência a letras de câmbio e a empréstimos de curtíssimo prazo no mercado monetário. Todavia, em situações muito críticas e de extrema incerteza quanto ao futuro, os bancos podem aumentar a participação das reservas em seus portfólios, passando a deter reservas ociosas além das exigências legais, em que pese a perda de rentabilidade decorrente de tal decisão49.

Em um cenário econômico pessimista, em que haja uma maior preferência pela liquidez, a demanda por crédito será atendida em menor escala e a um maior custo financeiro, ou seja, além da diminuição da oferta de crédito, haverá também uma elevação das taxas de juros das operações de empréstimos. Por outro lado, o aumento da procura dos bancos por ativos mais líquidos provocará uma queda de suas taxas de juros. Carvalho (2007, p. 15) afirma: “Para um dado estado de expectativas, as preferências pela liquidez dos bancos determinarão o perfil desejado de ativos que compram e seus preços, isto é, a taxa de retorno que cada tipo de ativo deve oferecer para compensar pelo seu grau de liquidez.”

Outro ponto importante diz respeito às condições em que os bancos captam seus recursos, em termos de custos, prazos e riscos, bem como à participação de cada tipo de recurso em sua estrutura passiva, o que exerce grande influência no perfil de seus portfólios de ativos, cujos retornos, prazos de maturação, riscos e prêmios de liquidez deveriam estar adequados à natureza e características particulares das obrigações emitidas, ao menos na hipótese de se priorizar a redução dos riscos de liquidez e de insolvência.

Minsky (1982 e 1986) afirma que as diversas unidades de negócios de uma economia (de famílias a governos, passando por bancos e demais empresas) adotam diferentes posturas financeiras no que se refere ao financiamento de seus ativos e à sua exposição ao risco, classificando-as em hedge, especulativa e Ponzi,

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A título de exemplo, convém observar que, em 05 de junho de 2014, o Banco central Europeu (BCE) reduziu as taxas de juros pagas sobre as reservas médias dos bancos que ultrapassem as reservas mínimas obrigatórias de 0% para -0,10% e que, em 10 de setembro de 2014, houve nova redução, desta vez, de -0,10% para -0,20%. O objetivo das referidas medidas seria o de tentar incentivar a atividade econômica, por meio do desestímulo à manutenção de reservas superiores às mínimas obrigatórias, a fim de estimular o aumento do volume dos empréstimos.

sendo que a primeira representaria a postura mais cautelosa e a última a mais arriscada, com a especulativa representando a postura de risco intermediário. O autor ainda relaciona o menor ou maior grau de fragilidade financeira de uma economia, respectivamente, à prevalência de posturas mais conservadoras ou mais arriscadas. Além disso, Minsky também nos lembra que o comportamento dos bancos é pró-cíclico, isto é, na fase de crescimento do ciclo econômico, os bancos adotam posturas mais ousadas e arriscadas, enquanto na fase de descenso, os bancos adotam posturas mais conservadoras, contribuindo, respectivamente, para o aumento da fragilidade financeira, no primeiro caso; e para a deterioração do quadro econômico, no segundo. Este tópico, relativo à instabilidade e à fragilidade financeira, em Minsky, será explorado mais a frente.

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