O objetivo principal desta aula foi fazer uma introdução ao conteúdo sistema digestório, para tanto o professor optou por realizar uma revisão sobre os níveis de organização do corpo humano. No primeiro momento da aula o professor relembrou junto aos alunos conceitos sobre célula, tecidos, órgãos, sistemas, estudados em aulas anteriores e indispensáveis para a compreensão do novo conteúdo - sistema digestório.
Momento 4 Turnos
220
Prof: Bora voltando, retomando, tira a mão da boca, Crislaine, por favor. Então gente voltando aqui. Oh, tudo isso tem haver com o sistema digestório. O sistema digestório também pode ser chamado de sistema digestivo, eu andei pesquisando porque desses dois nomes. Eu pensei será que teve alguma descoberta nova? Não. Pelo o que eu pesquisei na internet, não. São formas diferentes de chamar a mesma coisa. São terminologias do nome.
221 Aluno: Tio, Tio.
222 Prof: Tendo lá na nomenclatura científica. Como assim? Pode usar duas formas tanto sistema digestivo ou, hoje em dia, que não se chama mais tanto, digestório. É tudo a mesma coisa, diz respeito ao processo de digestão. 223 Aluno: Ô tio. Organização de informações X Inferência elaborativa 38% Organização de informações X Inferência dedutiva 8% classificação de informações X Inferência dedutiva 23% classificação de informações X Inferência elaborativa 8% levantamento de hipótese X Inferência elaborativa 8% levantamento de hipótese X Inferência dedutiva 15%
224 Prof: De absorção de nutrientes através de um processo de digestão, alimentação.
225 Prof: Agora não! Se concentra aqui deixa o boneco já, já. 226 Prof: Então veja só.
227 Jeft : com licença
228 Prof: Pode entrar. Qual o papel do sistema digestório, que é que ele faz? 229 Mateus: Ele joga os coisas ruins e as boas ficam.
230 Prof: Mateus agente já discutiu isso. Já já agente retoma. Então são algumas perguntas que agente ta começando a discutir. Né? Qual é a função do sistema digestório? Quais são seus órgãos principais?
231 Aluno: é é.
232 Prof: Eu não to perguntando são só perguntas que a gente tá resolvendo, tá? Já, Já agente retoma. Quais são os órgãos principais? E tem outras coisas também. Quais são as doenças que podem surgir devido ao mal funcionamento, Marjore, do sistema digestório? Gente é tão interessante, agente pode entender que tem coisas que acontece numa parte do corpo e agente nem imagina que é do sistema digestório e tem tudo haver.
233 Aluno: Com licença tio.
234 Prof: Tudo está ligado
235 Aluno: Alguma coisa ta muito ruim
236 Mateus: ô tio você ouviu é?
237 Prof: Não dou licença. (Inaudível) Vamos fazer agora uma exposição dialogada com slides ta, e nós também teremos um estudo dirigido com o texto xerocado. Ok? para agente não perder essas informações. Depois vamos grampear isso no nosso caderno. No outro momento, na nossa pauta, nós vamos ter uma atividade para casa sobre ciências. vamos tentar ainda fazer um jogo bem bacana de trilha.
238 Jeft: Ô tio pensei que fosse trilha de moto.
239 Prof: Não. É uma trilha, só que essa trilha não é para moto, vai ser sobre nós e o sistema digestório.
240 Prof: Vou colocar o slide.
241 Prof: Gente, algumas questões iniciais vejam: para viver, crescer e manter o nosso organismo precisamos consumir alimentos. Mas o que acontece com os alimentos que ingerimos?
242 Jeft: vai para barriga.
244 Alunos: frutas, verduras, feijão, arroz.
245 Prof: Pensando no que nós comemos. Porque agente diz assim, tudo bem, eu vou comer pra me manter de pé, para trazer o quê?
246 Mateus: Saúde
247 Prof: saúde para mim, vitaminas, mas será que tudo que eu como traz saúde?
248 Mateus: traz saúde?
249 Jeft: nem quase tudo
250 Prof: Nem quase tudo né jeft? Muito bem. Então, me digam ai alimentos que nós estudamos em maio, eu lembro disso. Quais os alimentos que geralmente não fazem bem a saúde?
251 Jeft: Biscoito
252 Prof: Calma, calma, xiii... , calma!
253 Prof: Refrigerante, guaraná, biscoito recheado, salgadinho, batata frita, pastel, coxinha. Calma!
254 Aluno: risoto
255 Prof: Gente muito bem, biscoito de um modo geral, biscoito industrializado etc. e tal. Geralmente alimentos, alimentos que não fazem bem. Temos que comer com moderação. Comer pouco ou evitar.
256 Mateus: Bobó de camarão faz bem para a saúde?
257 Prof: Depende de como foi feito.
258 Mateus: eu comi.
259 Prof: é uma delícia.
260 Mateus (inaudível)
261 Prof; mas você sabe que isso não faz tão bem.
262 Mateus: inaudível
263 Prof: muitas vezes depende de como foi feito porque, por exemplo, quando coloca o camarão, geralmente bota azeite de dendê, leite de coco. São coisas gordurosas que às vezes faz mal.
O professor inicia fazendo alguns esclarecimentos quanto ao emprego dos dois termos utilizados para nomear o sistema digestório. Em seguida ele fala novamente sobre as funções do sistema digestório e pergunta no turno 228:
“Qual o papel do sistema digestório? que é que ele faz?” Em resposta à pergunta do professor, Mateus afirma no turno 229:
“Ele joga os coisas ruins e as boas ficam”.
Ele retoma as ideias já discutidas sobre as funções do sistema digestório e repete o que alguns alunos já haviam mencionado anteriormente. Em sua fala observamos a organização de informações e a classificação de informações, já que ele expõe suas ideias de forma coerente, estabelecendo uma relação entre elas. Porém, não há a presença de inferências, tendo em vista que se trata de uma repetição de falas ditas por outros alunos. As inferências se estabelecem quando ocorre uma asserção sobre o desconhecido, feita na base do conhecimento (HAYAKAWA, 1939). Como esta discussão já havia acontecido anteriormente, e Mateus apenas faz uma repetição da fala de outros alunos, não se caracteriza como inferência, mas como um processo de recuperação de memória. Então, o professor adverte Mateus quanto a isso e redireciona as discussões para os órgãos que compõem o sistema digestório e para alguns problemas de saúde que podem estar relacionados ao funcionamento do sistema digestório. Ele, então, pergunta no turno 241:
“Mas o que acontece com os alimentos que ingerimos”?
Em resposta à pergunta do professor, Jeft afirma no turno 242: “vai para a barriga”
Ele retoma o que já havia sido discutido no momento 2, mas não avança. Em sua fala percebemos a realização de inferência elaborativa, pois ele faz uma adição, de pouca relevância, à fala do professor, originada de seu conhecimento de mundo (DELL‟ISOLA, 2001), e apresenta o Indicador de Alfabetização Científica organização de informações, pois diante do que já havia sido discutido anteriormente, ele consegue organizar suas ideias e apresentá-las de forma coerente.
Em seguida, o professor instiga os alunos a pensar nos bons alimentos (turno 243). Alguns alunos então citam frutas e verduras em resposta ao exposto pelo professor. Em suas falas eles apresentam o Indicador de Alfabetização Científica Organização de informações e inferência do tipo elaborativa, pois realizam adições pouco relevantes. Logo após, no turno 245, o professor leva os alunos a refletirem sobre a utilidade dos alimentos e pergunta o que eles podem proporcionar ao nosso corpo. O professor cria um contexto de problematização do assunto em pauta, levando os alunos a refletirem também sobre o seu próprio cotidiano, sobre eles mesmos.
Em seguida Mateus afirma no turno 246: “saúde”
Em sua fala, Mateus realiza uma inferência referencial, ao tentar explicitar um dos benefício proporcionados pelos alimentos que ingerimos. Este tipo de inferência surge quando se quer responder a questões do tipo: quem?; O quê?; Onde?; Quando? (Warren et al, 1979). Portanto, em resposta à pergunta que o professor faz no turno anterior, Mateus infere que os alimentos trazem “saúde”, e atribui aos alimentos, o papel de trazer saúde para o corpo. Associado a este tipo de inferência, Mateus apresenta, em sua fala, o levantamento de hipótese, pois ele faz uma suposição acerca do assunto abordado pelo professor.
O professor percebendo a limitação da sua resposta faz questão de alertar que nem todo tipo de comida é saudável. Ele cria um contexto de aplicação do conhecimento, e instiga os alunos a refletirem um pouco mais sobre outros tipos de alimentos, e pergunta no turno 247:
“mas será que tudo que eu como traz saúde”?
No turno 249, Jeft responde de forma direta e sem nenhum tipo de argumentação ou justificativa:
“nem quase tudo.”
Ele entende onde o professor queria chegar, mas não traz nenhuma explicação para a sua resposta. Jeft faz uma inferência elaborativa: “nem quase tudo”. É apenas um acréscimo, um detalhe pouco relevante à fala do professor, pois apesar de entender que
nem tudo que se come traz saúde para o corpo, ele não amplia conhecimento acerca do que o professor havia dito.
Percebendo a limitação da resposta de Jeft, no turno seguinte o professor insiste e pergunta:
“Quais os alimentos que geralmente não fazem bem a saúde”? Jeft responde no turno 251:
“biscoito”
Complementando o que havia afirmado no turno 249 ele dá um exemplo de um alimento que pode ser prejudicial à saúde. A sua resposta caracteriza-se como uma inferência referencial. Este tipo de inferência permite que ele identifique que este tipo de alimento pode ser prejudicial à saúde. Através da inferência referencial, ele faz um levantamento de hipótese, pois sua fala caracteriza-se como uma suposição, apesar de se apresentar como uma afirmação. De acordo com Sasseron (2008), o levantamento de hipótese pode surgir tanto como uma afirmação quanto sob a forma de uma pergunta. Nos turnos 253 e 255 o professor acrescenta alguns alimentos que podem ser prejudiciais à saúde e orienta os alunos a comê-los com moderação. Ele cria um contexto de reflexão, estimulando os alunos a pensarem nos alimentos que consomem no dia-a-dia, permitindo a sistematização de ideias. O professor procura conduzir a aula de modo a estimular e promover a participação dos alunos. O contexto de reflexão, problematização, e socialização são importantes para possibilitar a produção de inferências, porém a aula de ciências apresenta um contexto próprio, por se tratar de conteúdos legitimados cientificamente, o que não permite ao ouvinte fazer grandes extrapolações sobre o que é colocado pelo professor, mas este pode conduzir sua aula de modo investigativo, fomentando o raciocínio lógico e proporcional, o levantamento de hipótese, dentre outros indicadores, bem como estimulando a produção de inferências por partes dos alunos, fatores que poderão contribuir para a compreensão dos conteúdos trabalhados e para a construção de novos conhecimentos. Logo abaixo estão inseridos, em forma de tabelas, o quantitativo e o tipo de inferências produzidas pelos alunos no momento 4, assim como também os Indicadores de alfabetização Científica que aparecem neste Momento. Em seguida estes dados são cruzados para demonstrar a relação existente entre estas categorias.
Tabela 12: Tipos de Inferências presentes nas falas dos alunos no Momento 4. Aluno Inferência Elaborativa Inferência Referencial Quantidade de Turnos Mateus - 1 2 Jeft 2 1 10 Total 2 2 12
Tabela 13: Tipos de Indicadores de Alfabetização científica presentes nas falas dos alunos no Momento 4. Aluno Organização de Informações Classificação de Informações Levantamento de hipótese Quantidade de Turnos Mateus 1 1 1 2 Jeft 1 - 1 10 Total 2 1 2 12
Tabela 14: Associação dos Tipos de Indicadores de Alfabetização Científica presentes nas falas dos alunos com os Tipos de Inferências no Momento 4.
Quantidade Indica dor X in- ferência Quantidade Organização de Informações X Inferência Elaborativa 1 Levantamento de Hipótese X Inferência Referencial 2
Apresentamos a seguir, as informações contidas na tabela anterior em forma de gráfico, para melhor entendimento dos dados.
As informações presentes no gráfico apresentam a existência de uma relação entre indicadores de Alfabetização Científica e produção de inferências. Esta relação entre a produção de inferências e indicadores de Alfabetização científica indica que estes fenômenos encontram-se intimamente imbricados. O processo de produção inferencial é uma operação cognitiva que sofre influência de diversos fatores, como já citado anteriormente. A presença concomitante de indicadores de alfabetização científica e elaboração inferencial na fala dos alunos são evidências de que o processo inferencial colabora de maneira essencial para o desenvolvimento do processo de alfabetização científica.
Momento 5
O professor leva os alunos a pensar sobre o início do processo da digestão. As discussões também giram em torno de alguns termos empregados no censo comum para designar órgãos do nosso corpo em comparação com termos utilizados no meio científico. A seguir apresentamos os turnos de falas transcritos do momento 5:
265 Prof: ok bora voltando. Então veja, agente precisa de alimento, mas o que acontece com esses alimentos a partir do momento que eu coloco na boca? Começo a consumir, coloco na minha boca?
Organização de informações X inferência elaborativa 33% Levantamento de hipótese X inferência referencial 67%
266 Mateus: fico passando mal.
267 Prof: Gente bora pensar um pouquinho. Veja, precisamos dos alimentos.
268 Alunos: Sim.
269 Prof: Mas aí outra coisa, a partir do momento que eu começo a alimentar...
270 Mateus: bem
271 Prof;: começa a acontecer o processo que é uma etapa, que é uma coisa que é pouco a pouco. Então, o sistema digestório, ele começa a realizar esse processo. O que é que acontece? Como acontece? Ele tem uma função, um papel que é justamente processar esses alimentos, ou seja, é aquilo que já falaram (prof aponta pata Mateus) de deixar o corpo com os nutrientes, as vitaminas, presta atenção Ananias, e aquilo que não for aproveitado elimina.
272 Prof: fala Eduarda.
273 Eduarda: um dia passei mal porque comi muita besteira.
274 Prof: Pois é, piora mais ainda, temos que ter cuidados mais ainda com o que nós comemos. Porque não é o que agente come, mas a qualidade do que agente com.
275 Prof: Ok. Então agente vai começar a entender um pouquinho o que acontece com os alimentos a partir do momento que agente ingere, coloca na nossa boca, no nosso organismo. Passa Jeft, por favor.
276 Prof: Então agente tem esse esquema.
277 Jeft: ô, ali tem uma...
278 Prof: calma Jeft! Temos um corte de alguns órgãos que fazem parte do sistema digestório. Observe com atenção.
279 Aluno: Olha só
280 Ananias: Tio, bem que eu disse que aquele negócio que eu disse que a comida vai por aí, então eu tava certo não foi?
281 Prof: silêncio! Observe com atenção. Eu estou solicitando que vocês observem esta imagem com atenção. Vocês podem comparar com o boneco de laboratório.
282 Mateus: professor eu to com uma dúvida. Onde fica a região da bexiga?
283 Prof: meu filho você já me perguntou isso outras vezes, veja eu disse a você que nós estamos estudando o sistema digestório nesse momento a bexiga não
é objeto de nosso estudo, então ela não ta aqui. Mas a bexiga fica na região abaixo do abdômen, ok. Em outro momento eu lhe mostro. Posso passar? Qual a pergunta Manoel?
284 Manoel: é quando o senhor disse que (inaudível). Acontece o que?
285 Mateus: Aí, se encher muito e a pessoa não for para o banheiro, acontece o que? Ela fica com uma doença.
286 Prof: exatamente olha aqui o que ele falou. Pode gerar uma doença.
287 Mateus: pode estourar por dentro bactérias de...(inaudível)
288 Prof: gente, por favor, olha agora o nome de alguns órgãos que fazem parte do sistema digestório. Vamos lá!
289 Prof e alunos: Boca, faringe, esôfago, fígado, vesícula biliar, estômago.
290 Prof: Olha aqui o estômago que Jeft já falou, pâncreas que fica abaixo do estômago.
291 Jeft: Onde agente localiza o pâncreas?
292 Prof: O pâncreas deve ser isso aqui, eu não tenho certeza absoluta não. Bia pode sentar dá para escutar daí?
(Inaudível) Intestino delgado que é essa parte enrolada aqui.
293 Mateus: as tripas.
294 Prof: parecido com as tripas. Parecido com as tripas que agente chama no senso comum de que?
295 Alunos: De tripa.
296 Prof: O intestino grosso que é outra parte do intestino e o ânus que no senso comum agente chama de que?
297 Mateus: pitoca.
298 Prof: não gente.
299 Jeft: merda
300 Prof: o ânus não tem nada haver com isso, gente.
301 Aluno: é o que?
302 Prof: agente viu que no senso comum agente chama o pênis de pitoca, não é? De outras coisas ai, mas o correto é pênis que é um órgão genital masculino. Não é? Mas agente não ta nisso, agente ta em outro órgão,outra parte que é o ânus que é a parte que sai as fezes. Que gente chama de?
303 Alunos: Cocô, Xixi, Fezes.
304 Prof: ânus é o orifício, a abertura. (Professor para reclamar do barulho).
Eu não estou achando graça, nós estamos na sala de aula, estudando, não é? Vamos aprender as coisas corretas. Então no senso comum Elivaldo, agente chama de cu,mas a palavra correta é o anus que é uma abertura por onde sai as fezes.
(Burburinho)
305 Mateus: ô tio!
306 Prof: Mateus, por favor, calma! Mateus, Manoel.
307 Janaína: E também quando agente pode chamar também de, é de bacia, bunda e também de poupança.
308 Prof: pois é você ta achando isso tudo.... Ítalo, tais tão calado hoje, tu é tão participativo não é?
309 Prof.: Jeft? Então bora novamente retornar outras coisas. Então, a principal função do sistema digestório gente, é obter nutrientes, vitaminas, dos alimentos que nós ingerimos, ok?. E o que nosso corpo não obtém, não segura não quer, Mateus por favor? Vocês já disseram aqui, ele saí através das fezes pelo?
310 Aluno: Ânus.
311 Prof: Ok, então vamos ver novamente alguns órgãos principais, novamente todo mundo.
(Leitura do slide)
312 Alunos: Boca, faringe, esôfago, pâncreas, intestino delgado, fígado, vesícula biliar, intestino grosso e ânus.
313 Prof: gente veja só, esses órgãos daí não são simples de estudar. Eles tem várias partes dele, coisas menores para estudar aqui foi um apanhado geral, para vocês não é preciso aprofundar isso tudo.
314 Janaina: (inaudível)
315 Prof: Deixa eu tentar explicar a pergunta de Janaína. Janaina você lembra que quando estudamos as fases do desenvolvimento do ser humano, eu expliquei isso. Através do ato sexual quando a célula do homem e da mulher se juntam, espermatozóide com o óvulo, na mulher, na trompa, no colo uterino, todo aquele região do ovário que fica próximo do abdômen, o embrião e o feto vai se chegando formando um local.
317 Prof: a natureza é cheia de mistério
318 Aluno: É Jesus Cristo.
319 Prof: Vai chegando pouco a pouco.
320 Aluno: É um grãozinho de areia.
321 Prof: Então silêncio, vamos retomar. Silêncio!
322 Prof: Deixa eu fazer uma pergunta, Kailane muito calada vou perguntar a você, você poderia dizer qual é função, o papel da boca dentro desse processo?
323 Prof: Você sabe. Quem gostaria?
324 Flavio: começa a mastigar... e o gosto.
325 Prof: Então se acomode com calma vamos lanchar, paramos na boca não foi?
Neste trecho selecionado o professor inicia fazendo uma sistematização (turnos 265, 267, 269) do que já foi falado durante a aula até o momento, dando destaque às funções desempenhadas pelo Sistema Digestório (turno 271). Ele sintetiza o que já foi exposto até o momento e segue explicando, com o auxílio de slides, o que acontece com os alimentos no processo de digestão, mostrando imagens dos órgãos pertencentes ao Sistema Digestório.
A primeira participação oral com geração de inferência, neste Momento analisado, inicia-se no turno 285, quando Mateus não se contenta com a explicação anterior do professor (turno 283), persiste nesta questão e se coloca fazendo uma pergunta que ele mesmo a responde:
“Aí, se encher muito e a pessoa não for para o banheiro, acontece o quê? Ela fica com uma doença.”
Baseado em seu conhecimento de mundo, Mateus realiza inferência do tipo dedutiva. Ele apresenta alguns dados que asseguram a sua suposição. Associada a inferência dedutiva, aparece o levantamento de hipótese como Indicador de Alfabetização Científica para a situação colocada por ele mesmo. Ele parte de uma suposição: “Aí, se
encher muito e a pessoa não for para o banheiro”... Ao apresentar sua suposição de forma coerente, ele apresenta uma conclusão: “Ela fica com uma doença.”
Associada à sua hipótese, Mateus propõe uma previsão no turno 287, relacionada ao que pode acontecer com uma pessoa na situação exposta por ele:
“pode estourar por dentro bactérias ...”
Na fala de Mateus, identificamos o uso de três indicadores de Alfabetização Científica: o levantamento de hipótese, pois ao processar os dados envolvidos no problema exposto, realiza uma suposição para tentar responder à pergunta elaborada por ele mesmo; apresenta também uma previsão para responder à hipótese levantada; e o raciocínio lógico, pois suas ideias apresentam-se de forma bem estruturada e coerente. Porém, o professor não explora as questões colocadas por Mateus. Talvez, por não achar relevante para o que está sendo discutido na aula, ele dá o assunto por encerrado, e continua sua aula mostrando imagens dos órgãos que fazem parte do Sistema digestório.