Deuxième partie : résultats de la phase qualitative (focus groups)
2. Une organisation de l’information jugée peu satisfaisante : « il faut gratter, ce
Um grande número de aranhas, escorpiões e vespas possuem uma grande variedade de substâncias neuroativas em seus venenos, capazes de interar com alvos distintos no sistema nervoso. Uma vez que essas moléculas peptídicas têm sido indicados como ferramentas para aumentar nosso conhecimento sobre os mecanismos moleculares da neurotransmissão (desde mecanismos das funções neuronais, como a elucidação de canais iônicos ou caracterização das funções dos receptores - Harvey et al 1993), as pesquisas com essas neurotoxinas podem também ser alvo no desenvolvimento de inseticidas naturais e drogas potenciais para o tratamento de neuropatologias (Belleboni et al 2004).
Esses polipeptídeos podem, ainda, ser utilizados como ferramentas relacionados às neurociências, em estudos voltados a relação de como essas neurotoxinas interferem nos mecanismos neuronais com alta afinidade e seletividade. Análises realizadas por Mortari et al (2007) demonstram que essas neurotoxinas se ligam a receptores, tranportadores e canais iônicos de neurônios excitatórios e inibitórios no sistema nervoso central de insetos e mamíferos, garantindo a sobrevivência dos invertebrados venenosos.
Devido às propriedades de seletividade e afinidade desses peptídeos (assim como das poliaminas), eles são úteis no „desenho‟ de novas drogas para o tratamento de desordens neuronais tais como a epilepsia, doença de Parkinson, doença de Huntington, doença de Alzheimer e isquemia global e retinal. Essas moléculas, adquiridas de diferentes venenos, tiveram suas propriedades caracterizadas para muitos subtipos de canais iônicos bem como para receptores de neurotransmissores (Mortari et al 2007).
As Megascoliacininas, isoladas do veneno da vespa solitária Megascolia flavifrons, que bloqueiam receptores nicotínicos para acetilcolina (Yashuara et al 1987, Piek et al 1991, Piek 1991), enquanto que as Pompilodoxinas (α- e β- PMTX) isoladas do veneno da vespa solitária Anoplius samariensis (exceto para a PMTX, também isolada do veneno da vespa aranha Batozonellus malifrons), possuem ação na facilitação da transmissão neuromuscular de lagostas, porém a α-PMTX tem ação mais rápida que a β-PMTX. Neste último caso, as PMTX‟s diferem uma da outra pela presença de Arg-12 no lugar de Lys-12, na β-PMTX (Konno et al 1998).
Sahara et al (2000) relataram que a β-PMTX causa atenuação do processo de inativação nos canais de sódio, sensíveis à TTX, de neurônios trigeminais de ratos. Em seguida, Kinoshita et al (2001) determinaram que a β-PMTX exibe uma sensibilidade
especifica à isoforma para canais de sódio, dependendo da presença ou ausência de um resíduo aniônico no sítio de ligação, oferecendo diversas vantagens para classificar e caracterizar várias isoformas de canais de sódio (Kinoshita et al 2001). Outros peptídeos com ação no sistema nervoso também foram isolados do veneno da vespa social Agelaia vicina: AvTx8 (Oliveira et al 2005a) e o AdAv3 (Oliveira et al 2005b).
O peptídeo AvTx8 apresentou efeitos similares ao Baclofen® (droga já comercializada, utilizada no tratamento de ansiedade), o peptídeo AvTx8 foi microinjetado no SNpr (Sistema Nervoso Parassimpático) de Rattus novergicus (Wistar) antes das microinjeções salinas de dISC ou bicuculina, considerando que o veneno de vespa possui alguma influência na captação de neurotransmissors GABA e/ou glutamato. O bloqueio do receptor de GABA(A) resultou em um comportamento de fuga vigoroso expresso por corrida rápida, pulos e voltas quando comparado com o controle (Oliveira et al 2005a).
Essas reações defensivas foram maximizadas após o agonismo intranigral de GABA(A) com muscimol, mas não após o agonismo in situ de GABA(B). As microinjeções nigrais de AvTx8 induziram efeitos similares ao baclofen, diminuindo a intensidade das reações comportamentais defensivas induzidas pelo bloqueio do receptor GABA(A) no mesencéfalo dorsal. Essas descobertas sugerem que AvTx8 possui alguns efeitos na neurotransmissão GABAérgica, aumentando a atividade das vias inibitórias nigro- coliculares, causando um efeito anti-pânico (antiaversivo). Dessa maneira, foi sugerido que a AvTx8 pode ser uma nova ferramenta farmacológica para o estudo das diferenças entre os dois tipos de receptores GABAérgicos e os mecanismos excitatórios mediados por aminoácidos no cérebro e no sistema nervoso (Oliveira et al 2005a).
Cininas são polipeptídeos de 9-18 resíduos de aminoácidos contendo uma sequência do tipo Bradicinina, em alguns casos como parte da molécula. A sequência do tipo Bradicinina pode ser tanto bradicinina, Hyp3-bradicinina ou Thr6-bradicinina. As cininas
são componentes neurotóxicos dos venenos de vespas e formigas, causando no sistema nervoso central de insetos um bloqueio pré-sinaptico da transmissão colinérgica por meio de uma depleção irreversível, provavelmente causada por uma inibição não competitiva da captação de colina (Piek 1991).
As propriedades farmacológicas dos quatro análogos sintéticos da neurotoxina de vespa Vespulacinina 1 foram estudados através de uma série de preparações de músculo liso de mamíferos e da transmissão sináptica dos nervos cercais de baratas para um interneurônio gigante. Todos os análogos tiveram um efeito do tipo-bradicinina, extremamente baixo nos músculos lisos. Os análogos não glicosilados deste peptídeo e
os dois peptídeos monoglicosilados são aproximadamente tão ativos como a bradicina. Os derivados duplamentes glicosilados são aproximadamente cinco vezes mais potentes que a bradicinina e todos os análogos tiveram dois efeitos diferentes na transmissão sináptica no sistema nervoso de insetos: primeiro, um bloqueio direto e reversível na transmissão excitatória nicotínica com uma ativação concorrente do sistema inibitório GABAérgico e segundo, um bloqueio irreversível atrasado da transmissão, comparável ao bloqueio descrito anteriormente para a bradicinina e Thr6-bradicinina. Para a transmissão sináptica
no SNC de insetos a cinina com duas glicosilações é aproximadamente cinco vezes mais potente do que a bradicinina (Piek et al 1993).
A Orientotoxina (peptideo isolado da Vespa orientalis) foi descrito como sendo um novo composto pressináptico neurotóxico manifestando atividade lisofosfolipase e, espontaneamente, pode tanto bloquear e induzir a liberação de neurotransmissores do nervo pré-sinaptico membranar (Tuĭchibaev et al 1984).