Crowdsourcing pode ser entendido pela execução de determinadas atividades,
em favor de uma instituição, por um grupo de pessoas que é convocado de forma aberta, usando principalmente a internet como meio de comunicação e realização, em um determinado contexto.
O termo Crowdsourcing foi cunhado por Jeff Howe, em um artigo da revista
Wired Magazine no ano de 2006. A palavra é formada pela aglutinação das palavras: Crowd (Multidão) e Outsourcing (Terceirização) (SCHENK e GUITTARD, 2009).
Dessa forma, algumas atividades que antes eram realizadas exclusivamente por funcionários ou contratados (empresas ou pessoas terceirizadas), puderam ser realizadas por um grupo de pessoas indefinido e em rede (HOWE, [s.d.]).
Crowdsourcing busca mobilizar competências e capacidades, que estão
distribuídas entre a multidão e podem ser empregadas em diferentes contextos na resolução de problemas (ZHAO e ZHU, 2012). Salienta-se que o termo se expandiu na literatura, conforme retratado em VUKOVIC e BARTOLINI (2010), AROLAS e GUEVARA (2012) e BRABHAM (2013), além da necessidade de considerar tipos distintos de sistemas (GEIGER et al., 2011; DOAN et al., 2011). Porém de acordo com PRPIĆ et al. (2015) muitos gestores hesitam em considerar Crowdsourcing por não entenderem como seus vários tipos poderiam agregar valor às instituições. Tendo em vista este contexto mais amplo sobre o tema, neste trabalho será empregada a definição apresentada por AROLAS e GUEVARA (2012) em que:
Crowdsourcing é um tipo de atividade participativa em que um
indivíduo, uma instituição, uma organização sem fins lucrativos, ou uma empresa propõe algo a um grupo de indivíduos de conhecimentos variados, possivelmente heterogêneo e numericamente grande, via chamada aberta/flexível, a realização de determinada tarefa.
Segundo WHITLA (2009), a chamada aberta significa uma chamada a qualquer pessoa/instituição que possa colaborar ou uma chamada limitada para uma determinada comunidade com conhecimento e habilidade específicos e ou ainda uma combinação na qual a participação é controlada. Salienta-se que no contexto deste trabalho, o termo multidão será aplicado a qualquer conjunto de pessoas ou coisas, em que o conteúdo gerado pode estar relacionado a pessoas ou dispositivos.
Apesar de ser um tema relativamente novo na pesquisa científica,
Crowdsourcing tem ganho força e vem sendo usado na prática em uma infinidade de
diferentes contextos (GEIGER et al., 2011). De fato, Crowdsourcing evoluiu para se tornar rapidamente o atalho para uma variada gama de atividades através da Internet (DAVIS, 2011) e pode ser visto como um método de resolução de problemas de propósito geral (DOAN et al., 2011). Importante ainda citar que devido às varias definições e emprego, é preciso distinguir Crowdsourcing como um processo, em vez de uma ferramenta ou sistema (BRABHAM, 2013).
Neste sentido, baseado na revisão da literatura, propomos no contexto da IDEH- Co4 o modelo em IDEF0 (KIM e JANG, 2002) apresentado na Figura 3.8 e descrito no Quadro 3.2 como elemento básico para resolução de problemas que poderiam envolver a multidão.
Figura 3.8 - Processo de Realização de Tarefa de Crowdsourcing . Quadro 3.2 - Descrição do processo de Realização de Tarefa de Crowdsourcing.
Atividades a serem executadas: São as atividades definidas para alcançar o objetivo e distribuídas para os participantes.
Objetivo: Define o que deve ser feito para atingir os resultados desejados.
Regras: Definem as condições para realizar a tarefa. Por exemplo, para participar é preciso ter conhecimento de uma determinada região.
Papéis: São os papeis que precisam ser desempenhados pelos participantes nas contribuições das tarefas.
Especificações: Definem como as atividades devem ser realizadas. Por exemplo, divisão em atividades que possuem algumas informações obrigatórias. Atividades que precisam ser processadas, agregadas ou filtradas.
Verificações: Definem tipos de checagem que podem ser realizados durante as atividades dos contribuintes. Por exemplo, verificar aleatoriamente a conduta e ações de contribuintes. Se algum contribuinte está agindo intencionalmente de má fé em atividades etc.
Solicitante: Define quem é o solicitante. Poder ser uma pessoa, um grupo ou uma entidade.
Participantes: Definem os participantes, de livre iniciativa ou compulsoriamente, que podem ser pessoas, grupos ou qualquer entidade ou mesmo dispositivos de comunicação.
Ferramentas: Definem a plataforma ou os sistemas que darão sustentação para que tarefas sejam criadas e realizadas por participantes que através de uma chamada flexível possam ser convidados. Incentivos/estratégias: Definem a maneira e os benefícios que os participantes recebem em
contrapartidas por realizar as atividades de uma tarefa. Pode-se usar como estratégia, por exemplo, aplicar técnicas de jogos para incentivar os participantes; criar mecanismos de reputação e pontuação; dar prêmios etc.
Definições/documentação: Guia, exemplos, ou documentação que auxiliam o entendimento para realização da tarefa.
Resultados: Consistem nas saídas em decorrência da realização das atividades.
Tomada de decisão: Decisões podem ser tomadas. Por exemplo, refazer parte da tarefa, banir um contribuinte que fraudou uma atividade, recompensar participantes etc
3.3.2.1 Plataformas e ferramentas de Crowdsourcing
Existem outras variantes de Crowdsourcing , como por exemplo,
CrowdFunding, CrowdDesign e CrowdVoting. CrowdFunding é a modalidade que
permite que empreendedores financiem seus esforços com base em contribuições relativamente pequenas de um número razoavelmente grande de indivíduos usando a
Web (MOLLICK, 2014). CrowdDesign é a modalidade que faz uso da inteligência
coletiva e criatividade da multidão para projetos inovadores ou produção de conteúdo (DICKIE et al., 2014). CrowdVoting é modalidade que requer a multidão votando para escolha ou tomada de decisão sobre algum conteúdo (PRPIĆ et al., 2015). Muitas destas variantes são disponibilizadas por sistemas e plataformas, conforme apresentado no Apêndice A. Por exemplo, é possível usar a plataforma Mechanical Turk em uma atividade de crowdvoting para escolha de uma imagem que melhor represente uma localidade. No Apêndice A há exemplos de plataformas e aplicações de Crowdsourcing analisadas no contexto da tese com o objetivo de mapear esses sistemas e suas utilidades para o contexto de IDE.
3.3.2.2 Etapas do processo de Crowdsourcing
Uma questão importante na realização das tarefas de Crowdsourcing são os critérios a serem utilizados nas etapas a serem realizadas durante todo o processo. Estes critérios devem ser avaliados e estabelecidos antes de iniciar, durante e após realização da tarefa ou processo. Para exemplificar, seja uma atividade que requeira que o voluntário tenha experiência, seja membro de um grupo, possua qualificação adequada, passe por um treinamento online, tenha conhecimento da área em questão. Assim, as plataformas existentes, em geral, exigem um preenchimento de um cadastro ou um determinado perfil para participar de uma tarefa, ou ainda algum outro tipo de pré- requisito para participação.
No caso de atividade em curso, a plataforma pode oferecer um resumo estatístico levando em consideração, por exemplo, a localização, quem fez o que e apresentar uma análise exploratória quanto à redundância de informação. A partir deste resumo, algumas amostras podem ser analisadas, a atividade pode ser monitorada e algum tipo de validação pode ser realizado. Em outras palavras, durante a realização das atividades podem ser efetuados checagem ou monitoramento das atividades da tarefa.
No Pós (Fechamento), término da tarefa, o conteúdo gerado pode ser validado, ser criado critérios de aceite, ser efetuada uma análise do conteúdo, efetuar o aceite com base na classificação ou recomendação, a partir dos resultados e tomadas de decisões em função dos dados obtidos e das análises realizadas.
Desta forma conclui-se que no processo de Crowdsourcing é preciso considerar três etapas: i) antes de iniciar, ii) durante a realização e iii) após a realização. Observa- se também que na divisão da tarefa em atividades, uma ou mais delas poderiam ter o mesmo comportamento da tarefa, ou seja, divisão em três etapas de processo. Além do mais, há uma representação canônica para sistemas de Crowdsourcing que normalmente possui o papel de solicitante que prescreve a tarefa, uma plataforma (sistema) e o papel do executor que realiza as atividades da tarefa, conforme ilustrado na Figura 3.9.