2. Description et analyse des données recueillies
2.1. Organisation et adaptations du MG pour le suivi du DPM
O trabalho de campo é considerado como um pressuposto metodológico basilar na pesquisa geográfica. No entanto, as contribuições metodológicas para o trabalho de campo são encontradas mais comumente em outras ciências sociais com destaque para a Antropologia. Na Geografia, Suertegaray (2002) trabalha a questão de como proceder no campo levando em consideração a escolha do método pelo pesquisador. Para a autora:
Pesquisar pressupõe reconhecer para intervir. Esta concepção metodológica informa que a consciência do mundo forjava-se/forja-se coletivamente e as transformações dar-se-iam ou dar-se-ão pela unificação das lutas (pelo coletivo dos trabalhadores). A pesquisa de campo é o conhecimento feito através da vivência em transformação. (SUERTEGARAY, 2002, p. 02).
Consideramos ser relevante a análise qualitativa pelo fato desta modalidade de pesquisa possibilitar o conhecimento da totalidade complexa das relações existentes no âmbito das políticas territoriais na Zona da Mata Norte Paraibana, assim como, o reconhecimento do grau de influência e por extensão das relações/interações existentes entre os diferentes sujeitos, elementos, atores sociais.
A pesquisa de campo compreendeu a realização de entrevistas semi-estruturadas com representantes de órgãos governamentais e não governamentais, de entidades de classe como, membros do Colegiado Territorial, o Proponente, o Núcleo Técnico do Colegiado Territorial, a Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (DFDA), a Comissão
38 Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS), a Coordenação dos Projetos, diretoria da Cooperativa e os beneficiários.
Além das entrevistas foram aplicados questionários junto aos cooperados do empreendimento pesquisado, que continham questões abertas e fechadas que permitiram o levantamento de informações sobre trabalho, produção fora e dentro da unidade produtiva, bem como a obtenção de dados relativos à composição da família, idade, sexo, escolaridade, renda, dentre outras questões relevantes.
Foram aplicados 11 questionários 1 especifico com o presidente da cooperativa e com o tesoureiro, 1 especifico com o gestor da CECAF e 8 com as mulheres cooperadas). Esse número de questionários aplicados junto às cooperadas considerando o presidente e o tesoureiro que também são cooperados se justifica pelo fato de apenas esses estarem efetivos na cooperativa.
A pesquisa de campo foi realizada no município de Rio Tinto tendo como foco colher informações sobre aspectos que caracterizam a situação da Unidade de Beneficiamento de Frutas de Piabuçu – hoje denominada de FRUTIAÇU, que tem experimentado uma estratégia de gestão coletiva, buscando proporcionar o protagonismo dos beneficiários, baseados na política de desenvolvimento territorial rural sustentável. Também foram feitas visitas à CECAF, situada no município de João pessoa-PB.
Foram realizados seis trabalhos de campo, sendo que quatro deles foram feitos entre os meses de janeiro e Junho de 2014 dando ênfase à atual situação dos empreendimentos financiados pelo PROINF-PRONAT no município de Rio Tito pertencente ao Território Zona da Mata Norte.
Além desses, foram realizados mais dois trabalhos de campo: um no território da Zona da Mata Sul com o intuito de analisar o projeto de construção e funcionamento da CECAF-PB localizada no município de João Pessoa; e outro em 2012, quando foi realizado um intercâmbio que nos levou a Cooperativa Potiguar de Apicultura e Desenvolvimento Rural Sustentável – COOPAPI- RN.
Esse último foi realizado nos dias 6 e 7 de novembro de 2012. A COOPAPI está localizada no município de Apodi, Estado do Rio Grande do Norte. Participaram dessa visita técnicos da AGEMTE/PB e agricultores familiares da zona rural do município de Rio Tinto- PB e que são associados à Unidade de Beneficiamento de Frutas de Piabuçu (FRUTIAÇU), que tem experimentado uma estratégia de gestão coletiva, esta unidade que, já foi apresentada
39 também esta inserida no Território da Zona da Mata Norte- PB e, é objeto de estudo, analise da nossa pesquisa.
Essa visita teve como objetivo realizar uma troca de experiência entre os dois grupos de cooperados. Na ocasião ficou ressaltada a importância do estabelecimento de uma relação de confiança e de autorepresentatividade com a cooperativa, conforme relato: “é bom saber que você está vendendo aquela castanha para sair a marca da sua cidade, do seu povo, de si mesmo, é diferente de uma atravessador que você num sabe nem pra onde vai.”
Em relação aos agricultores inseridos no Território da Zona Da Mata Norte- PB que, participaram do intercâmbio foi possível observar que para eles valeu muito a pena a experiência, tendo em vista que os mesmos puderam trocar informações, experiências positivas e negativas já vivenciadas por ambas as partes, aprender técnicas, repassar conhecimentos.
E, principalmente, puderam ver que na cooperativa deles é possível colocar em pratica o modelo visitado, considerando os benefícios que podem receber das políticas públicas do território rural que pertencem, frisando que não é muito fácil esse processo. Viram também que, não basta ter incentivos públicos é, necessário também que a cooperativa funcione efetivamente como um empreendimento do qual todos são responsáveis.
Vale ressaltar que esse intercâmbio faz parte das atividades do Território da Zona da Mata Norte- PB que tem o intuito de com essa atividade realizar uma troca de conhecimentos, de experiências entre os territórios rurais.
Ressaltamos que, como o funcionamento da Cooperativa Frutiaçu envolve relações complexas entre o presidente e os cooperados e que essa complexidade pudesse emergir e favorecer a compreensão em profundidade do comportamento do grupo restrito, houve a utilização da técnica do Grupo Focal (GF)3 (Ver Figura 5).
A técnica de GF permite a discussão de um tema proposto para o debate pelos integrantes do grupo, o que permite tanto a exposição das concepções individuais dos membros do grupo, bem como a troca de informações e de opiniões. Sobre as situações vivenciadas no quotidiano do Grupo (RESSEL et al. 2008).
3 De acordo com Rssel et al.: “A técnica de pesquisa com o GF foi descrita e publicada no ano de 1926, em um
trabalho de Bogartus, nas Ciências Sociais, como entrevistas grupais. Depois, em 1946, durante a 2ª Guerra Mundial, foi usada por Merton & Kendall, para investigar o potencial de persuasão da propaganda de guerra para as tropas. E, em 1952, Thompson & Demerath estudaram sobre fatores que afetavam a produtividade de trabalhos em grupo. Na área de marketing, a mídia utiliza largamente a mesma técnica, valorizando-a pelas condições de baixo custo para sua operacionalização e pela rapidez em obter dados confiáveis e válidos.” (RESSEL et al., 2008, p. 3).
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Figura 5: Cooperadas participando do Grupo Focal. Fonte: Arquivo Próprio, Maio 2014.
Essa técnica é particularmente recomendada para levantamento de informações e concepções sobre uma realidade que está sendo estudada em estágio exploratório de uma pesquisa, como é o nosso caso. Nesse sentido, permitiu o desvelamento das singularidades presentes na complexidade da cooperação.
Trouxe à luz semelhanças, profundas diferenças nas experiências, nos sentimentos e nas expressões vivenciadas no fazer das cooperadas. Evidencia-se, assim, como uma possibilidade na construção de dados em pesquisas qualitativas na ciência geográfica.
Todo o trabalho de pesquisa de campo foi documentado através de anotações na caderneta de campo, bem como foi feito o registro fotográfico para servir como elemento ilustrativo dos estudos efetuados.
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