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Dans le document J.B. AMON KOTHIAS D. PAULY (Page 195-200)

Os princípios que nortearam esta pesquisa advêm da intenção de contribuir com a área da Educação numa proposta de discussão sobre a educação musical em projetos sociais inaugurando este tema na linha de pesquisa Educação e Artes do Programa de Pós Graduação da UFSM. Alguns temas discutidos nesta dissertação geraram a perspectiva de novas pesquisas, possibilitando um acumulo de conhecimento sobre esta temática entendendo que

Música e educação são, como sabemos, produtos da construção humana, de cuja conjugação pode resultar uma ferramenta original de formação, capaz de promover tanto processos de conhecimento quanto de autoconhecimento. Nesse sentido, entre as funções da educação musical teríamos a de favorecer modalidades de compreensão e consciência de dimensões superiores de si e do mundo, de aspectos muitas vezes pouco acessíveis no cotidiano, estimulando uma visão mais autêntica e criativa da realidade (KATER, 2004, p.44).

Ao concluir este estudo, não faz parte de minhas pretensões alguma espécie de ‘didatização’ das experiências aqui discutidas. Mas penso que, ao expô-las, possa estar provocando reflexões que venham a potencializar atividades musicais desenvolvidas em outros projetos sociais e espaços escolares. Sei que “cada música é vivenciada diferente por cada indivíduo, e que aquilo que cada um vive depende das experiências que fazem ou fizeram com a música e em quais situações” (SOUZA, 2000, p.178)

Convido os leitores a pensarem sobre as reflexões apontadas nesta pesquisa, de que para ensinar música nos projetos sociais ou no contexto da escola, é saudável que estejamos atentos, saber para além da prática da música, “compreender que os conhecimentos que ele [se] pretende ensinar devem entrar em

diálogo com os significados construídos pelos grupos sociais dos alunos” (LOURO, 2008, p.271). Mas é fundamental, ao mesmo tempo, um fazer musical em todas as suas possibilidades de exploração sonora, uma vez que o foco da aula de música é a música.

As reflexões apontadas nesta pesquisa foram focadas na CUICA, fato que inegavelmente, coloca a Associação numa situação privilegiada, pois, ao mesmo tempo que possibilita o registro histórico da iniciativa, permite a construção de uma história narrativa de seus processos a partir dos envolvidos, amplificando os aspectos positivos descritos e reavaliando aqueles que considerarem necessários melhorar, permitindo “sobretudo uma qualificação da formação pessoal do[s] próprio[s] educador[es], sob a luz de um enfoque humanizador da educação musical” (KATER, 2004, p.44).

Investigar as repercussões da CUICA na vida dos quatro jovens pesquisados permitiu identificar algumas contribuições nos seus repertórios de vida e, ao refletir sobre essas repercussões, foi possível perceber que, neste caso, a educação musical contribuiu na construção de um significativo desenvolvimento tanto na área musical quanto humana. É possível dizer que, com a música os jovens percussionistas aprenderam uma forma de viver, de aprender, de agir, e de se desenvolver como homens. Foi observado que o os jovens responderam não só aos objetivos desta pesquisa, mas também objetivos da CUICA, pois com a experiência de estudar música, tendo a percussão como fio condutor em seus fazeres musicais, os quatro estão atuando profissionalmente e inter-relacionam seus objetivos de vida, relacionados com a música.

O melhor jeito é a forma natural de ser tudo no seu tempo na hora certa de colher119

Ainda, em relação aos participantes da pesquisa, apresento suas próprias vozes para responder sobre suas participações neste processo de pesquisa.

Rafael expos que a metodologia adotada proporcionou repensar sua trajetória na CUICA, “Acho que não tudo. Mas os melhores momentos, os momentos difíceis, aquilo que mais marcou cada um de nós. O que faz a gente estar aqui são todas as

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coisas que a gente citou (05/12/11). Segundo Dewey “é precisamente a capacidade de pensar que faz com que dados signifiquem o que está ausente e que a natureza nos fale uma linguagem suscetível a ser compreendida”. (1959a, p.27) [...] quando é que a gente imaginaria, que ia ta aqui ajudando tu a fazer uma coisa que é tão importante pra ti, e a gente ajudando. Contando a nossa história o que cada um pensava de como ia ser, o que pensa hoje, acho que é por aí (RAFAEL, 05/12/11). Percebi o orgulho de Rafael em estar envolvido nesta pesquisa, sentiu-se valorizado. É notável sua postura de referência frente aos mais novos, assumiu algumas responsabilidades na CUICA. Está atuando como monitor no projeto Mais Educação do Governo Federal120, realizando oficinas de percussão em duas escolas, as quais pude visitar e conversar com as coordenadoras que elogiaram a postura do Rafael.

Dieico disse entender que: “o negócio que é pra ti, mas na real no momento não é só pra ti é pra nós, tu ta aprendendo e teu conhecimento vai passar pra nós depois”. (DIEICO, 05/12/11) Esse entendimento faz parte da cultura da CUICA, de que os conhecimentos sejam compartilhados.

Já Lucas também manifestou sua emoção de fazer parte do grupo entrevistado [...] é uma vida. O que eu estaria fazendo esta hora se não estivesse aqui, nem imagino [...] Causa uma emoção por que tu escolheu nós quatro, porque nós somos os mais antigos, somos os que mais vivemos a CUICA e isso é importante pra ti anotar no teu trabalho (LUCAS, 05/12/11). Confesso que me surpreendi com Lucas, durante a análise dos dados e durante os encontros. Lucas demonstrou uma grande capacidade de reflexão e foi sempre firme de suas colocações. Porém, foi ainda durante nosso segundo encontro que me chamou a atenção a sua postura, quando comentou sobre a viagem para Brasília.

Naquele momento falou sobre o quanto de conhecimento foi proporcionado naquela experiência, segundo ele, muito além de conhecimento musical, o reconhecimento, a possibilidade de ultrapassar os limites geográficos permitiram acreditar. Também me surpreendeu ao comentar sobre sua intenção de chamar o grupo para compor uma música nova para pandeiro que exija alta qualidade técnica e de performance. Esse mesmo jovem hoje tem procurado livros, métodos e materiais que possam auxiliá-lo nos estudos de música, com o objetivo de se firmar

120 Projeto do Ministério da Educação que oferece oficinas em contraturno escolar nas escolas

profissionalmente. Acredito que isso tudo ocorre em decorrência dos atravessamentos das experiências vividas pelos jovens e são refletidas nesta pesquisa.

Vanderson, assim como os demais, manifestou seu orgulho em participar da pesquisa e ao refletir sobre, projetou: quanta lembrança a gente teve vendo esses negócios aqui, as imagens, e eu espero estar um dia no teu lugar, não digo coordenando mas fazendo mestrado,[...] isso é história, não tem fim. Isso vai ficar pra sempre! (VANDERSON, 05/12/11).

Ainda, no que se refere ao aspecto das contribuições, quando perguntado se as repercussões da CUICA agregam algo em sua vida e em suas profissões, Dieico surpreendeu quando disse que: é melhor tu perguntar o que não agregou. Coisas boas! Agregou tudo! Eu, hoje, bem dizer, vivo da música. Tudo que já vivi até hoje no grupo, as experiências que passei apresentações, viagens, dificuldades, alegrias, tristezas, não tenho palavras que possa descrever isso tudo. (DIEICO, 14/02/12)

Rafael foi afirmativo: “eu pretendo viver, é o meu projeto”. Na minha vida eu vejo a música e a CUICA como meu futuro. (RAFAEL, 14/02/12), e tem demonstrado isso diariamente, nas atividades docentes que realiza, nas performances com o GRUPO ou com outros grupos de que participa.

Vanderson fala que definiu a carreira que eu quero seguir e hoje sigo e quero ir além. Dieico fala da satisfação em trabalhar com aquilo que te dá prazer, hoje em dia trabalhar com o que gosta é um em um milhão, no teu trabalho fazer o que gosta, tá recebendo para trabalhar com o que tu gosta, Rafael confirma que, pra nós é uma coisa prazerosa, a gente faz o que gosta mesmo, e Lucas acredita que a CUICA repercute na vida de seus participantes por que eles tem orgulho de representar o grupo, e por que são reconhecidos [...] a maioria das pessoas te conhecem por causa disso, porque tu toca. (LUCAS, 14/02/2012)

É fato, as contribuições das experiências musicais são inegáveis, em relação aos jovens da CUICA que participaram da pesquisa. Atento ao fato que percebi reiteradas vezes nas narrativas dos entrevistados, de que eles não aprenderam somente a compor musicas, hoje estão compondo novas perspectivas de vida que tem a música como inspiração.

Nesta ótica, a educação musical a eles oferecida (ao lado das oportunidades de maior contato, exploração e desenvolvimento de seus potenciais musicais) ao visar a promoção humana também os auxilia a se

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estruturarem e a se organizarem pessoalmente, a experimentarem novas modalidades de relacionamento, tomarem contato com outras ordens de valores e outros parâmetros de referência. Essa parece ser uma forma coerente e atual de assegurar condições de integração social com qualidade. (KATER, p. 49,2004)

Nesta análise procurei compreender como se aprende música na Associação CUICA, mediante a prática da percussão como eixo do trabalho pedagógico musical. E, após ter refletido sobre as experiências musicais e entender como estas experiências percutem e repercutem na vida dos seus participantes, percebi a força e o tamanho das responsabilidades do percussionista professor de música, e também, a partir deste estudo

Aos educadores musicais ficam as evidências de quão poderosa pode ser a experiência musical, a ponto de provocar mudanças nos corpos e nas vidas de seus alunos; consistindo-se em instrumento de reflexão e, quiçá, transformação; afetando outras instâncias da vida cotidiana. Por isso, a necessidade de uma atuação profissional que leve em conta os anseios dos aprendizes, as peculiaridades dos contextos em que o ensino se faz presente e as relações construídas entre os diferentes atores, ultrapassando a mera transmissão de conhecimentos. (ARANTES, 2009, p. 97).

Acreditando que, ao embrenhar-me neste estudo que teve como foco as experiências decorrentes do processo formativo musical na CUICA, suas repercussões na vida de quatro participantes e objetivando integrar o conhecimento científico, o popular e aquele que decorre dá pratica (KLEBER, 2006, p.92), é que percebo a importância e convido os educadores musicais a discutirem conosco sobre as experiências relatadas nesta pesquisa.

Dans le document J.B. AMON KOTHIAS D. PAULY (Page 195-200)