Do levantamento efetuado por Kaufmann e Schneider (2004) às 36 publicações analisadas, constatámos que em 17 publicações foi utilizado o conceito de capital intelectual, sendo que em 14 dessas não foi usado qualquer outro termo relacionado.
Neste ponto propomo-nos apresentar algumas definições de capital intelectual, expostas na literatura, e explicar, sucintamente, a sua composição.
O termo capital intelectual tem surgido, nos últimos anos, no centro de estudos, pelo que têm sido apresentadas definições de capital intelectual por diversos autores. Para Brooking (1996: 12) "capital intelectual é o termo aplicado à combinação de ativos intangíveis que permitem à empresa funcionar".
Edvinsson e Malone (1997) in Amaral e Pedro (2004), para explicar o conceito de capital intelectual, compararam uma empresa a uma árvore. A parte visível do tronco, ramos e folhas está expressa nos documentos da empresa onde o conhecimento é visível em gráficos, DF e outros documentos. As raízes escondidas são a parte maior da árvore, donde provém a qualidade dos frutos, o sabor e a cor, constituindo os fatores dinâmicos invisíveis, isto é, o capital intelectual.
De acordo com Bontis et al. (1999), sob o termo capital intelectual pode-se classificar todo o tipo de recursos intangíveis e as suas inter-relações. Para os autores (idem: 397), "capital intelectual é simplesmente o conjunto de recursos intangíveis e os seus fluxos" e
20
acrescentam que "é algo absolutamente peculiar a cada uma de todas as organizações". Isto é, o capital intelectual de uma dada organização deriva de um contexto específico.
Stewart (1999: 14) afirmou que o "capital intelectual é composto por material intelectual – conhecimento, informação, propriedade intelectual, experiência – que pode ser usada para criar riqueza. É a inteligência coletiva".
Segundo Gallardo Vázquez e Rio Miranda (2000: 5), "capital intelectual é conhecimento com um potencial acrescentado o qual se traduz na capacidade de acrescentar valor". Outra definição de capital intelectual é dada em MERITUM (2002: 19): "é a combinação dos recursos humanos, organizativos e relacionais de uma empresa […] no seu conjunto, o Capital Intelectual é mais que a simples soma dos elementos que a integram".
Para Ordóñez de Pablos (2003: 63), o "capital intelectual é a diferença entre o valor de mercado da empresa e o seu valor contabilístico. Formam o capital intelectual os recursos baseados no conhecimento que contribuem para a vantagem competitiva sustentada". Oliveira et al. (2006: 29) entendem que "capital intelectual é a combinação dos recursos humanos, organizacionais e relacionais de uma organização, mas é mais do que a soma desses três componentes. Inclui a forma como o conhecimento organizacional gera valor". Do exposto ressalta que o conceito de capital intelectual é difícil de precisar. Das definições apresentadas, no entanto, existem alguns pontos comuns. Assim, podemos inferir capital intelectual como o conjunto de recursos intangíveis, refletidos ou não nas DF, que combinados podem constituir uma valiosa vantagem competitiva para criar riqueza para uma dada organização.
A classificação dos componentes do capital intelectual mais comum inclui: capital humano, capital estrutural e capital relacional (Stewart, 1999 e MERITUM, 2002).
Capital humano representa o conhecimento que o trabalhador leva quando abandona diariamente a empresa. Inclui, nomeadamente, o saber, as capacidades, experiências e habilidades das pessoas que integram uma organização. Enquanto uma parte do conhecimento é exclusivo dos indivíduos outra parte pode ser genérica. O capital humano é composto, particularmente, pela capacidade de inovar, criatividade, know-how, experiência, capacidade para trabalhar em equipa, flexibilidade, capacidade de negociação,
21
motivação, satisfação, capacidade para aprender, lealdade e nível educativo do trabalhador (MERITUM, 2002).
O capital humano é constituído, portanto, pelo que as pessoas e grupos sabem e pela capacidade de aprender e de compartilhar esses conhecimentos com os outros, em benefício da organização, a qual não é proprietária desta natureza de capital.
Para Stewart (1999: 128), o capital humano de uma empresa é composto pelos recursos humanos difíceis de substituir, "corporizado nas pessoas cujo talento e experiência criaram os produtos e serviços, que constituem a razão pela qual os clientes dão a preferência à empresa em vez de se dirigir a outros concorrentes. Trata-se de um bem".
O capital estrutural traduz-se no conjunto de conhecimentos que permanece na empresa no final de cada dia de trabalho, em termos de, nomeadamente, rotinas organizativas, procedimentos, sistemas, culturas, bases de dados. Exemplos de capital estrutural são: flexibilidade organizativa, serviço de documentação, utilização generalizada de tecnologias de informação, capacidade organizativa de aprender, patentes e direitos de autor (MERITUM, 2002).
Este tipo de capital é independente dos recursos humanos da organização, ou seja, é propriedade da organização. Nesse sentido, Stewart (1999) realçou que o capital estrutural é o que transforma, o que aumenta e amplia o capital humano e permite que seja utilizado vezes sem conta para criar valor.
Por capital relacional entende-se o conjunto de recursos ligados às relações externas da empresa. Compreende tanto as relações da empresa com terceiros (clientes, fornecedores, investidores, credores), como as perceções que estes têm da empresa. Nesta categoria incluem-se, entre outros, a imagem da organização, lealdade e satisfação dos clientes, contratos com os fornecedores, quota de mercado e capacidade de negociação com as instituições financeiras (MERITUM, 2002).
No relacionamento com os clientes é que o capital intelectual se transforma em dinheiro16 (Stewart, 1999). De acordo com o autor, o capital intelectual não é criado pela soma do capital humano, estrutural e relacional, mas pela interação existente entre eles.
16 Stewart (1999) frisou que o capital cliente não se pode exprimir exclusivamente em termos de dinheiro,
mesmo sendo a sua última manifestação; é necessário atender a cartas de reclamação de clientes, renovação de taxas, venda cruzada, referências, confiança e prontidão com que é dada uma resposta.
22 Da análise ao exposto concluímos que:
- os elementos que compõem o capital intelectual nem sempre são (facilmente) identificados, e os que são, dificilmente, respeitam os critérios para reconhecimento como ativo (intangível) no Balanço das organizações;
- há elementos, contudo, que são reconhecidos como ativo, quando preenchem os rigorosos requisitos do normativo contabilístico, como marcas, patentes, projetos de desenvolvimento e goodwill;
- de uma forma geral, o capital intelectual não se enquadra nos tradicionais modelos de contabilidade, pela dificuldade na identificação, análise e valorização dos fatores dinâmicos ocultos.