4 ANALYSE CRITIQUE DE CAS DE RÉUSSITE
4.2 Analyse critique de projets existants
4.2.5 Orée – Paul Schalchli, coordinateur du projet COMETHE
A escolha de uma determinada abordagem metodológica se deve a alguns fatores, entre eles a natureza do problema estudado, o objeto da pesquisa e os objetivos propostos. A pesquisa tem caráter qualitativo, uma vez que o problema é investigado em seu próprio ambiente de origem, a sala de aula. Esse tipo de pesquisa possui algumas características básicas, segundo Lüdke e André (1986, p. 11-13), que são explicitadas abaixo:
1. “A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento”. Estive presente na sala de aula pesquisada (contexto real no qual acontecem as interações) para a obtenção de dados para a pesquisa. Foram feitas observações e gravações em áudio das aulas de Física para serem analisadas.
2. “Os dados coletados são predominantemente descritivos”, ou seja, os resultados da pesquisa contêm falas dos atores, dados das observações e gravações, mostrando as interações entre professor e alunos através dos episódios de ensino e as análises feitas a partir do referencial teórico da pesquisa.
3. “A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto”. A maior preocupação do trabalho foi compreender as situações em que ocorrem as interações verbais em sala de aula, analisá-las e elucidar resultados que nos leve a refletir sobre as metodologias adotadas pelos professores e como elas influenciam no processo de ensino-aprendizagem.
4. "O significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador”. Foi dada atenção à dinâmica das interações em sala de aula, especialmente as manifestações verbais entre professor e aluno.
5. “A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo. Os pesquisadores não se preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos”. Os dados obtidos na pesquisa, não foram recolhidos para confirmar ou comprovar hipóteses. Durante a pesquisa e análise de resultados, refletimos sobre a dinâmica das interações em sala de aula, especialmente as interações verbais, entre professor e alunos, em busca de indicadores para nortear a prática pedagógica adotada pelos professores em suas aulas e sua influência na construção de sentidos relacionados à disciplina de Física junto aos alunos do ensino médio.
Por se tratar de uma pesquisa qualitativa é válido reforçar que há muito que se considerar nessa abordagem, principalmente pelo fato de envolver seres humanos que geram inúmeros dados para a pesquisa. Segundo Lüdke e André “ao considerar os diferentes pontos de vista dos participantes, os estudos qualitativos permitem iluminar o dinamismo interno das situações, geralmente, inacessível ao observador externo” (LUDKE; ANDRÉ, 1986, p.12). Ao mesmo tempo, é imprescindível o cuidado com os dados obtidos, de forma a evitar o subjetivismo. É pertinente agir de forma ponderada a cada passo da investigação em busca de respostas claras e significativas para o trabalho.
No campo das pesquisas qualitativas nos deparamos com alguns tipos de estudo. Essa pesquisa é um estudo de caso baseado na observação detalhada de um contexto (sala de aula) e seus constituintes (professor e alunos). Segundo Ludke e André “Quando queremos estudar algo singular, que tenha um valor em si mesmo, devemos escolher o estudo de caso.” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 17).
Os dados foram coletados progressivamente e foram delimitando a pesquisa com seus aspectos mais pontuais. Esse tipo de pesquisa busca compreender o contexto da situação, o processo dos acontecimentos e fatos ao longo do trabalho. Além disso, ela geralmente emprega mais de uma fonte de dados. Adotamos as observações e gravações em áudio das aulas e a entrevista com os professores e os alunos da sala pesquisada de forma a obter
resultados relevantes para a pesquisa. É importante ressaltar que as observações muitas vezes se prendem ao ponto de vista do pesquisador, no qual ele privilegiará alguns aspectos em relação a outros, devido a sua vivência e interesse. Dessa forma Lüdke e André (1986) afirmam que,
Para que se torne um instrumento válido e fidedigno de investigação científica, a observação precisa ser antes de tudo controlada e sistemática. Isso implica a existência de um planejamento cuidadoso do trabalho e uma preparação rigorosa do observador. Planejar a observação significa determinar com antecedência “o quê” e “como” observar. A primeira tarefa, pois, no preparo das observações é a delimitação do objeto de estudo (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 25).
O método qualitativo, até certo ponto, pode ser comparado a procedimentos de interpretação de fenômenos/contextos que ocorrem no cotidiano. Esses fenômenos geram dados simbólicos passíveis de investigação para a obtenção de resultados. Os dados obtidos não necessitam de análises quantitativas de certos detalhes, pois estes teriam pouca ou nenhuma utilidade para a pesquisadora. Segundo Teixeira “Na pesquisa qualitativa, o social é visto como um mundo de significados passível de investigação e a linguagem dos atores sociais e suas práticas as matérias-primas dessa abordagem” (TEIXEIRA, 2000, p.140).
Quando empregamos essa metodologia nos preocupamos em investigar o processo social, buscando elucidar o contexto em que ocorre o fenômeno estudado, no caso as interações verbais, implicando uma melhor compreensão do objeto de estudo.
A pesquisa pretende entender as interações verbais vivenciadas em sala de sala no seu contexto específico. Não há a preocupação com a generalização, embora outros estudos somados a este possam tecer elementos importantes que envolvem a generalização dos conhecimentos.
Como se trata de uma pesquisa envolvendo seres humanos, que constou de observações e gravações das aulas, na qual o foco específico foi analisar o grau de envolvimento dos alunos e as interações ocorridas durante as aulas, foi imprescindível a autorização dos envolvidos – direção da escola, pais (responsáveis pelos alunos) e professor
da disciplina pesquisada – e do órgão responsável dentro da Universidade, denominado Comitê de Ética.12