2. INSTALLATION
2.6 Options Jumper Block
A construção do banco de dados da pesquisa e a análise estatística foram realizadas na plataforma do software SPSS® (Statistical Package for Social Sciences- Chicago, Illinous, EUA) versão 22.0. Inicialmente foi feita a análise descritiva das variáveis, o que possibilitou a caracterização da amostra. Para tanto, o risco de fratura e índices radiomorfométricos quantitativos (IM e IPM) foram apresentados sob a forma de média e mediana. E os índices corticais mandibulares (ICM), bem como demais variáveis categóricas, foram apresentados sob a forma de frequência absoluta e percentual (ocorrência), com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%).
Para verificação da relação entre a variável dependente quantitativa – risco de fratura - e as variáveis independentes quantitativas do estudo, foi medido o coeficiente de correlação de Pearson, uma vez que o IM e IPM apresentaram distribuição normal. Para variáveis independentes qualitativas foi utilizado teste de Mann-Whitney, uma vez que as variáveis dependentes não apresentaram distribuição normal.
Não foi realizado teste de associação, a partir da categorização da variável dependente, devido ao pequeno número de indivíduos em uma das categorias de probabilidade de risco de fratura.
5 RESULTADOS
Durante o período do estudo 82 pacientes preencheram os critérios de inclusão, porém alguns foram excluídos da amostra, pois 3 apresentaram placa metálica, lesão óssea e/ou enxerto ósseo na mandíbula; 2 apresentaram distorção nas imagens radiográficas panorâmicas, o que invalidou a análise dos índices radiomorfométricos e 7 casos não puderam responder por completo as informações necessárias para cálculo do risco de fratura osteoporótica. Totalizando uma amostra de 70 pacientes idosos.
As tabelas 2, 3 e 4 referem-se à caracterização da amostra, na qual a idade variou entre 60 e 88 anos, predominaram pacientes do sexo feminino (67,1%) e o risco de fratura óssea osteoporótica predominante foi baixo.
O cálculo do risco de fratura óssea osteoporótica em 10 anos através do FRAX, sem a informação da densidade mineral óssea (DMO), gera dois resultados diferentes: um correspondente ao risco de ocorrer uma fratura osteoporótica de quadril em porcentagem num período de 10 anos e outro compatível com outras fraturas osteoporóticas também em porcentagem por igual período. Na amostra pesquisada os dois resultados foram baixos, uma vez que a mediana do risco de fratura maior osteoporótica foi de 4,2%, e da fratura de quadril foi 1,3%.
As mulheres da amostra apresentaram média de idade da menopausa de 46,55 anos. Destaca-se o fato que apesar de 38,3% das mulheres terem apresentado menopausa considerada precoce, ocorrência antes dos 45 anos de idade, a tabela 4 mostra que cerca de 83% de todas as mulheres nunca fizeram uso de repositores hormonais, durante e/ou após a menopausa.
Tabela 2 – Distribuição das variáveis de caracterização de idade, risco de fratura osteoporótica, índice de massa corporal, características da menopausa e espessura da cortical
mandibular de uma amostra de 70 idosos. Natal/RN, 2019.
Variáveis Mediana Q₂₂₂₂₅₅₅₅ - Q₇₅₇₅₇₅ ₇₅
Idade 68,5
66 - 73 Risco de Fratura Maior Osteoporótica FRAX(%) 4,2
2,725 - 6,125 Risco de Fratura de Quadril FRAX(%) 1,3 0,700 - 2,425
Média ± Desvio
Índice de Massa Corporal 27,577 ± 4,363
Idade da menopausa 46,550 ± 7,912
Tempo de menopausa 23,300 ± 11,727
Índice Mentual 3,2936 ± 0,933
Índice Panorâmico Mandibular 0,4008 ± 0,080
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
O estado de saúde geral dos indivíduos também foi analisado através do IMC, variáveis relacionadas às morbidades crônico-degenerativas, bem como dos hábitos de etilismo e tabagismo. No que se refere ao IMC demonstrou-se que 7,2% dos idosos estão com baixo peso (≤ 22kg/m2), 41,4% dos idosos da amostra apresenta peso adequado e a maioria dos indivíduos investigados (51,4%) está com sobrepeso - ≥ 27 kg/m2 (LIPSCHITZ, 1994). Os dados apresentados revelam que 48,6% dos indivíduos é considerado portador de multimorbidade, sendo a hipertensão arterial a morbidade que mais predominou na amostra (62,9%), seguida pela diabetes mellitus tipo 2 e hipotireiodismo, ambas presentes em 24,3% da amostra. As doenças cardíacas e suas consequências, como o acidente vascular encefálico tiveram baixa prevalência.
Morbidades relativas à densidade mineral óssea, como osteoporose e osteopenia, foram relatadas por 34% e 17% das mulheres, respectivamente. Enquanto que apenas um dos homens (4,3%) relatou osteopenia e nenhum relatou osteoporose. A avaliação de características da DMO nas radiografias panorâmicas revelou uma espessura da cortical mandibular ou índice mentual médio de 3,29 mm e índice panorâmico médio de 0,40. Sendo que 57,1% dos indivíduos da amostra apresentaram índice mentual ≥ 3mm. Com relação à erosão da cortical mandibular, predominou (57,1%) erosão de leve a moderada (C2), enquanto que 22,9% foi identificado com erosão severa (C3).
A história de neoplasia maligna, insuficiência renal e doença hepática foram pouco relatadas. Essas condições associadas com a ausência, em sua maioria, de hábitos de tabagismo e etilismo no momento da investigação, baixo relato de quedas (20%) nos últimos 6 meses e ausência de fraturas osteoporóticas, corroboram para o fato que a amostra era composta por idosos com condições de saúde favoráveis. Apesar de a maioria não praticar atividade física e um porcentual significativo (44,3%) serem considerados ex-fumantes.
A investigação sobre o consumo diário regular de medicamentos demonstrou que cerca de um terço dos idosos da amostra está sob polifarmácia, nenhum indivíduo está fazendo uso de glicocorticóides orais, o uso de anticonvulsivantes é raro (2,9%), enquanto que
18,8% dos indivíduos da amostra afirma usar algum tipo de medicamento para osteoporose e 23,2% da amostra utiliza suplemento de cálcio e/ou vitamina D.
Tabela 3 – Distribuição das variáveis de caracterização de sexo, condição de saúde geral, ocorrência de quedas e fraturas, hábitos, probabilidade de fratura osteoporótica, espessura e
condição de erosão da cortical mandibular de uma amostra de 70 idosos. Natal/RN, 2019.
Variáveis n % Sexo Masculino 23 32,9 Feminino 47 67,1 Doença sistêmica Hipertensão arterial 44 62,9 Doença cardíaca 7 10,0
Acidente Vascular Encefálico 3 4,3
Doença na tireóide 17 24,3
Diabetes Mellitus tipo 1 3 4,3
Diabetes Mellitus tipo 2 17 24,3
Osteopenia 9 12,9 Osteoporose 16 22,9 Câncer 6 8,6 Artrite reumatóide 0 0,0 Insuficiência renal 1 1,4 Doença hepática 6 8,6 Multimorbidade 34 48,6 Uso de medicamentos Repositores hormonais Uso atual 1 2,1
Já fez uso e não faz atualmente 7 14,9 Nunca fez uso 39 83,0
Glicocorticóide oral 0 0,0
Anticonvulsivante 2 2,9
Medicação para osteoporose 13 18,8 Suplemento de cálcio e/ou vit. D 16 23,2
Fraturas/Queda
Fratura osteoporótica 0 0,0
Fratura de quadril parental 10 14,3
Queda(s) 14 20,0
Hábitos
Ingestão de bebida alcoólica 15 21,4
Fumante atual 2 2,9 Ex-fumante 31 44,3 Fumo de mascar 1 1,4 Atividade física 14 20,0 Categorias do IM IM < 3mm 30 42,9 IM ≥ 3mm 40 57,1 Categorias do IPM IPM ≤ 0,3 9 12,9 IPM> 0,3 61 87,1
Índice Cortical Mandibular
C1 14 20,0
C2 40 57,1
C3 16 22,9
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
De acordo com a categorização de risco idade-dependente adotada pela Diretriz do Grupo Nacional de Osteoporose do Reino Unido (NOGG) 11,4% da amostra apresenta probabilidade de risco médio, sendo 88,6% da amostra compatível com baixo risco e nenhum indivíduo apresentou a probabilidade de fratura considerada alto risco (MCCLOSKEY et al., 2015).
A partir do detalhamento dos fatores de risco clínico que compõem a ferramenta FRAX (Tabela 4), é possível perceber que a amostra tem baixa frequência de fatores de risco de fratura osteoporótica, o IMC baixo é considerado fator de risco e só foi encontrado em 7,1% da amostra, nenhum indivíduo da amostra apresentou fratura osteoporótica prévia e 14,3% relataram ocorrência de fratura de quadril no pai ou na mãe. Nenhum indivíduo estava fazendo uso de glicocorticóide, não se encontra há relato de artrite reumatóide e apenas 4,3% da amostra é portador de diabetes mellitus tipo 1, sendo esta a única morbidade relacionada à
osteoporose encontrada na amostra. Apesar de 44,3% dos indivíduos da amostra relatarem hábito pregresso do tabagismo, apenas 2,8% relata hábito de fumo atual e não houve relato de consumo de 3 doses ou mais de álcool/dia, parâmetros considerados FRs pelo FRAX.
Tabela 4 – Distribuição dos riscos de fratura FRAX por sexo e total, frequência de risco médiode fratura de acordo com limiar do NOGG, caracterização dos fatores de risco componentes do FRAX por sexo e total de uma amostra de 70 idosos. Natal/RN, 2019.
Feminino (n=47) Masculino (n=23) Total (n=70) FMO % - mediana (Q₂₅ - Q₇₅) 5,3 (3,6 - 7,1) 2,3 (2,1 - 3,7) 4,2 (2,72 - 6,12) FQ % - mediana (Q₂₅ - Q₇₅) 1,7 (0,8 - 3,2) 0,7 (0,6 - 1,3) 1,3 (0,70 - 2,42) Risco médio de fratura-NOGG n(%) 8 (17) 0(0) 8 (11,4) Idade - mediana (Q₂₅ - Q₇₅) 69 (65 - 74) 68 (66 -72) 68,5 (66 - 73)
Fatores de Risco Clínico Feminino
n(%)
Masculino
n(%) Total n(%)
IMC ≤ 22 kg/m² sim 3 (6,4) 2 (8,7) 5 (7,1)
não 44 (93,6) 21 (91,3) 65 (92,9) Fratura osteoporótica prévia sim 0 (0) 0 (0) 0 (0)
não 47 (100) 23 (100) 70 (100) Fratura parental de quadril sim 6 (12,8) 4 (17,4) 10 (14,3)
não 41 (87,2) 19 (82,6) 60 (85,7)
Tabagismo atual sim 2 (4,2) 0 (0) 2 (2,8)
não 45 (95,8) 23 (100) 68 (97,2)
Glicocorticóides sim 0 (0) 0 (0) 0 (0)
não 47 (100) 23 (100) 70 (100)
Artrite reumatóide sim 0 (0) 0 (0) 0 (0)
não 47 (100) 23 (100) 70 (100) Osteoporose secundária sim 0 (0) 3 (13) 3 (4,3)
não 47 (100) 20 (87) 67 (95,7)
≥ 3 unidades álcool/dia sim 0 (0) 0 (0) 0 (0)
não 47 (100) 23 (100) 70 (100)
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
As medianas dos riscos de fratura maior osteoporótica e de quadril determinados pelo FRAX foram significativamente maiores no sexo feminino do que no sexo masculino (Tabela 4). Com relação à probabilidade de fratura osteoporótica a partir dos resultados do FRAX
(sem DMO), a tabela 4 demonstra um predomínio da categoria de baixa probabilidade (88,6%); 11,4% da amostra foi considerado com probabilidade de fratura intermediária e nenhum indivíduo foi classificado com alta probabilidade.
A partir do teste de correlação de Pearson, demonstrado na tabela 5, observa-se que o risco de fratura maior osteoporótica tem correlação (-0,241) com o índice mentual (p=0,045). Demonstrando que quanto menor o índice mentual, correspondente à espessura da cortical mandibular, maior o risco de fratura maior osteoporótica. O risco dessa fratura óssea osteoporótica não demonstrou correlação significativa com o índice panorâmico mandibular, no entanto apresentou correlação forte (0,725) com o tempo de menopausa (p=0,000). Indicando que quanto maior o tempo de menopausa maior o risco de fratura maior osteoporótica. A correlação com a idade da menopausa foi negativa (-0,415; p=0,004), uma vez que quanto menor a idade da menopausa, mais alto o risco de fratura maior osteoporótica.
Tabela 5 – Valores dos coeficientes de Pearson e significância estatística para correlação entre risco de fratura óssea osteoporótica e algumas variáveis independentes do estudo. Natal/RN,
2019. Índice
Mentual
Índice
Panorâmico Idade da Tempo de
(IM) Mandibular (IPM) Menopausa Menopausa Risco de Correlação Pearson -0,241 -0,103 -0,415 0,725 fratura maior valor de p 0,045 0,396 0,004 0,000 osteoporótica Risco de Correlação Pearson -0,209 -0,115 -0,341 0,637 fratura de quadril valor de p 0,082 0,341 0,019 0,000
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
O risco de fratura osteoporótica de quadril também demonstrou correlação com o tempo de menopausa (0,637; p=0,000) e idade da menopausa (-0,341; p=0,019). No entanto, as correlações entre esse risco de fratura osteoporótica e as variáveis, índice mentual e índice panorâmico mandibular, não foram significativas.
A tabela 6 demonstra a associação entre o risco de fratura maior osteoporótica em porcentual e as variáveis relativas a doenças sistêmicas, multimorbidade, uso de medicamentos, polifarmácia, fraturas e quedas, hábitos de etilismo e tabagismo, prática de
atividade física, índice mentual categorizado com ponto de corte de 3 mm e índice cortical mandibular. Dentre as variáveis apresentadas nenhuma apresentou associação significativa com o risco de fratura maior osteoporótica.
Tabela 6 – Valores da mediana, quartil 25, quartil75 e valor da significância estatística do teste Mann-Whitney para as variáveis do estudo relativo ao risco de fratura maior
osteoporótica. Natal/RN, 2019. Variáveis Mediana FMO (%) Q₂₂₂₂₅₅₅₅ - Q₇₅₇₅₇₅₇₅ FMO FMO FMO FMO(%) Valor de p Hipertensão arterial 0,738 sim 5,50 3,500 - 6,720 não 5,30 3,700 - 9,100 Doença Cardíaca 0,807 sim 7,45 3,150 - 17,000 não 5,30 3,600 - 7,100 Doença na Tireóide 0,373 sim 4,70 3,000 - 6,300 não 5,85 4,150 - 7,100 Diabetes tipo 2 0,768 sim 5,50 3,775 - 7,300 não 5,30 3,550 - 9,100 Osteopenia 0,177 sim 6,00 4,325 - 6,975 não 5,20 3,500 - 7,100 Osteoporose 0,072 sim 5,15 3,550 - 6,900 não 5,90 3,600 - 7,100 Multimorbidade 0,211 sim 5,85 3,700 - 7,100 não 5,20 3,550 - 7,650 Reposição hormonal 0,748 nunca fez 5,30 3,600 - 7,100
fez e não faz atualmente 5,90 3,000 - 6,600
Medicação para Osteoporose 0,253
sim 5,00 3,750 - 6,150
Suplemento de cálcio e/ou vit.D 0,121 sim 4,95 3,400 - 6,900 não 3,90 2,400 - 6,000 Polifarmácia 0,635 sim 5,05 3,025 - 6,250 não 5,30 4,300 - 7,100
Queda nos últimos 6 meses 0,649
sim 5,20 3,100 - 6,600 não 5,55 3,925 - 7,100 Uso do álcool 0,501 sim 6,00 4,500 - 8,200 não 5,25 3,225 - 7,100 Fumo 0,441 nunca fumou 5,30 4,000 - 11,500 ex-fumante 5,15 3,025 - 6,275 Atividade física 0,362 sim 4,65 3,700 - 6,775 não 5,90 3,300 - 7,100 Índice Mentual 0,221 < 3mm 5,15 2,950 - 6,725 ≥ 3mm 3,80 2,325 - 6,000
Índice Cortical Mandibular 0,263
C1 3,85 2,750 - 6,600
C2 4,05 2,325 - 5,975
C3 5,05 3,225 - 7,100
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
Com relação ao risco de fratura osteoporótica de quadril em 10 anos, a tabela 7 mostra que essa variável também não apresentou associação significativa com nenhuma das variáveis relativas a doenças sistêmicas, multimorbidade, uso de medicamentos, polifarmácia, fraturas e quedas, hábitos de etilismo e tabagismo, prática de atividade física, índice mentual categorizado com ponto de corte de 3 mm e índice cortical mandibular.
Tabela 7 – Valores de mediana, quartil 25, quartil75 e valor da significância estatística do teste Mann-Whitney para as variáveis do estudo relativo ao risco de fratura osteoporótica de
quadril. Natal/RN, 2019. Variáveis Mediana FQ (%) Q₂₂₂₂₅₅₅₅ - Q₇₅₇₅₇₅₇₅ FQFQFQ FQ (%) Valor de p Hipertensão arterial 0,761 sim 1,65 0,775 - 2,675 não 1,80 0,800 - 4,450 Doença Cardíaca 0,984 sim 3,00 0,550 - 8,825 não 1,70 0,900 - 2,500 Doença na Tireóide 0,768 sim 1,40 0,700 - 2,300 não 1,90 0,950 - 3,350 Diabetes tipo 2 0,902 sim 1,55 1,000 - 2,500 não 1,80 0,750 - 4,450 Osteopenia 0,316 sim 2,05 1,175 - 2,475 não 1,60 0,700 - 3,400 Osteoporose 0,374 sim 1,65 0,725 - 2,975 não 1,80 0,900 - 3,400 Multimorbidade 0,430 sim 1,65 0,700 - 3,250 não 1,80 0,900 - 3,250 Reposição hormonal 0,939 nunca fez 1,70 0,800 - 3,400
fez e não faz atualmente 2,00 0,700 - 2,500
Medicação para Osteoporose 0,634
não 1,25 0,700 - 2,475
Suplemento de cálcio e/ou vit.D 0,261
sim 1,60 0,875 - 3,975
não 1,10 0,700 - 2,450
Polifarmácia 0,990
sim 1,30 0,700 - 2,500
não 1,80 0,900 - 3,400
Queda nos últimos 6 meses 0,691
sim 1,60 0,700 - 2,500 não 1,80 0,825 - 3,350 Uso do álcool 0,688 sim 1,80 1,100 - 4,000 não 1,65 0,700 - 3,025 Fumo 0,175 nunca fumou 1,80 0,900 - 5,550 ex-fumante 1,60 0,625 - 2,400 Atividade física 0,532 sim 1,20 0,900 - 2,850 não 2,00 0,700 - 3,400 Índice Mentual 0,351 < 3mm 1,50 0,775 - 2,750 ≥ 3mm 1,00 0,700 - 2,225
Índice Cortical Mandibular 0,499
C1 1,20 0,700 - 2,875
C2 1,15 0,625 - 2,150
C3 1,65 0,775 - 3,025
6 DISCUSSÃO
Estudos que abordam o risco de fratura osteoporótica têm despertado o interesse da comunidade científica devido ao crescente processo de envelhecimento mundial. A importância do diagnóstico precoce de indivíduos com alto risco estimula as investigações constantes a respeito dos vários FRs envolvidos com a fratura osteoporótica. Nessa perspectiva, o presente trabalho avaliou o risco de fratura óssea osteoporótica através do índice clínico de fratura FRAX e investigou a associação com os índices radiomorfométricos relacionados à baixa DMO.
Nessa pesquisa identificou-se o risco de fratura maior osteoporótica (FMO) de 4,2% e o risco de fratura de quadril (FQ) de 1,3%. Esses riscos foram mais baixos do que os riscos de 19,3% para FMO e 8,5% para FQ encontrados por Shepstone et al. (2018). Mais recentemente,Crandall et al. (2019) através de um estudo com amostra de base populacional também encontraram riscos mais altos do que a presente pesquisa. Essas diferenças podem decorrer das variações étnicas de cada população, como também pelo fato da ferramenta FRAX incorporar dados epidemiológicos específicos de cada país. Dessa forma, a versão utilizada para cálculo do risco da nossa amostra apresenta particularidades que diferem da amostra de outros países e esse seria um possível fator que pode interferir nos resultados.
Associado a isso, tem-se o fato de que os estudos de Shepstone et al. (2018) e Crandall
et al. (2019) foram realizados com amostras compostas exclusivamente por mulheres.
Destacando que o sexo feminino, por si só, já representa um FR utilizado pelo FRAX, pode-se justificar os valores mais altos encontrados nesses estudos. Deve-se considerar também que se parte dessas mulheres avaliadas apresentaram menopausa antes dos 45 anos de idade agregando mais um FR ao algoritmo do FRAX, o que por sua vez aumenta o valor do resultado final do risco de fratura.
Os resultados que mais se aproximam da amostra estudada foram verificados por Kalinowski et al. (2019), que encontraram riscos de FMO e FQ em mulheres de, respectivamente, 4,8% e 1,35%. Já nos homens observaram-se valores mais baixos, como esperado, de 3,21% (FMO) e 0,79% (FQ), próximos dos nossos resultados. Na avaliação da variável sexo, observou-se uma diferença significativa nos dois estudos, corroborando o fato de que ser mulher já constitui um FR pra fratura como atestado pela ferramenta FRAX.
No estudo de Maia et al. (2016), desenvolvido em uma população brasileira, os riscos de fratura encontrados tanto nos homens como nas mulheres foram mais alto do que o da nossa pesquisa. Essa diferença pode ser creditada ao fato da amostra desses autores ser
formada por pacientes que já têm indicação de densitometria óssea e por 10% deles relatarem fratura osteoporótica prévia, fatores que já presumem um valor mais alto de risco de fratura. Além disso, a média de idade e proporção de mulheres na nossa amostra foi menor, contribuindo para que o risco tenha ficado mais baixo.
De acordo com a categorização de risco idade-dependente adotada pela Diretriz do Grupo Nacional de Osteoporose do Reino Unido (NOGG), 88,6% da nossa amostra foi considerada com baixo risco, 11,4% apresentou probabilidade de risco médio e nenhum indivíduo foi considerado alto risco. É importante observar que todos os indivíduos considerados risco médio, na nossa amostra, eram do sexo feminino. O significado clínico desses dados demonstra que apenas os pacientes classificados como risco médio devem ser encaminhados para realização do DEXA e com resultado da DMO ser feito um novo cálculo do FRAX, inserindo a DMO (MCCLOSKEY et al., 2015; ZERBINI et al., 2015; COMPSTON et al., 2017).
As radiografias panorâmicas consistem no exame de imagem extra-oral mais utilizado na prática odontológica, devido a isso muitas pesquisas buscam avaliar as mudanças ocorridas na estrutura óssea associadas ao envelhecimento, assim como sinais de condições sistêmicas que podem ser identificados nesses exames. Uma das condições sistêmicas que podem mostrar alterações ósseas nas radiografias panorâmicas é a osteoporose (OST).
Diversos estudos evidenciaram alterações na cortical mandibular decorrente do quadro de baixa DMO presente na OST e é nessa área anatômica que os índices radiomorfométricos são utilizados (BENSON; PRIHODA; GLASS, 1991; CALCIOLARI et al., 2015). Nossa pesquisa avaliou o índice mentual (IM), o índice panorâmico mandibular (IPM), ambos quantitativos e medidos abaixo do forame mentual, e o índice cortical mandibular (ICM) com característica qualitativa capaz de definir a condição de erosão da cortical, distalmente ao forame mentual.
Relativo à OST e ao IM, a literatura revela atualmente que valores desse índice radiomorfométrico igual ou maior que 3 mm evidenciam uma DMO normal. E consequentemente pacientes com IM< 3mm tem baixa DMO, o que pode estar relacionado à osteopenia ou osteoporose (HASTAR; YILMAZ; ORHAN, 2011; JONASSON et al., 2018). Conforme esse critério, observa-se na nossa amostra que a maioria dos idosos apresentou o IM ≥ 3mm, indicando, através desse índice, que não apresentam baixa DMO. Entretanto, 42,9% apresentaram IM< 3mm, valores estes que de acordo com Devlin et al. (2007) e Taguchi et al. (2010) requerem maiores investigações relativas à osteoporose.
Alguns estudos como o de Hastar, Yilmaz e Orhan (2011) constatam uma diferença significativa do IM entre os sexos, demonstrando valores de IM nos homens mais altos do que nas mulheres. De fato, essa é a constatação esperada, uma vez que a OST atinge com mais frequência as mulheres, é natural que a perda de massa óssea nesse sexo seja mais significativa e assim reflita em uma espessura de cortical mandibular mais fina do que a média nos homens. No entanto a nossa amostra, assim como a de Okabe et al. (2008), foram discordantes, não apresentaram diferença significativa entre os sexos. No caso do nosso estudo essa discordância pode ser explicada pelo menor tamanho amostral. Já no caso de Okabe et al. (2008) credita-se justamente à faixa etária avançada, acima de 80 anos, o fato de não haver diferença entre os sexos. Uma vez que o pico de perda de massa óssea no sexo feminino ocorre no período pós-menopausa, sendo em faixas etárias de idosos mais jovens a discrepância de massa óssea entre os sexos mais acentuada.
Outro índice quantitativo verificado no nosso estudo foi o IPM. O parâmetro considerado como indicativo de baixa DMO é IPM ≤ 0,3 (CALCIOLARI et al., 2015). Referente a esse índice, observamos que grande parte dos avaliados apresentou valores de IPM dentro da normalidade, apenas 12,9% apresentou valores que indicam baixa DMO, podendo estar relacionado à OST. Faz-se necessário evidenciar que o indicativo de baixa DMO neste índice difere do obtido pelo IM. Acreditamos que isso ocorreu em função do IPM necessitar que o forame mentual seja localizado para ser calculado o seu valor, sendo que em algumas radiografias é desafiador identificar o forame mentual. Essa dificuldade pode justificar o fato de índice de concordância intraclasse ter sido menor para o IPM do que para o IM na nossa pesquisa. Ademais pode ser o motivo pelo qual o IPM não seja utilizado com tanta frequência quanto os demais índices.
O índice qualitativo empregado foi ICM, e nesta análise apenas uma pequena parte da amostra apresentou a cortical mandibular com erosão severa. Esse resultado aproxima-se mais do indicativo de DMO resultante do parâmetro do IPM. Encontramos coerência nessa constatação uma vez que, assim como o IPM, foram encontradas algumas dificuldades metodológicas de diferenciação principalmente entre as categorias C2 e C3. Como as alterações são muito tênues entre uma categoria e outra pode haver confundimento na classificação. Talvez seja importante para esses índices que a análise seja feita por mais de um pesquisador.
Além da nossa pesquisa, há poucos estudos com objetivo de demonstrar a associação dos índices radiomorfométricos com o risco de fratura através da ferramenta FRAX (JONASSON et al., 2018; KALINOWSKI et al., 2019). Nesse aspecto, os nossos resultados
demonstraram correlação significativa do IM com o risco de fratura. Indicando que quanto menor a espessura da cortical mandibular, maior o risco de fratura óssea osteoporótica.
O ICM e IPM por sua vez não apresentaram associação, revelando que tanto os valores do IPM como a condição de erosão da cortical mandibular não mostram relação com o valor do risco de fratura osteoporótica. Como visto por Calciolari et al. (2015), o IPM é o índice radiomorfométrico menos utilizado na literatura, não havendo até o momento estudo