4.3 Raffinement adaptatif de maillages triangulaires
4.3.7 Optimisation et robustesse
A cibercultura reabre o espaço do diálogo sobre a comunicação mediada, com a preocupação a respeito das possibilidades de padrões estabelecidos pelo surgimento dos meios digitais de comunicação. Volta-se, inicialmente, aos conceitos de Shannon e Weaver, a Teoria Matemática da Comunicação, e aos estudos de comunicação interpessoal. “Se a interação mediada por computador permite a comunicação “um-um”, “todos-todos”, seu estudo precisa partir justamente de pesquisas sobre a comunicação interpessoal” (PRIMO, 2007, p. 72).
Na abordagem de Primo (2007), que será adotada como fundamentação neste trabalho, o foco não está na maneira como a mensagem é transmitida, mas sim no relacionamento que é negociado através dela; é a interatividade mediada por computador. “O posicionamento aqui adotado será de que tanto um clique em um ícone na interface quanto uma conversação na janela de comentários de um blog são interações. Portanto, é preciso diferenciá-las qualitativamente” (PRIMO, 2007, p. 13).
A interação é a ação que ocorre entre os envolvidos em determinado evento, no caso estudado, a comunicação mediada por computador, portanto, nesta pesquisa, será deixado de lado os aparatos tecnológicos e a atenção será concentrada nos indivíduos que emitem e recebem a mensagem comunicada. A proposta a partir desta exposição teórica é compreender como o homem é afetado pelas mensagens que recebe via meios digitais.
Marshall McLuhan (1969) vai tratar da interação humana com os meios de comunicação de forma bastante inusitada. Para ele, o meio afeta o receptor, de acordo com as características que apresenta. Por exemplo, ao olhar uma fotografia, basta ao observador sentar e admirar sua beleza. Porém, ao ver uma charge, ele precisa completar espaços visuais. Observando o impacto de diversos meios na percepção humana, o autor canadense faz uma diferenciação entre meios quentes (como a fotografia e o rádio) e meios frios (como a charge, a televisão e o telefone). Os primeiros exigem pouca
participação, enquanto os últimos requerem alta audiência (PRIMO, 2007, p. 18).
A proposta de Primo é analisar quatro propostas para conceituar duas formas de interatividade na comunicação mediada por computador. O enfoque transmissionista é o que prioriza os polos da mensagem, o emissor e receptor, todavia, Primo (2007, p. 226) vê limitações nessa abordagem já que “para o estudo de uma conversação, por exemplo, em uma sala de bate-papo, (...) reduz o processo interativo ao burocrático vai-e-vem de mensagens”.
Já o enfoque antropomórfico considera qualquer reação do computador como interação; contudo esses conceitos equiparam reações deterministas de aparatos tecnológicos com o comportamento humano e com processos sociais (PRIMO, 2007, p. 226), por isso devem ser estudados com cautela na procura por um conceito de interatividade mediada por computador.
Os estudos de enfoque informacional também procuram suas bases na Teoria Matemática da Comunicação, e defendem que o nível de interatividade deve ser determinado de acordo com as opções que são dadas ao receptor da mensagem; contudo, esse enfoque desconsidera que essas opções interativas não serão necessariamente ativadas, e continuariam como processos potenciais.
Como depende de aparelhos tecnológicos, a interação mediada por computador é vista por muitos teóricos como algo técnico e teórico, em que são destacadas as questões como bando de dados, programas e linguagens; é o enfoque tecnicista. Por outro lado, existe o conceito de interatividade, utilizado para vender e atrair a atenção do internauta, enfoque mercadológico que surge como consequência do uso indiscriminado do conceito.
A discussão a respeito da interação mediada por computador não pode ser reduzida ao potencial multimídia do computador e sua capacidade de automação de processos. [...] Reduzir a interação a aspectos meramente tecnológicos, em toda e qualquer situação interativa, é fechar os olhos para o que há além do computador (PRIMO, 2007, p. 142).
Então, Primo (2007) surge com dois novos parâmetros para se compreender a interatividade mediada por computador: a interação mútua e a interação reativa. Não são processos dissociados ou dependentes, são conceitos que explicam a interatividade na comunicação mediada por computador.
A interação mútua é aquela caracterizada por relações interdependentes e processos de negociação, em que cada integrante participa da construção
inventiva e cooperada do relacionamento, afetando-se mutuamente; já a interação reativa é limitada por relações determinísticas de estímulos e resposta (PRIMO, 2007, p. 57).
A relação mútua se caracteriza como a conexão entre os interagentes envolvidos; elas acontecem em um determinado contexto social, temporal e é negociada nesse intervalo, sendo, portanto, dinâmica. Existe, na conversação que resulta de uma interação mútua, a construção de um relacionamento em progresso, tanto na comunicação interpessoal como na medida por computador.
Em toda interação os participantes oferecem mutuamente definições do relacionamento, ou, em outras palavras, procuram definir sua natureza. Cada participante reage com a sua definição do relacionamento, podendo confirmar, rejeitar ou até modificar a do outro. Além de participarem da definição de suas relações, os participantes também são definidos pelos relacionamentos. Isto é, as relações afetam recursivamente os seus participantes, como também seus relacionamentos futuros (PRIMO, 2007, p. 105).
É preciso evitar, todavia, a equiparação entre interação mútua e feedbak. O feedback é como a confirmação de um recebimento de algo, que pode levar a criação de uma mensagem mais longa e um possível relacionamento, contudo, tem caráter mecanicista dentro do enfoque transmissionista.
A retroalimentação, na perspectiva informacional, pode servir apenas como confirmação do recebimento e um sinal. É possível que um feedback motive o envio e uma nova mensagem que corrija ou ratifique o efeito da primeira. Entretanto, trata-se de uma interação mecanicista. Nessa visão, a relação não é construída cooperativamente entre os participantes no contexto. Pelo menos um das partes reage conforme uma determinação externa prévia, sempre dentro dos padrões especificados. Desta forma, a relação tem um efeito calculável e/ou previsível (PRIMO, 2007, p. 106).
Neste momento, é possível contrapor dois conceitos utilizados até o momento, o primeiro de Torres (2009), que defende que é necessário conhecer os desejos do consumidor antes do lançamento de uma campanha online que pretende cumprir os conceitos de marketing de relacionamento, e de Primo (2007), que defende que a interação mútua mediada por computador surge de um relacionamento não premeditado e dinâmico.
Percebe-se, então, que os conceitos de relacionamento são diferentes para os autores, enquanto Torres (2009) acredita que é possível prever ações de marketing que estabelecerão um relacionamento com o consumidor, Primo (2007) vê o relacionamento como algo
negociável no decorrer do tempo e de um contexto. É possível, portanto, segundo o viés apresentado por Primo (2007) enquadrar a visão de Torres (2009) no enfoque mercadológico da interatividade.
Nós fazemos distinções entre indivíduos, casais, família, clube, organizações, nações, e assim por diante. Além disso, vamos imaginar a possibilidade de relações entre as várias unidades – digamos, entre o casal e a família estendida, a família e a comunidade, a comunidade e o governo regional, e assim por diante. Como nós geramos variavelmente pares desse domínio estendido, novas questões e curiosidades emergem. Como a família se relaciona com o governo regional, como a ação da comunidade se relaciona com a política nacional, como a ação individual se relaciona com as relações da economia internacional, e assim por diante? Cada relacionamento, na verdade, expande o tópico da conversação ou investigação. À medida que se amplia o alcance dos relacionamentos em consideração, nos movemos progressivamente para uma sensibilidade do todo sistêmico (PRIMO, 2007, PP 107-108).
Para Primo (2007), os blogs entram como espaço para a reação mútua devido ao espaço destinado aos comentários.
Os blogs surgiram como uma ferramenta para os internautas disponibilizarem seus diários pessoais e sua impressões sobre os mais diversos assuntos. Hoje, porém, diversos recursos são agregados a eles para que os visitantes possam deixar seus comentários sobre o que leram. Sem essa interface, os blogs permitiriam aos internautas apenas uma interação reativa. Com a incorporação do recurso de comentários, os blog se tornaram verdadeiros fóruns para a discussão dos mais diferentes tópicos. Nessas janelas que se abrem para a discussão, não se responde apenas ao responsável pela página. Um verdadeiro debate de fato passa a ocorrer entre os visitantes diários (PRIMO, 2007, p. 132).
Pode-se acrescentar a essa afirmação as redes sociais, já que as postagens no Facebook permitem que a mensagem seja comentada, curtida e compartilhada e no Twitter seja respondida ou compartilhada (retuíte8
).
Os processos de interação mútua caracterizam-se por sua construção dinâmica, contínua e contextualizada. Tendo em vista que os sistemas desse tipo de interação se desenvolvem no tempo e em um certo contexto a partir da interconexão não-somativa dos interagentes, não se pode estudá-los de forma atomística e/ou psicologizante (focando-se nas interações e causas individuais). As ações interdependentes desenvolvidas entre os interagentes, coordenadas a partir da historicidade do relacionamento, não são previsíveis, pois são criadas apenas durante o curso da interação. Sendo assim, como este tipo de interação não é determinado pelas características
isoladas de alguma parte nem pelas suas condições iniciais, o estágio temporário atual da interação mútua é a própria e melhor explicação do sistema em questão. [...] A interação mútua é ação conjunta, muito mais que mero movimento ou razão determinada (PRIMO, 2007, p. 116).
A dinamicidade da reação mútua é o que a diferencia do processo de reação reativa.
As interações reativas dependem de uma delimitação prévia das trocas possíveis e a disposição antecipada das alternativas viáveis de entrada e saída. Já as interações mútuas vão se definindo apenas durante a criação do relacionamento. [...] enquanto a interação reativa se caracteriza por um equilíbrio estático, na interação mútua se observa um equilíbrio dinâmico entre os interagentes, no transcurso de contínuos desequilíbrios (PRIMO, 2007, p. 122).
Na interação reativa, os processos interativos são premeditados, ou seja, resultam de cálculos e sistemas fechados. Ao digitar um domínio na barra de busca do navegador, ocorre entre o sistema do computador e o de hospedagem do site uma interação reativa que mostra na janela do internauta a informação disponível naquele site, ela pode levar a mais interações reativas, ou ainda, a uma interação mútua, caso ocorra a troca de mensagens e a criação do relacionamento entre o internauta e o responsável pela manutenção do conteúdo do site.
A previsibilidade do clique e os demais conteúdos que estão distribuídos nos links do site reúnem as possibilidades da interação reativa. Quando existe um erro na programação, esse pode passar despercebido, ou cortar a interação, encerrando o processo de navegação em determinado site.