3.2 Optimisation des systèmes de détection
3.2.2.1 La méthode de simulation
3.2.2.1.3 Optimisation de la réponse spatiale
Assim como na época do garimpo, quando os trabalhadores recebiam por produção, ou seja, Tomaz Salustino pagava de acordo com a quantidade de minério extraído, as turmas de operários ou garimpeiros – como eles se definem – que trabalham atualmente na exploração da scheelita em Brejuí, também são remuneradas de acordo com o volume de scheelita que produzem: para cada mil quilos de minério retirados, o valor pago pela empresa aos mineradores, é R$ 7,00 por quilo. Se a retirada da turma passar dos mil quilos, são pagos R$ 8,00 por quilo extra, como forma de estimular a produção. O total que cada turma fatura é rateado igualmente entre seus integrantes. A turma de Zé Camada, por exemplo, quase sempre ultrapassa os mil quilos. “Esse mês dei duas moídas [no engenho] e tirei 1.700 e tantos quilos, desses 1.700 kg, eu tenho direito a dois mil e poucos real, cada um de nós, daqueles seis.”
As turmas têm autonomia para escolher o local onde vão retirar o minério entre os mais deferentes níveis dos túneis, decidem quando há necessidade de detonação das rochas e a coleta do material para beneficiamento. Tudo é coordenado pelos engenheiros da empresa e, mesmo assim, em muito o processo atual se semelha ao sistema de trabalho da época do garimpo. Esta autonomia entre os trabalhadores em Brejuí verificada atualmente, coincide com a primeira das três fases formais estabelecidas por Touraine (1976), para a mineração: que é quando a ação do mineiro se caracteriza por sua autonomia em relação ao processo de trabalho (TOURAINE, 1976, p. 451).
De acordo com Touraine, a qualificação do minerador se define menos como nível de conhecimento e mais como poder de decisão, como princípio de organização do próprio trabalho29. Touraine se refere aqui ao processo inicial de uma exploração mineral, como
aconteceu com a Mina Brejuí em sua fase de garimpo. No entanto, o que se verifica no cenário atual na empresa, não deixa de ser um reinício, em que os mineradores, que voltam a se intitular de garimpeiros, recuperam aquela autonomia de antes, só que desta vez, detentores de um conhecimento acumulado ao logo de sua experiência como operários, quando recebiam salários fixos por mês. Não são mais aqueles “cegos” como Cícera definiu os primeiros garimpeiros.
Para entender melhor como é o sistema de trabalho atual da Mina Brejuí é preciso comparar com o modelo adotado pela empresa desde que foi formalizada até fechar: cada funcionário recebia um salário fixo, trabalhasse no subsolo ou não, produzisse muito ou não. Eles seguiam o que determinavam os feitores, que coordenavam o trabalho dos operários e as funções de cada um naquele processo. Se a ordem superior era detonar os explosivos em determinado local, assim era feito. Antes eles recebiam ordens, hoje têm autonomia para realizar o trabalho.
José Januário de Souto, 61 anos, trabalhou nesse sistema durante todo o período em que passou na Mina, até se aposentar. Para ele, como para tantos outros, a mina foi a melhor alternativa em relação à agricultura. “Pra mim foi bom [trabalhar na mina], porque se eu
arrumei alguma coisinha besta que tenho, eu arrumei na mina, na agricultura não arrumava, porque os patrão não dava condição. Fui caçambeiro, guincheiro, dentro da mina a gente pega tudo, com licença da palavra, até fezes eu apanhava lá. É, não tenho nada a esconder não”.
A queixa de José Januário repercute entre os companheiros que participam da entrevista: os operários remunerados com salário fixo e carteira assinada têm direito aos benefícios trabalhistas tão valorizados, porém, segundo eles, o funcionário exerce várias funções e recebe apenas por uma, prática que se estende às outras empresas, como completa Joaquim Ramos Pereira, 40 anos, que trabalha na mina vizinha, a Acauã, também presente no bar de José Januário durante a conversa:
29 As outras fases às quais Touraine se refere são:
2ª fase: ainda manual, mas instituindo o trabalho parcelar, retirou-lhe a autonomia, passando a uma
organização centralizada no trabalho coletivo, anulando, portanto, a capacidade decisória do trabalhador sobre o processo de trabalho.
3ª fase: com a introdução de conjuntos mecanizados, embora não retirasse o trabalhador da produção direta, tornou-se totalmente dependente do capital, com relação ao ritmo da produção e ao comando do processo de trabalho.
Na mina você exerce 10 função e só é remunerado por uma. Pronto, eu trabalho como soldador, mas tem hora que eu to como carpinteiro, tem hora que eu to como serralheiro, a minha carteira é soldador, ele [José Januário] era como ajudante, aí faz tudo, aí é remunerado, você só ganha um salário X. Hoje tá bom, hoje tá bom, o salário há 10 anos atrás o cabra morria de fome, hoje tá bom, hoje o governo dá um incentivo que ajuda, mas há 10 anos atrás era precário, no tempo dele ele pegou mais ruim ainda, porque ele tem 60 anos, eu tenho 40, no tempo dele era pior.
(Joaquim Ramos Pereira, 40 anos – entrevista no bar de José Januário, no bairro Silvio Bezerra em Currais Novos, em set/13)
Ao comparar o sistema de trabalho de “antes de a mina parar” com o “de agora”, os mineradores que ainda mantém o vínculo com a empresa são unânimes em afirmar que agora é mais vantajoso, tanto para o trabalhador, quanto para a empresa, especialmente os mais velhos, os aposentados que voltaram ao trabalho. Estes já estão com o benefício garantido e continuam na atividade para “ter mais um ganho”, como é o caso de Zé Camada, que por já estar mais de 50 anos não pode trabalhar diretamente no subsolo, o Ministério do Trabalho não permite. Ele diz que entra lá apenas quando é necessário, para identificar por onde passa a camada da scheelita e orientar os operários da sua turma para sua extração. Antes, porém, quando era operário “fichado”, era no subsolo que cumpria seu expediente.
Hoje em relação à antigamente, todos nós acha melhor e acho que pra empresa também é melhor, eu converso muito mais eles [os patrões], ela [a mina] tá em melhor condição do que na primeira [vez], porque naquela época era muita gente e a pedra... era mais pouco o preço, hoje é maior, a industria é maior né e tem mais condição, hoje é melhor pra todo mundo, todo mundo arranja sua feirinha, o trabalhador por conta da empresa tem, a gente que trabalha por conta tem sua feirinha, tá entendendo?
(Zé Camada, 73 anos – entrevista na casa dele, no bairro Sílvio Bezerra em Currais Novos em out/13)
O material “detonado” nos túneis pelas turmas de trabalhadores do subsolo é levado até a superfície por pequenos tratores, que descarregam em caçambas que o transportam até o engenho. Lá, passa por três processos: primeiro pela britagem, onde as rochas são quebradas em pedaços menores, depois pela moagem, onde o processo se refina até o material ficar parecido com uma areia, e, finalmente, chega ao beneficiamento propriamente dito, quando o minério é separado da terra e dos resíduos de rochas com a ajuda das mesas vibratórias. Durante a separação do minério nas mesas vibratórias, é possível verificar a diferença entre o que de fato é aproveitado e o que é considerado desperdício. Cerca de 20% é scheelita – um pó branco e muito fino que, por ser mais pesado, se concentra à esquerda da mesa vibratória, que é ligeiramente inclinada. O restante vai se acumulando em diferentes camadas, de acordo com o peso: quanto mais leve, mais à direita, o lado mais alto da mesa.
Figura 28: engenho de beneficiamento da scheelita Fonte: arquivo pessoal da autora
Figura 29: mesa vibratória que separa o minério
Fonte: arquivo pessoal da autora
A Mina Brejuí mantém o mesmo sistema de beneficiamento de quando instalou o engenho em 1953, o que a coloca atrás das concorrentes internacionais que se modernizaram e
conseguiram diminuir, por exemplo, o índice de desperdício do minério. O tema “investimento”, entretanto, não faz parte dos planos da administração da empresa, que atualmente negocia a venda da mina. Alheios ao que acontece ao nível da administração da empresa, os mineradores seguem trabalhando com a expectativa de melhoria, de aumento na produção e, especialmente, de crescimento no número de empregos. Entre os mais jovens, a perspectiva é de que, com o reaquecimento da atividade, eles possam experimentar um novo tempo, a exemplo das histórias que ouvem dos colegas mais antigos. Entre as lições dos mais velhos também estão os segredos para evitar os temidos acidentes, como veremos a seguir.