I. Etapes de la mise au point de la méthode analytique
1- Optimisation de l’ionisation dans la source
Como procedido no subitem anterior, a segunda hipótese será discutida levando-se em conta as evidências apresentadas no Capítulo 4, seguindo primeiro a discussão acerca das percepções discentes captadas nos diversos questionários e nos depoimentos dos estudantes, para então, abordamos a evolução e o desempenho dos grupos nos testes de conhecimento de Contabilidade de Custos ao longo de todo o experimento.
Para iniciar as discussões desta segunda hipótese de pesquisa e assim concluir o trabalho é lembrado que a segunda hipótese diz que a abordagem complexa da realidade no ensino da Contabilidade, por intermédio da metodologia de ABP, oferece melhor percepção e maiores ganhos de aprendizado aos estudantes, se comparada à abordagem de ensino tradicional. Com foco nos achados referentes à aprendizagem as questões elaboradas para a captação das percepções discentes foram, assim como nas demais variáveis, coletadas por diversos instrumentos. No método de ABP, como ilustrado no Capítulo 4, no subtópico que trata da análise da aprendizagem, verificamos percepções semelhantes das apresentadas no estudo da autonomia, apesar de na análise da aprendizagem o nível de discordância se fazer presente com mais intensidade para grupo experimental na primeira etapa do experimento (Turma A). Para o grupo experimental da segunda etapa (Turma B), o nível de concordância quanto ao ganho de aprendizado foi alto como já manifestado na variável autonomia, quase não sendo reportada alguma discordância. Ao olharmos para os mesmos grupos, porém, em suas fases de
controle, submetidos ao ensino tradicional expositivo, verificamos que a Turma A (grupo de controle na segunda etapa), recebeu a metodologia tradicional expositiva como sendo provedora de um ambiente de aprendizagem favorável, enquanto que para a Turma B, essa metodologia de ensino não ofereceu condições satisfatórias de aprendizagem. Mesmo para a Turma A, para o qual os níveis de concordância foram considerados altos se comparados aos níveis expressados na Turma B na etapa em que estes foram grupos de controle expostos ao ensino tradicional, quando comparados aos níveis de concordância de quando foram expostos à ABP é visível na análise dos dados que houve preponderância de concordância para o método de ensino de ABP.
Como pode ser visto nos quadros no Capítulo 4, para a Turma A, as questões sobre ABP que mais levantaram discordância nas respostas dos questionários aplicados foram as relacionadas ao uso de conhecimento adquirido anteriormente com os necessários à solução do problema dado durante o tratamento experimental. Quando se observa a metodologia na forma como é aplicada ao ensino, parece natural as pessoas assumirem que os conhecimentos prévios necessários a solução do problema não serem de seu domínio, já que justamente a intenção da ABP é desenvolver o conhecimento a partir da solução de um problema. Contudo, apesar de sofrer de alguma restrição quanto às questões que relacionavam o conhecimento prévio utilizado, os alunos demonstraram aprovação ao método de ABP de modo mais efetivo. De maneira geral, em ambos os grupos, os itens que mais tiveram concordância pelos alunos foram os que abordavam se os assuntos tratados durante o curso se relacionavam com temas inerentes a suas profissões, com a capacidade de fazer julgamentos em critérios ou normas e com o dinamismo que entusiasma o aluno a buscar o conhecimento.
Foi objetivo central na condução do processo encontrar formas de trazer o problema usado no tratamento experimental, fundamentado no trabalho de Hilton (2008), para o mais próximo da realidade dos alunos. Vale referenciar neste momento que o trabalho foi estruturado com a aplicação de conceitos de Contabilidade de Custos ambientado numa indústria de componentes para televisores e computadores. Coincidentemente, a universidade onde o experimento ocorreu está localizada em antigas instalações de uma fábrica de componentes eletrônicos, dentre eles os utilizados para a indústria de televisores. Até nos dias de hoje a comunidade local faz referência àqueles prédios pelo nome da empresa que ali era instalada, referenciando o local como a “antiga Philips”. Coube aos docentes envolvidos no trabalho
explorar essa oportunidade para enriquecer o discurso aos sujeitos presentes no experimento, trazendo para o evento uma perspectiva de aplicação real do problema. Tal fato pode ter ajudado a elevar o nível de concordância quanto à afirmação de que os assuntos abordados se relacionavam com o mundo prático do trabalho profissional.
Vale destacar a questão para a qual os alunos dos grupos dedicaram grande nível de concordância. A afirmação relaciona o caos gerado na definição do problema com a oportunidade de criação de conhecimento. Esta questão proposta no trabalho de Rodrigues e Araújo (2006) vai ao centro de um dos principais objetivos deste trabalho que visa tratar a ABP como uma abordagem complexa no ensino. Os alunos do grupo experimental da primeira etapa do experimento dedicaram 77% de concordância quanto a esta afirmação (27% na escala 3, 27% na escala 4 e 23% na escala 5) enquanto que 100% dos alunos da Turma B concordaram com ela (86% na escala 4 e 14% na escala 5). Em resumo, o gráfico seguinte mostra essa perspectiva.
Gráfico 27 – Características de Aprendizagem – Caos e a oportunidade de criação de conhecimento.
E por final, a afirmação de que a quantidade e a qualidade dos conhecimentos adquiridos por intermédio da ABP são superiores ao dos métodos tradicionais, obteve 86% de concordância dos alunos da Turma B e na Turma A, 77%.
Trazendo do referencial teórico as idéias de Simon (op. cit., p.106), este esclarece que em relação à solução de problemas o fenômeno de se fazer descobertas se manifesta na classe daqueles que são caracterizados como mal estruturados, ou seja, onde não há uma solução fechada ou pré-moldada, e que ainda, não há um objetivo único. Para o autor, para descobrir
ouro, alguém pode fazê-lo sem necessariamente estar atuando nesta direção ou com essa intenção (embora alguém possa ter essa intenção), e se prata ou cobre forem descobertos em vez de ouro, este resultado será bem vindo também. É o tipo de teste em que algo foi encontrado, e que emergiu com nova propriedade e poderia não ter sido previsto com grau razoável de certeza, e mesmo assim, ainda, este novo achado apresenta algum valor ou interesse. Esta perspectiva ilustra o motivo de o teste de Contabilidade de Custos fundamentado nos trabalhos de Guerreiro (2004) e Martins e Rocha (2008) ter uma ampla abrangência de assuntos, uma vez que era esperado que no processo de pesquisa feito pelos alunos para a solução do problema emergisse o aprendizado de tópicos que não necessariamente estivessem no conteúdo programático ou no objetivo do trabalho naquele instante específico.
Em relação à questão da aprendizagem Demo pondera que o aluno precisa aprender a pesquisar para aprender a questionar em vez de apenas colher dados e discursos (DEMO, op.
cit., p. 137). Quanto a este fato, a percepção dos alunos das Turmas A e B é que a ABP se
configura como uma maneira efetiva de adquirir conhecimentos sobre assuntos de Contabilidade de Custos.
Perante essa colocação, ao abordar o elemento externo aos alunos que procura mensurar, para efeitos de comparação, o desempenho dos grupos envolvidos no experimento, toma-se como parâmetro a evolução dos grupos no teste de Contabilidade de Custos. Nota-se, pela análise dos dados, que os grupos quando expostos ao método de ABP obtêm melhor aproveitamento. Esse comportamento foi observado tanto para a Turma A quanto para a Turma B, mostrando também que o desenho experimental empregado, alternando os grupos entre grupo de controle e grupo experimental, foi essencial para primeiro estabelecer comparações intra-grupo em tempos distintos, e depois, entre grupos, fortalecendo dessa maneira as conclusões aqui apresentadas.
Os testes estatísticos de médias aplicados reforçam o que já é perceptível ao compararmos as notas finais das Turmas A e B, e também as médias gerais da Turma A frente à média geral da Turma B quando estes estavam desempenhando, respectivamente, o papel de grupo experimental e grupo de controle. Primeiro estes testes nos mostram que há diferença de média entre o desempenho dos grupos, e então, a análise dos resultados finais do questionário
de Contabilidade de Custos confirmam o melhor desempenho dos alunos na etapa de exposição à ABP.
Colocamos as idéias postadas até este ponto como lastro para o fechamento das discussões sobre a hipótese 2 que diz que a abordagem complexa da realidade no ensino da Contabilidade, por intermédio da metodologia de ABP, oferece melhor percepção e maior ganho de aprendizagem aos estudantes, se comparada à de ensino tradicional baseada em aulas expositivas. Podemos dizer que do ponto de vista da operacionalidade da variável aprendizagem, ela foi observada pela percepção discente e pela mensuração da evolução do conhecimento por meio do desempenho no questionário de Contabilidade de Custos. Pela ótica da avaliação externa aos alunos, ou seja, da evolução dos alunos ao longo das três aplicações do questionário, o resultado que foi obtido pelos grupos envolvidos no experimento fornece indícios suficientes de que os maiores saltos em termos de desempenho se deram no período em que cada grupo estava exposto a metodologia de ABP quando se compara com a evolução do desempenho dos alunos quando expostos ao ensino tradicional. Quanto ao aprendizado visto pela percepção discente, os alunos referendaram a metodologia de ABP com concordância mais preponderantemente positiva se comparada às avaliações dadas à tradicional expositiva. Com base em depoimentos de alunos e pelo até aqui exposto, considera-se aquela não como unanimidade, tampouco substituta de outras metodologias, mas sim, uma alternativa válida. O acréscimo de uma alternativa às já disponíveis no ambiente contábil pode lidar com os vários estilos de aprendizagem aumentando as chances de se alcançar um maior número de pessoas que buscam o domínio das ferramentas disponíveis na Contabilidade. Trata-se de se criar um estímulo a mais no ambiente educacional para que os indivíduos respondam às necessidades se utilizando de mecanismos de adaptação que já possuem, mas que muitas vezes não são estimulados devido à padronização das formas de ensino-aprendizagem apoiados em aulas puramente tradicionais expositivas.