negativamente, na certificação – feita pela ANPROTEC – que por sua vez, estimava fazer a avaliação da INEAGRO, no primeiro semestre de 2018, sendo que, em virtude dessas dificuldades enfrentadas, teria que adiar essa avaliação (de certificação) para no mínimo mais um ano à frente, e dessa forma, a INEAGRO teria que retardar sua almejada certificação CERNE 1.
Para piorar ainda mais a situação vivida por aquela incubadora, em meados de 2018 (que foi o período final das análises deste estudo) houve mais uma troca de comando na gerência executiva, em pleno período de lançamento de um novo edital para seleção de novos empreendimentos, com foco no processo de pré-incubação, o qual teve apenas uma empresa selecionada. Além do mais, praticamente todos os empreendedores que vinham sendo incubados, tiveram seus projetos descontinuados, alegando incompatibilidade nos horários, bem como, desmotivação com a condução das atividades que vinham sendo desenvolvidas pela gestão da INEAGRO.
3 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta sessão apresenta as etapas metodológicas definidas para a realização do presente estudo, incluindo a natureza da pesquisa, forma de abordagem do problema, método utilizado, instrumentos de coleta e análise dos dados, além de informações mais detalhadas sobre o objeto de estudo. Visando o atingimento dos objetivos propostos, realizou-se uma pesquisa exploratória, que proporciona “maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses” (SELLTIZ et al., 1967). A presente pesquisa se classifica dessa maneira pelo fato de buscar novos conhecimentos acerca do processo de incubação que ocorre em uma Incubadora de Base Tecnológica, que poderá servir de ponto de partida para estudos futuros (COLLIS; HUSSEY, 2005).
3.1. METODOLOGIA
O desenvolvimento de modelos de gestão para incubadoras de empresas, no âmbito internacional, tem cerca de 17 modelos. Enquanto que no Brasil, há dois, que são:
o modelo implementado no Instituto Genesis, no Rio de Janeiro, e o Modelo CERNE (criado em 2009), que é o foco central desta pesquisa, como um modelo nacional, adaptado à realidade brasileira. Os benefícios da implantação do Modelo CERNE são a utilização de melhores práticas de gestão para a geração e o desenvolvimento de empreendimentos inovadores. Este estudo realizou uma investigação, genericamente, de como se dão os processos de gestão da implementação do Modelo CERNE 1, e de quais fundamentos e práticas podem contribuir para como o padrão de qualidade dos serviços de apoio às empresas para torná-las mais seguras e produtivas. A relevância deste estudo está, pela investigação e profunda análise de como são executados os processos e práticas do Modelo em questão, na Incubadora INEAGRO, e como está sendo, na prática, sua gestão, tendo em vista que nos últimos 3 anos não tem apresentado resultados satisfatórios com relação ao sucesso dos seus empreendimentos incubados. Certamente, encontrando respostas para esses problemas e suas causas, a Incubadora poderá se reposicionar e corrigir falhas e vícios que podem estar atrapalhando tanto o seu desempenho, quanto ao da própria mantenedora (UFERSA), que tem todo interesse em apoiar o empreendedorismo e a inovação em suas dependências, e assim, contribuir com o desenvolvimento local e regional.
Para Moreira (1990, p. 13), metodologia é “sequências de passos, as técnicas de investigação, os dispositivos experimentais para responder à questão básica referente ao estudo proposto”. Assim, o propósito deste estudo é realizar, sob a ótica dos atores envolvidos, uma análise acerca da dinâmica do processo de incubação das empresas de base tecnológica, participantes da INEAGRO CABUGI, utilizando-se de uma apurada verificação dos fatores ocorridos nas ações, do referido processo, que, efetivamente, contribuíram para que os empreendimentos incubados (nos últimos cinco anos) não conseguissem alcançar, efetivamente, seus objetivos, ou seja, de obter maturidade para adquirir sustentabilidade no mercado. Além do mais, também se pretende investigar os projetos descontinuados (remanescentes), com seus desafios e as causas que motivaram uma inesperada queda de rendimento que foi determinante para o insucesso e consequente abandono desses empreendimentos.
Dentro desse contexto, com base nos objetivos propostos neste estudo, foi utilizada uma metodologia que contempla a análise de dados obtidos por meio de relatórios, leituras de documentos, registros de arquivos e questionários semiestruturados com os empreendedores dos projetos de empresas nascentes que foram selecionados para
o processo de incubação e pré-incubação na Incubadora INEAGRO CABUGI, bem como dos gestores que atuaram na mesma, entre os anos de 2013 a 2018.
Para tanto, o método (de estudo) utilizado para atingir os objetivos desta pesquisa foi o estudo de caso, o qual permite a realização de investigações em profundidade, seja de um indivíduo, grupo, instituição ou unidade social e, como vantagem de conduzir-se uma pesquisa com este método, está à possibilidade de incrementar o entendimento sobre os eventos reais e contemporâneos (GIL, 1996; YIN, 2001; MIGUEL, 2007). Na execução da pesquisa de campo, foi utilizada a observação e o método de levantamento dos dados por meio de questionário semiestruturado e não-disfarçado. Este tipo de composição do questionário de pesquisa apresenta uma lista formal de perguntas a serem feitas e o objetivo da entrevista está totalmente explícito para o entrevistado (CAMPOMAR, 1981; BOYD e WESTFALL, 1982).
Quanto à abordagem, a referida pesquisa classifica-se, predominantemente, como qualitativa, na qual o ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados, interpretação de fenômenos e atribuição de significados, e o pesquisador, que é o instrumento-chave no estudo. Na visão de Silva e Menezes (2001), tal modalidade de pesquisa considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real (objetivo) e o sujeito (subjetivo) que não pode ser traduzida em números. O pesquisador tende a analisar seus dados indutivamente e o processo, e seu significado, são o foco de abordagem.
De acordo com Yin (2005), corroborando para o atingimento dos objetivos deste estudo, foi utilizada como abordagem metodológica a pesquisa de natureza qualitativa, que consistiu em estudo de caso feito de forma aprofundada. Contribuindo com esse pensamento, segundo Costa e Costa (2009), a pesquisa qualitativa requer como atitudes fundamentais: “a abertura, a flexibilidade, a capacidade de observação e de interação com o grupo de investigadores e com os atores sociais envolvidos”, voltando-se para “uma realidade que não pode ser quantificada”.
Outrossim, de acordo com Flick (2009) uma pesquisa qualitativa surge, basicamente, em oposição às estratégias racionais da pesquisa quantitativa, isto é, enquanto que o enfoque quantitativo é voltado para a validade de hipóteses, baseando-se na matemática e na estatística para comprovar a relação entre duas ou mais variáveis, a pesquisa qualitativa utiliza a coleta de dados para aprimorar e interpretar perguntas e respostas frente ao fenômeno pesquisado (SAMPIERI, COLLADO E LUCIO, 2013).
permitir que poucos casos possam ser detalhados em profundidade (CRESWELL, 2005). É, justamente, a situação que se apresenta nesta pesquisa, à qual buscou, primeiramente, ouvir os atores envolvidos no processo de incubação da INEAGRO CABUGI, para então poder detalhar a dinâmica de toda problemática envolvendo as situações adversas encontradas ao longo do período pesquisado. E é assim, dentro dessa perspectiva, que esta pesquisa é classificada como qualitativa.
O instrumento utilizado para a coleta de informações junto aos atores mais importantes que compõem o universo da pesquisa (os empreendedores incubados) foi o questionário com roteiro semiestruturado. Já para os gestores (internos e externos) foram realizadas entrevistas com visitas pré-agendadas, com perguntas estruturadas e não- disfarçadas, sendo que para aqueles respondentes que não foi possível o contato presencial, os questionamentos foram feitos por meio de correio eletrônico (e-mail).
Com relação ao alcance, esta pesquisa se caracteriza como descritiva, tendo em vista que buscou realizar um estudo detalhado, com levantamento de informações através das técnicas de coleta (questionários, entrevistas, etc.), sobre os elementos e o fenômeno principal observados. De acordo com o que pontua Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 102), se “se quer descrever fenômenos, situações, contextos e eventos, ou seja, detalhar como são e como se manifestam”, deve-se optar pela pesquisa descritiva. Corroborando, Vergara (2000, p. 47) cita que uma pesquisa desse tipo “não tem o compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação".
Quanto à natureza, pode-se afirmar que esta é uma pesquisa caracterizada como básica, já que seus resultados não apresentam, necessariamente, finalidades imediatas, apesar de produzir um rico conhecimento para ser utilizado em futuros estudos, além de sugestões de melhorias. A natureza de uma pesquisa científica é classificada como básica quando voltada para a geração de novos conhecimentos na exploração de um tema ou aplicada quando busca oferecer soluções para problemas postos (SILVA; MENEZES, 2001).
Ressalta-se que as observações feitas, in loco, no ambiente da INEAGRO CABUGI, tiveram como foco um olhar sobre como os gestores veem o ambiente de inovação, principalmente nesse espaço acadêmico, com os alunos podendo desfrutar de um verdadeiro laboratório de inovação, com profissionais capacitados para despertar o empreendedorismo no corpo discente, através de um bom programa de sensibilização e prospecção, de forma que haja esse engajamento permanente, trazendo à tona essa
temática que, certamente, fascina os jovens universitários, que enxergam nesse ambiente, uma forma de empreenderem e assim obterem sucesso na vida, simplesmente, aliando suas experiências profissionais adquiridas na universidade, com o talento, o perfil de empreendedor, que potencialmente todos eles têm.