LA REVUE DE LITTÉRATURE
OPEN SOURCE Figure 20. Conflit sur l’intégration des clients à la coopétition
Segundo Piatier (1984), qualquer fator que influencia negativamente o processo de inovação este é uma barreira à inovação. Para Hadjimanolis (2003) as barreiras à inovação também são denominadas obstáculos, restrições ou inibidores. Por outro lado, quando os fatores impactam positivamente a inovação, estes se tornam facilitadores. Facilitadores podem se converter em barreiras ou vice-versa e ambos, podem se constituir em fatores determinantes, ou direcionadores de inovação.
De acordo com o Manual de Oslo (OCDE, 1997), a atividade de inovação pode ser obstruída por diversos fatores: razões que impedem o início das atividades de inovação, fatores que refreiam a atividade de inovação ou que tem efeito negativo sobre os resultados esperados. Esses fatores podem ser também de natureza econômica, empresarial e legal. O Quadro 10 apresenta os principais fatores que dificultam as atividades de inovação, na concepção do Manual de Oslo (OCDE, 1997, p. 130).
Quadro 10 – Principais obstáculos à inovação, de acordo com o Manual de Oslo (OCDE)
(continua)
Tipos de Obstáculos Discriminação
Relativos ao custo
Riscos percebidos como excessivos Custo muito elevado
Carência de financiamento interno
Carência de financiamento de outras fontes fora da empresa: capital de risco e fontes públicas de financiamento
Relativos ao conhecimento
Potencial inovador (P&D, design, etc.) insuficiente Carência de pessoal qualificado: no interior da empresa e
no mercado de trabalho
Carência de informações sobre tecnologia Carência de informações sobre os mercados
(conclusão)
Deficiências na disponibilização de serviços externos Dificuldade de encontrar parceiros para cooperação em:
– desenvolvimento de produto ou processo – parcerias em marketing
Inflexibilidades organizacionais internas da empresa: – atitude do pessoal com relação a mudanças
– atitude da gerência com relação a mudanças – estrutura gerencial da empresa
Incapacidade de direcionar os funcionários para as atividades de inovação em virtude dos requisitos da produção
Fatores de mercado Demanda incerta para bens ou serviços inovadores Mercado potencial dominado pelas empresas estabelecidas Fatores Institucionais
Carência de infraestrutura
Fragilidade dos direitos de propriedade Legislação, regulações, padrões, tributação. Outros fatores
Não necessidade de inovar decorrente de inovações antigas Não necessidade decorrente da falta de demanda por
inovações
Fonte: Elaborado pelo autor, com base em OCDE (1997, p. 130).
Hadjimanolis (2003), por sua vez, classifica as barreiras à inovação em externas e internas. Barreiras externas originam-se no ambiente externo da firma e não podem ser influenciadas por ela. Barreiras externas estão relacionadas com o mercado, com o governo ou com outros fatores. Barreiras internas situam-se dentro da própria empresa e podem ser por elas influenciadas, como barreiras relacionadas a pessoas, estrutura e a estratégia.
Barreiras externas relacionadas ao mercado incluem: incapacidade da empresa se apropriar dos retornos gerados pela inovação, riscos de mercado, montante inadequado de P & D, deficiências da oferta e da demanda, como falta de funcionários qualificados e de usuários inovadores. A natureza e intensidade da concorrência interferem na lucratividade e na estratégia. Pressão pelo imediatismo na obtenção de lucros de curto prazo (short-termism), negligenciam investimentos em inovação, que tem retorno a longo prazo. As barreiras financeiras são o tipo mais comum, seja porque agentes financiadores veem a inovação como atividade de alto risco, dificuldade de avaliação financeira de projetos inovadores ou porque há falta de garantias exigidas pelos bancos ou por ausência de capital de risco (HADJIMANOLIS, 2003).
Barreiras externas relacionadas ao governo referem-se a políticas, normas e legislações. Padrões impostos pelo governo e procedimentos burocráticos para obtenção de licenças, podem gerar obstáculos, de forma não intencional, que tornam a inovação mais
dispendiosa. Fatores institucionais podem também afetar a cooperação, a formação de alianças (HADJIMANOLIS, 2003).
Barreiras externas também podem advir de barreiras técnicas (mudanças e obsolescência tecnológica, destruição de competências, escala de exigências de capital para novas tecnologias), sociais (normas e valores sociais, atitudes em relação à ciência, mudanças socioeconômicas, aversão ao empreendedorismo) e interorganizacionais (falta de confiança e de cooperação na cadeia de suprimentos ou nos canais de distribuição) (HADJIMANOLIS, 2003).
Barreiras internas relacionadas a pessoas originam-se de percepções, vieses, falta de motivação e de habilidades bem como de interesses e objetivos pessoais diferentes dos da organização. A inovação pode interferir em comportamentos privilégios e status que resistem à mudança. A falta de compromisso com a inovação, decorrente do conservadorismo da gestão, que pode considera-la uma atividade arriscada. Desta forma o processo decisório também se torna uma barreira. Do ponto de vista comportamental, a falta de vontade (medo do fracasso e culpa, favoritismo, ciúmes, ressentimentos) e a falta de competência (falta de criatividade e de novos conhecimentos para inovar). Existem também fatores inibidores como a falta de treinamento, de autonomia, de motivação e de pessoal qualificado em decorrência de competências obsoletas (HADJIMANOLIS, 2003).
Obstáculos estruturais são decorrentes de problemas internos de comunicação, sistemas de incentivo inadequados e problemas internos de cooperação. Dentre esses destacam-se: centralização de poder, estrutura hierárquica rígida, defensividade e desconfiança decorrentes de procedimentos formais. A cultura organizacional que preconiza a culpa, o medo da responsabilidade e a punição obstruem a experimentação, a mudança e a inovação. Acrescentam-se a esses obstáculos os problemas com sistemas de informações, contabilidade e planejamento (HADJIMANOLIS, 2003).
Barreiras estratégicas internas advêm da dificuldade da organização desenvolver capacidades e recursos essenciais que os concorrentes deveriam ter dificuldade de imitar. Essas capacidades são tecnológicas (capacidade de produzir novas ideias e desenvolver novos produtos), de marketing, de serviços, habilidades legais (proteção da propriedade intelectual) e de formação de alianças. Somam-se a essas, a falta de recursos financeiros, de máquinas e equipamentos para testes, falta de um departamento de P & D (HADJIMANOLIS, 2003).
Marin, Marzucchi e Zoboli (2015) afirmam que poucas publicações tentam apresentar uma visão abrangente sobre as barreiras à inovação e que dados adequados provém das pesquisas sobre inovação da Comunidade Européia (Community Innovation Survey). Ao
estudarem as barreiras a ecoinovação em pequenas e médias empresas da União Européia, os autores utilizaram o levantamento Flash Eurobarometer sobre “Atitudes de Empreendedores Europeus para a Ecoinovação”. De acordo com esse levantamento, as barreiras a ecoinovação inovação mais significativas são: fundos internos e externos, incerteza de retorno, subsídios, barreiras de custo, pessoal qualificado e capacidades tecnológicas, informação externa, parceiros de negócio, barreiras tecnológicas, barreiras de conhecimento, demanda incerta, prioridade material e energética, mercado controlado, regulações, barreiras de mercado e investimento em ecoinovação (MARIN, MARZUCCHI E ZOBOLI, 2015).
Da mesma forma, Pintet, Bocquet e Mothe (2015) ao realizarem estudo empírico em pequenas e médias empresas francesas, a partir de estudos anteriores, analisam três grandes grupos de barreiras à ecoinovação: custo conhecimento e mercado. Barreiras de custo refletem as dificuldades das empresas financiar seus projetos de inovação. Barreiras de conhecimento se caracterizam pelo acesso limitado a informação tecnológica e a recursos humanos qualificados. Finalmente, barreiras de mercado decorrem da complexidade e rapidez das empresas conseguirem relacionar oportunidades de mercado e oportunidades tecnológicas.
Coad, Pellegrino e Savona (2016), ao relacionarem barreiras à inovação e produtividade das empresas, também apontaram que há pouco interesse acadêmico sobre barreiras à inovação e que a maior parte da literatura sobre barreiras está baseada nas pesquisas sobre inovação da Comunidade Européia (Community Innovation Survey). As barreiras à inovação apresentadas nesse levantamento são as que estão demonstradas no Quadro 11.
Quadro 11 – Barreiras à inovação
Grupos de barreiras Discriminação
Fatores de custo Excessivos riscos econômicos percebidos Custos diretos da inovação muito altos Custo financeiro
Disponibilidade de financiamento Fatores de conhecimento Falta de pessoal qualificado
Falta de informação sobre tecnologia Falta de informação sobre mercados
Fatores de mercado Mercado dominado pelas empresas estabelecidas Demanda incerta por produtos e serviços inovadores Fatores regulatórios Necessidade de atender aos fatores regulatórios
governamentais
Fonte: Adaptado pelo autor com base em Coad, Pellegrino e Savona (2016).
estudo anterior realizado por Ashford (1993), distinguindo as barreiras a EI como sendo tecnológicas financeiras, relacionadas à força de trabalho, regulatórias, gerenciais, relacionadas ao consumidor e relacionadas ao fornecedor (KEMP; DIAZ-LOPEZ; BLEISCHWITZ, 2013). As descrições destas formas de barreira estão apresentadas no Quadro 12.
Quadro 12 – Barreiras à ecoinovação
(continua)
Área Descrição das barreiras
Tecnológica
Disponibilidade de tecnologia para aplicações específicas; capacidade de desempenho tecnológico sob certas condições econômicas e padrões; falta de (algumas) substâncias alternativas que substituam componentes perigosos; alto grau de sofisticação com a operação de algumas tecnologias de redução de resíduos; ceticismo quanto ao desempenho de certas tecnologias e assim, a relutância em investir; inflexibilidades dos processos.
Financeira
Custos de P&D; custos relacionados ao risco de mudança de processos, com relação a aceitação do consumidor e da qualidade do produto; avaliação não abrangente dos custos, análise custo-benefício e método de apuração dos custos; falta de entendimento e dificuldade de prever custos futuros (ex. descarte de resíduos); calculo de lucros no curto prazo resultando em baixa tolerância a longos períodos de retorno (payback) dos investimentos em equipamentos; suposta desvantagem na competitividade já que outras companhias não estão investindo em tecnologias de redução de resíduos; falta de flexibilidade de investimento de capital devida a baixa margem de lucro; economias de escala impedindo empresas menores de investir em alternativas de redução de resíduos (tecnologias de recuperação na planta); possibilidade dos investimentos em mudança de processos sejam ineficientes em empresas antigas; limitações financeiras e tecnológicas da empresa devido a investimento recente em estação de tratamento de água; custo real das tecnologias atuais mascaradas em custos operacionais.
Força de trabalho
Falta de profissional responsável pela gestão, controle, controle e implantação de tecnologia de redução de resíduos; relutância em empregar engenheiros treinados no suposto tempo de demora no design de tecnologias de redução de resíduos; inabilidade de gerir um programa interno e desta forma, relutância em lidar com um programa de redução de resíduos na empresa; crescentes exigências da gestão com a implantação de tecnologias de redução de resíduos.
Regulação
Falta de incentivos ao investimento em tecnologias de reutilização e recuperação; legislação fiscal sobre depreciação; isenções legais disponíveis apenas para tecnologias ou processos de tratamento de resíduos perigosos; incerteza sobre a futura legislação ambiental; foco regulatório na conformidade pelo uso de tecnologia de tratamento convencional de final de tubo (end-of-pipe) ao invés de tecnologia de redução de resíduos; conformidade com padrões de descarte não incentivando o investimento em redução de resíduos.
(conclusão)
Consumidor
Especificações restritas do produto (ex. somente para uso militar); risco de perda de clientes se as mudanças nas propriedades do produto mudarem levemente ou se o produto não puder ser entregue por um certo período.
Fornecedor Falta de suporte do fornecedor em termos de divulgação do produto, bom serviço de manutenção, experiência de ajustes nos processos.
Gerencial
Falta de comprometimento da alta gestão; falta de cooperação para quebrar a separação hierárquica das áreas de responsabilidade (ex. engenharia de produção não coopera com engenharia ambiental a respeito do tratamento e eliminação de substancias perigosas); relutância em iniciar mudanças; falta de educação, treinamento, experiência e motivação dos funcionários
Fonte: Adaptado de Kemp, Diaz-Lopez e Bleischwitz (2013).
Assim como os direcionados de EI tem diferentes classificações e tipologias de acordo com a perspectiva do pesquisador, o mesmo ocorre quando se trata de barreiras que podem ser sintetizadas em barreiras relacionadas aos fatores regulatórios, financeiros, de mercado, de conhecimento e gerenciais.
Embora a tipologia utilizada para os direcionadores e para obstáculos a EI sejam diferentes, pode-se constar, de maneira geral, a afirmação de Piatier (1984), de que qualquer fator que influencia negativamente o processo de inovação este é uma barreira à inovação.