CHAPITRE 3 LE NUAGE INFORMATIQUE
3.6 Open Services Gateway Initiative (OSGI)
Como já discutido anteriormente, os caçadores entrevistados reconhecem a influência da caça no declínio populacional das espécies cinegéticas. Pereira e Diegues (2010) consideram que o uso racional dos recursos naturais, nesse caso a fauna, está associado à perpetuação das populações nos ambientes em que estão inseridas, da mesma forma que a biodiversidade local também depende da continuidade do manejo desses recursos.
O manejo dos recursos faunísticos adotado pelos entrevistados está em sua maior parte associado aos ciclos reprodutivos de espécies que possuem uma maior pressão de caça como o tatu (E. sexcinctus, D. septemcinctus, D. novemcinctus, C. unicinctus). Todos os entrevistados declararam “pausar” a atividade cinegética durante o período reprodutivo das espécies de tatu. Os períodos correspondentes a essa pausa vão de novembro a fevereiro e durante o mês de maio. Foi constatado que não há informações mais precisas por parte dos caçadores sobre os ciclos reprodutivos de espécies que despertam menos interesse cinegético.
A preocupação com a manutenção da população dos animais está mais intimamente relacionada com o prazer de se caçar, visto que se uma nova geração de um animal cinegético for interrompida, a atividade de caça na região irá ser reduzida. Essa preocupação está demonstrada no trecho abaixo:
A gente tem essa consciência sabe? Quando a bicha tá parida ou buchuda a gente para de caçar, nem espingarda a gente leva. É a diversão da gente, a gente tem que pensar nisso. A gente gosta de diversão não mata assim pra viver daquilo, só por divertimento. (Caçador, 36 anos)
A caça seletiva de machos é uma ação relatada por todos os entrevistados. Quando os caçadores capturam uma fêmea grávida ou com filhotes eles os soltam novamente. Foi relatado também que quando há a captura de fêmeas de tatu ou cutia (D. aguti) em matas mais distantes, estas são trazidas e soltas em áreas de mata mais próximas, visando o povoamento daquela espécie na região. A escolha da estratégia de caça também está relacionada com o
69 manejo. Os caçadores mais jovens já não concordam na utilização de armadilhas que não permitem a escolha do alvo, evitando matar fêmeas, filhotes ou outros animais que não são alvos de caça, como o caso da armadilha “pistola ou macaca”.
Apesar de a atividade cinegética ser considerada uma forma de lazer na região, nota-se também que alguns entrevistados limitam a sua caça aos animais que são utilizados na alimentação, o que diminui a pressão cinegética exercida em outras espécies que não são apreciadas pela sua carne.
Outro aspecto a ser tratado neste tópico, também discutido por Léo Neto (2011), envolve as práticas simbólicas referidas neste trabalho como a crença na Cumadre Florzinha. Estas podem atuar de forma direta ou indireta no manejo de espécies animais a partir do respeito para com os animais e o meio ambiente que essa crença exige, assim como as decorrentes desistências durante as caçadas, quando “a Cumadre Florzinha não quer”.
Foi percebido que os caçadores adotam atitudes de manejo visando manter a população de algumas espécies, tal qual o tatu, animal que mais apreciam na alimentação. No entanto, atitudes contrárias a isso, como a caça de controle que afeta principalmente as serpentes, também são presentes no cotidiano dos caçadores da região. Tal fato também foi observado por Rubio-Torgler (1997) em seu trabalho com caçadores indígenas na Colômbia.
CONSIDERAÇÕESFINAIS
A caça é uma prática presente no cotidiano dos moradores de comunidades rurais no município do Conde, Paraíba, sendo motivada principalmente pelo entretenimento que a atividade proporciona aos seus praticantes. Essa atividade é considerada antiga na região e embora não esteja estritamente relacionada à subsistência constitui uma prática cultural e de importância nutricional.
O registro das espécies cinegéticas amplia o conhecimento sobre a fauna cinegética no estado da Paraíba, onde ainda não haviam sido realizadas pesquisas sobre caça em áreas de Mata Atlântica. De uma forma geral, a caça na região apresenta características similares aquelas praticadas em outras regiões do Estado, sendo obviamente influenciada pela riqueza de espécies que ocorrem nas áreas de Mata Atlântica. Não obstante, espécies de ampla distribuição geográfica, também são alvo de caça em diferentes regiões do Estado, como algumas espécies de tatus, por exemplo.
70 A mastofauna foi o grupo mais representativo na utilização das espécies cinegéticas para a alimentação e os répteis foram os animais mais afetados pela caça de controle. A avifauna, grupo bastante utilizado no comércio de animais silvestres ou como animais de estimação em outras regiões, não foi citado com frequência na área estudada. As estratégias de caça registradas neste estudo se mostraram similares a outros trabalhos no país. No entanto, nossos resultados demonstram que a caça com cachorro, por ser muito praticada na região afeta em maior intensidade as populações de espécies cinegéticas, já que se mostra bastante eficiente na captura das mesmas.
Visto isso, recomendam-se ações de educação ambiental nas escolas do município, assim como cursos para professores, minicursos para voluntários e palestras em associações que abordem a riqueza faunística da região e a importância de proteger tais espécies assim como os remanescentes florestais que ainda restam. Em relação à herpetofauna, grupo bastante perseguido pela caça de controle, evidencia-se a necessidade de ações educacionais específicas no sentido de quebrar preconceitos em relação às serpentes e orientar quando aos procedimentos que permitem o reconhecimento das espécies potencialmente perigosas ao ser humano e as formas evitar acidentes associados a esses animais. No sentido de diminuir os conflitos gerados entre a população e os animais silvestres abatidos como caça de controle, também se sugere mudanças na estrutura dos galinheiros além da construção de barreiras, como cercas no entorno dos roçados para evitar a entradas das espécies silvestres.
Foram constatados diferentes fatores que afetam a população de animais assim como as áreas de mata atlântica da região, o que demanda mais estudos que visem a sua proteção. Estes deverão objetivar também a identificação e caracterização de cenários de criticidade, a fim de contribuir na aplicação de esforços de monitoramento e fiscalização específicos. Espera-se que nossos resultados contribuam com a implementação / aprimoramento de políticas públicas direcionadas ao manejo da fauna silvestre, visando à conservação da biodiversidade da região.
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