Um texto resulta da intersecção com outros textos. Torna-se um prolongamento dos outros, é como um “puzzle” resultante de fragmentos de outros textos. Como tal, o seu significado não se extingue em si próprio. É um elemento macrocosmos denominado realidade.
A intertextualidade tornou-se, por isso, uma propriedade inerente ao texto. Segundo Sousa30, “ A intertextualidade se refere às relações entre os diferentes textos que permitem que um texto derive seus significados de outros. Diz-se que todo o texto remete para outros textos no passado e aponta para o futuro.” É nesta perspectiva que surgem as poesias musicadas de intervenção utilizadas na sala de aula.
Deste modo, quantas mais leituras se realizarem mais componentes intertextuais se identificam, tornando mais fácil descobrir as relações com outros elementos culturais.
30
-Sousa, Angelita Terezita Maba de, Texto e intertextualidade: Uma construção em sala de aula, consultado em 20 de Agosto de 2010,disponível na World Wide Web. <Http://alb.com.br/anais17/textcompletos
115 Urge, por isso, e de uma forma prévia, aprofundar conhecimentos para esclarecer eventuais dúvidas. Nesta perspectiva, como refere Sousa,31
Entendemos contexto como uma situação histórico-social de um texto, envolvendo não somente as instituições humanas, como ainda outros textos que sejam produzidos em volta e com ele se relaciona. Pode-se dizer que contexto é a moldura de um texto. O contexto envolve elementos tanto da realidade do autor como do receptor – e a análise destes elementos ajuda a determinar o sentido. Para interpretação de um texto deve-se, de imediato, saber que há um autor, um sujeito com determinada identidade social e histórica e a partir disto, situar o discurso compartilhado desta identidade.”
A compreensão do texto implica, pois, a percepção das relações entre texto e contexto.
Segundo Sousa,32 “Um texto é a voz que dialoga com outros textos mas também funciona como o eco das vozes do seu tempo, da história, de um grupo social, dos seus valores, crenças, preconceitos, medos e esperanças”.
A evolução da nossa sociedade permitiu por um lado o desenvolvimento das formas verbais de comunicação e por outro que se descobrisse a maneira como funciona a linguagem e qual o seu alcance. Ela consegue criar, quer realidades ainda inexistentes, quer relembrar vivências passadas. A fim de se classificar tal raciocínio temos de partir da ideia que um texto “funciona como mosaico de outros textos, alguns mais próximos, alguns mais distantes, alguns mais pertinentes, outros menos mas todos eles influenciam a leitura, pois compreendemos que o significado de um texto não se limita ao que apenas está nele, o seu significado resulta da intersecção com outros textos”.33
Em sala de aula importa conversar com os alunos com o objectivo de estabelecer vários paralelismos entre os poemas musicados e os diferentes assuntos leccionados pertencentes aos diversos conteúdos programáticos.
Vários são os objectivos que se pretendem atingir, desde o enriquecimento dos seus conhecimentos, passando pela descoberta dos diferentes sentidos, terminando na
31 -idem 32 -ibidem 33
Sousa, Angelita, texto e intertextualidade: uma construção em sala de aula. Consultado em 20 de Agosto de 2010. Disponível em Web. <Http:// alb.com.br/anais17/txt completos).
116 constatação da existência de textos dentro dos textos que analisam em aula com a ajuda do professor.
É, partindo deste recurso criativo, que o professor terá de analisar a capacidade dos alunos em estabelecer relações entre os textos apresentados – os poemas musicados de intervenção – e os conteúdos programáticos leccionados.
Os textos podem apresentar vários graus de intertextualidade, segundo Reis (1978:133), A análise textual pode revelar graus variados de intertextualidade. Assim determinadas características formais (ritmos, metros estruturas estróficas, tipos de personagens, etc.) poderiam ser encaradas como grau mínimo de intertextualidade se as convenções literárias ligadas aos géneros não tivessem vulgarizado (sem sentido pejorativo) a sua utilização. Como grau médio da intertextualidade poderá a análise textual encarar os exemplos até agora facultados, ou seja, alusões próximas, reflexos discretos de uns textos noutros que, por continuidade ou rejeição, contribuem para a configuração do espaço intertextual. Como grau máximo de intertextualidade encontramos aquelas práticas que apenas de modo limitado alteram outras práticas textuais, referimo-nos em particular ao Pastiche
4- O Canto de Intervenção em Sala de Aula
A nossa proposta na abordagem da poesia musicada de intervenção não obriga o professor a ter conhecimentos de escrita musical nem a necessidade de saber executar um instrumento musical. Como justifica Ferreira (2002:14), É importante que o professor vença sua timidez ou crença de que é incapacitado, musicalmente falando, e desenvolva seus gostos e talentos musicais (…) uma coisa é ensinar música e outra ensinar outra disciplina fazendo uso da música. A educação pela música tem por objectivo a utilização desta como meio, como um renovado método de formação integral do aluno,
O que é fundamental é poder proporcionar aos jovens meios e motivações para desenvolver o seu sentido musical e satisfazerem neste domínio as suas necessidades de expressão e criação “basta tão-somente gostar de música, dos alunos e possuir alguns conhecimentos psico- pedagógicos para não cometer alguns erros que possam lançar por terra o efeito didáctico das iniciativas.” Sousa (2003:18).
O uso da música, em sala de aula, para além de atingir níveis elevados de concentração, também consegue o desenvolvimento biológico, afectivo, cognitivo, social e motor. Com a aplicação dos temas musicais, cria-se um ambiente desenvolto, mais informal e, por consequência, mais participativo.
117 Como sustenta Sousa (2003:20), Os objectivos não são o saber “tocar bem e afinado” ou “ler uma pauta”, mas a satisfação de necessidades (instintivas, emocionais, sentimentais) e o desenvolvimento de capacidades (percepção, atenção, memória, cognição, criação). O objectivo final não é ser bom músico mas o ter uma personalidade equilibrada.