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Opérations algébriques sur les connexions

Quando falamos em metodologia, falamos nos percursos trilhados para o desenvolvimento de uma investigação, devendo, portanto, ser um caminho escolhido conforme os objetivos desejados com o trabalho.

Neste seguimento, Baranãno (2004) arroga que a metodologia pertinentemente indica o tipo de estudo efetuado, as técnicas para aquisição de dados e o método utilizado para a análise dos dados alcançados, em que devem ser justificadas todas as escolhas.

O presente estudo foi realizado consoante uma abordagem qualitativa e, portanto, não procurou obter resultados numéricos, mas sim insights, que pretendem guiar o investigador para respostas corretas, pelo que se traduz numa investigação exploratória (André, 2005).

Como referido no capítulo primeiro deste relatório, o cerne do estudo é perceber qual o contributo formativo das histórias de vida de colaboradoras na prática profissional com idosos dentro da organização, constituindo-se tal como finalidade mor desta investigação.

Por meio da metodologia que aqui se usou, é expectável que se consiga responder às questões de partida outrora efetuadas.

Essas questões, consultadas no primeiro capítulo deste relatório, vão ao encontro dos objetivos do estágio também mencionados nesse capítulo e que agora se relembram: conhecer as histórias de vida das colaboradoras através das suas narrativas autobiográficas; analisar o exercício do trabalho das colaboradoras; compreender o papel destinado às colaboradoras; analisar a relação construída entre colaboradora, organização e utente; compreender os contextos das valências onde se realiza o estágio; identificar necessidades que possam condicionar a prática profissional das colaboradoras na instituição e analisar o carácter humano das colaboradoras com os utentes e com o próprio meio organizacional, no que concerne aos seus comportamentos.

3.1.1. Paradigma – definição

Entende-se, segundo Clara Coutinho (2011), que um paradigma de investigação seja “um conjunto articulado de postulados, de valores conhecidos, de teorias comuns e de regras que são aceites por todos os elementos de uma comunidade científica num dado momento histórico” (…) Cumpre os

propósitos de unificar os conceitos, pontos de vista, a pertença a uma identidade comum e o de legitimar a investigação através de critérios de validez e interpretação” (2011:9).

Na tese de doutoramento de Maria Helena Martinho (2007), a autora enfatiza que a seleção de um paradigma não é uma tarefa simples. Requer, na verdade, que se construa uma relação prévia entre o foco da investigação e o paradigma a adotar. Esta deve ser uma relação construtiva o suficiente para que se atinja o objetivo: o êxito do estudo.

Egon Guba e Yvonna Lincoln (1994) acentuam que a natureza de um paradigma tem muito a ver com a visão do indivíduo perante o mundo que o rodeia, sendo que

“may be viewed as a set of basic beliefs (or metaphysics) that deals with ultimates or first principles. It represents a worldview that defines, for its holder, the nature of the "world," the individual's place in it, and the range of possible relationships to that world and its parts, as, for example, cosmologies and theologies do” (Guba & Lincoln, 1994:107)

Assim sendo, para o presente estudo interessou a utilização do paradigma compreensivo- interpretativo, que se caracteriza “pela compreensão dos contextos e dos processos que tornam significativas as acções dos sujeitos-actores sociais” (Casa-Nova, 2008:54).

Na vontade em desmitificar este duo de atuação, Weber (1983), citado por Casa-Nova (2008:55), refere que “compreender significa apreender o sentido da acção social”, enfatizando que “o sentido e o significado das coisas só surgem pela acção social, ou seja, quando o sujeito- actor confere um sentido subjectivo ao seu comportamento.”

Essa acção social referida anteriormente estrutura-se como “uma acção onde o sentido pensado pelo seu sujeito ou sujeitos está referido à conduta dos outros, orientando-se por esta no seu desenvolvimento” (Weber,1983, citado por Casa-Nova, 2008:55).

Quanto à interpretação propriamente dita, esta constrói-se “na procura da compreensão do sentido da acção social dos indivíduos” (Casa-Nova, 2008:56).

A interpretação prima por valorizar

“a explicação e compreensão holística das situações, o carácter complexo e essencialmente humano da actividade de interpretação do real e o papel privilegiado que nessa actividade toma o plano da intersubjectividade resultante do encontro e interacção de múltiplos actores sociais entre os quais se inclui a investigadora” (Martinho, 2007:98).

Uma vez articuladas, a compreensão e a interpretação visam

“descobrir os significados das acções para os sujeitos, tornando assim a acção inteligível para o observador onde, mais importante do que a observação do

comportamento físico (que pode ser igual em diversas situações), é apreender o significado atribuído pelo sujeito da acção a essa mesma acção” (Weber, 1983, citado por Casa-Nova, 2008: 56).

Optou-se por utilizar o paradigma compreensivo-interpretativo porque a temática da investigação assim o definiu. Uma temática abrangente, de natureza aberta e acima de tudo compreensiva e interpretativa.

Deste modo, a tentativa de compreensão da realidade social acarreta questões que surgem pela forma como a sociedade está configurada e da visão que cada um detém dela, sendo influenciada pelas ações dos sujeitos. Cabe à interpretação tentar responder a essas questões.

De forma a visualizar aquilo que aqui se descreveu, no que ao paradigma compreensivo- interpretativo diz respeito, atente-se na síntese do esquema seguinte:

REALIDADE SOCIAL DO SUJEITO

Paradigma -“postulados”; “valores”; “teorias comuns”; “regras” (Coutinho, 2011:9).

Compreensivo "apreender o sentido da acção social" (conduta) (Weber, 1983, citado por Casa-Nova (2008:55)).

Descobrir e apreender os significados que o sujeito dá às ações que ele mesmo realiza (Casa-Nova, 2008). Interpretativo “procura da compreensão do sentido da acção

social dos indivíduos" (Casa-Nova, 2008:56). -"explicação"; “compreensão holística” e “ carácter complexo” (Martinho, 2007:98).

- papel da intersubjetividade (Martinho, 2007).

INVESTIGAÇÃO

Tabela 1- Síntese visual referente à definição de paradigma compreensivo-interpretativo. Nota: quadro síntese elaborado pela própria.

3.1.2. A abordagem qualitativa

A investigação que aqui se realizou consumou-se através de uma abordagem qualitativa. Independentemente da abordagem a seguir numa dada pesquisa – qualitativa ou quantitativa – toda e qualquer investigação tem como objetivo descobrir novas informações que sejam imprescindíveis e necessárias, verídicas, válidas e que respeitem o processo em que se inserem.

Na verdade, a pesquisa nas ciências sociais foi, ao longo dos anos, vigorosamente marcada por investigações que apreciaram a utilização de métodos quantitativos, indiferentemente da área do conhecimento a que se estendiam (Godoy, 1995).

Contudo, com o passar do tempo, a abordagem qualitativa começa a ganhar terreno nas ciências sociais, provando ser capaz de se alocar às áreas do conhecimento outrora albergadas pela abordagem quantitativa, embora de forma mais lenta, visto que a sua aceitação não foi imediata (Godoy,1995).

A pesquisa qualitativa, contrariamente à abordagem quantitativa, a qual se preocupa em seguir um plano esboçado de antemão, com base em hipóteses e variáveis operacionais, em quadros ou tabelas com cariz estatístico e vertente numérica, procura desenvolver-se ao longo do processo, e não procura enumerar nem medir acontecimentos (Neves, 1996).

Posto isto, segundo José Neves, a pesquisa qualitativa prefere a “obtenção de dados descritivos mediante o contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo”, sendo constante “que o investigador procure entender os fenómenos, segundo a perspetiva dos participantes e, a partir, daí situe sua interpretação dos fenómenos estudados” (Neves, 1996:1).

De acordo com o autor mencionado, a pesquisa qualitativa acaba por deter vários significados no que concerne à pesquisa no campo das ciências sociais, uma vez que “Compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e descodificar os componentes de um sistema complexo de significados” (Neves, 1996:1).

Para Arilda Godoy (1995), essas técnicas acima referidas são utilizadas pelos pesquisadores que fazem o seu trabalho de campo, preferindo eles a observação e a entrevista e, portanto, contactando em larga escala com os sujeitos que fazem parte das suas pesquisas.

São esses mesmos pesquisadores e investigadores que fazem os seus registos através das notas de campo ou, como outrora já se mencionou, num diário de bordo, incluindo descrições e possíveis trechos de diálogos. Ainda assim, há pesquisadores que preferem uma “abordagem

mais empírica” e, como tal, fazem-se valer de filmagens, fotos ou documentos de natureza pessoal ou oficial (Godoy, 1995).

Tenha-se em atenção que nem sempre o investigador é suscetível de partilhar a informação que consegue com os seus participantes, porque acha que não deve expô-la (Godoy, 1995), já que pode condicionar o seguimento da investigação. No entanto, esta questão é subjetiva e depende do cariz da investigação e das pré-condições determinadas pelo investigador.

Quanto às caraterísticas propriamente ditas da abordagem qualitativa, Godoy (1995) enumera quatro, as quais determinam o caráter da investigação como qualitativo.

Primeiramente, Godoy refere que a “Pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental” (1995:62).

A pesquisa qualitativa prima pelo estudo no seu ambiente natural, estimando-se o contato direto e contínuo com o ambiente de estudo e com os seus intervenientes, recolhendo-se os dados precisos e necessários. Os investigadores assumem-se, também, como instrumentos da investigação, já que – uma vez que observam o que os rodeia como forma de coletar dados – tendem a aumentar o teor de confiança naquilo que recolhem e, posteriormente, essa confiança passa para aquilo que analisam e interpretam (Godoy, 1995).

Seguidamente, Godoy (1995) aponta o caráter descritivo inerente à abordagem qualitativa. A descrição dos factos e a própria descrição durante todo o processo de obtenção de dados e ulterior análise é, indiscutivelmente, fundamental na pesquisa qualitativa. A pesquisa qualitativa como, aliás, já se referiu, recolhe os dados sob a forma de transcrições de entrevistas, anotações do investigador, fotos e filmagens, quando possível, e vários documentos quando necessário, promovendo um estudo o mais descritivo e real possível.

Como refere, ainda, a autora “O ambiente e as pessoas nele inseridas devem ser olhados holisticamente: não são reduzidos a variáveis, mas observados como um todo” (Godoy, 1995:62). O grande desassossego dos investigadores qualitativos é o processo no seu todo, a forma como cada fenómeno se manifesta nos procedimentos e não, exclusivamente, os resultados a obter – ainda que, obviamente, sejam parte importante da investigação (Godoy, 1995).

Assim, “Não é possível compreender o comportamento humano sem a compreensão do quadro referencial (estrutura) dentro do qual os indivíduos interpretam seus pensamentos, sentimentos e ações” (ibid:63).

Neste seguimento, Piedade Lalanda alude que as fronteiras estabelecidas entre investigador e indivíduos são menos inflexíveis e formais, sem se por em causa, claro está, “a

especificidade de cada leitura científica”, - já que se busca “um modo de olhar que se quer «aberto»” (Lalanda, 1998:872).

Em terceiro lugar, Godoy aponta que “O significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são a preocupação essencial do investigador” (1995:63).

Com este aspeto, a autora frisa a importância do investigador entender os fenómenos que estuda tendo em conta o ponto de vista dos participantes do seu estudo.

O investigador deve estar o mais familiarizado possível com esses pontos de vista, afastando-se da qualidade de “observador externo”.

A este respeito, Lalanda afirma que quando o investigador assume uma posição mais próxima

“com os actores não anula o distanciamento que a ciência exige. Antes transforma a recolha de informação numa experiência que «humaniza» a própria investigação, ou seja, proporciona ao investigador a possibilidade de «ver por dentro», tomando uma dupla posição de observação: a de investigador e a do próprio actor” (Lalanda, 1998:873).

Por fim, a quarta caraterística apontada diz respeito ao “Enfoque indutivo na análise” (Godoy, 1995:63) dos dados recolhidos pelos investigadores.

A pesquisa qualitativa – como noutro momento se aludiu- não se preocupa em obter dados que corroborem hipóteses pré consumadas – porque não lhe é inerente estabelecer hipóteses à priori. Na verdade, o investigador que faça uso da pesquisa qualitativa parte

“de questões ou focos de interesse amplos, que vão se tornando mais diretos e específicos no transcorrer da investigação. As abstrações são construídas a partir dos dados, num processo de baixo para cima. Quando um pesquisador de orientação qualitativa planeja desenvolver algum tipo de teoria sobre o que está estudando, constrói o quadro teórico aos poucos, à medida que coleta os dados e os examina” (ibid:63).

Assim, e porque estamos perante um trabalho de pesquisa que procurou entender fenómenos sociais, descrever situações, perceber o caráter humano no seu contexto, observar as pessoas no seu todo, refletir sobre comportamentos, tomar posições e interpretar o material recolhido tendo em conta a realidade, a abordagem qualitativa é aquela que mais possibilidade tem de responder às necessidades que da investigação vão surgindo.

3.1.3. Métodos e técnicas de investigação – seleção

3.1.3.1. O Método Biográfico

De acordo com a visão das autoras Tatiana Gerhardt e Denise Silveira, o conceito de método provém do termo grego methodos, cuja tradução remete para “caminho para chegar a um fim” (Gerhardt & Silveira, 2009:11), pelo que, sublinham ser “um caminho em direção a um objetivo” (ibidem).

As autoras enfatizam ainda a ideia de que um método científico atua com base em objetivos pré-determinados, com vista à enunciação de conclusões, sendo, portanto, influente a existência de uma pesquisa.

Neste seguimento, Casa- Nova refere, portanto, que “Em investigação, o método é sinónimo do percurso a desenvolver e, consequentemente, indissociável do conhecimento a produzir” (Casa-Nova, 2008:52).

Para a consumação da presente investigação, decidiu-se enveredar pelo uso do método biográfico.

A constituição do termo “biográfico” dá-se pela junção da expressão grega bios que se traduz em “vida” e do conceito de graphein que se traduz em “escrever”. Ora, deste modo, temos algo como escrever sobre a vida.

Assim, a utilização do método biográfico constrói-se como um caminho que visa chegar a um objetivo concreto por meio do estudo dos traços da narrativa da vida pessoal de alguém.

Segundo Elsa Lechner, o método biográfico manifesta-se como “um instrumento de conhecimento das realidades humanas baseado na experiência narrada dos sujeitos.” (2009:6), em que os próprios sujeitos são entendidos como narradores conscientes daquilo que relatam.

No caso da investigação que aqui se construiu, esses sujeitos narradores conscientes são o público-alvo selecionado – as colaboradoras da instituição de estágio.

Como mencionado anteriormente, no capítulo do enquadramento teórico, o interesse pelo método biográfico surge de uma necessidade de se romper com os parâmetros do paradigma positivista, dando lugar ao paradigma interpretativo, de raiz sociológica, o qual ganhou mais proeminência na primeira metade do século vinte (Sarmento, T. 2002).

O paradigma interpretativo de raiz sociológica torna-se ampla e extensamente afirmado entre as décadas de 1920 e 1930 pelos sociólogos da Escola de Chicago (Oliveira, 2002).

Jan Szczepanski (1978), no sentido de escrutinar e explicar as envolventes do método biográfico, num artigo da Revista de Sociologia de há algumas décadas atrás, proclama que

“El método biográfico, llamado también método de los documentos personales (personal documents) o documentos humanos (human documents), hizo su aparición en momento muy significativo de la sociologia, cuando los sociólogos renunciaron a la creación de grandes sintesis que explican en su conjunto la naturaleza de la sociedad humana y las leyes generales de su desarrollo y procedieron a la exploración empírica de cada una de las zonas de la vida social.” (Szczepanski, 1978:231)

O autor enfatiza ainda que os autores/indivíduos que representavam e seguiam esta tendência preocupavam-se realmente, em trabalhar na concretização de factos verídicos e hipóteses concretas, colocando a veracidade como aspeto principal, emancipando, assim, a sociologia e colocando-a ao nível de uma ciência empírica que descreve, verifica e planeia

Aliás, uma das primeiras obras que seguiu esta tendência foi a de William I. Thomas e Florian Znaniecki, acerca dos campestres polacos na Europa e na América, entre 1919 e 1921 (Szczepanski, 1978).

Depois do sucesso do método biográfico, o mesmo cai em desuso durante várias décadas, “… - em razão da preponderância da pesquisa empírica entre os sociólogos americanos” (Oliveira, 2002: 16), voltando ao ativo propriamente dito por volta de 1980, pelas mãos de Daniel Bertaux, altura em que a abordagem biográfica merece destaque nas ciências sociais (Lechner, 2009).

De entre os nomes mais sonantes, Franco Ferrarotti assume-se como uma das figuras centrais no que ao método biográfico diz respeito, interessando-se por, constantemente, renovar o método, decorrente “de uma crise generalizada dos instrumentos heurísticos da sociologia” (Oliveira, 2002:17).

Segundo Belmira Oliveira (2002), o sociólogo concluiu que o método biográfico abordava a metodologia sociológica de forma muito técnica, focando o caráter objetivo da abordagem biográfica. Para além disso, era necessário o aparecimento de uma abordagem diferente, como forma de melhor conhecer o quotidiano.

A este respeito, Elsa Lecnher advoga que “Nesta perspectiva, a especificidade da pesquisa biográfica implica a ultrapassagem do quadro lógico-formal e do modelo mecânico que caracterizava a epistemologia científica não estabelecida” (2009:8).

A autora reflete sobre a importância de se construir uma epistemologia nova que compreenda a “praxis humana como um processo sintético, uma síntese activa de um sistema

social;” e que procure “interpretar a objectividade de um fragmento de história social a partir da subjectividade tomada em conta nas histórias individuais” (Lechner, 2009:8).

A questão da subjetividade inerente ao método biográfico é um dos parâmetros mais enaltecidos e que Ferrarotti assume como sendo imprescindível:

“se desejamos fazer uso sociológico do potencial heurístico da biografia sem atrair as suas características essenciais (subjectividade, historicidade), devemos projertar-nos nós próprios para além do quadro da epistemologia clássica. Devemos procurar os fundamentos epistemológicos do método biográfico noutro lugar, na razão dialéctica capaz de compreender a práxis sintética e recíproca que governa a interacção entre indivíduo e o sistema social” (1991:172).

3.1.3.2. O processo de investigação

A descrição do processo de recolha de dados é essencial para garantir a credibilidade dos resultados da investigação.

Recolher dados consiste num procedimento lógico de investigação empírica que seleciona os instrumentos e técnicas de recolha e de tratamento de informação apropriados, tendo em conta o controlo da sua utilização para os fins discriminados, o que nos parece imprescindível para, posteriormente, analisar e interpretar os dados recolhidos.

Segundo João Amado (2013:299), “Não basta recolher dados, é preciso saber analisá-los e interpretá-los (não sendo possível fazer uma coisa sem a outra).”

Deste modo, optou-se por utilizar dois instrumentos metodológicos imprescindíveis que permitiram a existência de uma recolha coesa e rica, como forma de obter conclusões assertivas: as narrativas biográficas e a observação, seguidos pela técnica da análise de conteúdo dos dados recolhidos.

3.1.3.2.1. As entrevistas (auto)biográficas

Enquanto meio de recolha de dados, as entrevistas (auto)biográficas foram, efetivamente, um instrumento de importância primordial, já que permitiram o acesso a uma grande parte do conteúdo desejado e assim conseguido.

Por razões de entendimento do leitor, será pertinente que, antes de continuarmos, desmistifiquemos este duo, clarificando a sua utilidade e objetividade.

Ora, deste modo e como já vimos anteriormente, na semântica associada ao termo biográfico, temos algo como escrever sobre a vida, através da narrativa de um autor sobre acontecimentos que fazem parte da sua vida.

Como tal, e por razões óbvias, uma narrativa biográfica é uma narração sobre a história de vida de alguém – o que implica, no caso de investigação, a existência de duas pessoas: o sujeito que narra e quem investiga com base nessa narrativa. Em termos de investigação, as histórias de vida não se confundem com as autobiografias. Ainda que o termo graphein continue presente, auto remete para “si mesmo” e, portanto, uma autobiografia é uma narração sobre factos de um individuo, narrada pelo próprio, sem intervenção de terceiros (Sarmento, T. 2002).

Narrar é um verbo que significa contar ou expor e, por sua vez, permite que se conte uma história. Esta característica confere à narração um aspeto importante – o facto de pressupor o outro. Neste seguimento e como forma de confirmação ao dito atrás, Guilherme do Val Prado e Rosaura Soligo referem que “Ser contada ou ser lida: é esse o destino de toda história” (2005:3). Neste seguimento e partindo do princípio que uma narrativa expõe momentos e acontecimentos, os autores acima referenciados relatam, ainda, que “a narrativa comporta dois aspectos essenciais: uma seqüência de acontecimentos e uma valorização implícita dos acontecimentos relatados. E o que é particularmente interessante são as muitas direções que comunicam as suas partes com o todo” (Prado & Soligo, 2005:3).

Um outro ponto a considerar é que, de facto, numa narrativa existirão partes que não detêm tanto significado para a investigação que se está a realizar, o que implica que se façam escolhas. Dessas escolhas, norteadas pelos objetivos da investigação, surgem interpretações e não explicações sobre aquilo que foi narrado. É importante que o investigador realize essa tarefa de forma precisa e atenta, interpretando o que a narrativa revela perspicazmente (Prado & Soligo,

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