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Decorreu desde o primeiro dia de estágio curricular, no início do mês de outubro, até ao mês de novembro. Foi um período caracterizado, sobretudo, pela aplicação dos fundamentos anteriormente referidos sobre a importância da observação, no início de qualquer processo interventivo.

Nesta primeira fase, foi, então, privilegiada, a observação de toda a dinâmica dentro da instituição, quer em termos relacionais (clientes-clientes, clientes-restante equipa), quer em termos da organização das dinâmicas espaciais e temporais (e.g. rotinas diárias das atividades, horários, organização dos grupos, etc.). Cada uma destas observações diárias deu origem a notas/relatórios de observação, tendo este método sido essencial para compreender, por um lado, as rotinas e, por outro, os momentos de imprevisibilidade que diariamente surgem, numa perspetiva de aprendizagem constante de toda a dinâmica institucional. De uma forma geral, destaca-se a promoção da autonomia, da funcionalidade, da interação e comunicação (verbal e não verbal) entre todos, do respeito, da igualdade de oportunidades, do espírito de entreajuda e do apoio, enquanto conceitos e práticas fundamentais do dia-a-dia na CERCICA, numa preocupação constante pelo bem-estar e pela qualidade de vida de cada um.

Ao longo desta fase inicial começou por se observar todas as sessões dinamizadas pela Orientadora de Estágio Local (TSEER), no sentido de perceber as diferentes atividades desenvolvidas, a variabilidade de contextos, a organização dos grupos de clientes e o tipo de organização/estrutura de cada uma das atividades. Para além disso, foi um momento de experiência vivida das atividades desenvolvidas, uma vez que se privilegiou a realização das atividades (tal como um qualquer cliente), no sentido de experienciar, através do próprio corpo, as vivências, dificuldades e o prazer tonicoemocional que cada uma destas atividades proporciona. Estes foram momentos que contribuíram, igualmente, para potenciar a capacidade reflexiva sobre os objetivos psicomotores para os quais cada atividade era desenvolvida, numa procura constante de justificações e fundamentações devidamente sustentadas.

Assim, foram acompanhadas (observação participada) as intervenções em Psicomotricidade (contexto de sala/ginásio, com grupos e individuais), as sessões em Meio Aquático (Hidroterapia individual e em grupo; Hidroginástica Adaptada para a DID; Natação Terapêutica individual e em grupo), as sessões de Educação Física Adaptada (Sala de Aparelhos), a atividade Oh Gui de Rugby Adaptado e a atividade de Surf Adaptado.

Daqui resultaram relatórios de observação para cada uma das sessões observadas e participadas, com a descrição do número de sessão, local, data, duração, horário, tempo total de cada uma das tarefas realizadas nos diferentes momentos da sessão (fase inicial, fase fundamental e fase final), a descrição dessas mesmas tarefas, o material necessário, os objetivos gerais trabalhados e as principais estratégias utilizadas ao longo da sessão. Em cada um destes registos procurou-se dar particular atenção não apenas ao êxito do cliente em relação aos critérios de êxito definidos (possíveis de serem avaliados de uma forma mais quantitativa), mas, essencialmente, a todos os aspetos tónicos, relacionais, emocionais, de interação, através de anotações mais descritivas e qualitativas.

Importa destacar que houve a necessidade de procurar fazer uma gestão consciente da presença de um elemento extra sessão (estagiário), uma vez que, para alguns indivíduos, este poderia constituir um fator distrator; assim, procurou-se ocupar um espaço, dentro da sessão, que, por um lado, não interferisse na intervenção e, por outro, permitisse uma observação o mais completa possível.

Esta foi uma fase essencial para que se entendesse o tipo de relação e interação técnico-cliente, variável consoante o contexto, a idade de cada um deles, as suas

características pessoais, mas sempre baseada na empatia e no diálogo tónico constante. Neste sentido, o contacto visual e a chamada pelo nome próprio do cliente constitui a base de uma comunicação que o técnico procurava manter com cada um, no sentido da promoção da atenção a qualquer tipo de instrução ou feedback, sempre com uma percetível sensibilidade para a gestão da proxémia entre si e o cliente, de acordo com as características intrínsecas a cada um. Assim, através de um discurso claro, bem articulado, simples mas completo, assertivo mas amistoso, foi possível observar relações terapêutica positivas, baseadas na empatia, no cumprimento de regras, na segurança e na confiança de cada um dos clientes em relação à técnica, percetível pela boa-disposição, predisposição, interesse e motivação demonstrado por todos nas várias atividades.

Destaca-se ainda a capacidade de improviso e de resolução de problemas da técnica, tendo em consideração as problemáticas comportamentais inerentes às diferentes condições apresentadas por cada um dos clientes, assim como de situações de interação entre estes, numa constante capacidade de adaptação aos diferentes casos e contextos.

Para além disso, foi ainda possível verificar quais as estratégias mais utilizadas e quais as mais eficazes em termos de intervenção (tipos de ajudas e apoios prestados), realizando um paralelismo entre o defendido na literatura e o contexto real. Neste sentido, as instruções utilizadas eram simples, acompanhadas por demonstração (estratégia esta que diminui com o aumento da frequência da realização das tarefas - e.g. mais repetição do gesto/movimento, maior consolidação e aprendizagem, logo, menor necessidade de demonstração), pela utilização de gestos ou de material concreto/objetos; esta preferência pelo concreto em detrimento do abstrato era igualmente utilizada na definição do espaço das tarefas (utilização de pontos de referência visuais/físicos concretos), para promover uma maior capacidade de organização interna e externa. As tarefas eram explicadas de forma segmentada e por etapas. A verbalização das tarefas era constante, dando a significação necessária para uma melhor compreensão do seu objetivo e do tipo de vivências experienciadas, sendo que o feedback verbal era constante. Assim, em todas as sessões o tom de voz era adaptado ao cliente em questão, assim como todas as questões relacionadas com o toque ou a gestão da proxémia.

Logo, a adaptação das estratégias ao cliente foi claramente percetível, num equilíbrio entre as suas dificuldades e as suas potencialidades, proporcionando o nível de apoio necessário para um desempenho o mais autónomo, funcional e adaptativo possível, num jogo constante entre a promoção do desafio e o evitamento do facilitismo e/ou frustração.

Posto isto, perante tal diversidade de casos de trabalho, constatou-se a necessidade de recolher o máximo de dados possível (e.g. consulta de processos, conversa com técnicos e restantes intervenientes na vida institucional), relativamente aos clientes acompanhados ao longo da prática de estágio, tendo daí surgindo uma base de dados (modificável ao longo do período de intervenção) com as principais informações acerca dos clientes alvo de intervenção em específico (e.g. nome, idade, principais necessidades de apoio, atividades que realizam no âmbito da intervenção psicomotora), a qual contribuiu para que todo o processo de intervenção se começasse a estruturar de uma forma mais organizada para a fase seguinte.

Foi ainda realizado um acompanhamento individual durante os horários de Tempo

Indireto na instituição (reuniões com a Orientadora Local), dinâmica esta que se

manteve nas fases posteriores de estágio, no sentido de perceber os tipos de registos utilizados em cada um dos contextos, assim como as observações realizadas diariamente nos diferentes apoios (tipo de registos para avaliação contínua realizados

nas diferentes sessões (diários, mensais), o tipo organização em termos de Planeamentos Individuais, entre outras questões organizacionais.

Para além disso foram observadas (e participadas) outras sessões, das quais se destacam as sessões de Expressão Corporal com Grupo CAO - cujo objetivo principal se prende, sobretudo, com a promoção do bem-estar dos clientes, fomentando o seu nível de participação na atividade, enquanto, paralelamente, se fomentam aspetos de coordenação motora, estruturação espácio-temporal, capacidades de memória, criatividade, expressividade, relações interpessoais e capacidade de resolução de problemas; sessões conjuntas de Hidroginástica Sénior e de Grupo CAO- dinamizadas por duas técnicas (uma fora de água e outra dentro de água para acompanhamento direto e individualizado aos clientes de CAO) onde, cada um ao seu ritmo, realizam as mesmas tarefas, numa dinâmica em harmonia, sempre baseado no respeio do tempo individual; sessões de Atividade Motora Adaptada (AMA) - observada a sessão dinamizadas pelos Estagiários do 1º Ciclo em Reabilitação Psicomotora, cujo objetivo principal se prende com o propocionar experiências e atividades motoras, em grupo, para promover o desenvolvimento de aptidões físicas básicas, o equilíbio emocional, os comportamentos de autonomia, a capacidade relacional, entre outras, e sessões de Equitação Terapêutica (atividade da responsabilidade da equipa de fisioterapia e que, posteriormente, será abordada de uma forma mais aprofundada).

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