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OMAN – TRA TRA/TA-R/7991/19 D090258

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Aqui será apresentado o percurso metodológico utilizado nesta tese, que auxiliou no caminho rumo às conclusões que serão apresentadas adiante. A ideia inicial foi de realizar um percurso simples, haja vista que não se pretende sugerir nenhuma solução definitiva, mas sim pretende-se ater à tentativa de encontrar respostas relativas aos problemas que foram explicitados na introdução deste trabalho mediante a análise de como ocorre o processo de ensino dentro das bandas analisadas e da identificação de práticas de educação musical utilizadas nesse contexto.

Quando da apresentação do anteprojeto desta investigação, ainda na fase de seleção ao Doutorado, foi considerado realizar uma pesquisa que desse seguimento a um trabalho já iniciado, aprofundando um aspecto específico dele; neste caso, procedimentos de educação musical em ambientes não formais, tendo como base a banda de música. Para tal, inicialmente foi proposta a investigação de sete bandas de música do Estado do Pará. Porém, no decorrer das conversas com o orientador, os objetivos foram aprimorados, levando, finalmente, a um número de três bandas de música. O que, qualitativamente, seria suficiente para chegar aos objetivos da investigação.

No primeiro momento, houve um contato com a direção dessas bandas e, após os acertos iniciais, foram emitidas autorizações pelos seus dirigentes para que se realizasse a coleta dos dados.

O processo de escolha das bandas de música participantes da investigação foi precedido de considerações a respeito de como representar as diversas regiões importantes do Estado do Pará. Essa tarefa não se mostrou fácil, haja vista que se trata de um estado com grandes dimensões e uma variedade considerável de bandas que poderiam figurar nesta pesquisa. Por fim, foi adotado o critério de representatividade regional na escolha final das bandas que participariam da investigação. A Região do Salgado, por sua importância histórica dentro do contexto das bandas de música no Estado do Pará, está representada pela banda do Clube

Musical União Vigiense, da cidade de Vigia. A região da ilha do Marajó, maior ilha fluvial do mundo, que concentra um número expressivo de bandas de música em suas cidades, está representada pela banda da Associação Musical Antônio Malato, da cidade de Ponta de Pedras. O extremo leste do estado, por fim, está representado pela Orquestra Acordes Celestes, grupo musical ligado à Escola de Música Acordes Celestes, e único grupo pertencente a uma instituição religiosa presente na investigação.

É importante ressaltar que outras regiões do estado têm inúmeras bandas de música atuantes que não estão representadas nesta investigação por questões estritamente metodológicas, haja vista que se trata de um estudo de caso do tipo multicaso.

O estudo de caso, segundo Bogdan e Biklen (1994), “consiste na observação detalhada de um contexto, de um indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico”. Conforme afirma Yin (2005), o estudo de caso possui duas variações, o estudo de caso único ou estudo de casos múltiplos ou multicaso (Yin apud Cantão, 2009, p. 27). Esta investigação deve ser vista como um recorte que visa um olhar mais profundo especificamente acerca dos processos educacionais praticados em bandas de música, sendo esse olhar de cunho qualitativo e não quantitativo. De acordo com Cruz (2019):

Numa pesquisa qualitativa, o processo deve ser de maior interesse ao pesquisador do que o fato ou produto final de um único fenômeno. A imersão do pesquisador deve se dar da maneira mais direta e próxima possível com os fenômenos observados, isso porque esses fenômenos estão sempre fortemente envoltos em um contexto, sendo por ele afetados (CRUZ, 2019. p. 46).

O processo de coleta de dados em campo ocorreu em duas etapas, sendo a primeira no período de 15 de agosto a 06 de setembro de 2017 e a segunda de 01 a 12 de fevereiro de 2019. O segundo período ocorreu devido à necessidade de complementação dos dados colhidos na primeira etapa, após as análises preliminares. Na primeira etapa, as bandas estavam em um processo de preparação para a Semana da Pátria, em meados de setembro, o que impossibilitou algumas atividades de observação programadas, haja vista que a agenda das bandas era extremamente dinâmica, fazendo com que eventos fossem programados e

cancelados à medida em que havia necessidades específicas de deslocamento dos alunos, além de atividades extras das bandas, como ensaios noturnos e ensaios de naipe.

Os objetivos iniciais de coleta dentro das bandas de música selecionadas consistiam em entrevistar maestros e/ou diretores das bandas, dois professores de cada escola de música que estas mantêm e dois alunos de cada banda, sendo um representante da família das madeiras e outro da família dos metais. Também objetivou-se entrevistar dois alunos egressos ou ainda atuantes nas instituições integrantes da pesquisa (de cada uma), que tenham ingressado em escolas formais de ensino de música. A faixa etária dos alunos foi decidida em comum acordo com os professores e foi baseada nos quadros de alunos de cada instituição, que são variados, já que nessas bandas não há uma faixa etária fixa definida para o ingresso de alunos. Entretanto, como se trata de uma pesquisa que busca resultados em âmbito escolar, foi dada prioridade a alunos em idade escolar de ambos os sexos. Dito isso, o número de participantes inicialmente previstos seria: 1 Maestro/diretor, 2 alunos, 2 alunos egressos, 2 professores = 7 participantes por banda x 3 bandas = 21 participantes.

Os alunos que participariam da pesquisa foram indicados pelos maestros das bandas, levando em consideração os critérios mencionados anteriormente. A previsão inicial de 21 entrevistas acabou não se concretizando. As entrevistas que foram colhidas também ficaram fora do padrão previsto inicialmente. A época em que foi feita a coleta antecedia os eventos das comemorações do 7 de setembro, e as bandas estavam empenhadas em ensaios e apresentações para preparar o repertório para os respectivos eventos. Por essa razão, os ensaios e aulas se iniciavam cedo e terminavam em horários que os alunos, muitos deles morando nas zonas rurais das cidades, precisavam se deslocar para as suas casas. Por essa razão, os alunos foram entrevistados de forma a priorizar aqueles que dispunham de tempo para a realização dos trabalhos de coleta. Um aluno da banda União Vigiense e um da Orquestra Acordes Celestes, previamente escolhidos, não compareceram devido à participação em atividades externas da banda e de uma fanfarra. O encontro com o aluno egresso da Orquestra Acordes Celestes que seria entrevistado não aconteceu devido ao cancelamento da viagem deste aluno à cidade, haja vista que ele agora reside em

Belém. Todas as entrevistas foram gravadas em áudio. Portanto, o total de entrevistados na primeira etapa foi de 18 pessoas.

O equipamento de gravação de áudio utilizado é o gravador Zoom H6 Handy Recorder de propriedade do pesquisador. “Gravações são interessantes, porque se os registros em papel do que foi dito for feito ao final da entrevista, ou mesmo durante ela, é provável que informações importantes escapem ao entrevistador” (VERGARA, 2009, p. 28). Nas gravações em vídeo realizadas nas observações não participantes, o equipamento utilizado foi a câmera Zoom Q8 Handy Video Recorder. Aos participantes da pesquisa foram garantidas todas as condições que pudessem resguardar a sua integridade, tais como entrevistas e demais procedimentos relacionados à pesquisa realizadas na sua cidade e seu próprio local de estudo, ou seja, as escolas das bandas de música escolhidas, bem como foi dada a possibilidade de todos os procedimentos serem realizados na condição de anonimato, se assim o participante desejasse. Todas as participações na investigação foram feitas por livre consentimento dos participantes, mediante a assinatura de duas vias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, sendo uma cópia dada ao entrevistado e outra mantida pelo pesquisador. Os alunos menores de idade foram representados por seu responsável legal na assinatura do termo. Nenhum dos entrevistados será identificado nominalmente no decorrer do texto. Os encontros para as entrevistas foram pré- agendados. Foi apresentada aos alunos a possibilidade de desistir de participar da pesquisa a qualquer momento. Esses procedimentos relativos à coleta de dados em campo foram submetidos ao Comitê de Ética em Pesquisa da UNICAMP e foram

aprovados sob o CAAE: 67782117.5.0000.5404.

Para garantir o anonimato das respostas, os participantes deste trabalho serão identificados no texto por siglas, que serão as seguintes:

Tabela 1. Identificação dos participantes do trabalho.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Sendo: Banda 1 - Clube Musical União Vigiense; Banda 2 - Associação Musical Antônio Malato; e Banda 3 - Orquestra Acordes Celestes.

Na proposição inicial da pesquisa, estavam previstos questionários que seriam entregues aos participantes. Esse questionário foi descartado por razões de logística, haja vista que até o momento da chegada à cidade, não se sabiam quais seriam as indicações dos maestros das bandas para a participação nos trabalhos de coleta. A não utilização dos questionários inicialmente propostos não prejudicou o andamento da coleta e nem a sua qualidade, pois os questionamentos foram feitos de forma direta aos participantes, o que levou a respostas tão espontâneas quanto possível.

As entrevistas foram semiestruturadas, e se fizeram necessárias para a obtenção dos dados, que neste caso apareceriam na forma de discursos sobre as práticas de educação musical utilizadas em cada banda de música escolhida para a investigação. Segundo Vergara (2009):

Entrevistas são úteis como um recurso em si mesmo, ou como parte de um processo. Neste último caso, por exemplo, [...] como iluminadoras de

Entrevistados Maestro 1 Banda 1 Professor 1 Professor 2 Professor 3 Aluna 1 Aluno 2 Aluno 3 (Egresso) Banda 2 Maestro 2 Professora 4 Aluna 4 Aluna 5 (Egresso) Aluno 6 (Egresso) Aluno 7 (Egresso) Banda 3 Maestrina 3 Professor 5 Professor 6 Aluno 8 Aluna 9

observações participantes ou não, ou como um complemento de pesquisa documental (VERGARA, 2009. p. 5).

Essas entrevistas não seguiram um roteiro fixo, sendo as perguntas orientadas e estruturadas de acordo com a realidade observada nas bandas visitadas. Contudo, perguntas-chave semelhantes foram utilizadas em todas as entrevistas para que os entrevistados pudessem ter um ponto de partida e liberdade para falar e, ao mesmo tempo, não se distanciassem do assunto no decorrer do seu discurso, sendo introduzidas nesse meio, perguntas que foram suscitadas pelas dúvidas decorrentes do discurso. As perguntas-chave foram:

1. Como foi seu início na música?

2. Com que instrumento iniciou seus estudos? 3. Como entrou na banda? (Alunos)

4. Como começou a dar aulas na escola da banda? (Professores) 5. Poderia falar um pouco sobre a estrutura da banda?

6. Poderia falar um pouco sobre o currículo na escola? 7. Como são as aulas de instrumento?

8. Como você vê a banda aqui dentro da comunidade? 9. Qual foi a influência da banda na sua vida?

10. Houve algum tipo de dificuldade quando você foi estudar em Belém? (Alunos egressos)

Todas as entrevistas foram transcritas literalmente, constituindo assim uma fonte fiel aos relatos obtidos. O trabalho de transcrição pode ser entendido como uma pré-análise do material, pois permite ao pesquisador um segundo contato com aquilo que foi falado, podendo assim observar mais atentamente pormenores que estejam inseridos nas falas.

Foram realizadas também observações não participantes, que “é aquela que é feita sem que haja interferência ou envolvimento do observador na situação” (VERGARA, 2009, p. 80), das atividades de ensino das bandas selecionadas para a investigação. Segundo Triviños (1987), “observar é destacar um conjunto [...], prestando atenção em suas características” (TRIVIÑOS, 1987 apud VILELA, 2004, p. 10). Sobre esse tipo de coleta, Bogdan e Biklen (1994) afirmam que “o pesquisador tem a oportunidade de penetrar na realidade do indivíduo ou da situação que estuda,

sendo que isso é altamente desejável, pois esta reforça a característica naturalista da investigação qualitativa” (apud VILELA, 2004, p.10). Essas observações foram realizadas durante as aulas de instrumento, teoria e ensaios. Os alunos e professores observados não foram informados previamente que seriam observados. Essas observações geraram os diários de campo, que também constituíram valiosas fontes de informações complementares durante as análises. Para Vergara (2009), a observação “é útil quando a vivência com aqueles que são o interesse, o objeto de uma pesquisa permite ao investigador sentir bem de perto as motivações, interesses, crenças, expectativas daqueles com os quais temporariamente convive” (VERGARA, 2009. p. 74).

Ao fim da coleta de dados, foi dado início à análise e à interpretação do conteúdo angariado. Uma análise preliminar foi realizada no material a fim de identificar pontos convergentes e divergentes relacionados ao tema investigado, bem como outras características que pudessem ser objeto de análise para chegar às respostas aos questionamentos levantados por este trabalho. Os dados coletados foram analisados qualitativamente. Segundo Phelps (1993):

A pesquisa qualitativa, conhecida também como etnográfica, naturalística, subjetiva e pós-positivista, permite ao pesquisador ter uma percepção ampla do objeto de estudo e, a partir da coleta de dados sua análise, desenvolver as questões que serão respondidas (PHELPS, 1993 apud SILVEIRA, 2007, p. 5).

Por fim, todos os dados foram analisados à luz de princípios epistemológicos segundo a visão sociocultural, utilizando autores mencionados no capítulo 2: Bakhtin (2016), Vigotsky (1998, 2010), Schroeder (2008, 2009), Schroeder e Schroeder (2011), Gohn (2008, 2015).

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