O turismo depende do nível de desenvolvimento económico dos países emissores de turistas, que concorrem para a determinação da procura (ver as variáveis que determinam a Procura Turística, no Capítulo 4).
A actividade turística depende igualmente da economia dos países receptores de turistas. O desenvolvimento do turismo, nestes países, impõe como pré-condição a existência de uma estrutura económica adequada, com a expansão de indústrias e a oferta de produtos e serviços diversificados e com elevado grau de sofisticação. Por outro lado, nestes países, os indicadores económicos e sociais terão de ser compatíveis com a prática do turismo, nomeadamente, numa atitude de abertura ao exterior – facilitadora da entrada de turistas e de investimentos, tecnologia, bens e serviços e competências -, que induz a mudança (Cooper et al., 1998: 99). Na nossa perspectiva, contudo, o incentivo único de aquisição de divisas não deve conduzir a que se aposte apenas no turismo e se ignorem os restantes sectores da economia, colocando o país numa situação de total dependência da entrada de turistas. É necessário estabelecer escolhas e prioridades numa perspectiva estratégica, cujo resultado será amplamente favorável para os destinos turísticos (ver Capítulo 8).
As escolhas e prioridades, acima referidas, terão de considerar não só os benefícos potenciais para economia, mas também os custos. Jamal et al. (1999: 221-222) destacam os benefícios potenciais do turismo para a economia, referindo-se ao impacto positivo nas variáveis rendimento, emprego, impostos, desenvolvimento económico, oferta e infra- estruras e preservação dos recursos. Nos custos potenciais para a economia, estes autores incluem o emprego sazonal, a subida dos preços, o aumento da poluição, as dificuldades no trânsito, a destruição dos recursos herdados (culturais e naturais), a criminalidade, a saída de rendimentos para o exterior, o aumento das importações e a demasiada dependência do turismo, enquanto actividade económica principal. No capítulo 6 é discutido o impacto do turismo junto da população residente.
Zang (2002: 180-181) estudou os contributos do turismo para a economia dinamarquesa, tendo desagregado os impactos do turismo, por regiões e sectores e a três níveis: produção bruta, rendimento primário e emprego. De acordo com este autor, relativamente aos três níveis considerados, os maiores impactos foram registados nas “outras indústrias”, “serviços públicos”, “outros serviços privados”, e “transportes”. Os maiores aumentos foram obtidos - por ordem decrescente de importância - na hotelaria, restauração e retalho. Por seu turno, Hefner et al. (2001: 167), a partir de um estudo empírico aplicado no Estado de Carolina
do Sul, nos Estados Unidos da América, discriminaram uma lista de pagamentos directos do sector de turismo às seguintes actividades: alojamento (33,7%), transportes (27,3%),
alimentação (19,5%), diversões e recreação (12,1%) e retalho geral (7,4%). Esta
quantificação aumenta o conhecimento sobre as potencialidades do turismo para as economias.
3.5.2. Os conceitos de elasticidade e de multiplicador
A actividade turística fomenta o desenvolvimento de consumos primários directos, feitos pelos turistas, e induz ou provoca os chamados consumos secundários, que se reflectem em aumentos do rendimento, do emprego, do produto, das importações e das receitas do Estado. Diversos autores definem os conceitos de elasticidade e de multiplicador em turismo, nomeadamente Cooper et al. (1998), Jamal et al. (1998), Sancho et al. (1998), Lage e Milone (1998), Silva (1991), entre outros. Se considerarmos o efeito multiplicador do turismo, este tem impacto imediato nas chamadas despesas turísticas (e. g., alimentação e bebidas, alojamento, circuitos, entretenimento, recordações, compras, visitas). Numa segunda fase, no processo de multiplicador surgem as despesas secundárias (e. g., reposição dos stocks, comissões, gratificações, impostos sobre o consumo e o rendimento, remunerações do trabalho, despesas de marketing, rendas, seguros). Estamos perante efeitos económicos directos, indirectos e induzidos, que se reflectem nas receitas do Estado, nas vendas das empresas locais e no aumento dos rendimentos da população residente. O conceito de multiplicador revela-se importante em turismo, nomeadamente:
• O multiplicador do rendimento: traduz-se numa variação do rendimento interno causada pela variação inicial dos consumos dos turistas;
• O multiplicador do emprego: representa uma variação de ofertas de emprego ocasionada pela variação inicial dos consumos dos turistas;
• O multiplicador do produto: demonstra uma variação do produto causada pela variação inicial dos consumos turísticos;
• O multiplicador das importações: indica o valor associado às importações de bens e serviços em cada unidade de consumo adicional dos turistas; e,
• O multiplicador das receitas do Estado: representa o montante de receitas do Estado criado por cada unidade adicional de consumo dos turistas.
Na apresentação e discussão do nosso modelo teórico (Capítulo 8) não partilhamos de um optimismo ilimitado quanto aos efeitos do mecanismo automático do multiplicador. A partir de uma análise de input-output, da matriz das relações intersectoriais,
poderemos constatar que, por cada unidade de consumo dos turistas, há o recurso sistemático às importações e assitimos a uma regular transferência de rendimentos para o exterior, o que nem sempre interessa a países com uma estrutura económica débil. O conceito de elasticidade revela-se igualmente fundamental na definição da política de preços dos destinos turísticos e das empresas (ver Capítulos 4, 5, 7, 10 e 11). A variável preço terá de ser ajustada às expectativas dos segmentos de mercado, mas os gestores terão de analisar com rigor a necessidade de rentabilidade financeira das suas empresas. No contexto da relação entre o turismo e a economia, são seguidamente apresentados os conceitos de elasticidade:
-A elasticidade oferta-preço (efeito preço): variação percentual da quantidade oferecida de produtos turísticos, devido à variação percentual dos seus preços;
-A elasticidade procura-preço (efeito preço): variação percentual da quantidade procurada de produtos turísticos, devido à variação percentual dos seus preços;
-A elasticidade procura-rendimento (efeito rendimento): variação percentual da quantidade procurada de produtos turísticos, devido à variação percentual do rendimento dos turistas;
-Silva (1991: 19) define igualmente a “elasticidade procura-preço cruzada, permitindo uma análise concorrencial:
• entre empresas oferecendo o mesmo tipo de serviço turístico • entre diferentes bens e serviços turísticos
• entre destinos turísticos, a partir de um país de origem, em resultado de uma variação nos preços relativos daqueles destinos”.
As definições acima apresentadas indicam o grau de sensibilidade de algumas variáveis e permitem um entendimento mais claro acerca do funcionamento dos mercados, em termos económicos, com destaque para as variações nos preços.
3.6. Globalização do turismo e o turismo na União Europeia