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Obtaining Additional Publications and Information

Informação

Percebida Informação Útil Informação Confiável Informação Usável

Informação como Produto/em conformidade com as especificações Informação como Produto/que atende ou excede as expectativas Informação como Serviço/em conformidade com as especificações Informação como Serviço/que atende ou excede as expectativas 3,96 4,09 4,23 4,12

Fonte: Elaboração própria (2020), adaptado de Kahn, Strong e Wang (2002).

A avaliação da qualidade da informação a partir do modelo PSP/IQ, em seus quatro quadrantes, permite avaliar até que ponto a organização desenvolve informações úteis e fornece serviços de informações confiáveis e utilizáveis para os consumidores de informação (KAHN, STRONG; WANG, 2002). De tal modo que essa avaliação pode subsidiar melhorias ao sistema de informação implantado.

4.4 Análise de Conteúdo: identificando o que está por trás dos discursos

As respostas à questão aberta foram submetidas à análise de conteúdo, tendo como base a proposta de Bardin (2016), o que permitiu organizar essas comunicações considerando critérios semânticos a partir dos temas centrais identificados na análise.

A partir da leitura flutuante das respostas, observou-se que elas oscilavam entre melhorias de ordem gerencial e melhorias de ordem tecnológica, de tal modo que essas duas nuances foram adotadas como categorias de análise. Embora a questão fosse destinada a identificar oportunidades de melhorias outros elementos foram destacados pelos gestores, como por exemplo, as dificuldades encontradas no manuseio do sistema. Essa questão foi fundamental para que os gestores pudessem manifestar suas opiniões livremente, uma vez que as questões fechadas ao longo do instrumento poderiam não ter sido suficientes para contemplar as suas percepções, algo muito comum nesse tipo de questão.

Buscando compreender, portanto, o conteúdo que estava por trás das verbalizações, o Quadro 8 sintetiza os direcionamentos que foram alcançados por meio da pergunta do questionário

"Que melhorias você sugere ao relatório gerencial emitido pelo Siass?”, agrupados nas categorias supracitadas.

Quadro 8 - Categorias de análise

CATEGORIAS SÍNTESE DAS PROPOSTAS

Categoria gerencial Realização de encontros/seminários para treinamento quanto às funcionalidades do sistema; Atualização quanto à legislação específica que rege a perícia médica; Categoria tecnológica

Melhoria da interface, garantindo melhor usabilidade e acessibilidade; Inserção de novos filtros (variáveis);

Ampliação da margem de referência;

Vinculação dos registros de afastamento dos servidores que passaram por perícia em trânsito em outras unidades;

Fonte: Elaboração própria (2020).

Ressalta-se que para manter a fidedignidade das comunicações, o recorte das respostas obtidas no questionário é apresentado nesta seção tal como foi expresso, fato que vem justificar a ocorrência de equívocos gramaticais.

4.4.1 Categoria gerencial

Nesta categoria foram agrupadas as falas que mantinham relação com aspectos de ordem gerencial. Uma das questões apontadas como deficitária diz respeito a necessidade de organizar encontros regulares para discutir as dificuldades que envolvem o sistema bem como treinamento quanto o uso de suas funcionalidades, conforme relatado pelos respondentes 21 e 24.

Realização de um Fórum / Seminário onde estivesse presente o maior número possível de instituições e gestores do Siass, onde desenvolvesse uma ampla e profunda discussão sobre as problemáticas, dificuldades e enfrentamentos que perpassam a rotina do Sistema (R 21).

Sugiro que sejam disponibilizadas maiores informações com base nas demandas específicas das unidades, para tanto, seria interessante um encontro nacional para levantar as demandas e necessidades das unidades (R24).

Cabe relembrar que um sistema de informação não deve ser compreendido apenas como uma ferramenta de TI, mas sim como o agrupamento de pessoas, organização e tecnologia. As

questões que envolvem treinamento e desenvolvimento de habilidades e comportamentos profissionais compreendem a dimensão humana dos sistemas de informação (LAUDON; LAUDON, 2014), sendo parte fundamental do tripé que sustenta esse tipo de sistema e que precisa, portanto, de atenção especial. Nesse sentido, a realização de capacitações deve ser uma constante, e não apenas “quando um novo indivíduo passa a atuar na organização, ao contrário, essa atividade deve ocorrer de maneira contínua” (VALENTIM; TENÓRIO, 2020, p. 100) para que seus resultados sejam mais efetivos.

Medidas como essa possibilitam dar maior visibilidade às funcionalidades disponíveis bem como podem estimular a reformulação e implementação de outras que porventura sejam necessárias para atender às demandas dos usuários.

Esse dado reforça o resultado da análise dos questionários que mostrou que 70% dos gestores não foram submetidos a treinamento, sendo imperativa a necessidade de promover espaços de articulação, diálogo, capacitação com o propósito de auxiliar os servidores a usufruir melhor de todas as possibilidades que o sistema oferece, dando “ampla divulgação” (R8).

Nesse aspecto, reforça-se a necessidade de investir em treinamento por entender que:

O treinamento dos entes envolvidos no processo, torna-se indispensável, pois as informações serão eficazes se houver correta alimentação e interpretação de dados. O conhecimento da funcionalidade do sistema, a capacitação e o envolvimento permanente dos usuários, independente da hierarquia de poder, é importante para melhorar a utilização do sistema, aproximando-o da real necessidade de informações que efetivem as rotinas e o processo decisório (ZANATTA; ALBARELLO; CESARO, 2007, p. 27).

Ainda na categoria gerencial, o gestor de número 14 indicou a necessidade de “atualizações sobre legislação e programas e projetos” (R14), evidenciando uma lacuna comum sentida pelas equipes diante das atualizações da legislação previdenciária, que têm exigido empenho constante para o seu correto acompanhamento.

Esse fato confirma a necessidade que os servidores lotados nessas unidades têm para acompanhar as alterações na legislação, cabendo a cada um, por conta própria, estudar para atualizar-se. As iniciativas por parte do órgão superior não têm atendido com excelência às demandas dos servidores nesse aspecto.

É preciso cuidar melhor dos servidores que assumem, sem nenhum retorno financeiro, a gestão das unidades Siass, para que eles estejam sempre motivados, e que adquiram habilidades para interpretar as informações transformando-as em estratégias de atuação. Frente a isso, torna-se altamente relevante direcionar investimentos para capacitar os recursos humanos que manipulam o sistema e fazem uso das informações, pois “isso é que permite ao sistema de informações gerenciais, ser um demonstrador e construtor de oportunidades” (ZANATTA; ALBARELLO; CESARO, 2007, p. 28).

4.4.2 Categoria tecnológica

Para a maioria dos gestores a interface do sistema apresenta limitações de ordem tecnológica que dificultam a manipulação dos dados favorecendo o uso de outras plataformas, como descreveu o respondente 5 quando relatou que o sistema precisava de:

Mais clareza e acessibilidade dos dados [...] há muitos critérios a serem selecionados para conseguir extrair dados diretos com agilidade, por isso optamos em buscar muitas informações no sistema interno da instituição (R5).

Neste caso, o conceito de acessibilidade é amplo e não se restringe a pessoas com deficiência. Está relacionado a eliminação de barreiras para que seja acessível a todos, independentemente de qualquer condição.

De forma complementar o respondente 15 mencionou que “há a necessidade de melhorar a interface com o sistema para que os relatórios sejam emitidos mais facilmente” (R15). Essas duas colocações ressaltam a importância de se criar ambientes informacionais intuitivos, acessíveis e de fácil manipulação.

A facilidade de uso deve garantir que o usuário chegue aos resultados desejados sem grandes esforços e no menor tempo possível. As telas devem ser fáceis de navegar de forma a melhorar a experiência do usuário na sua interação com o sistema. Na contramão dessa orientação está o fato do sistema avaliado não permitir a exportação dos dados. A visualização é realizada diretamente na tela, exigindo que o gestor, para obter dados mais consistentes, precise

por sucessivas vezes utilizar o comando de copiar e colar, dificultando sua manipulação e aumentando a possibilidade de erro na hora da compilação das informações. Além disso, torna-se uma atividade exaustiva e que requer muita atenção de quem a faz.

Outro ponto identificado como frágil diz respeito a margem de referência utilizada na elaboração do relatório. O sistema está programado para fornecer apenas os 100, 50 ou 10 resultados mais significativos levando em consideração o maior número de afastamentos e não a totalidade dos dados. Nesse sentido o respondente 2 sugeriu “aumentar a margem referência - ultrapassar 100” assim como o respondente 23, que segundo ele o sistema precisa disponibilizar um relatório “que nos forneça exatamente o quantitativo de afastamentos que foram lançados. E não só os 100 mais significativos” (R23).

Com a adoção dessa margem de referência o poder de interpretação e avaliação das informações por parte do gestor fica muito restrito. Esse número representa um percentual ínfimo em relação à quantidade de atendimentos realizados nas unidades. Dessa forma, o estudo do perfil epidemiológico dos servidores públicos fica claramente comprometido, não sendo representativo do todo. Assim, expandir a margem de referência é condição essencial para a melhoria da qualidade das informações extraídas.

Além dessa limitação no quantitativo de registros apresentados há o fato de que o sistema só emite relatórios pelo período máximo de um ano, exigindo que para fazer análises comparativas o usuário precise realizar a ação mais de uma vez, para cada ano desejado e para cada tipo específico de relatório, uma vez que as consultas gerenciais são exibidas de maneira fragmentada. Fragmentada porque essa funcionalidade de Relatórios de Pesquisas Gerenciais do Siape Saúde não gera um relatório padronizado (unificado), são várias opções de consultas como: afastamentos por cargo, afastamentos por CID, afastamentos por local de trabalho, CATs emitidas por emissor, consulta afastamentos, consulta concessão de afastamentos, consulta concessão de afastamentos administrativos, consulta perícia e atestado, pareceres por formação, pareceres por membro do quadro multiprofissional, perícias concluídas por faixa etária, perícias concluídas por resultado, perícias concluídas por tempo de afastamento, perícias concluídas por tipo de perícia, perícias por perito e situação, perícias por unidade do Siass e situação, registro de atestado por CID, registro de atestado por faixa etária, registro de atestado por profissional, registro de atestado por

tempo de afastamento, registro de atestado por unidade do Siass e servidores afastados por faixa etária.

Cabe destacar que o sistema separa os afastamentos homologados administrativamente (registro de atestado) daqueles homologados mediante perícia oficial. Desse modo, para saber o número total de afastamentos será necessário a emissão de pelo menos dois relatórios para cada situação específica listada acima.

Em virtude do que foi mencionado, o respondente 16 apontou como uma necessidade de melhoria que “os relatórios de registro administrativos e periciais sejam emitidos com os mesmos tipos de dados”, facilitando, assim, análises comparativas.

Depreende-se que, as informações disponibilizadas por meio da funcionalidade Relatório de Pesquisas Gerenciais do Siass não gozam de completude, pois apresentam volume inferior ao necessário, não dispondo de profundidade e amplitude suficientes para a execução do trabalho. Muitos gestores relataram, ainda, a necessidade de ampliar as opções de filtros, para assim melhorar o cruzamento de variáveis, conforme pode ser observado nos trechos abaixo, extraídos dos discursos:

Vincular em uma mesma planilha sexo – idade - cargo – adoecimento (R2); Treinamento e mais opções de filtros (R9);

Melhorias quanto ao aumento de variáveis de dados e sua abrangência para melhor conhecimento e estudo (R13);

Possibilidade de cruzamento das informações permitindo detalhamento mais completo (R25);

1- Por perito e situação anual, semestral e mensal; 2 - Perícias por unidade e situação: também com a possibilidade de escolher o período; 3 - cruzamentos entre as consultas de perícias tipo por resultado e tempo de afastamento ou faixa etária, etc. (R26);

Emissão de relatórios com mais possibilidades de cruzamento de informações (p.ex. sexo/CID19/cargo); aperfeiçoamento dos relatórios por consultas específicas

(R27);

19 A Organização Mundial de Saúde – OMS é responsável pela publicação da Classificação Internacional

de Doenças – CID 10, cujo objetivo é padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde. A CID fornece códigos relativos à classificação de doenças e de uma grande variedade de sinais, sintomas, aspectos anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas externas para ferimentos ou doenças, atribuindo uma categoria única à qual corresponde um código CID 10. Disponível em: https://www.medicinanet.com.br/cid10.htm. Acesso em: 22 jul. 2020.

Poderia ter um item relacionando CID a tempo de afastamento (R29);

A partir da análise dessas comunicações depreende-se que há uma lacuna informacional importante nas opções disponíveis de filtros, fato que dificulta uma leitura mais aprofundada da realidade de adoecimento dos servidores públicos federais. Há poucas opções para realizar o cruzamento de variáveis, dificultando a compreensão do processo saúde-doença desse grupo de indivíduos.

Para sanar essas dificuldades o respondente 19 sugeriu que o sistema deveria estar habilitado para permitir “deixar num formato em que a gente possa montar o Relatório conforme a necessidade” (R19).

Nessa mesma perspectiva o respondente 18 apontou a “necessidade urgente da criação do DW20para o Siape Saúde para que possamos trabalhar melhor a informação” (R18). Neste ponto cabe esclarecer que o DW Siass já existe, porém encontra-se indisponível devido a contingenciamento orçamentário21.

Essa necessidade não se limita apenas aos dados das perícias, mas também aos dados dos exames médicos periódicos. Nesse sentido o respondente 18 indicou a necessidade de “aperfeiçoamento das informações advindas dos exames médicos periódicos (resultados de exames, por exemplo), para que possamos realizar ações de promoção à saúde em relação a estes dados” (R18). Hoje, não é possível ter acesso a um relatório gerencial consolidado com o resultado dos exames periódicos e da anamnese. As únicas informações disponíveis dizem respeito mais a execução dos exames, como o quantitativo de servidores convocados, número de servidores aptos ou inaptos. Enfim, esse tipo de relatório serve basicamente para que a Gestão de Pessoas do órgão acompanhe a execução dessa atividade, não servindo de substrato para o planejamento de ações.

Isso reforça, mais uma vez, a necessidade dos gestores terem acesso a totalidade dos dados para a manipulação conforme suas necessidades, favorecendo o desenvolvimento de estratégias para as ações voltadas para a proteção e promoção da saúde dos servidores públicos federais.

20 Data Warehouse.

21 Informação concedida por meio do Serviço de Informações ao Cidadão do Ministério da Economia em

Identificar os fatores determinantes e condicionantes de saúde, buscando relacioná-los no processo trabalho-saúde-doença, é tarefa primordial para a definição do perfil epidemiológico, e essa definição constitui competência basilar do Siass estabelecida pela Portaria Normativa nº 03 de 2013 em seu art. 15, inciso IV, quando atribui a essas unidades a incumbência de “elaborar o perfil epidemiológico da saúde dos servidores, a partir de fontes de informação existentes, com o objetivo de orientar as ações de atenção à saúde do servidor, em especial a intervenção nos ambientes e processo de trabalho” (BRASIL, 2013a, p. 05). Nesse sentido, recorrer aos SIS para a organização dessas informações passa a ser uma ação estratégica, no entanto, as limitações percebidas com o sistema Siape Saúde com a extração de relatórios, faz dessa prerrogativa uma atividade, no mínimo, impraticável.

Conhecer as razões dos afastamentos dos servidores é essencial para o estabelecimento de políticas, programas e projetos que visem a melhoria das condições de saúde e qualidade de vida deste grupo, prezando por intervenções mais adequadas e com maior resolutividade.

Foi apontada, ainda, a necessidade de vincular nos relatórios gerenciais o registro dos afastamentos de servidores que são atendidos em outras unidades Siass em razão da perícia em trânsito22. Atualmente, ao emitir um relatório gerencial, o sistema não contabiliza nos resultados os servidores que foram atendidos em uma unidade diferente da do seu órgão. Essa demanda foi objeto da fala dos gestores de número 3 e 17, conforme expresso abaixo:

Que permita acesso às informações dos nossos servidores que são atendidos em outras unidades SIASS (R3);

Termos acesso aos dados dos servidores em trânsito vinculados à unidade do SIASS que é atendido (R17).

Uma outra questão levantada pelo respondente 18 diz respeito ao acesso a CID causadora dos afastamentos. Para este participante da pesquisa seria importante “que para os gestores, haja possibilidade de verificarmos os CID dos servidores que realizaram perícia. Esta informação só o

22 A perícia em trânsito ocorre quando o servidor necessita de avaliação pericial fora do seu local de lotação

ou exercício. O servidor solicita agendamento à área de gestão de pessoas de seu órgão, que por sua vez indicará a Unidade Siass mais adequada para a realização da perícia, formalizando o pedido de atendimento (BRASIL, 2017. p. 120).

perito tem” (R18). Ao ficar restrito ao perfil do médico perito as equipes acabam tendo maior dificuldade de acompanhar o estado de saúde dos servidores que são atendidos nas unidades Siass.

Conforme relatado pelo respondente 22, há atividades que não são registradas no Siape Saúde, então ele propõe “que pudéssemos incluir outras atividades periciais que são realizadas fora do sistema” (R22), garantindo assim um maior controle de tudo que ocorre nas unidades e alimentando corretamente o banco de dados.

De um modo geral, os apontamentos realizados nesta categoria refletem a necessidade de ampliação dos relatórios gerenciais, descentralizando as informações para que todas as unidades possam manipular o banco de dados conforme suas necessidades, resguardando, obviamente, o sigilo dos servidores. Esses relatos pontuam a necessidade de “aprimorar os relatórios gerenciais com vistas a administração” (R30), para que ela tenha o suporte necessário para guiar as suas atividades. Isso implica em romper com a visão reducionista, tecnicista e meramente instrumental dos sistemas de informação em saúde que esvazia o seu potencial e função estratégica no desenvolvimento de propostas criativas que atendam de forma efetiva às demandas de seus usuários (MORAES, 2014).

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