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CHAPITRE 4 MISE EN ŒUVRE EXPÉRIMENTALE ET RÉSULTATS

4.2 PLATE-FORME EXPÉRIMENTALE

4.2.4 Observations et mesures

 Paulo César Martins, Memórias(São Paulo:Terra Virgem, ). Paulo César Gomes Martins nasceu em  de março de  e faleceu ode julho de .

 Julia Machado Martins, nascida em  de junho de , faleceu em ode

novembro de , após ter sido concluída a entre- vista aqui editada.  Os demais eram Antô- nio José Filho, Cândido José, Heloy José, Hemeté- rio José e Manoel José Ferreira Martins. Egydio José Ferreira Martins nas- ceu em ode setembro de

e faleceu em  de outubro de .  O ensino da engenharia no Brasil tem origem militar.A separação do ensino de engenharia do ensino militar originou, em  de abril de , a Escola Politécnica, instalada no largo de São Francisco, no Rio de Janei- ro. Em  a Politécnica passou a Escola Nacional de Engenharia da Univer- sidade do Brasil; em  esta passou a Escola de Engenharia da Universida- de Federal do Rio de Janeiro e pouco depois foi transferida para a Cidade Universitária, na ilha do Fundão. Em , a insti- tuição voltou ao nome antigo: Escola Politécnica da . Fonte:

www.poli.ufrj.br, acesso em //.

 ,   

A história de sua família está contada por seu pai, Paulo Cé- sar Martins, em seu livro de memórias.1Queremos agora a sua versão. Como era o ambiente em que o senhor nasceu, como eram seus pais, seus avós?

Moro em São Paulo, mas estou hospedado no Rio na casa de minha mãe, Julia Machado Martins, que está com  para  anos, na fase final da vida.2Começando por ela, devo dizer

que foi uma pessoa muito importante para mim. Foi uma aluna brilhante da famosa Escola Normal Caetano de Cam- pos, de São Paulo, a primeira da turma do princípio ao fim do curso. É uma mulher de uma cultura muito sólida. Estou fazendo esta homenagem a ela de início, mas minha origem paterna também foi muito importante na minha formação.

O que sei é que meus trisavós paternos eram portugue- ses. Em dado momento, meu trisavô, já casado e com filhos, disputou a presidência do Conselho da localidade onde mo- rava, na serra da Estrela, ganhou a eleição, mas os adversá- rios o assassinaram na entrada da quinta onde ele ia celebrar sua vitória. Ficou então minha trisavó, a “Viúva da Quinta”, como passou a ser chamada, com três filhos chegando à ado- lescência e querendo dar trabalho com idéias de vingança. Ela se assustou e veio para o Brasil. Inicialmente foi para Cardoso Moreira, então distrito de Campos, no estado do Rio, e depois mudou-se para Campos. Um de seus filhos, o comendador Antônio José Ferreira Martins, casou-se com Anna Maria Leite, e desse casamento nasceram nove filhos, dos quais vingaram seis. Um deles foi meu avô, Egydio José

Ferreira Martins.3Esses meus bisavós, fundadores do ramo

da família ao qual pertenço, aparentemente faleceram na fa- zenda Cachoeiras do Muriaé, em Cardoso Moreira. Estão enterrados no cemitério da Ordem Terceira de São Francis- co da Penitência, em Campos.

Meu avô Egydio foi o primeiro membro da família a se formar, na época da transição da Escola Militar para Escola Politécnica, no Rio de Janeiro.4Depois meu tio-avô Maneco,

Manoel José Ferreira Martins, que era mais moço que meu avô, também se formou na Escola Politécnica, depois meu pai, e depois meu tio Alfredo Bruno Gomes Martins, que foi

expulso da Escola Militar do Realengo no movimento de

.5 Com a expulsão, formou-se em engenharia, mas de-

pois, quando houve a anistia, voltou para a vida militar e pas- sou a constituir aquilo que se chamava Corpo Técnico do Exército. Foi um dos fundadores da Escola Técnica do Exérci- to, na Urca.6Faleceu em janeiro do ano passado com  anos

de idade, totalmente lúcido. Eu tinha uma ligação muito for- te com esse meu tio, porque ele era um homem muito inven- tivo. Eu me lembro – devia ter três, quatro ou cinco anos – de quando ele montou o primeiro rádio de galena. Ele punha aquilo no meu ouvido para eu ouvir, e era só estática, ruído, ruído, ruído... De repente se ouviam duas ou três palavras, e era uma festa! Como capitão, comandou a Fortaleza de Itaipu, em Santos, e para mim era uma maravilha poder ir lá para ver os canhões fazendo exercícios de tiro. Aprendi a dirigir indo com ele ao Polígono de Tiro da Marambaia, no estado do Rio de Janeiro, no início da sua construção.

Meu avô Egydio casou-se com minha avó Maria Emília Beirutti Silva Gomes, que tinha o apelido de Neném.7O pai

dela, José Silva Gomes, tinha vindo de Portugal para o Brasil ainda menino. Esse meu bisavô, aliás, não se chamava Silva Gomes, e sim Gomes da Silva, mas veio a trabalhar na dro- garia de um Silva Gomes e, quando esse homem faleceu, re- cebeu a drogaria de herança e resolveu mudar o nome para ficar igual ao de seu benfeitor. Pelo que sei, era um comer- ciante extremamente hábil, porque fez fortuna não apenas com a drogaria, que ficava no Centro do Rio, mas com uma distribuidora de medicamentos. Naquela época, os medica- mentos eram em sua grande maioria, para não dizer %, importados, e ele criou uma firma que passou a distribuir medicamentos para o Brasil inteiro e para alguns países da América do Sul. Isso lhe deu um status econômico extraordi- nário para a época, e ele construiu uma grande casa na Praia do Russel, na Glória, onde morava com certa pompa. Ocor- re que ficou viúvo quando minha avó Neném tinha  anos de idade. Menina ainda, a mando dele, ela assumiu uma casa grande, com vários empregados, e tocou aquilo para frente. Minha avó tinha duas irmãs, Dindinha e Alzira, e um ir- mão, Luís. Dindinha foi casada com um almirante da nossa Marinha chamado Wilfrid Francis Lynch e não teve filhos.

 Em  de julho de  eclodiu no forte de Copa- cabana, no Rio de Janeiro, a primeira revolta tenen- tista da década de . O movimento envolveu também a Escola Militar do Realengo, guarnições da Vila Militar, o forte do Vigia, no Rio, e a aCir-

cunscrição Militar, sedia- da em Mato Grosso.Ver verbetes ‘Eduardo Go- mes’,‘Joaquim Távora’, ‘Tenentismo’, em Dicioná- rio histórico-brasileiro pós- –DHBB(aed.

Coord.Alzira Alves de Abreu, Israel Beloch, Fernando Lattman- Weltman e Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão. Rio de Janeiro: /, ).  A Escola de Engenharia Militar, separada da Esco- la Militar, foi criada em e entrou em funcio- namento em . Em passou a chamar-se Escola Técnica do Exérci- to e em  instalou-se na Praia Vermelha, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Em  transformou-se no Insti- tuto Militar de Engenha- ria (). Fonte: www.ime.eb.br, acesso em //.  Maria Emília Gomes Martins nasceu em  de maio de  e faleceu em  de agosto de .

Talvez por isso, todos os filhos das irmãs eram afilhados dela. Cheguei a conhecer o almirante Lynch. Morava na rua Ge- neral Polidoro, já estava aposentado, e seu hobby era fazer perfumarias. No fundo do escritório, fabricava um perfume e uma brilhantina chamados Coty, ou um nome parecido. Ele e Dindinha ainda mantinham na casa uma velha ex-escra- va que devia pesar uns  quilos, e que tinha uma filha, Rosa, que serviu à família a vida inteira.Tê-las conhecido foi muito marcante para nós, era como se estivéssemos diante de seres mitológicos. Vi as duas falecerem. Tivemos muita convivência com Dindinha e o almirante Lynch, porque na época em que estava trabalhando em Volta Redonda meu pai sofreu um acidente grave, em que fraturou três vértebras e costelas, e ficou hospedado no Rio na casa deles. Nós to- dos nos mudamos para lá, já que era uma casa grande. Quan- to à outra irmã de minha avó, tia Alzira, foi casada com um médico famoso no Rio, Dr. Ernesto Crissiúma Filho. Ele ti- nha um sanatório no Rio Comprido com o seu nome e outro próximo a Petrópolis, em Correias, onde o clima era espe- cial para o tratamento. Era um homem imponente, barbudo, de grande reputação.Tiveram quatro filhos. Uma das filhas, Ivone, veio a casar-se com meu tio Alfredo. Outra, Dinorah, casou-se primeiro com Guilherme Fischer Presser, tenente da Aeronáutica falecido em vôo de treinamento nos Estados Unidos antes da Segunda Guerra Mundial, e depois com o almirante Luiz Martini, que conviveu muito comigo no go- verno Castello Branco, quando era chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Havia ainda Carmen, que também era muito chegada a nós, e Djalma Crissiúma, como o pai, mé- dico no Rio de Janeiro. Somos uma família bastante unida.

Depois que meu bisavô Silva Gomes faleceu, ocorreu uma trapalhada, de que sei por ter ouvido falar, mas que nunca ficou muito clara. Quem assumiu aquele conjunto de drogaria e distribuidora foi o tio Luís, que se casou com uma senhora chamada Elmira, uma mulher muito bonita. Minha avó e as irmãs, casadas com pessoas dedicadas às suas profis- sões, não tomaram conhecimento do inventário, e no fim, de uma forma ou de outra, grande parte da herança ficou para o tio Luís. Para as irmãs ficou muito pouco.

O senhor já mencionou que seu avô Egydio formou-se pela Es- cola Politécnica do Rio de Janeiro. Mas em que ele trabalhava? Meu avô era engenheiro sanitarista, e por isso mesmo foi

convidado por Saturnino de Brito8para fazer o saneamento

da Baixada Santista. Com a herança de minha avó, eles com- praram um terreno na Ponta da Praia, em Santos, onde hoje existe uma avenida chamada Egydio Martins. Mas, quando acabaram de comprar o terreno, houve um embargo judicial que durou  anos. Quando meu avô se aposentou, ganhou esse embargo e só então eles puderam usufruir da herança.

Bem ao contrário de minha avó, meu avô era positivista. Foi discípulo de Teixeira Mendes, freqüentava o templo po- sitivista da rua Benjamin Constant, no Rio, e, como um po- sitivista absolutamente arraigado, era socialista. Ou seja, ti- nha horror aos homens ganhadores de dinheiro. Achava que a pessoa devia engajar-se no serviço público, opunha-se a que alguém se dedicasse a ganhar dinheiro. Os que tinham esse objetivo eram “plutocratas”. No linguajar positivista, ser chamado assim era um grande demérito. Meu avô era tam- bém um homem de uma cultura invulgar. Eu, chegando aos meus  anos, e tendo já percorrido uma estrada longa, não encontrei ninguém com a cultura dele, uma cultura absolu- tamente helênica, ampla. Conhecia anatomia, por exemplo, nos mínimos detalhes. Se eu lhe fizesse uma pergunta qual- quer nessa área, pegava uma folha de papel, a caneta de nan- quim, desenhava o órgão humano sobre o qual eu estava per- guntando e produzia uma aquarela.

Eu era o primeiro neto, e meu avô tinha uma predileção muito forte por mim. Devo meu nome a ele, pelo seguinte: no positivismo, havia luminares da humanidade pelos quais eles tinham grande admiração. Então, todos os filhos de po- sitivistas tinham um nome próprio seguido de um nome consagrado no calendário positivista. Por exemplo, meu tio mais velho, irmão de meu pai, que era médico, era Carlos Toussaint; meu pai era Paulo César; meus outros tios eram Alfredo Bruno e Alberto Francia. A única tia tinha o nome de Clotilde, por causa da Clotilde de Vaux, que, dizem uns, era o amor platônico do Augusto Comte, a quem ele punha num altar. Tenho até uma história a esse respeito que tem certo humor. No início da minha adolescência, tive uma na-

 Positivista e republicano, o engenheiro Saturnino de Brito (-) participou da construção de Belo Horizonte e exe- cutou diversos projetos de saneamento nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Deixou obras publicadas e é considerado o maior engenheiro sanita- rista do país.Ver Grande enciclopédia Delta Larousse –

GEDL(Rio de Janeiro:

Delta .., ).

morada. Meu avô, seguindo Comte, tinha escrito um panfle- to pondo a mulher no altar da humanidade. Achei aquilo muito bonito e dei para a minha namorada. Depois que ela leu, virou-se e disse: “Que coisa horrível, você se sentir num altar, nessas alturas! Eu jamais poderia preencher um papel desses”. Minha tia Clotilde ficou solteira.

Seu nome “positivista”, portanto, é o nome de seu avô. É. Minha mãe, que tinha grande admiração por ele, me deu o nome de Paulo, e de Egydio para homenageá-lo. Meu Egydio segue o pensamento positivista de homenagear um grande ho- mem. E meu avô era realmente um homem excepcional. Para dar uma idéia, como engenheiro do estado de São Paulo, na- quela época bravíssima do final do século , início do século , trabalhou na Baixada Santista, Santos e Guarujá, onde con- traiu uma malária que o acompanhou até a morte. A situação ali era terrível. Havia não só malária, como tifo, sífilis, tudo. Em Santos, na área do cais do porto, havia grandes cartazes pe- dindo às pessoas que desembarcavam: “Fique o mínimo possí- vel nesta cidade! Não tenha contato com isso, não tenha con- tato com aquilo, porque você corre perigo de vida!”

Mas o que eu estava dizendo é que meu avô era um homem totalmente desprendido da coisa material. Recebia o salário no fim do mês e entregava o envelope completo à minha avó.Todo dia ela pegava um dinheirinho trocado e dava a ele. Meu avô nunca comprou uma camisa, uma gravata, um sapato, uma cue- ca ou um par de meias. Nunca! Quem comprava era minha avó. Não tinha a menor vaidade. O hobby dele, além da leitura, eram as rosas. Adorava o cultivo de rosas, e todo santo dia podava as roseiras. Era um homem, como eu dizia, que, perguntado sobre qualquer assunto, tinha a resposta. Eu o acompanhei até os meus  anos, quando ele faleceu, e pude ver isso em nosso convívio. Era também um homem de uma grande bondade. Aquela visão altruísta do positivista era marcante na vida dele. A única pessoa, em toda a vida, com quem sei que ele teve uma divergência foi com minha tia Elmira, esposa do tio Luís, irmão mais moço de minha avó. Quando ela ficou viúva, parece que fi- cou tendo alguns casos, e ele não aceitava aquilo. Não aceitava que ela pusesse o pé na casa dele. Era muito rigoroso. Do pon- to de vista ético e moral, o rigor era absolutamente total. O po-

sitivismo, pelo menos o dos discípulos de Teixeira Mendes, im- primia essa visão muito rigorosa e radical.

Por que o senhor diz que seu avô era positivista “ao contrá- rio” de sua avó?

Minha avó era uma pessoa voltada só para as coisas da casa e da família. Quando meu avô começava a fazer grandes pregações patrióticas – a idéia de patriotismo nele era fortís- sima –, ela, jocosamente, dizia: “Meu filho, não ouça seu avô, não. Pátria é a barriga e o bolso”. Era ela quem tinha que administrar as duas coisas... E administrava diariamen- te. Não saía da cozinha. Eu me lembro, no início da noite, de todos sentados na sala, e ela com uma cesta ao lado cheia de meias, com aqueles ovos de madeira antigos, cerzindo. Eu me lembro também de outra coisa incrível: se você fos- se à copa, em cima de uma pedra de mármore estavam o arroz e o feijão que ela iria catar para deixar de molho para o dia seguinte. Naquela ocasião o arroz e o feijão vinham com muita pedrinha, muita sujeira, e quem fazia a catação era ela. Não havia luxo, mas a ordem na casa era perfeita. E outra coisa também: minhas irmãs – são duas, Gilda e Anna Maria –, mexem muito comigo, porque a preferência notó- ria que esses dois avós tinham pelo neto mais velho era tão grande que, quando eles nos visitavam na casa de meus pais, elas me chamavam dizendo: “Paulo Egydio, os seus avós chegaram”. Não eram os nossos avós.

Voltando à influência de meu avô sobre os filhos e a filha, sobre mim, e também sobre o único primo que tenho, Rogé- rio Bruno Martins, posso dizer que ela foi enorme e, neste úl- timo, permanece até hoje. Sabe esse tipo de pessoa que lhe dá a impressão de perfeição? Isso de certa forma oprime. É um exemplo permanente de como você deve ser, mas ser daquela maneira é muito difícil. Poucas pessoas me deram essa sensa- ção. Meu avô foi uma delas. É algo que você pode dizer que se aproxima de uma santidade. Outro homem que me causou essa sensação foi Octavio Gouvêa de Bulhões. Eu tinha uma admiração por ele! Na época do governo Castello nós tínha- mos reuniões dificílimas no Conselho Monetário, complicadís- simas, e no fim de dez horas de discussão não se chegava a uma solução. Àquela altura, Bulhões já tinha saído da mesa de reu-

Trata-se do ministério do governo Castello Bran- co, em que Octavio Gou- vêa de Bulhões foi minis- tro da Fazenda

(-), Roberto Campos, do Planejamento (-), e Paulo Egy- dio Martins, então com anos, da Indústria e Comércio (-). Ver DHBB.

nião e ido para a mesa dele. Ficava lá pensando, pensando, vol- tava e propunha: “E que tal isto?” Roberto Campos virava-se e dizia: “Falou o Santo Octavio”. Era a solução. Um homem de uma modéstia e de uma pureza incríveis. Naquela época, eu era o caçula do ministério.9A única coisa que o Dr. Bulhões ti-

nha, e pela qual tinha um certo sabor, era uma Mercedes-Benz de antes da Grande Guerra. Era quase uma peça de museu. Um dia, a esposa dele bateu com esse carro, e ele não tinha di- nheiro para mandar consertar. Roberto chegou para mim e disse: “Paulo, passa um pires para a gente mandar consertar a Mercedes do Octavio...” Passei o pires e mandamos o carro para o conserto. Pelo desprendimento e pela modéstia, o Dr. Bulhões lembrava meu avô. Mas meu avô tinha outra caracte- rística que o Dr. Bulhões não tinha: era um polemista. Naque- la época a polêmica se dava pelos jornais, e ele era famoso como polemista, principalmente em assuntos que envolvessem metafísica. Era ateu, e defendia a sua visão.

Outra coisa em relação ao seu nome: o senhor adotou Egy- dio quase como um sobrenome, não?

Adotei como sobrenome. O apelido de minha mulher é Lila, mas o nome é Brasília. Em solteira, era Brasília Botelho Byington. Quando nos casamos, ficou Brasília Byington Egy- dio Martins.Todos os meus filhos, e agora, todos os meus  netos são Egydio Martins.

  

E quanto à família de sua mãe?

Minha mãe, em solteira, chamava-se Julia de Campos Ma- chado.A origem dela é Araraquara, interior do estado de São Paulo. De meus bisavós, conheço muito pouco. Ouvi dizer que tinham vindo para Araraquara de uma cidadezinha do sul de Minas chamada Machado, do lado de Poços de Caldas. Até conheço bem Machado, porque trabalhei em Poços de Caldas. Por que eles migraram para Araraquara? Café. Meu avô materno chamava-se Lourenço de Campos Machado, e minha avó, Elisa Pereira Caldas, apelido Lili. Ela tinha raízes familiares no estado do Rio, na região entre Barra Mansa e

Resende; parece que um de seus avós teve fazenda em Barra Mansa, outro importante centro cafeicultor.

Meus avós Lourenço e Lili, como os pais, também eram cafeicultores. Tinham fazendas num distrito de Araraquara chamado Santa Lúcia, mas que eu saiba não possuíam fortu- na. Com a crise de  todos faliram, e eles perderam tudo. Meu avô tinha feito o curso de odontologia – ainda existe uma belíssima escola de odontologia em Araraquara, que