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OBLIGATIONS DES PARTIES

Dans le document PAR COURRIEL (Page 45-49)

Para compreender esse aspecto específico é preciso definir, sobretudo, o que é tolerância. Vale ressaltar, antes de tudo, que não é fácil definir esse conceito, pois a tolerância é uma atitude complexa (SCANLON, 2009). Segundo a Declaração de Princípios sobre a Tolerância, aprovada pela Unesco em 1995, a tolerância é definida como “o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos” (artigo 1.1). Além de ser fomentada pelo conhecimento, comunicação, liberdade de pensamento, de

consciência e de crença e, ser harmonia na diferença. Essa declaração compreende a tolerância como uma virtude que torna possível a paz, além do fato de contribuir para a substituição de uma cultura de guerra por uma de paz, sendo um dever de ordem ética. Não pode ser confundida como caridade, concessão ou condescendência.

Segundo Grupioni, Vidal e Fischmann (2001), a Declaração da Tolerância da Unesco ensina que a prática de tolerar significa aceitar a diversidade humana em seu aspecto físico, de situação, de modo de expressar-se, de se comportar e de seus valores. Cada pessoa tem o direito de viver em paz e ser como é, segundo o artigo 1.4 da mesma. Percebemos que com os homossexuais, muita vezes esses direitos são questionados, afinal essas pessoas são impedidas de viver, praticar e ser o que são. Para alguns grupos específicos são reconhecidos como um grupo que possui um modo de ser e viver diferente do “normal”.

Scanlon (2009) define tolerância como algo que requer “aceitar as pessoas e consentir suas práticas mesmo quando as desaprovamos fortemente” (p.31). Segundo o autor, é uma atitude intermediária entre a absoluta aceitação e a oposição imoderada. Existem casos que o sentimento de contrariedade ou desaprovação devem ser contidos, na verdade, melhor seria que não existissem ou que fossem extinguidos, quando se trata de preconceito, por exemplo. O mais prudente é uma reformulação de pensamentos, ou seja, deixar de exercer atitudes, comportamentos e posicionamentos preconceituosos (SCANLON, 2009).

Os comentários a seguir, trazem essa ideia de tolerar as atitudes, comportamentos e posicionamentos desde que isso não entre em confronto com os valores pessoais.

Não faz diferença, mas não acho bonito, não concordo com as práticas, não sou

obrigada e nem por isso sou homofóbica, não bato, não xingo só não acho bonito, minha opinião.

Em comum, esses comentários, trazem a ideia de que as práticas homossexuais, bem como o fato de ser homossexual precisam ser “respeitado”, desde que não interfira na minha vida ou da minha família. Um questionamento surge após esses comentários, esses sujeitos estão demonstrando que serão respeitosos para com o outro ou que toleram as escolhas de outrem? Essa resposta não é simples, afinal o tema possui sua complexidade. Borrillo (2009) argumenta que uma das formas mais sutis de homofobia denotam esse caráter de tolerância, atribuindo aos homossexuais um lugar marginalizado e silencioso, de uma sexualidade considera incompleta ou secundária. Por exemplo, os sujeitos que expressam atitudes de tolerância e por consequência estariam expressando formas sutis de preconceito, não rejeitam os homossexuais ou a homossexualidade, entretanto, não choca a eles o fato de que essa população não goza dos mesmos direitos que os heterossexuais.

Em um estudo desenvolvido por Souza e Dinis (2010) a respeito dos discursos sobre homossexualidade e gênero na formação docente em biologia cujo objetivo foi investigar os discursos produzidos por futuros/as professores/as de biologia. Os dados foram coletados em dois semestres distintos, um em 2006 e outro em 2007, por meio de questões objetivas e discursivas. Entre os resultados encontrados, os autores perceberam que não houve diferença de posicionamentos quanto ao sexo desses participantes. Além do mais, todos os entrevistados seguiram um padrão normativo e repudiaram possíveis manifestações de discriminação no espaço escolar. Os futuros professores disseram ter convívio com homossexuais nas universidades, conhecem professores, não mudariam sua conduta caso descobrisse que um colega de trabalho fosse homossexual, não possuíam objeção ao professor de seus filhos ser homossexual. Entretanto, houve uma variação entre os dados coletados na turma de 2006 e na turma de 2007 quanto a aceitar um professor homossexual ensinando seus filhos. Outros resultados foram encontrados nessa pesquisa, contudo, nosso objetivo aqui é lançar um olhar específico para as justificativas dadas por esses entrevistados que, em alguma medida, são contra a determinadas questões referentes a diversidade sexual.

Em sua maioria as respostas eram estruturadas em expressões como “não me importo, indiferente e cada um cuida da sua vida” foram recorrentes. Segundo os autores, isso indica que os futuros professores internalizaram a norma antipreconceito, mas não possuem uma reflexão crítica sobre essas questões. Seria uma ideia de tolerância que segundo Louro (2003) “liga à condescendência, à permissão, à indulgência – atitudes que são exercidas, quase sempre, por aquele ou aquela que se percebe superior” (p.48). A esse respeito, Souza e Dinis (2010) demonstram que essa postura fica evidente nas respostas quanto ao posicionamento pessoal sobre à diversidade sexual, pois os sujeitos que se declaram não preconceituosos (44%) é menor do que a soma dos que se consideram indiferentes (39%) e preconceituosos (14%). Os sujeitos que se intitulavam indiferentes, apresentavam justificativas nas quais, era evidente a expressão preconceituosa, principalmente com as pessoas mais “exageradas”, pois não estariam respeitando os limites dos outros, ou seja, elas precisavam manter uma certa distância (dimensão de expressão sutil), eles (homossexuais) do lado deles e eu (heterossexual) do meu. Exemplos semelhantes também foram encontrados nessa dissertação:

É me perdoa os contrários. Mas eu não concordar, não significa que não respeito. Agora pessoas que querem respeito, e são ofensivos com palavras grossas e mal- educadas, são elas que são intolerantes e precisam de psicólogo

É verdade, ninguém é obrigado a aceitar nada, respeitando e mantendo milhares de quilômetros de distância já está de bom tamanho.

Essas respostas, assim como no estudo de Souza e Dinis (2010), dizem respeito a dois posicionamentos: as pessoas toleram os homossexuais, mas não querem contato com esses; e a ideia de que não são preconceituosas, “tenho até amigos que são gays”, discurso muito utilizado para justificar expressões de preconceito sutil. Essas informações entram em consonância com os estudos a respeito da homofobia apresentados anteriormente, além das justificativas utilizadas por esses indivíduos baseados numa norma de desabilidade social, segundo a qual, o preconceituoso não é bem-visto socialmente.

Essa discussão sobre respeito e tolerância faz emergir um assunto que atualmente está em pauta, principalmente, em tempos de redes sociais (DA SILVA, 2011; DANTAS; NETO, 2015; DANTAS; ABREU, 2016); FERREIRA JUNIOR; SAMUEL, 2015). Diz respeito ao embate entre liberdade de expressão e/ou discurso de ódio. Nesses estudos, inclusive, nessa dissertação, o que os usuários das redes sociais estão fazendo é emitir posicionamentos preconceituosos respaldados na ideia de “minha opinião” ou é somente “o que eu acho”. O próximo aspecto que emergiu da Classe 1 trata a respeito desse assunto e sobre ele é que iremos explanar a seguir.

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