Grande Bretagne
3.5. Les objets connectés dans les addictions
Foi realizada a análise descritiva dos dados dos participantes, nos dois grupos, por meio das variáveis de identificação (sexo, idade, cidade de origem, tempo de internação), relacionadas às condições de saúde sistêmica (comorbidades, número de medicamentos em uso e indicação cirúrgica) e saúde bucal (número de dentes e próteses).
As variáveis dependentes analisadas foram acúmulo de placa e sangramento gengival, medida por meio do Índice de Placa em dentes, de Silness & Löe, e Índice de Sangramento Gengival (ISG), de Löe & Silnes, bem como a ocorrência adversa no pós-cirúrgico.
A análise dos dados foi feita por membro da equipe “cego”, que desconhecia a origem dos dados em relação aos grupos GC e GE.
Os dados coletados foram organizados em banco de dados, sendo submetidos a análises estatísticas com apoio do software SPSS® 16.0 for Windows. Para a estatística descritiva, foram calculadas as frequências – absolutas e relativas. O teste exato de Fisher foi utilizado para analisar a diferença entre os grupos controle e experimental. Foi considerado p<0,05 como significância estatística. REMOVER?
4.7 Aspectos Éticos
O projeto referente a esta pesquisa forma parte de macroprojeto submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da UFSC e aprovado com número de parecer: 2.651.315. A pesquisa segue as diretrizes e normas regulamentadoras da pesquisa envolvendo seres humanos que compõem a Resolução 466/2012.
Foi explicado aos participantes o fundamento da pesquisa, os objetivos e métodos do estudo como também os riscos de participação na mesma. Os participantes foram informados que poderiam desistir da pesquisa em qualquer fase, sem ônus ou penalizações. Os dados obtidos foram utilizados exclusivamente em produções acadêmicas. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi entregue aos participantes com detalhamento de informações, e ao concordarem, assinaram uma via do TCLE que foi mantida com os pesquisadores.
5. RESULTADOS
Logo no início da intervenção, muitos problemas com a execução do protocolo de higiene bucal foram verificados inviabilizando a sua aplicação sem que alguns pontos fossem modificados. Essas mudanças foram essenciais tanto para a execução do piloto tanto quanto para a execução do estudo definitivo.
Os principais problemas verificados foram:
• Nem todos os pacientes possuíam um tempo de internação de 15 dias antes de serem submetidos a cirurgia cardíaca, sendo esse o tempo mínimo necessário para a execução do protocolo sugerido;
• Dificuldade de acompanhamento e avaliação do protocolo diário seguido pela coorte, tanto quanto pelos enfermeiros quanto pelos próprios pesquisadores;
• Inviabilidade e/ou falta de treinamento dos enfermeiros e técnicos em enfermagem em orientar a higienização bucal para coorte, em função da falta de tempo hábil e complexidade de execução do protocolo.
• Troca de turno dos enfermeiros poderia gerar confusão pois a clx seria aplicada de 12 em 12 horas, isto é, em turnos diferentes.
• A relação dos pacientes que iriam fazer a cirurgia sai as 18h do dia anterior a realização da mesma. Isto é, não há uma data programada para a realização da cirurgia para cada paciente e isso fez com que o protocolo de higiene bucal de 15 dias pré- cirurgia ficasse inviável.
Como resultado, em função das inviabilidades destacadas acima, o protocolo de higiene bucal pré-cirurgico sofreu grandes mudanças, e o protocolo aplicado foi devidamente descrito na metodologia neste mesmo estudo.
Setenta porcento da amostra era do sexo masculino e também, 70% declarou ter um parceiro. Mais da metade deles possui ensino fundamental incompleto e 60% recebe aposentadoria do governo federal.
Observou-se que o ICSC não apresenta um protocolo de encaminhamento dos pacientes para avaliação da saúde bucal feita por CD, muito menos um laudo emitido por ele de eliminação dos focos infecciosos bucais que adequaria o paciente para ser submetido a cirurgia cardíaca sem risco de desenvolvimento de complicações sistêmicas a partir da condição bucal.
Em números, 16 dos 20 pacientes da amostra não passaram pela avaliação do cirurgião-dentista antes de serem submetidos a cirurgia cardíaca. As alterações bucais que mais se destacaram quantitativamente foram: 15% dos pacientes possuíam entre 2-4 lesões cariosas; 25% da amostra apresentava entre 1-3 raízes residuais sendo que um dos participantes da amostra possuía um total de 14 raízes residuais; 10% da amostra apresentou de 1-2 dentes com mobilidade. Porém, nenhum dos pacientes da amostra apresentava dor de dente, presença de fístula ou sulco com pus. Dentre os 20 pacientes da amostra, 40% é desdentada total na arcada inferior e 65% desdentada total na arcada superior.
Na escala de dependência realizada, as atividades que apresentaram maior nível de dificuldade de realização foram: subir lances de escadas, cortar as unhas dos pés e fazer as compras. Porém, nenhuma dessas características acarretaram dependência dos participantes da amostra.
Dentre as principais causas de internação descritas pelos participantes da amostra, destacou-se: cansaço excessivo e falta de ar, dor no peito e infarto. Já as principais patologias apresentadas foram diabetes (10%), hipertensão (30%), diabetes e hipertensão (35%) e níveis de colesterol alto (10%). Cada um dos pacientes, no dia da avaliação estava
tomando em média 10 tipos de medicamentos. As cirurgias as quais os pacientes foram submetidos abrangeu troca valvar (em menor porcentagem), revascularização do miocárdio (40%) e implante de CMI (20%).
Sobre a análise dos prontuários posterior a intervenção cirúrgica, 25% da amostra teve algum tipo de infecção pós-operatória, dentre elas: infecção do trato respiratório (10%) e infecção da ferida cirúrgica (10%). Durante essa análise, também se observou que 60% da amostra foi submetida a um protocolo de profilaxia antibiótica pré-cirurgica.
6. DISCUSSÃO
Este estudo possui dois objetivos específicos, um deles busca demonstrar a importância de estudos piloto para a posterior execução de Ensaios Clínicos Randomizados, e o outro, busca apresentar os resultados obtidos com a amostra, mesmo que pequena e estatisticamente não significativa, mas como sendo uma ferramenta de apoio relevante para cálculo da amostra, recursos necessários, e demais decisões a serem tomadas no estudo definitivo.
Desse modo, observa-se que os ECR apresentam uma série de desafios metodológicos e práticos, difíceis de serem superados caso não haja planejamento e por essa razão, estudos piloto são recomendados pelo Conselho de Pesquisa Médica, para identificação de problemas e soluções antes da realização do teste definitivo (DAY; BENCH; GRIFFITHS, 2015).
Estudos piloto são mais simples e práticos, com menor amostra, pois não precisam ser estatisticamente significativos. Porém, precisam ter métodos e objetivos claros assim como devem ser planejados com o mesmo cuidado do EC. O piloto auxilia o estudo definitivo principalmente na avaliação da factilidade, tempo de estudo necessário e recursos para recrutar um número adequado de participantes elegíveis, além da avaliação dos potenciais sujeitos que aceitariam ser randomizados e estariam dispostos a aderir a intervenção. Também são responsáveis por avaliar se as aferições planejadas, o instrumento de coleta de dados e o sistema de gerenciamento de dados são factíveis e eficientes (HULLEY et al.,2015).
Esse estudo foi essencial para o correto planejamento do EC já que a literatura se encontra defasada de publicações com o objetivo de desenvolver um protocolo de higiene bucal padrão que tenha por base resultados quantitativos de infecção, relacionados com quadros de infecção bucal pré-cirúrgicos. Além disso, é um estudo de difícil execução, realizado em ambiente hospitalar onde a odontologia ainda está ganhando espaço (GAETTI-JARDIM, Ellen et al., 2013).
A principal contribuição do estudo piloto neste EC foi a adequação da intervenção às rotinas da unidade hospitalar, pois não foi possível incluir a enfermagem na realização da higiene bucal, como havia sido planejado. A literatura cita a dificuldade de a enfermagem assumir e realizar as práticas da higiene bucal como protocolo diário, delegando essa função aos próprios pacientes (SANCHEZ et al., 2017). A partir
dessa dificuldade o modelo de intervenção passou por mudanças, ainda embasado na literatura, incluindo uma profilaxia e raspagem dos sítios infecciosos com ultrassom portátil e bochecho com CLX no dia anterior a cirurgia cardíaca, realizada pelo cirurgião dentista (DERISO et al. 1996).
A literatura mostra que há diminuição na taxa de infecção respiratória em 69% dos casos com a eliminação de focos infecciosos orais em associação ao uso da clorexidina 0,12%. Porém, há pouco embasamento científico quantitativo que mostre relação entre focos infecciosos orais e infecção da ferida cirúrgica, sangue ou infecção nosocomial urinária (DERISO, Anthony J. et al. 1996). Nesse sentido, que a análise e interpretação dos dados é dificultada podendo gerar viés.
Mesmo tendo conhecimento e sustentação teórica do aumento da taxa de infecções respiratórias a partir de focos infecciosos bucais (DERISO, Anthony J. et al. 1996), este estudo constatou que não há o devido controle sobre esta relação, já que 80% da amostra não passou pela avaliação do cirurgião dentista antes de ser submetido a cirurgia cardíaca.
Outro fator condicionador de viés, refere-se ao uso de profilaxia antibiótica prévia a cirurgia cardíaca. Nesse estudo, 60% da amostra recebeu algum tipo de profilaxia antibiótica podendo, desta forma intervir nos resultados. Nesse sentido, trabalhos científicos mostraram que pode haver diminuição no uso de profilaxia antibiótica em pacientes que receberão ventilação mecânica se esses forem submetidos ao uso de clorexidina 0,12% para redução dos focos infecciosos bucais previamente à cirurgia (DERISO et al. 1996).
De acordo com os resultados encontrados e com embasamento científico, constata-se a necessidade do desenvolvimento de protocolos de higiene e adequação bucal fundamentados em estudos de forte evidência científica, como os Ensaios Clínicos Randomizados. Pesquisas estas, feitas com pacientes que serão submetidos ao risco de infecção sistêmica a partir do foco infeccioso oral, como nesse caso, a cirurgia cardíaca. A odontologia vem se tornado uma área fundamental em ambiente hospitalar, para que junto com as demais possam atender os pacientes de forma integral e segura (GAETTI-JARDIM, 2013).
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estudos piloto são essenciais para o planejamento e execução dos estudos definitivos, principalmente quando se trata de estudos complexos e de grande valor científico como os Ensaios Clínicos Randomizados. Dentre muitos fatores determinantes, os estudos piloto preveem número da amostra, custos, duração do estudo e, principalmente, a efetividade da intervenção. Ao revisar esses pontos, serve de base para possíveis ajustes no estudo definitivo tornando-o factível e possível de ser conduzido. A principal contribuição do estudo piloto na realização do ensaio clínico foi a adequação da intervenção às rotinas da unidade hospitalar, pois não foi possível incluir a enfermagem na realização da higiene bucal, como havia sido planejado.
Embora não tenha sido o foco deste trabalho de conclusão, quanto aos resultados do estudo propriamente ditos, verifica-se necessidade de conscientização dos profissionais da saúde sobre a necessidade de controle dos focos infecciosos bucais para a prevenção de infecções sistêmicas após cirurgia cardíaca. Para tanto, considera-se relevante investigar o impacto da presença de um CD compondo a equipe de profissionais da saúde em unidades de internação pré e pós cirúrgica cardiológicas, tanto em termos de custos, definição de atribuições, estabelecimento de protocolos baseados em boa evidência científica, repercussão na prevenção das infecções sistêmicas e promoção da segurança do paciente.
Este estudo também revela a necessidade de integração entre os profissionais da saúde bucal e os de enfermagem, especialmente para capacitação da equipe de enfermagem na execução de protocolos de higiene bucal nos pacientes internados e avaliação das condições de saúde bucal desses pacientes. Nesse sentido, são necessárias pesquisas que atentem para a elaboração de protocolos de higiene bucal simplificados que possam ser facilmente executados pela equipe de saúde em âmbito hospitalar.
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9. ANEXO 1: ATA DE APRESENTAÇÃO DO