III. La théorie descriptiviste de la nomination
2. Objections et précisions
Apostasia: Deixou-me perplexo o anúncio da primeira página do EXPOSITOR de 15 do corrente que diz: “Hélder Câmara é paraninfo da Faculdade de Teologia”. Aberrante convite! Como a heresia está sorrateiramente predominando nos arraiais do metodismo... (EC: 1 e 15.01.1968, p.10)
Um dos livros mais famosos sobre o período da ditadura militar no Brasil é “1968: o ano que não terminou”. O sugestivo título escolhido pelo autor, jornalista Zuenir Ventura, também poderia ser aplicado à história da Igreja Metodista no país. Ocorreu neste ano o que talvez tenha sido o evento mais traumático de sua história, com repercussões até os dias atuais: o fechamento da Faculdade de Teologia, a Fateo, em São Bernardo do Campo, São Paulo.
Segundo Jorge Hamilton Sampaio, que pesquisou a juventude metodista brasileira na década de 1960, a crise na Fateo começou com uma greve dos estudantes, que se manifestavam contra a centralização de autoridade e acúmulo de funções pela reitoria,
inadequação do currículo, contratação de empregados desqualificados e até o descumprimento do cardápio do restaurante. (SAMPAIO, 1998, p.129) E no dia 1º de maio de 1968, os estudantes resolveram não comemorar uma tradicional data do metodismo, o Dia do Seminarista.
Estabelecido um impasse, o Conselho Diretor da instituição decidiu suspender as aulas a partir de 8 de maio. Todas as dependências deveriam ser fechadas e os alunos voltariam às suas regiões37. Uma reunião entre os dias 24 a 26 de maio, com a presença dos bispos e dos secretários regionais de educação cristã, decidiu reabrir a faculdade e reiniciar as aulas a partir do dia 6 de junho.
Contudo, uma outra reunião, realizada pelo Gabinete Geral da Igreja Metodista nos dias 18 a 22 de junho, resolveu adotar uma medida mais radical: interromper todas as atividades da faculdade até o final do ano. Foram suspensos o Conselho Diretor e o Reitor (um administrador foi nomeado em lugar do Reitor), houve demissão de professores e funcionários, mantendo-se o mínimo necessário para a conservação do prédio, e os alunos retornaram às suas regiões de origem.
Tanto a decisão de reabertura da instituição (decisão do Conselho Diretor no dia 26 de maio), quanto a determinação de fechamento do Gabinete Geral da Igreja Metodista (tomada no dia 22 de junho e prevalente sobre a anterior) foram publicadas na mesma edição do jornal (1º de julho de 1968). O resultado é, no mínimo, confuso: na página 8, há um documento suspendendo as atividades da Faculdade de Teologia até o final do ano e, na 11, um
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Considerando o impasse criado pelas posições assumidas pelo Corpo Docente e pela maioria do Corpo Discente da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil, em relação à crise que se instalou desde o dia vinte e sete de abrildo corrente ano:
(...) A Mesa do Conselho Diretor da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil resolve:
1° - Suspender, até ulterior deliberação, as aulas e todas as outras atividades da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil:
2º - Convocar o Conselho Diretor da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil, solicitando, ainda, a presença dos Revmos. Bispos e Secretários Regionais de Educação Cristã para a solução final do problema. Em conseqüência, serão fechadas todas as dependências da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil, a partir do dia oito do corrente, ás dezoito horas, devendo os senhores alunos regressarem à suas igrejas de origem.
O Conselho Diretor comunicará, tão logo solucione o problema, a data da reabertura das atividades acadêmicas da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil.
Faculdade de Teologia, Rudge Ramos, 5 de maio de 1968. José Nicolau Lemos- Presidente do Conselho Diretor
Messias Amaral dos Santos - Vice-Presidente do Conselho Diretor Gerson Rodrigues – Secretário do C.Diretor
João Nelson Betts – Secretario Geral de Educação Cristã e Membro Ex-Oficio do C.Diretor. (EC: 15.05.1968. p.4).
documento convocando os alunos a retomarem as atividades38. Os dois comunicados foram reproduzidos sem quaisquer explicações ou comentários e numa edição que não traz carta de leitor.
Para Sampaio, a greve foi apenas o estopim de uma decisão cujas motivações estavam na insatisfação do Gabinete Geral da Igreja Metodista com a insistência na concepção de salvação do homem total, que via o governo militar com olhos críticos, fato que, na visão do Gabinete, poderia comprometer a Igreja (SAMPAIO, 1998, p.137).
Intimamente vinculado a esta concepção de salvação comprometida com a busca de transformações sociais, estava o movimento ecumênico. Se a greve foi o estopim da crise, um evento anterior a ele forneceu abundante combustível: a formatura da turma de 1967 da Faculdade de Teologia, que convidou como seu paraninfo Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda, já então famoso por sua atuação em favor de moradores de favelas no Rio de Janeiro e Nordeste.
As reações publicadas no jornal (edição dupla de 1 e 15 de janeiro de 1968) dão uma idéia da repercussão do fato. O assunto ocupa as páginas 10, 11, 12 e 13. O redator da época,
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Na página 8, a nota oficial do Gabinete Geral: O Gabinete Oficial da Igreja Metodista do Brasil reunido em S.Paulo nos dias 18 a 22 de junho corrente com a presença de todos os seus membros, para tratar de suas tarefas regulares, recebeu, na ocasião, conforme havia antes solicitado, os resultados de uma sindicância através da Diretoria do Conselho Diretor, do que estaria acontecendo na Faculdade de Teologia em Rudge Ramos, conforme documentos que foram recebidos na reunião do mês de fevereiro, de dois concílios regionais e informações provindas insistentemente de outras e variadas fontes.
As conclusões a que chegou, de uma situação na referida instituição de ensino teológico, embora superada a crise transitória provocada por uma greve injustificada, impunham uma solução de maior profundidade em face da gravidade dos fatos que de forma alguma coadunam com as finalidades de uma instituição de preparo de futuros ministros pastores de uma Igreja como a Igreja Metodista do Brasil.
A pausa forçosamente se impõe para estudos, já em andamento, e re-estruturação. Por isso, tendo de cumprir uma de suas mais dolorosas decisões, resolveu suspender todas as atividades da Faculdade de Teologia até o fim deste ano letivo, assumindo canonicamente as funções de Conselho Diretor e nomeando um Administrador substituto do Reitor, que será responsável pela custódia e conservação do patrimônio e supervisão de empregados.
Outrossim, tomou providências para a dispensa de professores contratados e empregados desnecessários, e o retorno de ministros professores e dos alunos às suas respectivas regiões eclesiásticas, onde deverão apresentar- se para entendimentos necessários e os reajustamentos de trabalho nos concílios respectivos.
São Paulo, 22-6-68 – João A.do Amaral, Bispo-Presidente, João Nelson Betts, Secretário. (EC: 01.07.1968.p.8) Na página 11, carta do presidente do Conselho Diretor da Faculdade de Teologia ao jornal: Prezado irmão em Cristo: Na qualidade de Presidente do Conselho Diretor da Faculdade de Teologia da IMB, solicito que o órgão Oficial publique, para conhecimento de toda a Igreja, as deliberações tomadas pelo Conselho em sua reunião, realizada nos dias 24, 25 e 26 de maio próximo passado. São as seguintes:
1ª – Que as aulas e outras atividades da Faculdade de Teologia da IMB, suspensas pela Mesa Executiva do referido Conselho, sejam reabertas no dia 6 de junho de mil novecentos e sessenta e oito, atendendo que os alunos que regressaram às suas igrejas de origem possam, em tempo útil, estar presentes a essas atividades. (...) reunir-se plena e extraordinariamente nos dias 15 e 16 de junho próximo quando retomará o estudo do Ante- Projeto de reforma de Estatutos da Faculdade de Teologia da IMB, e estudará o ante-projeto de Regulamento Geral da Faculdade e de Teologia da IMB e tomará outras providências imediatas... Rudge Ramos, 26 de maio de 1968. José Nicolau Lemos, Presidente.
Pythagoras Daronch da Silva, publica manifestações de apoio e indignação, das quais destaco alguns trechos:
Apostasia: Deixou-me perplexo o anúncio da primeira página do
EXPOSITOR de 15 do corrente que diz: “Hélder Câmara é paraninfo da Faculdade de Teologia”. Aberrante convite! Como a heresia está sorrateiramente predominando nos arraiais do metodismo.(...) Guilherme Guter, Santo André, SP.
Saudosismo: Li no EXPOSITOR CRISTAO, e depois em convite que me
foi endereçado, o nome do paraninfo da “turma do Centenário da Igreja Metodista no Brasil”. Estranhei o convidado. Justamente no ano do Centenário, os formandos da nossa Faculdade de Teologia não encontraram um metodista que pudesse ser “padrinho” da turma. (...) Ainda mais longe vai a minha surpresa, pois justamente no ano em que se comemora 450 anos da Reforma, os alunos formandos de nossa Faculdade não encontraram um “protestante” no mundo para lhes ser paraninfo da turma e precisaram convidar um prelado da Igreja de Roma para receber a homenagem. Não me digam que isso é ecumenismo, não. D. Helder Câmara não é um líder espiritual de sua Igreja, mas um líder de um movimento social.(...) Rev. L. Israel de Barros, Tucuruvi, SP.
Compreensão: Muita gente está escandalizada com o convite dos nossos
jovens “futuros pastores”da Igreja Metodista do Brasil a Dom Helder Câmara. Porém, de minha parte, quero que saibam, que não somente eu, mas muitos dos nossos irmãos estão compreendendo com todo amor cristão a atitude que tomaram. (...) Irmãos em Cristo, façamos força para colocar- nos ao lado dos nossos jovens pastores, situando-nos juntamente com eles no mundo atual e então sentiremos que o Cristianismo não é somente nosso e que juntos poderemos melhor servir àquele que nos chamou: Jesus. Silas Braga Reis, pres. Fed. SSMMHH, V Região.
De uma Câmara: (...) Perante a grandiosidade e a magnitude desse
acontecimento que aproxima Católicos e Protestantes, fato inédito na história Pátria, Requeremos, Senhor Presidente, Senhores Vereadores, em regime de urgência ouvido o Douto Plenário, seja inserto em Ata, voto de louvor, aplausos e congratulações dos membros dessa Casa Legislativa para com o Bispo da 3ª Região Eclesiástica Metodista, Bispo João Augusto do Amaral, para com o Arcebispo de Olinda, Dom Helder Câmara, para com o Reitor da Faculdade de Teologia, Rev. Otto Gustavo Otto, bem como para o órgão oficial da Igreja Metodista o “EXPOSITOR CRISTÃO” (...)
Câmara Municipal de Guaratinguetá, SP. Vereador Clovis da Silva Xatara, Sala das Sessões, aos 7 de dezembro de 1967.
De um Concílio: O Concílio Paroquial da Primeira Paróquia, do Segundo
Distrito Eclesiástico, na Terceira Região, que inclui as Igrejas do Brás, Vila Maria e Vila Medeiros (São Paulo, Capital), na sua reunião de 16 de dezembro de 1967, tendo em vista a recente colação de grau dos alunos desta nobre instituição de nossa Igreja, paraninfada por S. Excia., o Revmo.D.Helder Câmara, votou por sua quase unanimidade, apenas um voto contrário, o envio desta moção de confiança e apoio aos formandos de 1967, ao Magnífico Reitor, e à Faculdade de Teologia em geral, pela atitude coerente com os nossos princípios ecumênicos e cristãos, levando o fato ao conhecimento do Reitor, e da Igreja através do nosso Órgão Oficial.
(segue, na íntegra, o texto aprovado) Rev. Pedro K. Yassuda, Superintendente Distrital, Segundo Distrito.
O fechamento da Faculdade de Teologia ainda não foi o capítulo final da crise. Professores e alunos resolveram permanecer nas dependências da Faculdade (determinados a continuarem as atividades em regime de autogestão). O Gabinete Geral convocou, então, um Concílio Geral Extraordinário para tratar de três temas: educação ministerial; reestruturação da faculdade e posição ecumênica da Igreja Metodista do Brasil – indício de que o ecumenismo era, de fato, elemento crucial no estabelecimento da crise.
O jornal continuava publicando apenas os comunicados oficiais. Segundo Daniel Schmidt, as matérias relativas a Rudge Ramos no Expositor Cristão passavam pela censura prévia dos bispos desde julho daquele ano. (SCHMIDT, 2008, p.97) Jorge Hamilton Sampaio corrobora esta informação. Ele informa que a Junta Geral de Educação Cristã da I Região Eclesiástica protestou contra a decisão do Gabinete Geral por meio de uma carta circular em defesa dos seus acadêmicos, reconhecendo publicamente que eles eram “nobres, dignos e de conduta exemplar”. O organismo eclesial justificou o uso de uma carta circular porque, “uma vez que o Gabinete Geral estabeleceu censura no Expositor Cristão, este era o caminho mais viável para divulgar suas posições” (SAMPAIO, 1998, p.144).
Ainda assim, é possível perceber o clima de tensão nas duas edições que antecedem o Concílio Geral Extraordinário, realizado em Piracicaba, de 6 a 8 de setembro. A edição de 15 de agosto de 1968 traz editorial baseado no texto bíblico de I João 2.14b: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno”. Pythagoras defende a participação dos jovens na Igreja: “É preciso confiar neles, na riqueza profética que podem comunicar suas intuições e aspirações, e também no novo caudal que trazem para a vida da civilização humana” (p.3). E a página 8 traz um outro comunicado oficial:
O Grupo de Trabalho encarregado pelo Colégio dos Bispos de estudar a posição da IMB diante do movimento ecumênico, com vistas ao Concílio Geral Extraordinário, reuniu-se nos dias 27 e 28 de julho no Instituto Metodista, reflexionou sobre os seguintes tópicos que crê ser de validade para o conhecimento da IMB:
I – Considerando que o artigo 144 nº 3 dos Cânones da IMB atribue (sic) à Comissão Geral de Ecumenismo a tarefa de “cuidar dos interesses da igreja com respeito às atividades ecumênicas” o grupo de trabalho pôs em dúvida sua função canônica;
II – Como membros da IMB, em atenção ao Colégio dos Bispos, formulamos objetivamente as preocupações da IMB, sobre o movimento ecumênico, dando ciência dessas apreensões ao Colégio dos Bispos e à Comissão Geral de Ecumenismo.
NOTA DA REDAÇÃO: este grupo de trabalho, com a presença de Anivaldo Pereira Padilha, Raquel Corrêa Ferreira, Denise Flores Meneghetti, Pythagoras D. da Silva, James W. Goodwin, Clóvis Pinto Coelho, Carlos Otaviano Pereira Simões, Waldir Perez Marins, Antônio Gomes, Acidy Martins de Castro, Lineide Salvador Mosca, Adahyr Cruz e Onésimo de Oliveira Cardoso, sob a presidência do Revmo. Bispo Wilbur K Smith, esteve reunido nos dias 27 e 28 de julho p.p. (EC: 15.08.1968, p.8)
O grupo de trabalho convocado para estudar a questão ecumênica questionava sua própria validade, uma vez que já existia, por designação conciliar, uma Comissão Geral de Ecumenismo. Questionamento semelhante fez Otília Chaves, que havia sido delegada do Concílio Geral. Ela põe em dúvida a validade de um Concílio Extraordinário para tratar de questões que deveriam ser da competência de estruturas eclesiais criadas especificamente para tratar de instituições de ensino e formação pastoral. Sua manifestação (longa, ocupando as páginas 2 e 11) foi publicada na seção de Cartas à Redação. No seu entender, diz Otília, a convocação deste Concílio não encontrava apoio na legislação canônica:
Na qualidade de delegada ao Concílio Geral de 1965 e, por isso, provável delegada a um Concilio Geral Extraordinário que se realize entre aquele e o próximo C.G. ordinário, deixo aqui consignada a minha opinião contrária ao processo que tem sido usado pela alta administração da Igreja no trato deste delicado assunto, lançando à execração pública a instituição chave no preparo dos obreiros para a evangelização de nossa Pátria, a qual se dá, repetidamente, o epíteto de “menina dos olhos da igreja”. O traumatismo que esta questão está trazendo sobre a obra de Cristo em nossa terra é capaz de fazer cessar para sempre a função da Igreja Metodista no Brasil. Não desejaria descer ao túmulo com a responsabilidade conivente nesta obra de destruição da causa pela qual tenho dado o melhor de minha vida.
Peço aos prezados Bispos e membros do/Gabinete Geral que me perdoem a ousadia de manifestar-me com tanta franquesa (sic), talvez rude, neste transe doloroso, mas não é do meu feitio comentar os problemas da Igreja senão com quem de direito. Tenho-me abstido de emitir opinião sobre o assunto com pessoas que me têm argüido, por isto me sinto livre para expor minha opinião perante vós, pais espirituais da I.M.do Brasil e seus representantes máximos perante o mundo. Deus vos guarde e a todos nós ilumine (...)
Os itens mencionados na agenda não justificam a convocação de um C.G. Extraordinário, pois encerram matéria que pode e deve ser resolvida por órgãos criados pelo Concílio Geral, tais como: Conselho Diretor da Faculdade de Teologia, ou Junta Geral de Ed.Cristã, ou pela Comissão Geral de Ecumenismo, ou pelo Colégio dos Bispos, ou pelo Gabinete Geral em ultima instância.(...) Quanto à posição ecumênica da Igreja Metodista do Brasil, é matéria afeta à Com. Geral de Ecumenismo. Antes do pronunciamento desta Comissão, nenhum outro órgão eclesiástico pode assumir suas prerrogativas, senão no caso previsto de intervenção do Colégio dos Bispos. Não se justifica, pois a inclusão deste item na agenda de um Concilio Geral Extraordinário. (EC: 01.09.1968, p.2 e 11)
Segundo Schmidt (2008, p.99), muitos dos participantes do Concílio eram contrários à proposta de Otília Chaves. Alípio da Silva Lavoura, um dos antigos líderes do Esquema e futuro Bispo da III Região, propôs que a proposta de Otília Chaves ficasse sobre a mesa. “E foi ali que ela ficou durante todo o restante do Concílio, não sendo sequer votada”.
A cobertura do II Concílio Geral Extraordinário é publicada na edição de 15 de outubro. O texto é do pastor Omir Andrade, na qualidade de repórter. Trata-se de uma cobertura discreta. Andrade informa que foi eleito um novo Conselho Diretor para a Faculdade e que o trabalho da Comissão de Ecumenismo fora encaminhado ao Gabinete Geral, uma vez que não houvera tempo para deliberações sobre o assunto. Mas o jornal daquela edição dedica outras páginas a comentários, inclusive a uma manifestação de jovens presentes ao Concílio:
(...) Fomos a Piracicaba procurando o encontro com o grupo dirigente de nossa Igreja... Levamos conosco uma posição firmada, a saber: o reconhecimento da divisão de mentalidades em nossa Igreja; a necessidade de o Concílio agir biblicamente, com sentido de conciliação (...) Dentro de uma metodologia cristã, o Concílio deveria não resolver a crise (a crise não é uma desgraça, é uma oportunidade), mas sim estudar profundamente os fatos determinantes da crise e abrir mais o diálogo para que as futuras soluções fossem mais verdadeiras. E o que vimos neste concílio? Vimos de um lado uma minoria de delegados regionais dispostos a uma aproximação, a uma abertura para debate (...) De outro lado, um grupo de delegados oportunistas e mais os que temem uma renovação da Igreja Metodista, agindo premeditadamente no sentido de influenciar um 3° grupo, o maior em representação através da mistificação da verdade. Exemplo, o Concílio Geral, convocado para analisar foi assaltado no seu início por um documento assinado por 58 conciliares ratificando a priori, todas as decisões tomadas pelo Gabinete Geral, anteriormente à convocação do Concílio. Falamos em mistificação da verdade porque, a partir do contato que mantivemos com vários delegados que assinaram aquêle documento, percebemos que êles estavam completamente desinformados. Assinam: Anivaldo Padilha, Oldair Meneghetti, Anete Figueiredo, Flávio Fróes, Luis Roberto Alves. (EC: 15.11.1968, p.4)
Anivaldo Padilha, um dos signatários do manifesto dos jovens, seria preso em 28 de fevereiro de 1970 A acusação era de que ele era membro da “organização subversiva” AP (Ação Popular), movimento ligado à esquerda católica. Padilha foi torturado durante três meses e ficou outros seis incomunicável na OBAN (Operação Bandeirante, centro de investigações montado pelo Exército Brasileiro). Depois de quase um ano, foi libertado por falta de provas. Partiu para o exílio, só retornando com a anistia em 1979 (cf. SCHMIDT, 2008, p.124-125). Em palestra proferida na Coordenadoria Ecumênica de Serviço, CESE, Padilha fala deste período:
Além de enfrentar repressão interna nas igrejas, esse envolvimento levou muitos jovens a sofrer também a repressão da ditadura. Prisão, torturas, assassinatos, desaparecimento foram a constante para muitos jovens da nossa geração, católicos e protestantes e também não cristãos. Eu só vou dar uma informação para vocês: eu e Eliana (Eliana Rollemberg, atual Diretora Executiva da CESE) fomos presos juntos. Nós fomos presos em São Paulo. Estou dando este testemunho pessoal, porque eu quero mencionar um fato doloroso, mas que é importante ser tornado público. Nós dois fomos presos, logo em seguida mais dois jovens da Igreja Metodista também foram presos. Fomos denunciados por um membro da igreja. Durante uma das sessões de tortura em que eu estava sendo interrogado, os torturadores queriam me forçar a confessar que eu era