III. Les outils de la recherche et la collecte des données
1. Des objectifs au questionnaire
Segundo a Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa – CONEP (BRASIL, 2013f) para esta pesquisa não foi necessário o uso do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) em virtude de se trabalhar com dados secundários, e desta forma, não houve contato com os participantes, de forma direta ou indireta.
Região Buscou conhecer a
região de residência Qualitativa nominal 1. Sudeste 2. Sul 3. Centro Oeste 4. Nordeste 5. Norte Situação de moradia/Zona Buscou conhecer a situação de moradia Qualitativa nominal 1. Urbano 2. Rural
No entanto, a PNS teve aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, sob o número 328.159 de 26 de junho de 2013 e Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº: 10853812.7.0000.0008 e todos os indivíduos entrevistados foram esclarecidos, consultados e aceitaram participar da pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 PRIMEIRO ARTIGO
O primeiro artigo apresentado está intitulado como: SCREENING PROSTATE CANCER BY DIGITAL RECTAL EXAMINATION IN BRAZILIAN MEN.
Title page
SCREENING PROSTATE CANCER BY DIGITAL RECTAL EXAMINATION IN BRAZILIAN MEN
Samara Carollyne Mafra Soares1, DSc. in Public Health;
Marianna de Camargo Cancela2, PhD. in Public Health;
Arn Migowski3, PhD. in Public Health;
Dyego Leandro Bezerra de Souza4*#a, PhD. in Public Health.
1Public Health Pos graduate Program, Federal University of Rio Grande do Norte, Natal, Rio
Grande do Norte, Brazil; [email protected]
2 Population Research Division, Brazilian National Cancer Institute (INCA), Rio de Janeiro,
Brazil; [email protected]
3 Cancer Early Detection Division, Brazilian National Cancer Institute (INCA), Rio de
Janeiro, Brazil; [email protected]
4Department of Public Health, Federal University of Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande
do Norte, Brazil;[email protected]
*Corresponding author: Dyego Leandro Bezerra de Souza*: [email protected]
#a Current Address: Universidade Federal do Rio Grande do Norte / Federal University of Rio
Collective Health. Avenida Senador Salgado Filho 1787, CEP: 59010-000 Lagoa Nova, Natal- RN, Brazil. Telephone/fax: +55 84 3215-4133. Cell phone: +55 84 98892- 8448
Category of the manuscript: CANCER EPIDEMIOLOGY ABSTRACT
Background:Prostate cancer is the most incident type of cancer in Brazil, and also the most prevalent. This high magnitude is partly explained by overdiagnosis associated with the practice of screening via digital rectal examination (DRE) and/or prostate-specific antigen (PSA). The study aimed identify the prevalence and the associated factors for DRE in Brazilian men. This is one of the few studies that evaluates this practice in low- and middle- income countries. Methods:The most recent database of the Brazilian National Health Survey (PNS 2013) was utilized. A population-based surveyselected men over the age of 40, and those who presented prostate cancer diagnosis were excluded from the study (totaling 13,625 individuals). Statistical analysis was carried out verifying prevalence ratios, with 95% confidence intervals and p values, through multivariate analysis with Poisson regression and robust variance. Results:The users of private health plans (63.3%; CI=60.5-66.0) presented higher prevalences for DRE practice then those who utilized the public health system (41.6%; CI=39.8-43.4). The results indicated a positive association between DRE and men with private health plans, within the age group 60-69, living with a spouse, who have never smoked, and that reside in urban zones. For the men who utilize public health services, this positive association occurred for the age group 70-79, who live with a spouse, with a bad/very bad health self-perception, who do not consume alcohol, ex-smokers, with undergraduate studies, presenting four or more comorbidities, and residing in urban zones. Conclusions:The findings point to a high prevalence of DRE practice in Brazil, especially in men with high life expectancy, healthier lifestyles and better access to health services.
Keywords: Excessive use of health products and services, Screening programs, Prostate neoplasms, Public Health.
RESUMO
O câncer de próstata é o câncer mais incidente no Brasil, sem considerar os cânceres de pele não-melanoma entre os homens no Brasil e também o mais prevalente. Esta grande magnitude é explicada em parte pelo sobrediagnóstico associado à prática de rastreamento com exame digital retal (EDR) e/ou antígeno prostático específico. A prática de rastreamento tem sido alvo de críticas de diversas recomendações brasileiras e internacionais, em virtude das incertezas sobre sua eficácia e dos riscos associados especialmente ao sobretratamento de cânceres detectados em homens assintomáticos. No entanto a prevalência do rastreamento do câncer de próstata no Brasil ainda não é conhecida. O presente estudo teve como objetivo identificar a prevalência e os fatores associados à realização do EDR em homens brasileiros com idade superior a 40 anos. Foi utilizada a base de dados da mais recente Pesquisa Nacional de Saúde do Brasil (PNS 2013). Para tabulação e análise estatística foi usado o software Stata® 14 verificando as Razões de Prevalência com respectivos Intervalos de Confiança de 95% e valores de p, através de análise multivariada com regressão de Poisson com variância robusta. Os usuários de planos de saúde privado (63,3%; IC=60,5-66,0) apresentaram maiores prevalências na realização do EDR do que os do sistema público de saúde (41,6%; IC=39,8- 43,4). Os resultados apresentaram associação positiva para o EDR em homens com planos privados com idade entre 60-69 anos, que vivem com cônjuges, que nunca fumaram, e domiciliados em zonas urbanas. Para os homens usuários do sistema público de saúde essa associação positiva com o EDR se deu para a faixa etária de 70-79 anos, que vivem com cônjuges, que possuem autopercepção de saúde ruim/ muito ruim, que não bebem, ex-fumantes, com nível universitário, que apresentaram 4 ou mais comorbidades, e domiciliados em zonas urbanas. Ainda para esse grupo houve associação negativa da realização do EDR para homens
que moram na região Norte do país. Os achados apontam para uma alta prevalência da prática de EDR no país, estando sua realização aumentada em homens com baixa expectativa de vida, hábitos de vida mais saudáveis e melhor acesso a serviços de saúde.
INTRODUÇÃO
As estimativas mundiais apontam o câncer de próstata (15%)como a segunda mais incidente neoplasia maligna entre homens, e responsável por 6,6% do número total de mortes por câncer nesse gênero1. Esse perfil epidemiológico, para os homens, se altera um pouco nas
regiões da América Latina, África, Estados Unidos e Caribe, em que o câncer de próstata aparece como o mais frequente, excetuando-se os casosde câncer de pele não melanoma2,3. No
Brasil, as estimativas para o biênio 2018-2019 indicam o câncer de próstata como o mais incidente entre os homens (31,7%)3. Em relação a mortalidade, no Brasil, analisada no período
de 2010-2014, o câncer de próstata (13,39%) ocupa o segundo lugar ficando atrás apenas do percentual ocupado pelo câncer de pulmão (14,20%)4.
O câncer de próstata é uma doença multifatorial e sabe-se que a idade é o fator de risco que se encontra mais bem estabelecido, sendo mais comum a partir de 65 anos 3. A
incidência aumenta em quase 8 vezes para a faixa etária de 60-80 anos quando comparada a faixa etária entre 40-60 anos5.Além da idade, o histórico familiar em parentes de primeiro grau
aumenta duas vezes a chance de desenvolver essa neoplasia quando comparado à população geral. Também são observadas maiores taxas de incidência e tumores mais agressivos entre negros, havendo a possibilidade da diferença entre negros e brancos estar mais relacionada à estilos de vida, condições socioeconômicas, fatores relacionados à detecção da doença e acesso à serviços de saúde3,6,7. Um estudo brasileiro restrito à pacientes com câncer de próstata
nutrição e o sedentarismo dão sinais de estarem associados ao maior risco de desenvolver o câncer de próstata, porém em revisão sistemática, tais fatores ainda não apresentam uma evidência científica no desenvolvimento e progresão da doença 9.De modo geral, o câncer é
uma doenca que tem prognóstico atrelado ao diagnóstico precoce e tratamento em estágios iniciais, e no caso particular do câncer de próstata, as medidas de detecção precoce mais largamente usadas são o rastreamento com dosagem de PSA (antígeno prostático específico) e com exame digital retal (EDR) 6,10,11.
Apesar da importância do diagnóstico precoce em pessoas que apresentam sinais iniciais da doença, o rastreamento de indivíduos assintomáticos com PSA e/ou EDR é extremamente controverso, embora muito disseminado na prática clínica. Isso ocorre em função da controvérsia sobre sua eficácia e da existência de riscos ligados aos resultados-falso- positivos, sobrediagnóstico e sobretratamento12-13. Para rastreamento com EDR não existem
sequer evidências conclusivas sobre eficácia e para PSA elas são controversas14.
Tradicionalmente, havia a dicotomia entre recomendações de sociedades de urologia, mais favoráveis ao rastreamento e grupos ligados à medicinal geral ou a saúde pública, mais contrários a essa prática. Há cerca de 5 anos as diretrizes começaram a se assemelhar mais, de forma que até mesmo as maiores sociedades de urologia do mundo não recomendam mais rastreamento de rotina com PSA ou EDR, sem que haja antes um processo de shared decision making abordando danos e possíveis benefícios, bem como valores e preferências15,16,17,18,19,20.
No Brasil também há essa tendência, de forma que as principais recomendações nacionais indicam que o rastreamento do câncer de próstata não deve ser feito sem um processo de shared decision makinganterior11,13,21. Embora a convergência de recomendações seja recente, a
primeira recomendação do INCA contrária ao rastreamento populacional foi lançada há 16 anos22. Essas orientações estão apoiadas nas evidências cientificas que não encontraram uma
falsos-positivos, de sobrediagnóstico e sobretratamento e suas sequelas. Além disso, o rastreamento ainda não indicou de forma inequívoca uma associação significativa na redução da mortalidade específica por câncer de próstata 10,12,13,14. Por ser uma doença heterogênea, em
alguns homens, mesmo com o tratamento na sua fase inicial, haverá progressão, enquanto outros irão conviver por anos com a doença não afetando suas vidas normais 10. Alguns ensaios
clínicos aleatórios apontaram que um tratamento definitivo entre pacientes mais jovens com doença de alto e médio risco apresenta benefício na sobrevida 23, porém esse possível benefício
pode ser fruto de vieses e há potencial efeito prejudicial sobre a qualidade de vida desses homens 24.
No cenário brasileiro a assistência à saude, e portanto o acesso a exames de rastreamento do câncer de prostata, se estabelece através do Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988, e que disponibiliza acesso universal e gratuito a toda a população (mais de 208 milhões de habitantes), além de um sistema privado de saúde, que consiste principalmente em planos de assistência à saúde com cobertura de 25% da população 25,26,27.
Mesmo diante dos riscos associados ao rastreamento do câncer de próstata nas populações assintomáticas, pouco se sabe em relação a essa prática na população brasileira 28.
Atualmente, diante das novas diretrizes contrárias ao rastreamento, faz-se mister verificar se as práticas médicas estão em consonância com tais recomendações, tanto na prestação do serviço de saúde público quanto privado. A Pesquisa Nacional em Saúde (PNS), realizada em 2013, no território brasileiro, fornece dados que podem identificar elementos relacionados às práticas de rastreamento do câncer de próstata, mais especificamente associados ao exame digital retal (EDR). O objetivo deste estudo é conhecer a prevalência do EDR e os fatores associados, na população masculina brasileira, acima de 40 anos, e identificar diferenças entre a prática pública e privada.
Trata-se de um estudo epidemiológico do tipo transversal utilizando dados da mais recente versão da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), um inquérito transversal quinquenal e representativo de toda a população adulta brasileira, realizado no ano de 2013, executada pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 29,30 .
A amostra da PNS foi de base domiciliar, com estratificação por conglomerados em três estágios: setores censitários (unidades primárias); famílias (segunda etapa) e habitantes adultos (terceira etapa) 3130.
O tamanho amostra foi de 81.254 domicílios, e 64.348 indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos. Ao final, 60.202 entrevistas foram realizadas, tendo em vista taxa de recusa de 2,7% (1.717 adultos) e 3.7% da ausência dos adultos selecionados (2.389) correspondendo a 93,6% da amostra 31. A PNS foi aprovada pelo Comitê Nacional de Ética em
Pesquisa (NREC) do Conselho Nacional de Saúde (NHC), Ministério da Saúde, número de aprovação n. ° 328.159 de 26 de junho de 2013.
Neste estudo foram selecionados homens acima de 40 anos de idade e foram excluídos os que tiverem ou tinham diagnóstico de câncer de próstata, totalizando 13.625 indivíduos.
A prevalência da realização do exame digital retal com finalidade de rastreio foi calculada através da pergunta: “Quando foi a última vez que o senhor fez um exame físico/toque retal da próstata?”, sendo as respostas foram categorizadas em sim ou não, desconsiderando o tempo transcorrido do exame. Essa mesma pergunta foi utilizada para determinar o tempo transcorrido desde o último EDR. Como o objetivo do estudo é identificar diferenças entre a prática clínica pública e privada as análises foram estratificadas: realização de EDR com Plano de saúde e realização de EDR pelo Sistema Único de Saúde. A estimativa das prevalências (%) e os respectivos intervalos de confiança (95%) foram realizados de acordo com as seguintes variaveis independentes: Faixa etária (40-49 anos ;50-59 anos; 60-69 anos; 70-79 anos; igual
e acima de 80 anos), cor de pele autorrelatada (branca e não branca) , situação conjugal (sem cônjuge; com cônjuge), autopercepção de saúde (muitoboa/boa; regular; ruim/muito ruim), consumo de álcool (não bebe; moderado; excessivo), consumo de tabaco (nunca fumou; ex- fumante; fumante), condições econômicas pelo “Critério de Classificação Econômica Brasil 2010 (CCEB)” (A e B; C; D e E), nível de educacional (analfabeto, primário; secundário; universitário), ocupação (com ocupação; sem ocupação), multimorbidade (0;2; 3; 4 ou mais doenças crônicas ), regiões brasileiras (Sudeste; Sul; Centro-Oeste; Nordeste; Norte) e zona domiciliar (urbana; rural).
O CCEB 2010 possibilita a classificação em estratos sociais através da estimativa do poder de compra das pessoas32.
O conceito de multimorbidade, aqui utilizado, refere-se ao indivíduo que convive com duas ou mais doenças crônicas simultaneamente33,34. Usou-se como categorias a
quantidade de doenças crônicas coexistentes, associando-se assim ao grau da multimorbidade. Para tabulação e análise estatística foi utilizado o software estatístico Stata® 14 com o comando para amostras complexas, verificando as Razões de Prevalência (RP) com respectivos Intervalos de Confiança de 95% (IC 95%) e valores de p>=0,05. Na análise multivariada empregou-se regressão de Poisson, com variância robusta.
RESULTADOS
A prevalência da realização do exame digital retal entre os homens usuários de serviços privados foi de 63,3% (IC=60,5-66,0) e nos homens usuário do SUS foi de 41,6% (IC=39,8-43,4). A análise descritiva mostrou que para todas as variáveis e todas as categorias as prevalências foram maiores para o grupo dos usuários de planos de saúde (Tabela 1). A proporção de homens nas três faixas etárias mais elevadas (60-69;70-79;80 ou mais anos) e o tempo transcorrido desde o último exame é bem parecido para todos os momentos analisados.
Adicionalmente em torno de 21,6% dos homens com idade entre 40-49 anos, 37,5% dos entre 50-59 e 45,3% dos entre 60-69 realizaram o EDR nos últimos 2 anos (Tabela 2).
Tabela 1. Prevalência (%), respectivos Intervalos de Confiança e estimativa do n populacional a partir da amostra complexa da realização do exame digital retal em homens brasileiros, com plano de saúde e pelo SUS, conforme as variáveis independentes, em 2013.
Privado Público
Variáveis Prev (%) IC (95%) n estimado pop Prev (%) IC
(95%) n estimado pop Faixa etária 40-49 38,1 (33,8-42,7) 1.405.763 23,2 (20,7-26,0) 1.948.036 50-59 66,5 (60,9-71,6) 2.460.502 44,2 (40,9-47,6) 3.368.704 60-69 86,1 (81,8-89,5) 1.632.061 56,3 (52,3-60,3) 2.597.727 70-79 87,2 (80,9-91,6) 883.170,10 63,5 (57,9-68,7) 1.597.197 80 87,1 (70,7-94,9) 486.952,40 53,7 (44,7-62,4) 493.567,30
Cor da pele autorrelatada
Branca 64,8 (61,3-68,1) 4.562.037 44,9 (42,0-47,8) 4.714.661 Não branca 60,5 (55,8-65,0) 2.306.411 39,0 (36,8-41,4) 5.290.570 Situação Conjugal Sem cônjuge 56,1 (50,3-61,7) 935.843,30 34,6 (31,7-37,7) 2.127.869 Com cônjuge 64,6 (61,4-67,6) 5.932.605 44,0 (42,0-46,1) 7.877.363 Autopercepção de saúde Muito boa/boa 61,2 (57,9-64,5) 4.865.342 35,8 (33,5-38,2) 4.485.569 Regular 68,5 (62,5-73,8) 1.752.565 47,1 (44,1-50,0) 4.359.475 Ruim/muito ruim 71,6 (55,6-83,5) 250.542,30 51,0 (46,1-55,8) 1.160.187 Consumo de álcool Não bebe 63,8 (60,2-67,3) 4.286.342 44,3 (42,2-46,4) 7.433.818 Moderado 63,4 (58,4-68,2) 2.077.424 39,2 (35,4-43,1) 1.924.645 Excessivo 58,2 (48,8-67,1) 504.683,40 27,4 (23,1-32,3) 646.768,60 Consumo de tabaco Nunca fumou 61,5 (57,9-65,0) 3.693.281 41,3 (38,8-44,0) 4.518.163 Ex-fumante 72,0 (66,9-76,5) 2.392.354 49,4 (46,2-52,6) 3.687.023 Fumante 51,2 (43,2-59,1) 782.812,70 31,8 (28,5-35,3) 1.800.046 Critério Brasil A e B 67,1 (62,3-71,5) 2.744.026 44,0 (39,3-48,9) 1.937.959
C 60,4 (55,6-65,0) 2.333.540 43,7 (40,8-46,6) 4.170.152 D e E 61,8 (56,7-66,5) 1.790.882 38,8 (36,3-40,9) 3.897.120 Nível Educacional Analfabeto 70,2 (57,9-80,2) 273.077,60 38,3 (34,7-42,1) 1.700.334 Primário 65,4 (60,1-70,4) 2.152.602 41,9 (39,6-44,3) 5.804.146 Secundário 57,0 (52,1-61,8) 1.944.312 41,6 (37,4-45,9) 1.864.492 Universitário 66,3 (61,3-71,0) 2.498.457 49,1 (42,3-56,0) 636258,9 Ocupação Com ocupação 57,7 (54,3-61,1) 4.442.582 36,1 (34,0-38,2) 5.552.262 Sem ocupação 76,7 (71,2-81,5) 2.425.866 51,4 (48,3-54,5) 4.452.969 Multimorbidade 0 ou 1 57,9 (54,6-61,2) 4.203.414 35,2 (33,2-37,3) 6.109.789 2 72,5 (65,3-78,6) 1.334.487 53,2 (48,8-57,5) 2.001.653 3 77,3 (68,4-84,3) 786.950,30 61,7 (55,1-67,8) 1.085.068 4 ou mais 73,5 (62,9-81,9) 543.597,40 68,3 (60,7-75,1) 808.721,10 Região brasileira Sudeste 63,7 (59,5-67,7) 3.985.687 46,4 (43,1-49,9) 4.446.176 Sul 66,2 (60,1-71,8) 1.252.068 41,1 (36,7-45,7) 1.452.174 Centro-oeste 62,9 (57,1-68,3) 512.759,40 45,5 (41,4-49,6) 775.189,50 Nordeste 60,9 (54,8-66,6) 926.761,90 37,1 (34,2-40,0) 2.715.986 Norte 52,5 (42,8-62,0) 191.171,70 32,1 (28,6-35,8) 615.705,50 Zona domiciliar Urbana 64,2 (61,3-67,0) 6.707.967 43,6 (41,4-45,7) 8.230.541 Rural 39,1 (30,1-48,9) 160.481,90 34,4 (31,7-37,1) 1.774.691
Tabela 2. Proporção de homens que realizaram o EDR, conforme faixas etárias e tempo transcorrido do último EDR, em 2013.
Menos de 1 ano 1a menos de 2 anos 2 a menos de 3 anos 3 anos ou mais atras Nunca fez Faixa etária Prop (%) IC(%) Prop (%) IC(%) Prop (%) IC(%) Prop (%) IC(%) Prop (%) IC(%)
40-49 11,9(10,1-13,9) 9,1(7,7-10,6) 3,6(2,8-4,6) 3,2(2,6-4,0) 72,2(69,9-74,5)) 50-59 22,3(19,8-25,0) 15,2(13,3-17,3) 6,0(4,9-7,4) 8,0(6,5-9,8) 48,5(45,6-51,4) 60-69 30,2(27,0-33,5) 15,1(12,9-17,5) 7,4(5,8-9,3) 12,4(10,4-14,7) 35,0(31,8-38,4) 70-79 26,0(22,0-30,4) 14,0(11,1-17,5) 6,6(4,7-9,2) 23,7(19,6-28,4) 29,8(25,7-34,2) 80 ou mais 21,4(15,8-28,4) 13,1(8,4-19,7) 5,1(3,0-8,6) 26,7(21,0-33,3) 33,7(26,7-41,6) Total 20,5(19,2-21,9) 12,8(12,0-13,9) 5,5(4,9-6,1) 9,6(8,6-10,6) 51,7(50,1-53,3)
A análise bivariada da realização do EDR em usuários de serviços privados mostrou que o EDR teve uma razão de prevalência bem aproximada nas três faixas etárias mais elevadas, sendo maior na faixa etária entre 70-79 anos (RP= 1,31; IC=1,19-1,45), e acima de 80 anos (RP=1,31; IC=1,12-1,54). Essa análise mostrou que tanto para os usuários de planos privados como em usuários do sistema público ocorreu uma associação positiva significativa estatisticamente entre a realização do EDR e a faixa etária de 70-79 anos (RP=1,31; RP=1,43, respectivamente privado e público), em ex-fumante (RP=1,40; RP=1,56), homens com 3 ou mais doenças crônicas (RP=1,34; RP= 1,94), homens que autopercebem a saúde como ruim/muito ruim (RP=1,17; RP=1,42), sem ocupação (RP=1,33; RP=1,43), morando com cônjuge (RP=1015; RP=1,27) e habitantes de zonas urbanas (RP=1,64; RP=1,27) (Tabela 3) .
Tabela 3. Análise bivariada e multivariada da realização do exame digital retal em homens brasileiros, com plano de saúde e pelo SUS, conforme as variáveis independentes, em 2013.
Privado Público
Variáveis RP IC (95%) Valor p RP ajustada IC
(95%) Valor p* RP IC (95%) Valor p* RP ajustada IC (95%) Valor p* Faixa etária 40-49 0,57(0,50-0,66) 0 0,57(0,50-0,66) 0 0,52(0,46-0,60) 0 0,54(0,47-0,62) 0 50-59 1 1.00 1 1 60-69 1,30(1,19-1,41) 1,32(1,21-1,43) 1,27(1,15-1,41) 1,22(1,10-1,35) 70-79 1,31(1,19-1,45) 1,31(1,19-1,45) 1,43(1,28-1,60) 1,34(1,20-1,49) 80 1,31(1,12-1,54) 1,30(1,12-1,52) 1,21(1,01-1,46) 1,31(1,09-1,57)
Cor da pele autorrelatada
Branca 1 0,149 - - 1 0 - - Não branca 0,93(0,85-1,02) - - 0,87(0,80-0,95) - - Situação Conjugal Sem cônjuge 1 0,014 1 0,006 1 0 1 Com cônjuge 1,15(1,03-1,29) 1,15(1,04-1,26) 1,27(1,15-1,40) 1,26(1,15-1,38) 0 Autopercepção de saúde Muito boa/boa 1 0,043 - - 1 0 1 Regular 1,12(1,01-1,23) - - 1,31(1,20-1,43) 1,13(1,04-1,23) 0,009 Ruim/muito ruim 1,17(0,95-1,44) - - 1,42(1,27-1,60) 1,25(1,11-1,42)
Consumo de álcool Não bebe 1,10(0,93-1,29) 0,548 - - 1,61(1,35-1,92) 0 1,29(1,09-1,54) 0,016 Moderado 1,09(0,91-1,30) - - 1,43(1,18-1,73) 1,26(1,05-1,52) Excessivo 1 - - 1 1 Consumo de tabaco Nunca fumou 1,20(1,02-1,42) 0 1,24(1,07-1,44) 0,014 1,30(1,15-1,47) 0 1,23(1,10-1,38) 0 Ex-fumante 1,40(1,18-1,67) 1,20(1,03-1,40) 1,56(1,38-1,76) 1,27(1,13-1,42) Fumante 1 1 1 1 Critério Brasil A e B 1 0,107 - - 1 0,016 - C 0,90(0,81-1,00) - - 0,99(0,88-1,12) - D e E 0,92(0,83-1,02) - - 0,88(0,77-0,99) - Nível Educacional Analfabeto 1 0,019 - - 1 0,044 1 Primário 0,93(0,78-1,11) - - 1,09(0,98-1,22) 1,17(1,05-1,31) 0 Secundário 0,81(0,68-0,97) - - 1,09(0,94-1,25) 1,35(1,18-1,55) Universitário 0,94(0,79-1,13) - - 1,28(1,08-1,52) 1,67(1,42-1,97) Ocupação Com ocupação 1 0 - 1 0 - Sem ocupação 1,33(1,21-1,46) - 1,43(1,32-1,54) - Multimorbidade 0 1 0 - 1 0 1 2 1,25(1,13-1,38) - 1,51(1,37-1,67) 1,24(1,13-1,37) 0 3 1,34(1,19-1,50) - 1,75(1,55-1,98) 1,32(1,16-1,51)
4 ou mais 1,27(1,10-1,47) - 1,94(1,72-2,19) 1,38(1,23-1,56) Região brasileira Sudeste 1 0,247 - 1 0 1 Sul 1,04(0,93-1,16) - 0,89(0,78-1,01) 0,89(0,79-1,01) 0 Centro-oeste 0,99(0,88-1,10) - 0,98(0,87-1,10) 1,06(0,95-1,18) Nordeste 0,96(0,85-1,07) - 0,80(0,72-0,89) 0,88(0,79-0,97) Norte 0,82(0,68-1,00) - 0,69(0,60-0,79) 0,78(0,69-0,89) Zona domiciliar Urbana 1,64(1,28-2,10) 0 1,68(1,35-2,10) 0 1,27(1,15-1,39) 0 1,15(1,05-1,25) 0,004 Rural 1 1 1 1
Na análise bivariada da realização do EDR para homens usuários do serviço público de saúde, ocorreu tal associação positiva também para homens que não bebem (RP=1,61), e com maior nível de escolaridade (universitários) (RP=1,28). E uma associação negativa significativa estatisticamente para homens não brancos (RP=0,87), pertencentes as classes sociais D/E (RP=0,88), e moradores da região Norte do país (RP=0,69) havendo maior razão de prevalência do exame na faixa etária de 70-79 anos (RP=1,43; IC=1,28-1,60), nos indivíduos que vivem com cônjuge (RP=1,27; IC=1,15-1,40).
Após análise multivariada para realização do EDR em homens com plano de saúde, as variáveis que apresentaram associação estatisticamente significativa (p<0,05) foram (Tabela 3): faixa etária, situação conjugal, consumo de tabaco e zona domiciliar. Para o grupo de homens usuários do sistema público a associação estatisticamente significativa (p<0,05)consolidou-se para as seguintes variáveis: faixa etária, situação conjugal, autopercepção de saúde, consumo de álcool, consumo de tabaco, nível educacional, multimorbidade, região brasileira, zona domiciliar.
DISCUSSÃO
Desde 2008, as diretrizes mundiais sobre o rastreamento do câncer de próstata vêm sofrendo atualizações constantes, e no Brasil, o Ministério da Saúde, juntamente com Instituições em países como EUA, Austrália, Canadá e Reino Unido, não recomendam a organização de programas de rastreamento universal para o câncer de próstata 12. Há evidências
científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata com PSA e/ou com EDR não gera benefício relevante que sobrepassem os eventuais danos 35,36. Ainda que o
rastreamento não diminui significativamente a mortalidade global e até mesmo sua eficácia na reduçãoda mortalidade por câncer de próstata ainda é controversa14.
O presente estudo se ateve à realização do EDR, através de informações autorrelatadas pelos sujeitos. Tem como ponto forte representar a população masculina do quinto país mais populoso so mundo, é o primeiro estudo a avaliar a prevalência de rastreamento de câncer de próstata em todo o Brasil e um dos poucos a avaliar essa prática em país de média ou baixa renda. Conhecer essa prevalência é fundamental tanto no sistema público quanto no serviço privado dado à grande disseminação desse rastreamento na prática clínica e aos possíveis danos à saúde e desperdício de recursos associados a ela.
A alta prevalência de EDR no presente inquérito deve subestimar a real magnitude do rastreamento do câncer de prostata no Brasil. Já é sabido na literartura que, desde final da década de 1980, o EDRpassou a ser complementado ou substituído pelo rastreamento e que