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5. La Ligue Malienne Contre l’Epilepsie (LMCE)

5.1. Les objectifs

119 Nossa investigação é de cunho qualitativo e foi conduzida através de estudo de caso. Segundo Ponte (1994):

“Um estudo de caso pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, uma instituição, um curso, uma disciplina, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Visa conhecer em profundidade o seu “como” e os seus “porquês”, evidenciando a sua unidade e a sua identidade próprias. É uma investigação que se assume como particularística, isto é, que se debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir a que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a compreensão global do fenômeno de interesse (p.4).”

Esta pesquisa apresenta características de estudo de caso por ter sido realizada em uma única escola, com o intuito de investigar o que é essencial e característico na prática discursiva e educativa de uma professora de ciências quando são abordadas questões ligadas a Educação Alimentar. Para tanto as aulas videogravadas e transcritas juntamente com a entrevista semi-estruturada (RICHARDSON e PERES, 1999) realizada com a professora constituem o corpus de nossa análise. Adicionalmente, tomamos as concepções de discurso (BAKHTIN, 2000; FOUCAULT, 2002; FOUCAULT, 2008), de sequências textuais (ADAM, 1992, ADAM, 2009a, ADAM, 2009b, ADAM, 2009c), bem como, a noção de formação e prática discursivas (FOUCAULT, 2002), como elementos para analisar o discurso sobre Educação Alimentar presente nessas aulas.

Investigamos o discurso sobre as questões alimentares adotando como unidade o enunciado e as relações entre eles, o que implica dizer que assumimos o desafio de interpretar o dito no limite que o separa do que não está dito (FOUCAULT, 2002), evitando interpretações livres, buscando os sentidos que emergem dos (re)arranjos enunciativos contidos nos discurso analisados, buscando também revelar como as sequencialidades argumentativas aparecem no discurso sobre alimentação, bem como, qual(is) prática(s) discursiva(s) é(são) construída(s) na sala de aula sobre a referida temática.

O corpus construído a partir das transcrições de interações discursivas entre professoras e seus alunos (anexo 7), foi organizado em turnos delimitados pela alternância

120 de falas dos sujeitos constituintes do discurso. Para a seleção do corpus a ser investigado realizamos uma análise nas transcrições das aulas. Buscamos selecionar uma professora tomando o mapeamento das sequências textuais presentes nas aulas registradas como critério e assim identificar em que proporção as sequências textuais encontradas referiam- se aos conteúdos de educação alimentar, como podemos ver a seguir (tabela 1).

Observando a distribuição das sequências textuais nas aulas de ambas as docentes é possível identificar nas aulas da professora 1 que do total de 220 sequências sobre conteúdos diversos (científicos ou não científicos) apenas em 49 delas (22,3%) se faz referência as questões ligadas a alimentação e nutrição, isto é, 77,7% dessas sequências destinam-se a outros conteúdos de biologia ou, até mesmo, ao gerenciamento de comportamento discente ou de atividades promovidas pela referida professora. No que se tange à professora 2, percebemos um comportamento diferenciado, uma vez que das 276 sequências identificadas, em 181 (65,6%) é feita referência aos conteúdos de educação alimentar, o que implica dizer que há um maior tempo pedagógico destinado a discussão do tema nas aulas da professora 2 (doravante professora Laura) o que torna o discurso produzido em suas aulas mais apropriado para a nossa análise. Por tal razão, analisamos apenas o discurso da Professora Laura. A referida distribuição dos conteúdos contemplados pelas sequências presentes nas aulas de ambas as professoras ─ e que justificam a escolha da professora 2 ─ pode ser vista também na ilustração que se segue (gráfico 1):

Sequências referentes aos Conteúdos Gerais (C.G.)

Sequências referentes aos Conteúdos Biológicos (C.B.)

Sequências referentes aos Conteúdos de Educação Alimentar (C.E.A.) A1 A2 A3 A4 Total A1 A2 A3 A4 T A1 A2 A3 A4 Total Profa. 1 97 56 28 39 220 72 36 19 28 155 25 9 4 11 49 Profa. 2 83 57 72 64 276 82 53 44 57 236 53 43 43 42 181

Tabela 1: Relação entre as sequências textuais e os conteúdos de aprendizagem abordados nas aulas das

121

4.1-Resultados e Discussões

O corpus a ser apresentado e analisado nessa sessão resulta de: (i) videogravações de quatro encontros com duração de 3h/a cada, totalizando 04h56min59s (04:56:59) e (ii) entrevista realizada com a professora, cuja duração foi de 25min08s (25:08). Desse modo, optamos por discutir os resultados nessa sequência.

Seguimos a sequência citada anteriormente e optamos por apresentar nossas discussões referentes ao corpus resultante da videogravação respeitando a ordem dos encontros (também nomeado aulas) sobre alimentação. Vale destacar que a codificação utilizada para o material transcrito é semelhante a desenvolvida por Marcuschi (1998) em sua análise conversacional, como podemos ver a seguir (quadro10):

Professor P

Aluno identificado A1, A2, ...

Aluno não identificado 1, 2... Ani1, Ani2...

Alunos vários Av

Pausa curta [.]

Pausa temporizada [h:m:s]

Fala interrompida pelo próprio sujeito (reformulação ou adendo à fala)

/

Fala interrompida por outro sujeito //

Comentários contextuais ( entre parentes )

Fala simultânea = entre igualdades =

Ênfase na fala Abcde (palavra) ou abcdef

(sílaba)

Aumento do volume da voz ABCDEF GHIJK.

Fala silábica A-be-ce-dá-rio (toda a

palavra) ou Abece-dá-rio (parte da palavra).

Suspensão de fala Abecedá-

0 100 200 300

Profa. 1

Profa. 2 Sequências relativas aos

C.E.A.

Sequências relativas aos C.B.

Sequências relativas aos C.G.

Gráfico 1: Dispersão dos conteúdos através das sequências textuais nas aulas das profa 1 e profs 2.

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Trecho inaudível -inaudível-

Quadro 10: Codificação utilizada na transcrição das aulas.

Assim, apresentamos nos tópicos que se seguem a descrição das aulas separadamente e análise dos seus respectivos argumentos, procurando ao final de cada uma sintetizar pontos importantes e fazer links com elementos presentes nas aulas anteriores.

4.1.1.- Primeira Aula: a importância das informações contidas nas embalagens para

escolhas alimentares mais adequadas as necessidades do individuo

Em seu primeiro encontro com a turma, cujo tempo de duração foi de 01h24min14s (01:24:14), a professora Laura buscou trabalhar conteúdos como a composição dos alimentos (proteínas, carboidratos, lipídeos), exemplos e funções dos nutrientes, consequências de algumas carências nutricionais, as substâncias estabilizadoras dos alimentos industrializados e a escolha crítica e consciente para um consumo alimentar de qualidade. Nesta oportunidade a turma contava com a presença de 14 de um total de 18 alunos, sendo a maioria do sexo feminino (11 alunas). A professora inicia a aula informando que o conteúdo a ser visto naquele encontro tem relação com o que já vinha sendo discutido com eles em outros momentos, como também seguirá em certa medida o roteiro contido no texto entregue a eles anteriormente, destacando ainda que muitas coisas que fazem parte da nossa alimentação não necessariamente são consideradas nutrientes.

Em seguida Laura redistribui aleatoriamente entre os alunos embalagens de alimentos consumidos e trazidos por eles, caracterizando a observação a ser realizada com estas embalagens como uma atividade individual, porém dialogada com a professora e os demais colegas. Laura destaca que a compra de um produto é muitas vezes condicionada pelo aspecto visual da embalagem (cores, desenhos, estado de conservação) o que leva o consumidor a pagar mais caro pelo mesmo produto de marcas diferentes, minizando-se outros aspectos importantes de serem observados como a validade, a composição e valores nutricionais informados nelas.

A docente conduz a atividade buscando identificar os elementos apresentados nas embalagens dos produtos na medida em que registra no quadro os achados da turma e propõe a construção compartilhada de um mapa conceitual, o qual foi copiado pelos alunos no caderno. Ao término da aula Laura sugere a montagem de um cartaz com as embalagens trazidas pelos alunos e discutidas ao longo da aula, o que mobiliza apenas cinco alunas.

Na busca por responder ao primeiro objetivo específico do nosso estudo, qual seja – identificar as sequências textuais mais recorrentes nas aulas de ciências que versam sobre

123 educação alimentar – mapeamos as sequências textuais presentes nessa aula, o que nos possibilitou a construção da tabela (tabela 2) a seguir:

SEQUÊNCIAS Conteúdos Gerais Conteúdos Biológicos Conteúdos de Educação Alimentar Demais Conteúdos 1º. Injuntiva 26 26 10 16 2º. Explicativa 16 16 15 1 3º. Narrativa 12 12 9 3 4º. Argumentativa 11 10 10 ─ 5º. Descritiva 8 8 5 3 6º. Preditiva 8 8 2 6 Total 81 80 51 29

Tomando inicialmente os conteúdos gerais contemplados na aula — os quais incluem desde o gerenciamento de tempo, de comportamento discente e da atividade promovida pela docente até os conteúdos biológicos pertinentes a abordagem do tema — é possível observar que as sequências mais recorrentes são a injuntiva com 32% das sequencialidades, a explicativa como 19,8% e a narrativa com 14,8%, seguida de perto pela sequência argumentativa com 13,6%. Vale ressaltar que essa ordem sofre alterações quando nos referimos especificamente aos conteúdos da educação alimentar, revelando a explicação como mais recorrente das sequencialidades com 18,5%, a injuntiva e a argumentativa se igualam com 12,4%, seguidas de perto pela narrativa que representou 11,1% das ocorrências nesse primeiro encontro.

Acreditamos que a redistribuição das sequências se deveu a natureza da aula, que privilegiou a atividade de observação das embalagens e a busca por identificar seus nutrientes. Assim ao tratar da identificação de compostos nutritivos e ingredientes contidos nas embalagens, a sequencialidade explicativa receber maior destaque na medida em que a professora percebe a necessidade de esclarecer conceitos (54:23-55:06) e processos (12:49- 13:09) ligados as questões alimentares, como podemos ver nas falas a seguir:

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

54:23 253 Profa. (...) o sódio é fundamental pra nossas ligações neurológicas né? Nossas sinapses. O ferro faz parte da nossa condução de oxigênio porque tá lá nas nossas hemácias. Então, se a gente tiver ferro é necessário, né? E fósforo nesse momento eu não me lembro exatamente qual é a indicação dele. Vitaminas, tem uma série delas, tá? Aqui tem complexo B que aí a gente vê B3, B12, B1, B2, B6, B5 e outras Bês que existem, tem vitamina D, vitamina C aí a agente ainda vai ver vitamina E, vitamina A se for

fundamentais pra as nossas, né, realizações das nossas funções orgânicas. Esses dois ácidos eu prometo pra vocês descobrir qual é a função deles que nesse momento eu não me lembro e na grande

124 maioria das vezes isso aqui não adianta de coisa nenhuma e só traz prejuízo, certo? Geralmente, libera o que a gente chama de radicais livres, né? São substâncias que não são do bem, são tóxicas. Todos os estabilizantes eles estão ali pra poder fazer com que o alimento [.] seja conservado, né (...) Então, estabilizantes, aromatizantes, os corantes e aí bicarbonato de amônia que também num adianta de nada é só pra manter estável mesmo pra que o alimento não estrague, né? Pra que ele tenha maior prazo de validade, quanto maior o prazo de validade mais eu posso cobrar [.] em cima daquilo, certo?! (...)

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

12:49 15 Profa. (...) E aí furou, pode ter contaminação de microrganismos, pode ser contaminação de insetos, as vezes o feijão vai pra nossa casa com aqueles carunchozinhos que são uns insetos pequenininhos que se alimentam do amido do feijão, né? Ele entra e fica comendo o feijão aí eu sou obrigada a catar e tirar o feijão ruim, quando eu tiro, quando eu cato e tiro o feijão que tá estragado, eu tô perdendo. Se eu gastei, comprei e comprei uma coisa estragada é porque eu não observei na hora da compra, tá? Tá claro isso? Ok? (...)

Para manter os alunos envolvidos na atividade a professora faz grande uso de injunções no sentido de estimular os alunos a falarem quais nutrientes e ingredientes estavam contidos nas embalagens que tinham em suas mãos (19:49-20:04), bem como, busca orientá-los a consumirem alimentos de modo mais conscientes, pensando na economia financeira que podem fazer e também como podem reduzir a quantidade de embalagens descartadas no ambiente (46:19-46:38), como podemos ver no extrato que se segue:

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

19:49 15 Profa. (...) Então vamos lá, quem tem carboidratos nos alimentos aí? Cadê o seu? Tem carboidrato no seu? Só tem uma embalagem com você?

19:55 16 Ani1 Eu tenho.

19:56 17 Profa. Hem?! Ah, tu não tá enxergando. Bora, quem tem carboidratos? Carboidratos [.] Tem carboidrato no seu?

20:03 18 Ani2 Tenho, aqui.

20:04 19 Profa. (Riso) carboidrato. Então, isso identifica que carboidratos têm na grande maioria dos alimentos e a gente pode identificar depois quem são- [2] car-boi-dratos ((escreve o nome carboidrato no quadro)), a gente identifica que tem na maioria. Então, bolachas, biscoitos (...)

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

46:19 253 Profa. (...) e aí todo dia você tira, compra um tupperware pequenininho pra ele. Coloca aqueles quatro biscoitos e faz com que ele leve e conscientiza ele de que a quantidade de embalagens que você Sequencialidade explicativa referente ao conceito de alguns minerais e substâncias conservadoras do alimento.

Sequencialidade explicativa referente ao processo de contaminação do feijão por inseto.

125 diminuiu é pra que ele também economize o meio ambiente, não jogando lixo todo dia fora (...)

Diante da tentativa de levar os alunos a compreenderem que o equilíbrio orgânico depende não só de boas escolhas alimentares, mas também de uma série de hábitos saudáveis de vida (04:10-05:34), bem como de mostrar a eles que todo consumo alimentar produz certa quantidade de lixo e que este pode ser reutilizado ou reciclado gerando renda e diminuindo o impacto ambiental (45:16-53:49), a professora se utilizada de sequências argumentativas que, neste último exemplo, é construída com a colaboração de outras sequencialidades, como a injunção, a narração e a descrição.

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

04:10 2 Profa. (...) pra manter o equilíbrio do nosso organismo (...) as nossas funções do dia a dia dependem principalmente da nossa

alimentação. Não da quantidade, mas da qualidade do alimento que a gente ingere, da quantidade de água, (...) boas noites de sono, não use de drogas, né, que a gente sabe que existe do tipo, sei lá, até drogas medicamentosas (...) é fundamental pra que a gente continue sobrevivendo é respirar bem, uma boa qualidade de ar, uma boa qualidade de água e uma boa qualidade de nutrientes, certo?!(...)

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

45:16 253 Profa. │(Argumentação): Ô/ não, isso aqui tudinho é pra gente chamar

atenção né de que dentro do nosso consumo de alimentos, nas nossas compras diárias a gente tem que prestar atenção no que tá comprando e saber o que é que tem a partir da composição do alimento e dos ingredientes que estão dentro desses alimentos, então a gente já identificou como é a embalagem, data de validade do produto, se eu vou comprar uma merenda pra meu filho e eu sei que ele vai comer aqueles biscoitinhos, sei lá, três vezes na semana, duas vezes na semana não precisa gente comprar o biscoito embaladinho um por um, né? Quando a gente faz isso o que é que a gente tá gerando pro meio ambiente? [.] Mais lixo, né? Então, se tiver uma embalagem maior / vamos dizer o menino come todo dia quatro biscoitos e os biscoitos já vem embaladinho. Os quatro, aquele montinho assim, mas eu posso comprar uma embalagem que vem doze, a mesma coisa?│(Injunção): Então, compra a embalagem que vem doze, chega em casa, se for o caso vai abrir, coloca num tupperware, fecha direitinho, com certeza na vai estragar, numa semana aquilo ali não vai ficar mole, num vai se estragar pra ser jogado fora e aí todo dia você tira, compra um tupperware pequenininho pra ele, coloca aqueles quatro biscoitos e faz com que ele leve e conscientiza ele de que [.] a quantidade de embalagens que você diminuiu é pra que ele também economize o meio ambiente não jogando lixo todo dia fora, │(Argumentação): se jogasse no lixo também tava ótimo né, que aí a gente vê jogado Sequencialidade injuntiva referente a orientação para o consumo consciente.

Sequencialidade argumentativa referente a adoção de um conjunto de ações para manutenção do equilíbrio orgânico.

126 pelo chão, a gente vê não valorizando/ nem o próprio dinheiro da mãe e do pai porque as vezes nem come os quatro biscoito que você colocou, se ele levar no tupperware ele leva, vamos dizer, leva quatro mas só comeu três volta um, como é que ele vai voltar naquela embalagem, no mínimo ele vai pegar o biscoito e jogar também no lixo junto com a embalagem, certo?! Então a gente tem que também [.] valorizar o nosso suorzinho né minha gente? Ninguém aqui trabalha/ nem trabalha de graça e o dinheiro que a gente recebe tem que ser valorizado. Então valorizado desde a hora da compra né, até o descarte disso, pra onde vai, certo?!

│(Narração): Eu tava dizendo aos meninos hoje, que passaram

tudo falando “eita Laura tais cheia de embalagem num sei o quê” isso aqui minha gente pode ser reutilizado pra uma série de coisas tá certo? Eu vi/ acho que eu falei com Denize o ano passado. Quem foi meu aluno no ano passado eu comentei isso? Eu vi umas bolsas de praia utilizando essas embalagens, o/ tu lembra disso?

│(Descrição): Então o quê que o cara faz, embalagens desse tipo

aqui, de/ que tem esse alumínio, né, que é resistente por dentro. Então você recorta os quadradinhos, quadradinhos pequeninhos, assim né, depois de recortados você fura, pode ser furado com aquele furador de papel, aí faz furinhos nos/no quadradinho depois de recortado/ eu vou mostrar. E aí pega cordão/ [.] o que eu vi era assim, ficou show de bola, o negócio, e aí você recorta, [.] né? [.] Precisa tempo, e aí também é um lance de ganhar um dinheirinho já que eu vou usar a embalagem mesmo né, vou usar o produto então vamos usar a embalagem então que é que ele fez, o cara lá, ele pegava os quadradinhos, [.] cortava todos eles do mesmo tamanho direitinho, né? Porque aqui eu tô cortando na doida / faz uns furinhos certo e depois costura um no outro, certo? Fazendo ponto de cruz e aí você vai unindo, aí você faz uma face, faz a outra face, faz as duas laterais e depois une todas, você faz tipo uma bolsa quadrada, aquela que as meninas tavam vendendo aqui. Pronto, igualzinha aquela só que a lateral você pode fazer mais larguinha mais estreita, bota um forrinho, faz uma alça e serve como bolsa de praia. [.] │(Explicação): Não estraga vai passar o resto da vida com você porque uma embalagem dessa ela leva mais de 200 anos pra se dissolver no meio ambiente. │(Argumentação): Então provavelmente a gente não vai viver 200 anos (riso) pra aproveitar da bolsa né, então essa já é uma dica pra gente fazer. Pode ser redonda ou pode ser quadradinho e fica super chique porque na loja que eu vi a bolsinha, lá custava oitenta reais, entendeu?! [.] Ok?! Então, não é que de repente/ [.] quanto mais você sofisticar melhor, bota um bom forro por dentro, bota um fechecler já dá uma melhorada na bolsa e aí/ [.] Ô/ na primeira vez que você usar “Eita, que massa, posso / Quem é que faz? ah é eu faço” e aí você já começa a ganhar uma grana com uma coisa que você ia jogar no lixo, certo?! [.] │(Narração): Aquele presente que Denize trouxe pra mim era todo de reciclado, de garrafa pet. Ela tava falando que essas garrafinhas também são recicladas, né? Você pode fazer um monte de coisa e aí na medida que a gente vai direcionando as nossas compras/ um amigo meu disse que eu adoro lixo. Eu gosto pra caramba de lixo mesmo, sabe? Saio catando. As vezes eu encontro umas coisas que nem eu acredito e aí eu fui pra uma casa de um amigo meu. Ele tava lá, tinha meio litro de vodka numa garrafa e tinha uma outra cheia, aí tome biritar e beber eu disse “ô as garrafas são minhas, né?” “Ai meu Deus do céu lá vem ela atrás de mim” Levei as garrafas cortei direitinho ajeitei, enchi de umas bolinhas coloridas, botei um galhinho de uma flor lá, artificial, aí uma amiga minha: “Ah eu também quero. Faz pra mim?

127 utilizando da sua criatividade você vai melhorando também a sua expressão, certo? Num é que de repente você vai usar daquilo pra vender, mas na medida que você faz você é criativo, você reutiliza o que você ia jogar fora o meio ambiente agradece, certo? (...)

Outra sequencialidade bastante utilizada pela professora, nessa aula, foi a narrativa através da qual resgata fatos ou momentos históricos para realizar comparações (54:53- 55:00), como também, relatar situações cotidianas reais ou possíveis de acontecer (29:42- 33:59) numa tentativa de contextualizar o tema.

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

54:53 253 Profa. (...) antigamente a gente não tinha isso (os estabilizantes), ou você comia [.] naturalmente ou não tinha geladeira. Ou comia naquela hora ou o alimento não se conservava. Então, a gente conservava no sal e hoje em dia não se conserva mais no sal, vai pra geladeira e outros já vêm com os aditivos dentro da própria embalagem, tá? Então, estabilizantes, aromatizantes, os corantes e aí bicarbonato de amônia que também num adianta de nada é só pra manter estável mesmo pra que o alimento não estrague, né? Pra que ele tenha maior prazo de validade, quanto maior o prazo de validade mais eu posso cobrar [.] em cima daquilo, certo?! (...)

TEMPO TURNO SUJEITO FALAS

29:42 153 Profa. (...) então eu chego no supermercado, levo meu biscoito, levo minha bolacha, levo o que eu quero que eu não tenho problema nenhum, não preciso tá me controlando. Eu preciso de uma alimentação equilibrada, mas não preciso tá controlando se tem açúcar, se não tem açúcar, se tem gordura, se não tem gordura. (...) Aí imagina uma pessoa que já tem um certo problema ainda chegar no