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Objectif : ameliorer la survie des cellules greffées

Dans le document Thérapie cellulaire myocardique (Page 127-143)

Em consequência das políticas expansionistas e colonizadoras da corte portuguesa, houve, desde o século XVI, uma especial atenção ao ensino de uma arquitectura vocacionada para a defesa militar, essencialmente no âmbito das fortificações. Às aulas de matemática de Pedro Nunes seguiu-se a Escola de Moços

Fidalgos do Paço da Ribeira orientada pelo mestre de obras das fortificações, António

Rodrigues, onde o ensino se consolidava nos referentes italianos de matriz clássica. No final do século, já sob domínio filipino, são criadas as primeiras aulas de arquitectura civil sob a orientação de Fillipo Terzi, que viria a substituir António Rodrigues, tendo exercido também o cargo máximo da arte de fortificar.

Numa época de difícil distinção entre as actividades de arquitecto e de engenheiro militar, que actuavam indistintamente nas duas áreas construtivas, porém de inovador e pioneiro espaço de ensino, sofre a nação portuguesa um revés com a transferência da dita aula para Madrid, tendo sido apenas restabelecido um novo espaço de ensino em território nacional após a restauração da independência, em 1640, com D. João IV a patrocinar os primeiros passos da Aula de Fortificação e

Arquitectura que viria a ser ministrada na Ribeira da Naus sob a direcção de Luís

Serrão Pimentel, primeiramente com o nome de Aula de Artilharia e Esquadria. A aula viria a ser conhecida mais tarde por Academia Militar, e teve como professor de matemática a partir de 1695 o engenheiro militar Manuel Azevedo Fortes.

De ampla e internacional formação, produziu Azevedo Fortes alguns textos da maior relevância, um deles para a cartografia nacional, de que falaremos mais à frente, outro para a consolidação da actividade do engenheiro, e a Lógica Racional, impressa em 1744, indispensável para o fortalecimento pátrio da filosofia moderna. Entre 1728 e 1729 é assim impressa na Oficina de Manoel Fernandes da Costa (Impressor do Santo Oficio) a famosa publicação O Engenheiro Portuguez, dividido em

dois tratados, (...) para os Engenheiros, e mais officiaes Militares.

No “Prologo ao Leitor” esclarece Fortes que a obra não foi escrita para “se dar ao publico”, mas sim, e primeiramente, para a sua própria instrução, passando depois a servir de “postila” para os seus alunos da Academia Militar. Esclarece que a matéria é “importantíssima” pois agrupa duas partes da matemática, as que são úteis para o

uso da vida, e as mais indispensáveis à “conservaçaõ do Estado”. Da primeira que compreende a geometria prática, tanto no papel como no terreno, diz não haver nada impresso em português, e da segunda, respeitante à “Fortificaçaõ, Offença, e Defença das Praças”, evidencia que temos pouco, ou nada215. Desse pouco ou nada

destaca o Methodo Lusitano de Luís Serrão Pimentel, num tempo em que “lograva grande credito, e reputaçaõ" o método de fortificar as praças à holandesa, influenciado por Goldman216, Freitag217, Dogen218, Marolois219, entre outros cujos

métodos caíram em desuso não sendo por isso mais aplicados. Refere ainda a tradução executada por Manuel da Maia (Fortificação Moderna), esclarecendo que, para além de não se encontrar mais disponível, “não hera methodo fixo, e determinado”, mas antes uma compilação de vários sendo por isso um contributo mais relevante para a “noticia historica”220 do que para a formação dos aprendizes da arte.

Sobre a sua obra diz não apresentar as falhas das suas antecessoras, pois a doutrina que segue nos dois tratados é a mais moderna, a que se praticava à data, e a ordem da sua exposição “he natural” e devidamente enquadrada, sendo exposta num “estilo familiar, e claro”. Os ingredientes de sucesso para uma publicação de serventia educativa. Consciente de que alguma da terminologia utilizada poderá ser de difícil compreensão, e claro entrave para “poder chegar ao perfeito conhecimento das Sciencias”, teve o cuidado de expor as suas significações, assim como de ilustrar as relativas à geometria e à fortificação que diz serem mais facilmente apreendidas “por figuras e por exemplos”, tendo procurado que “as figuras nas Estampas, ajudadas de exemplos conhecidos, dessem huma nova luz à materia, e a fizessem inteiramente perceptível.”221

215FORTES, Manuel Azevedo – O Engenheiro Portuguez (...). Tomo I. Lisboa: Officina

de Manoel Fernandes da Costa, 1728, Prólogo, pp., 1-3.

216 Nicolas Goldman [1623-1665], engenheiro francês, autor da obra La nouvelle fortification,

impressa em Leyden, no ano de 1645 na casa Elzevier

217 Adam Freitag [1608-1650], autor da Architectura militaris nova et aucta, oder Newe vermehrte

Fortification (...) impressa em Leyden, no ano de 1631 na casa Elzevier.

218 Matthias Dögen [1605/06-1672], escreveu Architectura militaris moderna variis historiis tam

veteribus quam novis confirmata et praecipuis totius Europae monumentis ad exemplum adductis exornata,

publicada em Amsterdão no ano de 1647, e a Architecturae militaris modernae Theoria et Praxis, um ano mais tarde, na mesma cidade.

219Samuel Marolois [1572-1627], matemático e engenheiro militar holandês, escreveu diversas

obras, algumas delas sobre perspectiva, e ainda a Fortification ou architecture militaire, tant offensive

que deffensive, publicada em Amsterdão, no ano 1648, por Jan Janssen.

220 FORTES, Manuel Azevedo – op. cit., Prólogo, p. 3.

O primeiro tratado, dedicado à Geometria Prática, útil aos “Medidores” e aos “Engenheiros que devem assistir às medições das obras de Fortificaçaõ, e examinar, se se fazem como convém ao Real serviço”222, é dividido em três partes (Livros), o

primeiro dedicado à Longimetria (medida das distâncias), o segundo à Planimetria (medidas das superfícies) e o terceiro à Stereometria (medida dos corpos).

O segundo é dividido em oito, repartido pelas várias áreas da fortificação, apresentado em primeiro lugar as definições desta “Sciencia”223 e os autores que sobre

ela escreveram, identificando, em seguida, aqueles em que se baseia o presente método, “Antonio de Ville”224, o “Conde de Pagan”225, e o “Mariscal de França,

Monsieur de Vauban”226, e ainda um autor anónimo que nestes três escritores se

baseou para a Fortificação que Azevedo Fortes tem como referente estrutural da sua obra.

Ciente de que as ilustrações são uma mais valia para a sua publicação, e um elemento essencial à aprendizagem da actividade do engenheiro, socorre-se de doze estampas no primeiro volume e vinte e duas no segundo para clarificar as matérias expostas ao longo das cerca de mil páginas de conteúdo escrito. Sobre estas diz que se encontram juntas no fim dos volumes a que pertencem, advertindo que “ainda que as que sahem fóra dos livros daõ maior facilidade para se obsevarem lendo, naõ [lhe] parecéo usar deste methodo, porque dele resulta sempre huma mà enquadernaçaõ”227, por vezes rasgando-se e perdendo-se as ditas estampas. Assim, e

apesar do seu formato exceder o dos livros, as estampas encontram-se à margem da lombada, socorrendo-se de algumas dobras, abdicando Fortes de uma medida de suporte maior que permitisse uma leitura acompanhada.

O tomo primeiro conta ainda com um retrato do autor em anterrosto, representado com a cruz de Cristo ao peito, em moldura oval com inscrição

[MANOEL DE AZEVEDO FORTES. ENGENHEIRO-MOR DO REINO] e epigrama

latino. Desenhado por Quillard [Quillard pixit.] foi aberto ao buril por Rochefort [de

222 Ibid. pp. 4-5. 223 Ibid., p. 7.

224 Antoine de Ville [1596-1657], engenheiro militar francês autor da obra Les Fortifications,

1628, e De la Charge des gouverneurs des places, 1639.

225 Blaise François [1604-1665], Conde de Pagan, autor de um famoso Traité des fortifications,

1645.

226 Sébastien Le Prestre [1633-1707], Marquês de Vauban.

227 FORTES, Manuel Azevedo – op. cit., Prólogo, p. 11.

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Rochefort Sculp. 1728] que assina ainda três das estampas228 que se encontram no final

do tomo. Michel Le Bouteux participa também na gravação das chapas, assinando a terceira [M. L. Bouteux Sculp.], e o português Paulo Farinha Lopes acusa participação em pelo menos três dos desenhos229.

O segundo tomo abre em anterrosto com uma representação da vila espanhola de Albuquerque da província de Badajoz, com três cavaleiros em primeiro plano [P. Carle, C.de das Galveas230e C.de de Villa Verde], numa clara alusão à conquista da

fortificação espanhola aquando da guerra da sucessão, que ficou sobre domínio português entre 1705 e 1715. Na execução das estampas que ilustram este tomo participaram Paulo Farinha Lopes, Peirre Ruffin, e Rochefort. Muitas das ilustrações dos dois volumes não se encontram assinadas, sendo previsível que os autores sejam os mesmos, não se encontrando, no entanto, uniformidade nas assinaturas dos seus executantes231, inclusivamente, e no caso de Paulo Farinha Lopes, na ortografia do

seu próprio nome, grafando Lopes ora com “s” ora com “z”.

De formato in quarto, com 21 centímetros de altura, utiliza vinhetas e capitulares xilogravadas para decoração do texto, num registo gráfico que destoa da elegância do traço e da gravação das trinta e seis estampas já referidas, exceptuando a dedicatória, onde são utilizadas vinheta e capitular abertas ao buril, da autoria de Rochefort.

Inocêncio avalia-a como uma “obra magistral, bem escripta e coordenada”, comparando-a com os melhores desta temática que se produziram na época pelas principais cidades europeias. Afirma ainda que, juntamente com a Lógica Racional, serviram durante muito tempo para a formação dos alunos da “eschola militar da engenharia: e essa circumstancia serve para explicar o motivo de aparecerem ainda muitos exemplares enquadernados com apuro notavel, e até as vezes com luxo.”232

228 Estampa 8 [Aberta por Rochefort 1728], estampa 9 [De Rochefort 1728. Lusitanorum] e

estampa 11 [Aberto por Pedro Rochefort Lisboa Occid.t 1728.].

229 Estampa 5 [Paulo Farinha Lopes f.], estampa 6 [Paulo Far.a Lopes f.] e estampa 10 [P.F.L.

f.].

230 Dinis de Melo e Castro [1624-1709], 1° Conde das Galveias [1691], durante a Guerra da

Sucessão de Espanha era governador das Armas do Alentejo tendo participado na conquista de Valência, Alcântara e Albuquerque. In AATT [Em linha], [Consul. 2013-05-12]

WWW:<URL: http://www.aatt.org/site/index.php?op=Nucleo&id=1550

231 Estampas 7, 9, 11, 17 e 20 [Paulo Farinha Lopez f. 1728], estampa 8 [Pierre Ruffin fecit.],

estampas 10, 12, 13, 14 e 15 [Paulo Farinha Lopes f. 1728], estampas 18 e 21 [De Rochefort fecit Lisboa 1728], estampa 19 [de Pedro Massart de Rochefort, Abridor del Rey, et D’Academie Real 1728.], estampa 22 [P.F.L. fecit 1729.].

232 SILVA, Innocencio Francisco da - op. cit., Tomo Quinto, p. 370.

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De facto, a obra do engenheiro-mor destacou-se ao longo dos últimos séculos como uma das melhores produções editoriais nacionais da primeira metade de Setecentos, sendo recorrente encontrá-la primorosamente encadernada233, atingindo

também por esse motivo valores avultados no mercado de livros raros.

Na ausência de produção teórica nacional, traduções, ou de convenientes cópias, por parte dos arquitectos (não engenheiros) destacam-se os militares (esses engenheiros e arquitectos) por uma dedicada e prolífera iniciativa que visava um bom suporte literário das aulas de fortificação, encontrando-se, por isso, para além de alguma relevante produção impressa, uma panóplia de vários manuscritos redigidos maioritariamente em Seiscentos e Setecentos, que espelham o investimento da classe.

Das iniciativas que chegaram aos prelos, destacamos ainda os seis volumes de

Architectura Militar traduzidos da obra italiana Dell’architecttura militare per le regie

scuole teoriche d’artiglieria (Turim, 1778) de Alessandro Papacino D’Antoni, traduzidos

pelo Capitão Matias José Dias Azedo234 e impressos pela Oficina de João António da

Silva em 1792; e o Tractado de Artilheria de John Muller235, traduzido por António

Teixeira Rebelo236 e impresso na mesma oficina em dois volumes nos anos de 1792 e

1793, respectivamente.

Na prefação do Autor, John Muller, é apontada a finalidade da obra como sendo fruto de uma necessidade de reformar a Artilharia, de forma a fazê-la chegar a um estado de “perfeiçaõ”, e não para “persuadir” o seu estudo. O tradutor afirma que a referida reforma “chegou logo á nossa Fundiçaõ”, tendo “a Artilharia mud[ado] de dimensoens.” A obra foi traduzida por ordem superior, servindo aos “Discipulos da Academia Militar, e aos mais camaradas da Artilharia”. Uma obra, diz o tradutor, “que tudo diz sobre a matéria, e o methodo para formar hum Official completo na [sua] profissão.”237

233 Também a Biblioteca Nacional de Portugal encadernou recentemente (no ano de 2007) a

inteira de pele um dos seus conjuntos, tendo este sido acondicionado em caixas especiais para a sua preservação, e microfilmado, não estando por isso fisicamente já disponível para consulta.

234 Matias José Dias Azedo [1758-1821], foi Tenente-general do exército e lente da Academia

Real de Fortificação.

235 Johann Wilhelm Christian Muller [1752-1814], religioso luterano, chegou a Portugal em

1772, tendo começado a trabalhar como tradutor em 1790.

236 António Teixeira Rebelo [1750-1825], fundador do Real Colégio Militar, Marechal de

Campo, Ministro e Secretário de Estado.

237 MULLER, John; AZEDO, Matias José Dias (trad.) - Tractado de Artilheria. Lisboa:

Officina de João Antonio da Sylva, 1792, Prefaçaõ, pp. i-ii.

A obra é profusamente ilustrada com interessantes estampas técnicas de variado material bélico, todas elas desdobráveis e assinadas por Lúcio [Lucius], remetidas para o final dos volumes, estampas 1 a 17 no primeiro e 18 a 29 no segundo. A obra conta ainda com três tabelas no primeiro volume, não assinadas, inclusas no texto.

A compor a página de rosto encontra-se uma estampa de página inteira, também gravada por Lúcio [Lucius sculps. Olissip. 1792], a ilustrar o manuseamento de variado equipamento bélico. As armas de Portugal, geralmente colocadas nos frontispícios, são aqui incluídas, reforçando, no actuar militar, a soberania da nação.

Da autoria do Engenheiro e Capitão de Infantaria António José Moreira sai do prelo de João António da Silva, em 1793, mais uma obra escrita por um professor para o ensino dos seus alunos, desta vez da Academia Real de Fortificação, Artilharia, e Desenho. Intitulada Regras de desenho para delineaçaõ das plantas, perfis e

perspectivas pertencentes á architectura militar e civil, foi elaborada para o

ensino do “desenho Militar”238 pela necessidade de “reduzir a regras elementares os

princípios do desenho” essenciais aos que se dedicam à “Arte Militar.”239

O autor, reforçando as precedentes lamentações de Manuel Azevedo Fortes, confirma a ausência de literatura portuguesa sobre esta matéria, para a qual o engenheiro-mor havia então contribuído com “algumas regras para o desenho Militar”, disponibilizando-se assim para facultar aos executantes da arte um manual que sistematizasse o conjunto de regras indispensáveis à correcta elaboração dos referidos desenhos240.

Na sua opinião, as plantas que se produziam na época, tanto por engenheiros como por oficiais militares, divergiam entre si nas centenárias regras convencionais, pelo que era sintomático a falta de um manual técnico que facilitasse a sua correcta utilização. Neste suporte literário que o autor hiperboliza de “Tratado”, disponibiliza ainda uma relação de instrumentos necessários ao desenho das plantas, instruindo sobre a sua correcta utilização, mas também sobre a sua manufactura, para que, “naquelas terras onde se naõ acharem”241, se possam construir os dispositivos

indispensáveis ao desenho técnico.

238 MOREIRA, Antonio Joze -Regras de desenho (...). Lisboa: Typografia de Joaõ Antonio

da Silva, 1793, Dedicatória p. 1. 239 Ibid., Prefação pp. 1-3. 240Ibid. 241 Ibid. |59|-|62| |63|

O texto é dividido em cinco capítulos e, para além das explanações sobre a construção e uso dos “instrumentos de Mathematica”242 necessários para o registo

gráfico, e dos utilizados sobre o terreno, apresenta ainda uma listagem de regras para a correcta cópia e redução de diversos tipos de desenhos. No quarto capítulo descreve o método para desenhar a “perspectiva Militar”, apresentando as respectivas regras aplicadas a plantas, cortes e alçados de edifícios diversos, e a tipologias várias de terrenos, apresentando ainda coordenadas para o desenho da “letra redonda”243,

semelhante à letra de impressão, para uma fácil interpretação dos títulos e legendas das plantas.

Por último, apresenta uma breve descrição das ordens arquitectónicas expondo as relações de proporção entre elas, seguindo as sólidas influências italianas do conjunto que compreende a Ordem Toscana, a Dórica, a Jónica, a Coríntia e a Compósita, apresentando igualmente as aplicações adequadas de cada uma, numa leitura transversal a várias obras de referência da qual Vignola parece destacar-se.

A utilização de estampas para ilustração do texto, num total de trinta, é claro reflexo de uma nova consciência que exige um estudo apoiado em registos visuais para uma correcta apreensão dos conteúdos expostos. O autor assim o atesta, afirmando que “a inspeçaõ das Estampas” que, juntamente com a leitura atenta do texto, “devem servir de guia para conseguir a perfeiçaõ no desenho”, e desta forma se “habilitarem os Discipulos desta Academia, para executar com acerto esta essencial parte dos seus estudos.”244

A publicação in octavo, num formato portátil e de fim claramente escolar, não permite um verdadeiro aproveitamento do grande investimento gráfico que fica remetido para o final da obra, gerando um amontoado de três dezenas de folhas incautamente dobradas. Um dos exemplares consultados245 apresenta as estampas em

plano, retiradas ao corpo da obra para formar um segundo volume, permitindo uma conservação, e observação, mais eficaz.

Das trinta gravuras abertas ao buril apenas duas estão assinadas, a 14 e a 21 [Q.rs], mas todas revelam um suficiente rigor gráfico e técnico para fazer destacar a

obra no panorama editorial. Para além de uma vinheta e de uma capitular de pouco 242 Ibid., Capítulo I, p. 1. 243 Ibid., Prefação p. 6. 244 Ibid., Prefação pp. 6-7. 245 BA FCG - Res DE10. |64|-|74|

interesse gráfico, utilizadas no início da obra, destacam-se alguns pequenos símbolos xilogravados a que o autor chama de “caracteres”, que os “quimicos, e naturalistas”246

atribuíram aos metais, para ilustrar uma tabela sobre o uso da linha247 dos mesmos.

Toda a obra revela uma clara vontade em expor visualmente os conteúdos apresentados, demonstrando uma grande inquietação com a correcta assimilação dos mesmos. Para o autor é de evidente urgência o fim da falta de sistematização do ensino destas matérias, e da consequente ausênica de uniformização nas plantas produzidas pelo reino.

Em 1796 é impresso na Regia Oficina Silviana a terceira parte de um

Compendio Militar da autoria do já referido Matias José Dias Azedo. Composto

tendo por base a “doutrina dos melhores Autores”248, servia as necessidades

pedagógicas da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, como era usual nas publicações desta temática no final do século.

O Sargento-mor de infantaria, membro do Real Corpo de Engenheiros e professor da referida escola, relata na sua prefação as diligências tomadas na preparação pedagógica das aulas, esclarecendo que haviam sido consultadas numerosas obras de forma a serem organizadas as matérias a leccionar, matérias essas que reuniam o que de melhor havia sido escrito pelos autores militares.

Foi neste contexto que a Arquitectura Militar de Alessandro D’Antoni, o autor “mais conhecido entre nós pelo seu exame sobre a polvora e pela sua Artilharia pratica”, foi publicado em português. Mas Dias Azedo aponta-lhe um estilo difuso, carregado de repetições e de preciosismos acessórios, que influía uma necessária reorganização e uma actualização de conteúdos. Enquanto reunia informações para uma eventual nova obra que melhor servisse os alunos da Academia, um funesto incêndio nas oficinas do parque de artilharia da fundição, sediado no Campo de Santa Clara, estendera-se ao espaço da instituição de ensino e consumira toda uma colecção de instrumentos matemáticos e modelos de hidráulica e mecânica recém adquiridos, juntamente com parte de uma vasta biblioteca de “livros clássicos, que

246 Ibid., p. 51.

247 Esta linha, segundo o autor, serve para conhecer a razão que têm entre si os seis metais

indicados no compasso de proporção.

248 AZEDO, Mathias Jozé Dias - Compendio Militar. Lisboa: Regia Oficina Silviana, 1796,

Frontispício.

SUA MAGESTADE mandára imprimir para se destribuirem anualmente pelos Discipulos.”249

Por necessidade acelerou então a elaboração do mencionado compêndio que andava a projectar, uma obra em oito partes, sendo que as duas primeiras abordavam princípios gerais de “Cosmografia, Cronologia e um rezumo de Geografia moderna”, a terceira os “Elementos de Táctica”, e as restantes os vários tipos de fortificação e ataque e defesa das Praças. Ordem que lhe pareceu simples, e natural. A empreitada começou pela terceira parte, pois as duas primeiras não eram “de imidiata necessidade”250, e as últimas cinco podiam ser encontradas nos livros clássicos que

ainda se consultavam no arquivo da Academia. Os Elementos de Táctica eram, segundo Dias Azedo, uma matéria nova no contexto da literatura portuguesa. A intenção, no entanto, ficaria pela publicação deste único volume, não tendo havido uma continuidade editorial.

A publicação em formato in octavo, com 22 centímetros de altura, utiliza apenas uma pequena vinheta cabeção a ilustrar o início do texto, representando uma disposição militar com dois pelotões, um de infantaria e outro de cavalaria, aludindo claramente à temática exposta. Uma capitular com as armas de Portugal e alguns frisos geométricos e vegetalistas são os restantes elementos gráficos utilizados para estruturação gráfica da obra. No final do texto, Dias Azedo resolveu juntar algumas “folhas em branco, unicamente com o titulo de Notas”, para apontamento de eventuais “adisões, e emendas”, possibilitando um espaço para contestação dos princípios expostos, referindo o autor que esta é a maior prova do seu próprio conhecimento que pode dar aos “Leitores.”251 Reconhecimento de que tudo está em

constante mudança, apelando ao espírito crítico dos alunos, num reflexo claro das

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