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5.3 OBJECT TRAVERSAL AND TRANSPORTATION
Conforme verificado nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs – o ensino de língua estrangeira (LE) é aconselhado pelo Ministério de Educação e Cultura – MEC – a partir do 6º ano do Ensino Fundamental II em escolas públicas brasileiras.
Não encontramos informações relacionadas ao ensino de uma língua estrangeira no Ensino Fundamental I – E. F. I – mas um grande número de escolas da rede particular de ensino oferece no E. F. I uma ou duas línguas (espanhol e inglês) nos seus currículos escolares o que gera desde o início da escolaridade uma desigualdade na educação das crianças.
Baseados nas ciências da neurolinguística, da psicologia e da linguística há uma série de hipóteses que buscam explicações sobre esta habilidade exclusiva do ser humano, são resultados científicos que ajudam a esclarecer o desempenho cognitivo e as diferenças entre crianças e adultos.
Um dos fatores mais notórios é a idade. Por razões de ordem biológica e psicológica, quanto mais cedo a criança venha a ter o contato com uma língua estrangeira, melhor torna-se o ritmo de assimilação da suposta língua. SCHÜTZ (2003; 2004).
Segundo Schütz existe uma idade crítica, a partir da qual o aprendizado de uma língua estrangeira começa a ficar difícil. Entre os 12 e 14 anos pode haver variações de acordo com cada pessoa e as características do ambiente linguístico
no qual acontece o ensino-aprendizagem. As principais limitações começam a se manifestar na pronúncia da LE.
Conforme SCHÜTZ (2003; 2004) “a proficiência linguística pouco depende de conhecimentos armazenados, mas sim de habilidade assimilada, na prática, construída através de experiências concretas”. Assim, podemos notar que a criança possui uma grande capacidade no aprendizado de línguas. Segundo Schütz (2003; 2004):
O que tem ocorrido ao longo do tempo é que a responsabilidade sobre o papel formador das aulas de Línguas Estrangeiras tem sido, tacitamente, retirado da escola regular e atribuído aos institutos especializados no ensino de línguas. Assim, quando alguém quer ou tem necessidade, de fato, de aprender uma língua estrangeira, inscreve-se em cursos extracurriculares, pois não se espera que a escola média cumpra essa função. Às portas do novo milênio, não é possível continuar pensando e agindo dessa forma. É imprescindível restituir ao Ensino Médio o seu papel de formador. Para tanto, é preciso reconsiderar, de maneira geral, a concepção de ensino e, em particular, a concepção de ensino de Línguas Estrangeiras (s/p).
Krashen estabelece uma distinção clara entre o estudo formal – receber e acumular informações e transformá-las em conhecimento por meio de esforço intelectual e de capacidade de raciocínio lógico – e aquisição – desenvolver habilidades funcionais através de assimilação natural, intuitiva, inconsciente, nas situações reais e concretas de ambientes de interação humana – e sustenta a predominância de aquisição sobre aprendizagem no desenvolvimento de proficiência em línguas (YOKOTA, 2005).
O pesquisador defende a importância maior de aquisição sobre a aprendizagem referindo-se a adolescentes e adultos. Considerando que a aquisição está mais intimamente ligada aos processos cognitivos do ser humano na infância, é lógico e evidente deduzirmos que aquisição é ainda mais preponderante no caso do aprendizado de crianças.
Portanto, se a proficiência linguística pouco depende de conhecimento armazenado, mas sim de habilidade assimilada na prática, construída através de experiências concretas, fica com mais clareza a superioridade das crianças no aprendizado de línguas.
As linguagens devem ser trabalhadas não apenas como formas de expressão e comunicação, mas como constituintes de significados, conhecimentos e valores, de modo a incorporar as quatro premissas apontadas pela UNESCO como eixos estruturais da educação na sociedade contemporânea: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser.
O ensino da língua estrangeira deve levar o estudante a ver-se e constituir-se como sujeito a partir do contato e da exposição ao outro, à diferença, ao reconhecimento da diversidade.
Pensando na falta de profissionais formados para ministrar a língua espanhola às crianças, encontramos embasamento teórico em Jaques Rancière (2007), filósofo argeliano, professor na Universidade de Paris e autor do livro O Mestre Ignorante que nos apresenta a história de Joseph Jacotot, pedagogo francês do início do século XIX, do qual nos apropriamos neste trabalho de investigação.
No próximo capítulo, portanto, abordamos a teoria de Jacotot, O Mestre Ignorante e a sua experiência ao ensinar a língua francesa a alunos holandeses.
3 JACOTOT EM O MESTRE IGNORANTE, DE JAQUES RANCIÈRE
É sob a exposição precisa e argumentação de Jacques Rancière que a figura de Jacotot é apresentada em O Mestre Ignorante, do qual se procurou extrair as ideias essenciais. Antes há que se contextualizar o que historicamente é o Método de Educação Universal.
Em 1818, Jacotot vivenciou na Universidade de Louvain, Holanda, uma experiência como professor, que mudou sua maneira de conceber a educação e o processo de aquisição de conhecimento. Ele não falava holandês e seus alunos não falavam francês. Ele propôs que eles lessem uma edição bilíngue de Telêmaco9 e que, auxiliados pela tradução e por meio do exercício de repetir e observar tentassem compreender o texto, contar o que leram, e finalmente que produzissem um texto em língua francesa. Todas essas propostas foram feitas aos alunos, que não contavam, então, com o que sempre se considerou essencial nas atividades de ensino e aprendizagem: a explicação do professor.
Os alunos o surpreenderam, suplantando suas expectativas. O evento despertou em Jacotot questionamentos que, recebendo espaço para reflexão, abalaram suas crenças pedagógicas quanto à função do mestre e suas explicações na relação do ensino e aprendizagem.
Jacotot tinha por princípio serem as ações pedagógicas do mestre, concentradas na transmissão de conhecimento, instrumentos capazes de alterar a ordem social, inserindo os homens do povo na sociedade do progresso. Acreditava ser a função do mestre transmitir conhecimentos, conduzindo a mente do aprendiz, desenvolvendo sua cognição por meio de explicações. Todos esses princípios caíram por terra, após sua experiência na Holanda, e passaram a ser reconsiderados.
A seguir evidenciamos algumas considerações sobre tópicos vistos de maneira diferenciada por Jacotot, que estruturam sua visão do processo de ensino e aprendizagem.
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Livro publicado em Bruxelas, numa edição bilíngue, que em 1818 Jacotot utilizou para ensinar francês para seus alunos holandeses.