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O BJECTIFS

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ARTICLE I. OBJET

SECTION 1.04 O BJECTIFS

Não obstante sua não concordância com a maioria dos argumentos apresentados pelo Movimento na tentativa de deslegitimar o Projeto Plantar para a obtenção de créditos de carbono, muitos dos integrantes da empresa manifestam que a ocorrência dessas críticas foi uma grande oportunidade de aprendizado. Nesse sentido, acredita-se que a existência do conflito, em todos os seus níveis, garantiu uma maior cooperação entre: 1) a Plantar e seus

stakeholders em nível local; 2) as empresas certificadas pela FSC Brasil e as que pretendem

ver suas plantações obterem o certificado; 3) empresas florestais e o FSC Internacional e brasileiro, 4) as empresas e as entidades de pesquisa, visando a demonstrar que, através de um manejo adequado, o eucalipto torna-se uma cultura importante; 4) governos municipais, estaduais e nacional e a Plantar e outras organizações proponentes de projetos de MDL, visando não apenas ao recebimento dos dividendos advindos da venda dos créditos de carbono, mas também ao desenvolvimento sustentável do país. Em uma visão mais ampla, relembra-se a existência do conflito paralelo, mas diretamente relacionado ao Projeto Plantar,

entre o FSC e os movimentos sociais contrários à certificação de plantações florestais de eucalipto. Nesse conflito, verificou-se a existência de cooperação entre os diversos atores sociais envolvidos, no sentido de revisar os padrões de certificação de plantações até então existentes, na busca de um consenso sobre novas normas.

Apesar da constatação de todos os aspectos de conflito e cooperação acima citados, aparentemente a Plantar demonstra maior percepção sobre os ganhos ocorridos na negociação entre ela e seus stakeholders locais. Isso é sentido no discurso de praticamente todos os analistas e gestores ouvidos nesta pesquisa, que ind icam que os conflitos com o Movimento trouxeram um enorme ganho em termos de melhorias do processo comunicacional e de entendimento entre a empresa e seus públicos de interesse mais próximos, em termos territoriais. O Gerente de Projetos de Carbono (2007), por exemplo, afirma que, após o aprendizado adquirido

a gente está tendo todo cuidado nas áreas novas que a gente está plantando. Queremos fazer a coisa bem certinha. E se dá algum problema, a gente conversa! Eu acredito muito mais no trabalho local de base, nosso foco de trabalho é aqui, meu principal interessado são meus vizinhos, o pessoal da comunidade, as prefeituras, associações do local... É claro que eu não vou desprezar nenhuma ONG também, mas é aqui, meu foco é aqui, a parte mais interessada é essa que está aqui sendo mais afetada (GERENTE DE PROJETOS, 2007, informação verbal).

No entanto, ele informa que essa atitude de estabelecimento de diálogo entre a empresa e as partes interessadas não existia anteriormente.

Isso foi a partir do relatório. Para isso ele serviu. Antes as pessoas reclamava m que a Plantar era uma empresa muito fechada, que quando havia uma crítica elas não eram recebidas. A gente percebeu que precisava mudar. E então desenvolvemos um trabalho bom, de abertura, de comunicação com nossos vizinhos. Para isso eu acho que o relatório surgiu um bom efeito (GERENTE DE PROJETOS, 2007, informação verbal).

Entre as alterações realizadas pela empresa encontra-se uma sistematização para a solução de conflitos locais, realizada, principalmente, através do diálogo. De acordo com a Equipe de Comunicação, da Coordenação Socioambiental, do Gerente de Projetos e do Analista Ambiental, o fato de agora existir uma equipe na própria localidade, aberta ao diálogo, a ouvir as necessidades e críticas da comunidade, melhorou muito o relacionamento da Plantar com seus stakeholders locais, especialmente porque conferiu uma identidade à empresa.

questão da água e coleta de lenha de eucalipto nos talhões da empresa tendo como destino as pequenas carvoarias da região. Estes conflitos são regulados através principalmente do diálogo com os envolvidos e de projetos em parceria com associações e órgãos públicos visando criar alternativas para o pequeno produtor, alem de perfuração, manutenção de poços artesianos e instalação de tubulação para fornecimento de água (COORDENADOR SOCIOAMBIENTAL, 2008).

Entretanto, não obstante a melhoria dos relacionamentos institucionais locais, constatada, inclusive, no momento de re-certificação FSC, e também das ações de relações públicas realizadas, a empresa acredita na possibilidade de novos conflitos, especialmente a nível global, por conta da continuidade do Projeto Plantar. A empresa entende que este ano de 2008 poderá ser um ano crítico, já que haverá, novamente, a re-certificação das áreas de plantio, e principalmente, a etapa do projeto ligada às plantações de eucalipto enquanto “sumidouros de carbono” será levada à submissão da AND e do Conselho Executivo de MDL.

Acredito que a gente conseguiu resolver os principais conflitos, e agora estamos aguardando. Quer dizer, estamos trabalhando no nosso projeto. Nossa expectativa é que quando a gente colocar esse processo do projeto para validação florestal, principalmente, o pessoal que está de olho vai se manifestar (GERENTE DE PROJETOS, 2007, informação verbal).

Eu acho que vai haver críticas sim. Não tem como ser diferente. E tem muita gente que eu considero inteligente, boa, que esta apoiando o papel contrário, porque é contra simplesmente a projetos florestais . E aí, novamente, a gente começa a ver as interações políticas e econômicas. (...) A questão florestal teve uma parcela reduzida de projetos exatamente porque tinham questões políticas muito grandes desincentivando esse tipo de projeto. Isso é claro. Pelo nível de exigências que as metodologias florestais têm em relação às outras (ANALISTA DE PROJETOS N. 2, 2007, informação verbal).

O Analista Ambiental, no entanto, ainda acredita que, através da negociação e do diálogo, haja a possibilidade de cooperação.

Temos que pegar os grupos que são contra e conversar com eles.(...) Porque eles pensam de um jeito e a gente pensa de outro. (...) Temos que ver como diminuir os desentendimentos, e a gente está buscando fazer isso. Bom, dizem que o eucalipto seca o solo, então vamos fazer as análises de solo e de quantidade de água pra ver. Dizem que os agrotóxicos estão contaminando as nascentes, vamos examinar, e mudar alguma coisa, se tiver que mudar. Os que não houver mesmo possibilidade de sentar para conversar, conseguir é porque eles não estão querendo participar de um consenso. O que a gente quer é trabalhar desta maneira (...) (ANALISTA AMBIENTAL, 2007)

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante esta pesquisa, foi realizada uma profunda investigação em torno do crescimento da participação de diversos atores sociais não estatais na governança ambiental global e corporativa, bem como da influência desses atores na construção do que viria a ser o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Foi realizada, ainda, uma análise sobre a participação brasileira no mercado de carbono, verificando-se os principais interesses envolvidos para a consolidação desse mecanismo de regulação dos problemas ambientais globais. Todos esses estudos foram realizados a partir da constatação de que, em todas as questões relativas ao meio amb iente e às formas de utilização dos recursos naturais haverá, inevitavelmente, conflitos de ordem social e amb iental.

Observando-se, então, que a construção do MDL foi pautada nos modernos entendimentos sobre governança ambiental, havendo sido estipulados como requisitos básicos para a aprovação de seus projetos a atenção aos interesses das partes interessadas e a efetiva contribuição para o desenvolvimento sustentável, além de, é claro, a comprovação da redução de gases do efeito estufa ou da remoção de gás carbônico na atmosfera, constatou-se a necessidade de conhecer quais seriam os conflitos socioambientais existentes em projetos de MDL. Partindo-se, então, das premissas de que (1) o estabelecimento de estratégias de relacionamento político- institucionais são fundamentais para a minimização de conflitos socioambientais entre empresas e seus stakeholders, e (2) as empresas proponentes de projetos de MDL necessitam adotar estratégias político-institucionais visando a legitimar-se frente aos indivíduos e organizações ligados, direta ou indiretamente, à atividade de projeto a ser desenvolvida, optou-se pela análise de um caso concreto, escolhendo-se o Projeto Plantar.

O projeto de MDL da Plantar, que durante esta pesquisa foi denominado como Projeto Plantar revelou-se, efetivamente, um rico caso de análise. Além dos três motivos fundamentais que levaram a sua escolha, quais sejam, (1) seu pioneirismo no mercado de carbono brasileiro, (2) a controvérsia existente sobre a metodologia de “sumidouros de carbono” via plantações florestais de eucalipto, e (3) a constatação da existência de inúmeras críticas a sua aprovação,

perceberam-se ao menos outros dois fatores de grande influência na formação dos conflitos: o discurso sobre desenvolvimento praticado pelo Banco Mundial, parceiro da Plantar nesse projeto de MDL, e as discussões sobre a certificação FSC, que legitimaria as plantações de eucalipto como sustentáveis e como promotoras de desenvolvimento sustentável.

Tendo-se em vista a riqueza de fatores de análise existente por detrás de um projeto dessa natureza, que procura, através de uma atividade local, contribuir para a solução de um problema global, foi necessário estabelecer-se um foco analítico. Isso foi realizado por meio da elaboração da pergunta que guiaria todos os passos desta investigação: “Quais as estratégias de relacionamento político-institucionais utilizadas para a regulação de conflitos socioambientais ocorridos durante o processo de elaboração, validação e aprovação do Projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da empresa Plantar?”

Com base nessa pergunta orientativa, a pesquisa adquiriu, como objetivo geral, a análise das estratégias de relacionamento político- institucional adotadas para a regulação dos conflitos socioambientais efetivamente ocorridos em vistas do Projeto Plantar. Já como objetivos específicos, pretend ia-se: a) a identificação dos principais conflitos socioambientais ocorridos; b) o mapeamento dos principais atores estratégicos envolvidos, apresentando-se suas lógicas de ação; c) a aná lise das estratégias de relacionamento político-institucional utilizadas pela Plantar para a regulação dos conflitos, dando-se especial ênfase à comunicação organizacional; e d) a realização de um balanço entre conflito-cooperação ocorrido nesse processo.

Para atingir os objetivos pretendidos, utilizou-se de ampla pesquisa bibliográfica sobre os principais temas envolvidos, pesquisa de campo, através da realização de entrevistas semi- estruturas e estruturadas com os principais atores envolvidos, análise de documentos, que se revelou de extrema importância visto que as crític as ao projeto foram externalizadas em uma série de cartas- manifesto e de publicações escritas, e a realização de observação não participante.

Ao iniciar a pesquisa, foram estabelecidos dois pressupostos norteadores dos trabalhos: 1) a crença de que, durante o processo de elaboração, validação e aprovação de seu projeto de MDL, a Plantar teria buscado apenas o fortalecimento das estratégias político-institucionais já praticadas, com a adoção de poucas medidas específicas para o fortalecimento de sua

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