Ao dialogar com a escola, esta pesquisadora verificou as contribuições da pesquisa qualitativa para compreender o processo de aprendizagem e de mudança organizacional da escola, bem como as fragilidades de todo esse procedimento. Nesse sentido, é esperado que este estudo venha auxiliar na adequação e na readequação de práticas que estão em desacordo com os aportes teóricos sobre o tema, permitindo um novo caminhar da escola.
Para estudar o processo de avaliação institucional, implementado pela EE. Bias Fortes, no período de 2008 a 2013, foi realizada esta pesquisa adotando a abordagem qualitativa, tendo em vista que uma das características dessa abordagem é o contato direto com o ambiente natural que, no caso deste trabalho, foi a escola, ambiente onde a prática autoavaliativa ocorreu. Segundo Bogdan e Biklen (1994):
Os investigadores qualitativos frequentam os locais de estudo porque se preocupam com o contexto. Entendem que as ações podem ser melhor compreendidas quando são observadas no seu ambiente natural de ocorrência. Os locais têm de ser entendidos no contexto da história das instituições a que pertencem. (BOGDAN E BIKLEN, 1994, p. 48).
Ancorada nos pressupostos defendidos por Bogdan e Biklen, esta pesquisadora optou pela investigação in loco ouvindo a equipe, percebendo os contextos avaliativos a fim de construir um panorama sobre a realização dos processos na escola. Foi considerado também o que Richardson (2007) caracteriza a pesquisa qualitativa, "como uma tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas pelos entrevistados, em lugar de produção de medidas quantitativas de características ou comportamentos”. (RICHARDSON, 2007, p. 90)
Nessa perspectiva, fez-se necessária a compreensão de como o processo de inserção da prática de avaliação institucional na escola ocorreu, que caminhos foram percorridos e quais as limitações e as possibilidades para a prática em questão no contexto da escola analisada. A pesquisa qualitativa possibilita a construção de
conhecimento sobre a vivência da autoavaliação nessa escola de Educação Básica, sendo importante também para a identificação das práticas indesejáveis e para a correção de rumos no processo.
A pesquisa qualitativa dá significância à análise dos dados apresentados neste trabalho, contribuindo para um processo reflexivo sobre a experiência vivenciada. De acordo com Bogdan e Biklen (1994, p. 48), os pesquisadores qualitativos “tentam analisar os dados em toda a sua riqueza, respeitando, tanto quanto possível, a forma em que estes foram registrados ou transcritos”. Analisar a EE. Bias Fortes, nessa perspectiva, possibilita centrar o interesse nos significados que os atores educacionais atribuem à avaliação interna da escola, construindo coletivamente – pesquisador e pesquisados – um conhecimento acerca da autoavaliação escolar e o que ela proporciona e revela, partindo do ambiente real em que a práxis é implementada.
Considerando a diversidade de ações e relações que o cotidiano escolar constrói diariamente, a prática da autoavaliação institucional acontece na EE. Bias Fortes - com registros - desde 2008, o que reforça a necessidade de investigação in loco, dialogando com a equipe, realizando exercício de escuta, percebendo os contextos avaliativos e os seus desdobramentos, a fim de construir um panorama sobre a prática realizada na escola. Para Mary Ângela Brandalise,
O objetivo principal da autoavaliação da escola como aqui é entendida, é conhecer como e porque funciona de certo modo a instituição, é compreender e explicara a sua natureza (formulação de teorias), e é melhor sua prática, enriquecendo as suas ações.
A melhoria da prática exige, no entanto, compreendê-la profundamente. Reconstruir a realidade numa perspectiva crítica não supõe apenas a sua descrição rigorosa ou contemplação; é necessário interpretá-la, saber onde estão as raízes dos comportamentos, as causas das ações, os efeitos explícitos e implícitos do desenvolvimento curricular.
Não existe apenas um caminho para conseguir reconstruir a realidade, nem para conhecê-la, explorá-la e interpretá-la. A realidade educativa é tão complexa que não se pode alcançar a sua total compreensão através de um único instrumento. (BRANDALISE, 2007, p. 110).
Essa compreensão só foi possível, a partir da análise da inserção do processo autoavaliativo na escola, com esmiuçamento dos caminhos, das resistências encontradas e das dificuldades vividas, bem como com a identificação das limitações e possibilidades para a implementação da prática na citada escola. A adoção da pesquisa qualitativa oportuniza a tessitura de conhecimentos sobre a realização do processo autoavaliativo na escola de Educação Básica e a
identificação das práticas indesejáveis, além de processos de adequação e readequação de rumos.
Para compreensão dos processos na escola pesquisada, foi considerada a realização de quatro fontes de evidências complementares:
Quadro 19- Fases da Pesquisa
Fontes Evidências Período de realização
Documentos e registros em
arquivos
Projeto Político Pedagógico Março e abril/2014 Agosto/setembro/novembr o/2014 Maio/2015 Dossiês do PGE Regimento Escolar Entrevistas Diretora Novembro/2015 Vice-diretora Especialista de educação
Observação direta Visitas à escola para verificação in loco Maio 2014
Outubro e novembro/2014 Junho, novembro e
dezembro/2015 Conversas informais com equipe gestora,
professores, auxiliares de secretaria e ajudante de serviços
Questionários Elaboração de dois questionários (um para equipe gestora e outro para demais profissionais) considerando os seguintes
temas:
Conhecimento do assunto; Concepção de avaliação institucional; Avaliando a experiência da escola no processo de avaliação institucional; Grau de satisfação com o processo de
avaliação;
Contribuições para o processo.
Novembro de 2015
Fonte: Elaboração da autora com base no processo vivido.
Como procedimentos metodológicos, utilizaram-se a aplicação de questionários a 15 educadores e a análise de documentos relativos às avaliações institucionais realizadas na escola durante os anos de 2008 a 2013, o projeto político pedagógico da escola e documentos outros oriundos da SEE-MG, além de entrevistas com a equipe gestora e visitas para observação direta, visando implementar conversas informais com equipe gestora, professores, auxiliares de secretaria e ajudante de serviços.
Na pesquisa documental, procurou-se reconstituir todo o acervo da prática de avaliação institucional na escola ao longo dos anos de 2008 a 2013; reconstituição essa que possibilitou retomar a releitura conjunta e a análise dos documentos norteadores da ação educativa da escola - PPP, Regimento e Plano de Desenvolvimento da Escola. Foram averiguados, ainda, os instrumentos aplicados
na escola, atas, gráficos, tabelas e mapas com o registro dos dados resultantes das avaliações.