A partir dos dados do ERA-Interim foi realizada uma análise da distribuição dos valores médios anuais de Hs em termos da direção de incidência da onda. O Gráfico 21 apresenta o resultado anual da distribuição direcional de Hs nas seis regiões estudadas.
Gráfico 21 - Distribuição direcional anual de Hs
As siglas N, NE, L, LSE, SE e S indicam a região da margem continental em que os pontos estão localizados na área de estudo. Os dados estão separados em intervalos de 30°. Fonte: Autor.
As distribuições direcionais de Hs mostradas no Gráfico 21 são consequência direta dos espectros bidimensionais apresentados nos Gráfico 11 a Gráfico 16, e dos sistemas de ondas que os formam. Os Gráfico 22 a Gráfico 27 apresentam o comportamento sazonal da distribuição direcional de Hs para as seis regiões.
Para a Região Norte (P7) ocorre a predominância das ondas com direção de Nordeste e de Leste, sendo que a primeira direção predomina nos trimestres DJF e MAM enquanto que as ondas de Leste ocorrem nos períodos de JJA e SON, como pode ser observado no Gráfico 22.
Gráfico 22 - Distribuição direcional sazonal de Hs para a Região Norte (P7)
A sazonalidade adotada foi trimestral, com os seguintes períodos analisados: dezembro, janeiro e fevereiro (DJF); março, abril e maio (MAM); junho, julho e agosto (JJA); setembro, outubro e novembro
(SON). Os dados estão separados em intervalos de 30°. Fonte: Autor.
O comportamento mostrado no Gráfico 22 está relacionado com a predominância de ondas oriundas do Hemisfério Norte que incidem na direção Nordeste na maior parte do ano.
Entretanto, em JJA e SON há uma diminuição da atuação dos sistemas provenientes dessa região, e os alísios de Sudeste agem para mudar a direção das ondas para Leste (SILVA, 2013). Ao longo de todo o ano verifica-se uma maior frequência de ondas entre 1,5 m e 2,0 m, enquanto que no período de JJA, valores de Hs no intervalo entre 1,0 m e 1,5 m ocorrem com mais frequência do que nos demais trimestres, fruto do enfraquecimento dos sistemas atmosférico que atuam no Hemisfério Norte.
No período de DJF ocorre com mais frequência ondas com Hs maior que 2 m, com valores entre 2,0 m e 2,5 m predominando. Isso ocorre devido a maior atividade dos sistemas atmosféricos do Hemisfério Norte. Entretanto, em todos os períodos verifica-se a ocorrência de ondas com Hs maior que 2,0 m.
Gráfico 23 - Distribuição direcional sazonal de Hs para a Região Nordeste (P14)
A sazonalidade adotada foi trimestral, com os seguintes períodos analisados: dezembro, janeiro e fevereiro (DJF); março, abril e maio (MAM); junho, julho e agosto (JJA); setembro, outubro e novembro
A partir do Gráfico 23, verifica-se que nos períodos de DJF e MAM a direção predominante das ondas é de Nordeste. Essa predominância ocorre principalmente devido à influência dos alísios oriundos dos sistemas atmosféricos do Hemisfério Norte, que em DJF apresentam maior intensidade. Em MAM, pode-se observar uma diminuição na intensidade das ondas, com valores de Hs ocorrendo, preferencialmente, entre 1,0 m e 1,5 m. Já em DJF a maior ocorrência é de ondas com Hs entre 1,5 m e 2,0 m.
Gráfico 24 - Distribuição direcional sazonal de Hs para a Região Leste (P19)
A sazonalidade adotada foi trimestral, com os seguintes períodos analisados: dezembro, janeiro e fevereiro (DJF); março, abril e maio (MAM); junho, julho e agosto (JJA); setembro, outubro e novembro
(SON). Os dados estão separados em intervalos de 30°. Fonte: Autor.
No trimestre de JJA, com a mudança de posição da ZCIT e a intensificação e aproximação da costa do ASAS (CAVALCANTI et al., 2009), na Região Norte os alísios de Sudeste se intensificam e verifica-se uma mudança na direção das ondas, passando de Nordeste
para Sudeste, com ondas apresentando preferencialmente Hs entre 1,0 m e 1,5 m. Em SON, os alísios de Sudeste diminuem de intensidade, e as ondas mudam novamente de direção passando a ser de Leste.
O Gráfico 24 mostra a sazonalidade da distribuição direcional de Hs na Região Leste (P19). Pode-se observar que os alísios de Nordeste já não influenciam mais tanto a direção das ondas, uma vez que em MAM, JJA e SON as ondas são de Sudeste. Apenas no período de DJF, quando a ZCIT está mais próxima do Equador (VELEDA, 2008), é que as ondas são de Leste devido à influência dos ventos alísios de Nordeste.
Gráfico 25 - Distribuição direcional sazonal de Hs para a Região Leste-Sudeste (P32)
A sazonalidade adotada foi trimestral, com os seguintes períodos analisados: dezembro, janeiro e fevereiro (DJF); março, abril e maio (MAM); junho, julho e agosto (JJA); setembro, outubro e novembro
Observando o Gráfico 24 verifica-se também que os valores de Hs na Região Leste são bem regulares, com valores de 1,5 m a 2,0 m predominando em todas os trimestres. Em JJA, devido à intensificação dos alísios de Sudeste, ocorre um aumento na frequência de ondas com valores acima de 2,0 m.
O Gráfico 25 apresenta o comportamento sazonal da distribuição direcional anual de Hs para a região Leste-Sudeste (P32). Verifica-se que nessa região já ocorre uma maior distribuição das ondas em termos de direção. Entretanto, apesar da maior distribuição direcional das ondas em relação às regiões de latitudes inferiores, ainda é possível verificar a existência de direções predominantes. Nessa região ainda há uma predominância de Leste em DJF e de Sudeste nos outros períodos, resultado da maior ou menor intensidade do ASAS.
Gráfico 26 - Distribuição direcional sazonal de Hs para a Região Sudeste (P38)
A sazonalidade adotada foi trimestral, com os seguintes períodos analisados: dezembro, janeiro e fevereiro (DJF); março, abril e maio (MAM); junho, julho e agosto (JJA); setembro, outubro e novembro
Em relação a intensidade das ondas na Região Leste-Sudeste, o Gráfico 25 aponta que em DJF predominam ondas pequenas, com Hs entre 1,0 m e 1,5 m. A partir de MAM há um aumento de Hs, relacionado com a intensificação do ASAS e da ocorrência de ciclones e sistemas frontais. Assim, há um aumento na ocorrência de ondas com Hs entre 1,5 m e 3,0 m. Em SON os sistemas atmosféricos atuantes perdem força e há uma leva diminuição na frequência de ocorrência de ondas maiores que 2,0 m.
Gráfico 27 - Distribuição direcional sazonal de Hs para a Região Sul (P48)
A sazonalidade adotada foi trimestral, com os seguintes períodos analisados: dezembro, janeiro e fevereiro (DJF); março, abril e maio (MAM); junho, julho e agosto (JJA); setembro, outubro e novembro
(SON). Os dados estão separados em intervalos de 30°. Fonte: Autor.
Para a região Sudeste (P38), apresentada no Gráfico 26, o comportamento sazonal da distribuição direcional de Hs apresenta ondas preferencialmente de Sudeste ocorrendo em DJF, MAM e SON, e ondas de Sul ocorrendo em JJA. Entretanto, a ocorrência de ondas de outras
direções é bastante acentuada na região, com ondas de Leste e Sul acontecendo bastante nos trimestres de DJF e SON, e ondas de Sul acontecendo em MAM. Esse espalhamento da direção das ondas é decorrente dos sistemas atmosféricos que atuam nessa região, que tem característica de alta variabilidade (SILVA, 2013).
A intensidade das ondas na Região Sudeste, como aponta o Gráfico 26, é bastante similar à da Região Leste-Sudeste, com valores de Hs entre 1,0 m e 1,5 m predominando em DJF, período de menor intensidade do ASAS, e aumentando a frequência de ondas maiores, principalmente entre 1,5 m e 3,0 m, em JJA, período de maior intensidade do ASAS. Os períodos de MAM e SON funcionam como períodos de transição entre as situações de maior e menor intensidade das ondas.
A Região Sul (P48), mostrada no Gráfico 27, é a que apresenta maior espalhamento direcional de Hs. Em todos os quatro períodos, a região apresenta ocorrência de ondas desde Nordeste até Sudoeste, sendo que em DJF predominam as ondas de Leste. Em MAM a maior ocorrência é de ondas de Sul. Enquanto que em JJA e SON duas direções apresentam frequências de ocorrência praticamente iguais. Em JJA predominam ondas de Sul e Sudoeste, e em SON predominam ondas de Sul e de Nordeste. Novamente a grande variação em termos de direção está relacionada às características do ASAS e a ocorrência de ciclones e sistemas frontais na região que apresentam grande variabilidade temporal e espacial (SILVA, 2013).
A partir do Gráfico 27 também se verifica que a Região Sul é a que apresenta maior ocorrência de ondas com grandes valores de Hs. Em todos os quatro períodos têm-se ocorrência significativa de valores de Hs maiores que 2,0 m, com destaque para o período de JJA com a ocorrência de ondas maiores que 4,0 m. Esses valores altos de Hs, assim com a grande variabilidade direcional na região, são resultado da atuação do ASAS, dos ciclones extratropicais e dos sistemas frontais, principalmente em JJA onde os dois últimos ocorrem com maior frequência.