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Ao longo deste estudo, surgiu o interesse de levar os alunos a perceber que entre os elementos que desempenham as funções sintáticas centrais, não se poderia utilizar a vírgula.

Como afirmam Silva (2008: 103) e Duarte (2002: 75), ao contrário do que se crê, o sistema de pontuação atual não se rege apenas por critérios de natureza fonológica, mas também por critérios de natureza sintática. Acrescenta, ainda, que não se pode utilizar vírgula entre o sujeito e o verbo, entre o verbo e um seu complemento, nem tão pouco entre a conjunção e a oração que esta introduz67.

Após algumas observações feitas, concluímos que os alunos tinham como critério para o uso da vírgula o de que se “coloca uma vírgula quando existe uma pausa”, isto é, a ideia contrária daquela que deve ser a prática correta. Tal ideia leva os alunos a pontuar mal o texto e, em muitos casos, a colocar vírgula entre o sujeito e o verbo ou entre o verbo e os seus complementos, obtendo frases como:

a) O primo da Inês, pediu para sair da sala.

b) O Professor disse aos alunos, que no dia seguinte não haveria aula.

Depois de trabalhada esta questão, foi pedido aos alunos que corrigissem erros de frases originais. Para tal, elaboramos um corpus constituído por frases retiradas de editais de uma junta de freguesia da zona do Grande Porto, balizados no tempo entre setembro de 2013 e maio de 201468. Dos editais retiramos as seguintes frases para trabalhar o uso da vírgula:

a) “Tendo chegado a um final de ciclo/início de outro, este novo executivo, entendeu como prioridade a realização de um controlo de procedimentos por uma entidade externa, de forma a ser um garante de segurança para quem agora inicia funções”.

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Para uma abordagem mais profunda da importância da pontuação, consultar Silva (2008: 103-104).

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b) “… uma das mais conceituadas a nível nacional, o que, dá a este relatório toda a credibilidade e profissionalismo”.

c) “… o anterior executivo deixou como direitos, apenas receitas meramente provisionais, pois não existe qualquer acordo, promessa ou avaliação efetuada”.

d) “Os serviços na sede X, reabrem no dia 5/11/2013”.

e) “Os fregueses deverão previamente, fazer a marcação da reunião na secretaria da Junta de Freguesia de X, por telefone ou correio eletrónico, da seguinte forma: …”.

f) “…, presidente da união de Freguesias de X, informa os utentes da piscina, que a partir do mês de Dezembro próximo, a mensalidade das aulas de natação e Hidroginástica será de 20,00€”.

g) “…, presidente da união de Freguesias de X, faz saber, que a partir do dia 1 de Abril até ao dia 24 de Abril do ano em curso, se encontrarão abertas as inscrições para a Colónia Balnear 2014, que será levada a efeito…”.

h) “…, presidente da união de Freguesias de X, torna público, que nos termos do artigo (…), se encontra aberto o concurso…”.

Como se pode constatar, encontramos dois tipos de erro de utilização nas frases apresentadas: no caso das frases a), b), e d) foi colocada uma vírgula entre o sujeito e o verbo; nas frases c), f), g) e h) existe, incorretamente, uma vírgula entre o verbo o complemento direto. No caso da alínea e), e precisamente porque oralmente se faz uma pausa, colocou-se uma vírgula depois do advérbio, quando, para estar correto, ou não se colocava ou também de deveria ter acrescentado uma vírgula antes.

Ao longo da correção em aula, pudemos verificar que os alunos, através da mobilização dos conhecimentos adquiridos sobre a identificação das funções sintáticas centrais, bem como do estudo dos diferentes tipos de grupo da frase, identificavam as vírgulas mal colocadas e justificavam-se com argumentos linguísticos sólidos. Obtivemos respostas como:

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“na frase d) não pode ter vírgula entre o sujeito e o verbo. Os serviços na sede X é o sujeito da frase, pois pode substituir-se pelo pronome pessoal na forma de sujeito – eles –, o que prova que é o sujeito da frase: Eles reabrem no dia 5/11/2013”.

ou ainda:

“na frase g) não pode ter vírgula entre o verbo e o complemento direto. O bocado [segmento] da frase que a partir do dia 1 de Abril até ao dia 24 de ano em curso é o complemento direto, porque se pode substituir por o [pronome pessoal na forma de complemento direto]. E a frase ficaria …fá-lo saber… ”.

Desta forma, os alunos propuseram correções relevantes e baseadas em justificações linguísticas, o que prova que, na turma em questão, os alunos conseguiram mobilizar a metalinguagem e os conhecimentos adquiridos para resolver o exercício proposto pelo professor, através da “tomada de consciência e sistematização do conhecimento da língua” (Silva, 2008: 10).

Aqui se apresentam as respetivas correções:

a) “Tendo chegado a um final de ciclo/início de outro, este novo executivo entendeu como prioridade a realização de um controlo de procedimentos por uma entidade externa, de forma a ser um garante de segurança para quem agora inicia funções”.

b) “… uma das mais conceituadas a nível nacional, o que dá a este relatório toda a credibilidade e profissionalismo”.

c) “… o anterior executivo deixou, como direitos, apenas receitas meramente provisionais, pois não existe qualquer acordo, promessa ou avaliação efetuada”.

d) “Os serviços na sede X reabrem no dia 5/11/2013”.

e) “Os fregueses deverão, previamente, fazer a marcação da reunião na secretaria da Junta de Freguesia de X, por telefone ou correio eletrónico, da seguinte forma: …”.

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f) “…, presidente da união de Freguesias de X, informa os utentes da piscina de que a partir do mês de Dezembro próximo, a mensalidade das aulas de natação e Hidroginástica será de 20,00€”.

g) “…, presidente da união de Freguesias de X, faz saber que a partir do dia 1 de Abril até ao dia 24 de Abril do ano em curso, se encontrarão abertas as inscrições para a Colónia Balnear 2014, que será levada a efeito…”.

h) “…, presidente da união de Freguesias de X, torna público que nos termos do artigo (…), se encontra aberto o concurso…”.

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