Os modelos curriculares, segundo Serra (2004) são uma estrutura conceptual que encontram-se inseridos em todas as decisões curriculares que ocorrem na evolução do currículo. Na educação Pré-escolar é possível encontrar vários modelos que são seguidos nos jardins-de-infância. O modelo presente na sala onde fiz o estágio valência Pré-Escolar era o High Scope.
Este modelo originalmente foi criado com o intuito de servir crianças pobres de Ypsilanti, Michigan. Teve como fundador David P. Weikart que iniciou o Perry Preschool Project que mais tarde veio a chamar-se de High/Scope Perry Preschool Project. O projeto teve como objetivo primordial pegar nas crianças de idade pré-escolar de zonas residenciais pobres e prepará-las fornecendo-lhes uma aprendizagem pela ação (Hohmann & Weikart, 2011).
A aprendizagem pela ação é uma estratégia utilizada por este modelo, permitindo as crianças vivenciar experiências e refletir sobre as mesmas, construindo o seu conhecimento. Estas experiências pela ação influenciam todo o trabalho executado pelo modelo High/Scope e são o centro do currículo pré-escolar. “A aprendizagem pela ação depende das interacções positivas entre os adultos e as crianças” (Hohmann & Weikart, 2011, p. 6).
Figura 1- A “Roda da aprendizagem” Pré-Escolar High/Scope.
Como é possível verificar na figura acima referida, o modelo High Scope dá ênfase ao planeamento da estrutura da pré-escola e na escolha dos materiais didáticos. A educadora tem o papel de organizar o seu ambiente educativo, observar e ouvir a criança de modo a compreender os seus interesses e do grupo. A aprendizagem parte dos interesses e motivações da criança (Oliveira-Formosinho, 2013).
Quanto ao espaço, as salas encontram-se organizadas com uma orientação construtivista, existindo várias áreas pedagógicas. Numa abordagem High Scope existem a área da casa, dos livros e da escrita, da música, da areia e da água, dos blocos, da pintura e do desenho, dos computadores, dos brinquedos, da carpintaria e do exterior (Hohmann & Weikart, 2011). A sala encontra-se dividida em áreas permitindo à criança, escolher as áreas com as quais mais de identifica. Os papéis sociais, as relações interpessoais e os estilos de interação são vivenciados pelas crianças em cada uma das áreas, permite que esta saia de uma área e se desloque para outra, dando continuidade ao seu jogo educacional (Oliveira- Formosinho, 2013).
A organização do espaço facilita a educadora na sugestão das atividades e na escolha de materiais. Oliveira Formosinho citando Piaget, referência que a experiência com os objetos, a maturação, a transmissão social e a equilibração elucidam o desenvolvimento da inteligência e da construção do conhecimento, (Oliveira- Formosinho, 2013). O espaço deve ser deste modo atraente e os materiais devem estar organizados com rótulos com desenhos e símbolos para as crianças conseguirem interpretá-los e ser capazes de arrumá-los sozinhas (Hohmann & Weikart, 2011).
A rotina diária das crianças tem que auxiliar a aprendizagem ativa, e desta forma o educador planeia, faz e depois revê de modo, a refletir sobre toda a aprendizagem adquirida pelas crianças. Para planear a educadora coloca questões às crianças sobre o que gostariam de fazer, tendo como objetivo primordial ir ao encontro aos interesses das mesmas. Ao planear uma atividade tendo em conta as sugestões das crianças, estas por sua vez estarão mais interessadas e envolvidas em todo o processo. Neste período as crianças poderão assim dedicar-se ao desenho, a escrita, construir estruturas e até mesmo realizar jogos de faz de conta. As atividades planeadas pela educadora permitem a organização do tempo em pequeno grupo no qual as crianças exploraram materiais e em grande grupo onde realizam atividades de música, jogo cooperativo, projetos e representações de histórias (Hohmann & Weikart, 2011).
A avaliação é um dos fatores essenciais neste modelo que permite através da observação, interagir e verificar a sua evolução. O trabalho em equipa é uma das formas
de avaliar a interação das crianças com os colegas e com o grupo. O educador tem de registar o que vê e o que ouve num diário de notas ilustrativas, para posteriormente utilizar as notas como um instrumento de avaliação da criança. Ao avaliar, o educador está a trabalhar em equipa para atingir as competências de cada criança (Hohmann & Weikart, 2011).
O educador tem um papel ativo em todo o processo e deve preparar cuidadosamente todo o contexto pedagógico tendo em conta as necessidades desenvolvimentais das crianças, dos interesses e cultura do grupo. A criação de um projeto educacional direcionado para as crianças é fulcral, pois este modelo parte do que a criança aprende, fazendo (Serra, 2004). Sendo assim o modelo pedagógico High/Scope contém cinco princípios básicos entre estes: “Aprendizagem pela ação, interacções positivas adulto- criança, ambiente de aprendizagem agradável para a criança, rotina diária consistente e avaliação diária da criança baseada no trabalho em equipa” (Hohmann & Weikart, 2011, p.9).
A abordagem High/Scope desperta a iniciativa das crianças e procura que estas aprendam através da ação que praticam individualmente ou em grupo. Todas as experiências vivenciadas contribuem para a sua aprendizagem e para o seu desenvolvimento. Cada criança é única e tem as suas individualidades próprias que devem ser estimuladas.
A criança constrói as suas próprias aprendizagens, tendo o educador o papel de orientador, com o dever de proporcionar materiais, momentos e aprendizagens enriquecedoras. É de salientar que o processo de planificação da minha intervenção pedagógica foi realizado tendo em conta os princípios inerentes a este modelo pedagógico, destacando a observação da criança, a relação adulto-criança, a rotina e os espaços com o intuito de proporcionar situações de aprendizagem ativa.