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3.4 Positionnement de la thèse

4.1.3 Noyau de calcul 3D

Todos os dias, a srta. Sullivan ia às aulas comigo e soletrava em minha mão com infinita paciência tudo o que os professores diziam. Nas horas de estudo, ela precisa procurar novas palavras para mim e ler e reler notas e livros sem letras em relevo. É dificil imaginar o tédio de tal trabalho. Frau Grõte, minha professora de alemão, e sr. Gilman, 13 o diretor, foram os únicos professores na escola que aprenderam a linguagem manual. Ninguém percebeu tão profundamente quanto a querida frau Grõte como seu próprio soletrar era lento e inadequado. Entretanto, na bondade de seu coração, ela laboriosamente soletrava suas aulas para mim duas vezes por semana, para dar um pouco de descanso à srta. Sullivan. Mas embora todos fossem bondosos e prontos a nos ajudar, havia somente uma mão que podia transformar a tarefa desagradável em prazer.

Naquele ano terminei aritmética, passei em revista minha gramática latina e li três capítulos de A guerra da Gália, de César.

Em alemão, li, parcialmente com meus dedos e parcialmente com a ajuda da srta. Sullivan, A canção do sino e Tauches de Schiller, Die harzreise, de Heine, Aus dem staat Friedrichs des Grossen, de Freytag, Fluch der schõnheit, de Riehl, Minna von Barnhelm, de Lessing e Da minha vida, de Goethe. Tive o maior prazer com esses livros alemães,

especialmente com os versos maravilhosos de Schiller, a história das magníficas realizações de Frederico, o Grande e o relato da vida de Goethe. Lamentei terminar Die Harzreise, tão espirituoso, feliz e cheio de encantadoras descrições de colinas cobertas de vinhedos, correntes que cantam e ondulam ao sol e regiões selvagens, sagradas para a tradição e a lenda, as irmãs crepusculares de uma era imaginativa há muito desaparecida - descrições possíveis de serem feitas somente por aqueles para quem a natureza é "uma emoção, um amor e um apetite".

O sr. Gilman deu-me aulas de literatura inglesa parte do ano.

Lemos juntos As you like it (Como queiras), Speech on conciliation with America (Discurso de conciliação com a América), de Burke, e Life of Samuel Johnson (Vida de SamuelJohnson), de Macaulay. A ampla visão do sr. Gilman sobre história e literatura e suas inteligentes explicações tornaram meu trabalho mais fácil e agradável do que poderia ser se eu apenas tivesse lido mecanicamente as anotações com as explicações necessariamente breves dadas nas aulas.

O Speech, de Burke, foi o mais instrutivo livro sobre tema politico que eu já tinha lido até então. Minha mente agitou-se com a época agitada e os personagens à volta dos quais se centralizava a vida de duas nações em disputa que pareciam se mover diante de mim. Enquanto o discurso magistral de Burke prosseguia em poderosos surtos de eloqüência, eu cogitava cada vez mais como fora possível que o rei George e seus ministros tivessem feito ouvidos moucos para suas proféticas advertências sobre nossa vitória e a sua humilhação. A seguir entrei nos melancólicos detalhes do relato no qual o grande estadista permanece com seu partido e com os representantes do povo. Pensei como era estranho que sementes tão preciosas da verdade devessem cair no joio da ignorância e da corrupção.

De um modo diferente, Life of Samuel Johnson, de Macaulay, era interessante. Meu coração alinhou-se com o homem solitário que comeu o pão da aflição em Grub Street e, mesmo assim, no meio do esforço e cruel sofrimento do corpo e da alma, sempre tinha uma palavra amável e prestava ajuda aos pobres e desprezados.

Rejubilei-me com todos os seus sucessos, fechei os olhos a seus defeitos e me surpreendi, não que ele os tivesse, que tais defeitos não esmagassem ou apequenassem sua alma. Entretanto, apesar do brilho de Macaulay e sua admirável faculdade de fazer o lugar comum parecer novo e pitoresco, seu dogmatismo às vezes me cansava, e seus freqüentes sacrificios da verdade ao efeito me mantinham numa atitude de questionamento muito diferente da reverência com que eu ouvira Demóstenes da Grã-Bretanha.

Na escola de Cambridge, pela primeira vez na minha vida, usufruí da companhia de moças da minha idade que viam e ouviam.

Morei com várias outras numa das agradáveis casas vinculadas à escola, a casa em que o sr. Howells morara, e todos nós tínhamos a vantagem de uma vida doméstica. Eu me juntava a elas em muitos jogos, mesmo cabra-cega, e em alegres brincadeiras na neve; juntas, fazíamos longos passeios, discutíamos nossos estudos e liamos alto as coisas que nos interessavam. Algumas moças aprenderam a falar comigo, de modo que a srta. Sullivan não tinha de repetir a conversa delas.

No Natal, minha mãe e minha irmã mais moça passaram o feriado comigo, e o sr. Gilman bondosamente ofereceu que Mildred estudasse em sua escola. Portanto, minha irmã ficou comigo em Cambridge e por seis contentes meses mal nos separamos. Fico muito feliz em lembrar as horas que passamos ajudando-nos uma a outra nos estudos e compartilhando nosso lazer.

Fiz meus exames preliminares para Radcliffe do dia 29 de junho a 3 de julho de 1897. Minhas matérias eram alemão básico e avançado, francês, latim, inglês e história grega e romana, perfazendo nove horas ao todo. Passei em tudo e recebi "louvor" em alemão e inglês.

Talvez seja necessária uma explicação sobre o método utilizado quando fiz meus exames. Exigia-se que o aluno fizesse os exames em 16 horas - 12 horas nas chamadas matérias básicas e quatro nas avançadas. Ele tinha de passar cinco horas de cada vez para que fossem levadas em conta. Os papéis dos exames eram liberados por Harvard às nove horas e levados a Radcliffe por mensageiro especial. Cada candidato era conhecido por um número, não por seu nome. Eu era o número 233 mas, como tinha de usar máquina de escrever, minha identidade não podia ser escondida.

Acharam aconselhável que eu fizesse meus exames numa sala sozinha, pois o barulho da máquina de escrever poderia perturbar as outras moças. O sr. Gilman leu todos os papéis para mim por meio do alfabeto manual. Colocaram um homem de guarda na porta para impedir qualquer interrupção.

No primeiro dia tive alemão. O sr. Gilman sentou-se a meu lado e leu a prova minuciosamente primeiro, depois frase a frase, enquanto eu repetia as palavras alto, para certificar-me de que eu o entendia perfeitamente. As provas eram difíceis e eu estava ansiosa enquanto escrevia as respostas na máquina de escrever.

O sr. Gilman soletrou-me o que eu havia escrito, fiz as mudanças que achei necessárias e ele as inseriu. Quero dizer aqui que desde então nunca tive essa vantagem em qualquer de meus exames.

Em Radcliffe ninguém lê as provas para mim depois que estão escritas e não tenho oportunidade de corrigir erros, a não ser que eu termine antes de o tempo se esgotar. Nesse caso corrijo apenas os erros que lembro nos poucos minutos permitidos e tomo notas de tais correções no final da prova. Se passei com notas maiores nas preliminares do que nas finais, há dois motivos. Nas provas finais, ninguém leu meu trabalho para mim e nas preliminares os exames eram sobre matérias com as quais eu tinha uma certa familiaridade antes de estudar na escola de Cambridge; no início do ano, eu passara nos exames de inglês, história, francês e alemão, feitos a mim pelo sr. Gilman de provas anteriores de Harvard.

O sr. Gilman mandou meu trabalho escrito para os examinadores com um certificado de que eu, candidata n.º 233, o escrevera.

Todos os outros exames preliminares foram realizados da mesma maneira. Nenhum foi tão difícil quanto o primeiro.

Lembro-me de que no dia em que a prova de latim nos foi trazida, o professor Schilling entrou e me informou que eu passara satisfatoriamente em alemão. Isso me encorajou tremendamente e continuei meu exame rapidamente, com o coração leve e a mão firme.

CAPÍTULO XIX

Comecei meu segundo ano na escola Gilman cheia de esperança e determinação de vencer. No entanto, durante as primeiras semanas, deparei-me com dificuldades imprevistas. O sr. Gilman concordara que naquele ano eu devia estudar principalmente matemática. Eu tinha física, álgebra, geometria, astronomia, grego e latim. Infelizmente, muitos livros de que eu precisava não haviam sido escritos em relevo a tempo para que eu começasse com as turmas e me faltava equipamento importante para alguns estudos. Eu estava em turmas muito grandes e era impossível que os professores me dessem instrução especial. A srta. Sullivan era obrigada a ler todos os livros e traduzir as instruções dos professores para mim e pela primeira vez em 11 anos sua preciosa mão parecia não estar à altura da tarefa.

Era preciso que eu escrevesse álgebra e geometria em aula e resolvesse problemas de física, e eu só poderia fazer isso quando comprasse uma máquina de escrever em braile que me permitisse estabelecer os degraus e processos de meu trabalho. Não conseguia seguir com meus olhos as figuras geométricas desenhadas no quadro-negro e meu único meio de obter uma idéia clara delas era reproduzi-las sobre uma almofada com arames retos e curvos, com extremidades encurvadas e pontudas. Como diz o sr. Keith em seu relato, 14 eu tinha de guardar na mente as letras das figuras, a hipótese, a conclusão, a construção e a progressão da prova.

Numa palavra, cada estudo tinha seus obstáculos. Às vezes eu perdia toda coragem e denunciava minhas emoções de um modo que tenho vergonha de lembrar, especialmente porque os sinais de minha perturbação foram posteriormente usados contra a srta. Sullivan, a única, de todos os bondosos amigos que eu tinha lá, que poderia consertar o torto e aplainar o áspero.

Pouco a pouco, porém, minhas dificuldades começaram a desaparecer. Os livros em relevo e outros equipamentos chegaram e me atirei ao trabalho com renovada confiança. Álgebra e geometria eram os únicos estudos que continuavam a desafiar meus esforços de compreendê-los. Como já disse antes, não tinha nenhuma aptidão para a matemática; os pontos diferentes não me eram explicados tão completamente quanto eu desejaria.

Os diagramas geométricos eram especialmente aflitivos porque eu não conseguia ver a relação entre as diferentes partes, mesmo na almofada. Só quando o sr. Keith me ensinou aquilo tive uma idéia clara da matemática.

Pouco antes dos livros chegarem, o sr. Gilman começara a advertir a srta. Sullivan de que eu estava trabalhando demais e, apesar de meus sinceros protestos, ele reduziu o número de minhas recitações. No início havíamos concordado que, se necessário, eu levaria cinco anos para me preparar para a faculdade, mas no final do primeiro ano o sucesso de meus exames mostrou à srta. Sullivan, srta. Harbaugh (a diretora do sr. Gilman) e a uma outra que eu poderia fazer sem muito esforço minha preparação em mais dois anos. O sr. Gilman inicialmente concordou com isso, mas quando minhas tarefas se tornaram um tanto mais complexas, insistiu que eu estava trabalhando demais e que devia continuar em sua escola mais três anos. Não gostei desse plano, pois queria entrar para a faculdade com a minha turma.

No dia 17 de novembro eu não estava bem e não fui à escola. Embora a srta. Sullivan soubesse que minha indisposição não era séria, ao saber dela o sr. Gilman declarou que eu estava tendo um esgotamento e efetuou mudanças em meus estudos que impossibilitariam meus exames finais com a minha turma.

Finalmente, a divergência de opiniões entre o sr. Gilman e a srta. Sullivan fez com que mamãe retirasse minha irmã e eu da Cambridge School.

Após um certo intervalo, combinou-se que eu continuaria meus estudos com um professor particular, sr. Merton S. Keith, de Cambridge. A srta. Sullivan e eu passamos o resto do inverno com nossos amigos, os Chamberlins, 15 em Wrentham, a 45 quilômetros de Boston.

De fevereiro a julho de 1898, o sr. Keith vinha a Wrentham duas vezes por semana e me ensinava álgebra, geometria, grego e latim. A srta. Sullivan interpretava as aulas dele.

Em outubro de 1898, voltamos a Boston. Por oito meses o sr. Keith me deu aulas cinco vezes por semana, em períodos de cerca de uma hora. Ele explicava todas as vezes o que eu não entendera na aula anterior, determinava novo trabalho e levava para casa com ele os exercícios de grego que eu fizera durante a semana na máquina de escrever, corrigia-os completamente e os devolvia.

Desse modo, minha preparação para a faculdade continuou sem interrupção. Eu achava muito mais fácil e agradável ser ensinada sozinha do que ter as aulas na turma. Não havia pressa nem confusão. Meu professor tinha muito tempo para explicar o que eu não entendia, portanto eu avançava mais rápido e fazia um trabalho melhor do que na escola. Ainda acho mais difícil dominar problemas em matemática do que em minhas outras matérias. Gostaria que a álgebra e a geometria tivessem sido pelo

menos metade tão fácil quanto as linguas e a literatura. Mas o sr. Keith tornava interessante até a matemática; conseguia minimizar os problemas a um tamanho suficientemente pequeno para que penetrassem em minha mente. Mantinha-a alerta e ávida, treinando-a para raciocinar claramente e buscar as conclusões de um modo calmo e lógico, em vez de pular alucinadamente no escuro e não chegar a lugar algum. Era sempre gentil e indulgente por mais obtusa que eu fosse e, acreditem, minha burrice teria exaurido com freqüência a paciência de Jó.

Nos dias 29 e 30 de junho de 1899 fiz meus exames finais para o Radcliffe College. No primeiro dia tive grego elementar e latim avançado, e no segundo, geometria, álgebra e grego avançado.

As autoridades da faculdade não permitiram que a srta. Sullivan lesse as provas para mim, portanto, sr. Eugene C. Vining, um dos professores da Instituição Perkins para Cegos, foi contratado para copiar as provas para mim em braile. O sr. Vining era um estranho para mim e só conseguia comunicar-se comigo em braile. O inspetor de disciplina também era um estranho e não tentou se comunicar comigo de modo algum.

O braile funcionou muito bem nas línguas, mas quando se tratou da geometria e da álgebra surgiram as dificuldades. [Ver carta ] Eu estava dolorosamente perplexa e me senti desencorajada, desperdiçando boa parte do precioso tempo, principalmente em álgebra. É verdade que eu tinha familiaridade com todo o braile literário de uso comum nos Estados Unidos - inglês, americano e Ponto Nova York; mas os diversos sinais e símbolos em geometria e álgebra são muito diferentes nos três sistemas, e eu usara apenas o braiLe inglês em minha álgebra.

Dois dias antes dos exames, o sr. Vining enviou-me uma cópia em braile de uma velha prova de álgebra de Harvard. Para meu desalento descobri que estava na notação americana. Sentei-me imediatamente e escrevi para o sr. Vining, pedindo-lhe que me explicasse os sinais. Na volta do correio recebi outra prova e uma tabela de sinais, e me pus a trabalhar para aprender a notação. Na noite anterior ao exame de álgebra, porém, enquanto eu lutava com alguns exemplos muito complicados, não conseguia apreender as combinações de parêntese, colchete e radical. Sr. Keith e eu ficamos desalentados e cheios de maus pressentimentos para o dia seguinte; mas fomos para a faculdade um pouco antes do início dos exames e o sr. Vining me explicou mais amplamente os simbolos americanos.

Em geometria, minha dificuldade principal era estar acostumada a ler as questões sempre em linhas impressas, ou tê-las soletradas na minha mão; e de algum modo, embora as questões estivessem bem diante de mim, eu achava o braile confuso e não

conseguia fixar claramente na mente o que estava lendo. Mas quando enfrentei a álgebra, passei por um momento ainda pior. Os sinais, que aprendera tão recentemente e que pensara conhecer me deixaram perplexa. Além disso, eu não conseguia ver o que escrevia em minha máquina. Sempre fizera meu trabalho em braile ou na cabeça. O sr. Keith confiara demais na minha capacidade de resolver problemas mentalmente e não me treinara para escrever os papéis do exame. Em conseqüência disso, meu trabalho foi penosamente lento e tive de ler repetidamente os exemplos antes de poder formar qualquer idéia do que precisava fazer. Na verdade, não tenho certeza de ter lido todos os sinais corretamente.

Achei muito difícil manter o sangue-frio.

Mas não ponho a culpa em ninguém. O conselho administrativo de Radcliffe não percebeu como estavam tornando meus exames difíceis, assim como não compreenderam as dificuldades peculliares que eu tinha de sobrepujar. No entanto, se involuntariamente colocaram obstáculos no meu caminho, tenho o consolo de saber que os superei todos.

CAPÍTULO XX

A luta para ser admitida na faculdade terminara e agora podia entrar em Radcliffe quando quisesse. Antes que eu entrasse para lá, contudo, foi considerado melhor que eu estudasse outro ano com o sr. Keith. Assim, apenas no outono de 1900 meu sonho de entrar para a faculdade se realizou.

Lembro-me do meu primeiro dia em Radcliffe, um dia muito interessante para mim. Eu ansiara por ele há anos. Uma poderosa força interior, mais forte do que a persuasão de meus amigos, mais forte até do que os arrazoados do meu coração, impelira-me a experimentar minha força pelos padrões dos que vêem e ouvem. Eu sabia que havia obstáculos no caminho, mas estava ansiosa para superá-los. Levara no coração as palavras do sábio romano que dissera: "Ser banido de Roma é apenas viver fora de Roma". Excluída dos grandes caminhos do conhecimento, fui compelida a fazer a jornada através do país por estradas não freqüentadas - só isso-; e sabia que na faculdade havia muitos atalhos onde eu poderia estar em contato com moças que pensavam, amavam e lutavam como eu.

Comecei meus estudos com avidez. À minha frente eu via abrir-se um novo mundo de beleza e luz e sentia em mim a capacidade de conhecer todas as coisas. Na terra maravilhosa da Mente eu seria tão livre quanto qualquer um. As pessoas, cenários, maneiras, alegrias e tragédias dessa terra seriam intérpretes vivas e tangíveis do mundo real. As salas de palestras enchiam-se com o espírito dos grandes e dos sábios e eu achava que os professores eram a corporificação da sabedoria. Se desde então aprendi que a realidade é diferente, não direi a ninguém.

Mas logo descobri que a faculdade não era bem o liceu romântico que eu imaginara. Muitos sonhos que tinham encantado minha inexperiência jovem tornaram-se marcadamente menores e "se desvaneceram à luz do cotidiano". Gradualmente comecei a descobrir que havia desvantagens em ir para a faculdade.

Uma das que mais senti, e ainda sinto, é a falta de tempo. Eu e minha mente costumávamos ter tempo para pensar, refletir.

Sentávamos juntas ao anoitecer e ouvíamos as melodias interiores do espírito, que se ouve apenas em momentos de lazer, quando as palavras de algum poeta amado toca uma corda profunda e doce na alma até então silenciosa. Na faculdade, porém, não há tempo para comungar com os próprios pensamentos. Parece que se vai para a faculdade para aprender, não para pensar. Ao se entrar pelos portais do aprendizado, deixam-se os mais caros prazeres - solidão, livros e imaginação - do lado de fora com os pinheiros sussurrantes. Acho que devo encontrar algum conforto na idéia de que

estou amealhando tesouros para usufruto futuro, mas sou imprevidente o bastante para preferir a alegria atual a estocar as riquezas para um dia de chuva.

Meus estudos no primeiro ano foram francês, alemão, história, composição de inglês e literatura inglesa. No curso de francês li alguns trabalhos de Corneille, Moliêre, Racine, Alfred de Musset e Sainte-Beuve, e no de alemão os trabalhos de Goethe e Schiller. Passei rapidamente em revista todo o período da história da queda do Império Romano ao século XVIII, e na literatura inglesa estudei criticamente os poemas de Milton e a Aeropagitica.

Perguntam-me freqüentemente como supero as condições peculiares em que trabalho na faculdade. Na sala de aula fico, é claro, praticamente só. O professor é tão