V Dépistage et diagnostic
V.4 Les nouvelles recommandations
3.7.1. Objetivos da avaliação
A ação de um projeto de investigação-ação, tal como referido anteriormente e na linha do que referem Kemmis e McTaggart (1988), distingue-se por se tratar de uma ação observada, recolhendo-se dados com o objetivo de fazer uma apreciação. Neste sentido, no final do ateliê, foi necessário recolher um conjunto de dados que facilitassem a reflexão sobre o mesmo, pelo que à ação seguiu-se um momento de avaliação guiado pelos seguintes objetivos específicos:
- Conhecer as perceções sobre o ateliê de comunicação radiofónica;
- Identificar as aprendizagens desenvolvidas através do ateliê de comunicação radiofónica; - Saber se os participantes foram sensibilizados para a importância do som e da rádio; - Identificar possíveis problemas na estrutura do ateliê de comunicação radiofónica e recolher sugestões de melhoramento.
Para responder a estes objetivos foram utilizadas diferentes estratégias47. Estas foram usadas
seguindo uma lógica de complementaridade, de forma a obter um retrato o mais completo possível da questão em estudo e tentando reduzir o impacto das limitações associadas a cada técnica. Tendo em conta os objetivos do estudo, optou-se por dar preferência a uma componente qualitativa, mas incluir também uma vertente mais quantitativa. Por isso, recorreu-se à aplicação de um questionário e à realização de grupos de foco com os alunos e a uma entrevista com a professora presente em todas as sessões do ateliê.
3.7.2. Questionário, grupos de foco e entrevista
No final do ateliê, cada aluno participou numa sessão em que se pretendia avaliar o impacto ação através do preenchimento de um questionário48 e da participação num grupo de foco49. Neste
momento apenas participaram 22 dos 23 alunos, já que uma das participantes no ateliê não esteve presente nas últimas aulas de Educação para a Cidadania. Interessa mencionar que os estudantes foram divididos em dois grupos para que fosse viável o desenvolvimento da discussão e que o questionário foi preenchido antes de iniciar os grupos de foco.
A combinação destes dois instrumentos pareceu-nos a solução mais adequada, já que permitia obter informações complementares. Por um lado, o questionário permite recolher a dados de cariz mais quantitativo e sem a influência dos pares. Por outro, com os grupos de foco é possível explorar com maior profundidade as questões. Além disso, este parece-nos particularmente interessante por permitir a interação entre os participantes (Coutinho, 2015).
Procurou-se, então, ultrapassar a superficialidade de respostas, considerada uma das limitações dos questionários (Quivy & Campenhoudt, 2008), com os grupos de foco. Contudo, importa referir que estes últimos também não estão isentos de problemas, pois a discussão pode ser monopolizada por um ou dois participantes e é suscetível a enviesamentos por parte do
47 Inicialmente, planeou-se a aplicação de um pré-teste e de um pós-teste para auxiliar na avaliação da ação. Porém, ao longo do ateliê, verificamos
que o instrumento criado não era o mais adequado, pelo que acabou por não ser utilizado.
48 O questionário de avaliação do ateliê pode ser consultado no apêndice 5.
49 O guião dos grupos de foco pode ser consultado no apêndice 6. Junto das minibiografias dos participantes (apêndice 4) é possível conhecer a
investigador que modera a discussão (Coutinho, 2015). Além disso, a posterior análise dos dados também não está, como veremos, isenta de perigos.
Para completar a avaliação consideramos que seria essencial incluir a visão da professora responsável pela aula de Educação para a Cidadania50, já que, pela presença em todas as sessões
do ateliê e pelo conhecimento do contexto escolar, é uma testemunha privilegiada. A possibilidade de obter informação detalhada e profunda (Coutinho, 2015) faz com que a entrevista se apresente como o instrumento ideal para a recolha destes dados. Por ter como “objetivo analisar o impacto de um acontecimento ou de uma experiência precisa sobre aqueles que a eles assistiram ou que neles participaram”, falámos numa entrevista centrada (Quivy & Campenhoudt, 2008, p. 193). Esta técnica implica a existência de uma lista de tópicos que serão necessariamente abordados, mas de modo livremente escolhido de acordo com o desenrolar da conversa (Quivy & Campenhoudt, 2008).
3.7.3. Análise de dados
Para analisar os dados dos instrumentos de avaliação, inicialmente, foi feita uma primeira exploração do material, ou seja, procedemos a uma leitura flutuante das respostas ao questionário de avaliação e da transcrição dos grupos de foco e da entrevista. Foi criada uma listagem preliminar de temas, a qual foi sendo aperfeiçoada, tendo sempre em conta os objetivos desta investigação. Assim, a análise foi orientada pelo conjunto de subcategorias temáticas apresentadas na Tabela 7. Interessa, ainda, referir que para efeitos de avaliação foram também contemplados os dados recolhidos no contexto da observação participante.
Categoria Subcategorias
Avaliação do ateliê
- Perceções sobre o ateliê: gostaram ou não, o que mais ou menos gostaram... - O que se alterou ou não na relação com o som
- O que se alterou ou não na relação com a rádio: frequência de consumo, gosto... - O que se alterou ou não em relação ao interesse por projetos de rádio na escola - Competências mediáticas adquiridas: conhecimentos sobre a produção radiofónica, competências comunicativas e de produção criativa, capacidade de avaliar a “rádio criada”...
- Outras aprendizagens: trabalho de grupo, conhecimento sobre o meio envolvente...
- Dificuldades na dinamização do ateliê e sugestões de alterações - Viabilidade destes projetos no contexto escolar
Tabela 7: Categoria e subcategorias temáticas utilizadas para auxiliar na análise de dados dos instrumentos de avaliação
Alguns dos dados provenientes do questionário de avaliação foram sujeitos a análise quantitativa, pelo que algumas questões foram tratadas e analisadas através do programa IBM SPSS Statistics. Por fim, não podemos deixar de mencionar uma preocupação que nos acompanhou ao longo da análise de dados da avaliação, mas também da ação. Este processo dependeu de uma mediação, exigindo uma seleção e interpretação, que dificilmente serão neutras.