CHAPITRE I : ÉTUDE BIBLIOGRAPHIQUE
I. 1.1.2.2. Nouvelles alternatives
No que se refere à reputação académica e qualidade da instituição de destino, pudemos constatar que os alunos se referiam não só à reputação da Universidade do Minho em termos globais mas destacavam, em determinadas situações, a reputação de uma área científica em particular, de certa forma independentemente da reputação global da instituição.
Decidimos pois analisar a influência destas subcategorias na decisão do aluno separadamente.
Relativamente à reputação académica e qualidade da Universidade do Minho, os alunos referiram essencialmente pesquisas pelos rankings das universidades como forma de confirmar o prestígio e a qualidade da instituição. Tendo esta obtido recentemente (em 2012) uma boa classificação nestes rankings, concluímos que este facto poderá ter influenciado a decisão dos alunos na escolha pela Universidade do Minho.
“Não lembro se eu li no site mesmo ou eu pesquisei, e vi que [a UMinho] é bem conceituada. Está entre as 400 melhores jovens, não é?... Até uso isso para falar com os meus amigos do Brasil, “aí não tem!”... faço publicidade! (...) aqui está nas 400 melhores, está lá no programa Ciência Sem Fronteiras.” (P1, Brasil)
“Em geral, na minha experiência, o mais importante é a reputação da universidade.” (P3, Itália)
“Sim, sim, eu sabia que a UMinho estava classificada entre as 400 melhores do mundo. Esta é também uma razão que me esqueci de referir.” (P7, Argélia)
“Sim, porque isso que pesquisei também. Pesquisei… tinha a Universidade do Porto, que mais ou menos eu já conhecia pelo nome da instituição, mas não conhecia a UMinho e aí procurei no ranking e ela estava bem cotada.” (P8, Brasil)
“O meu primeiro interesse era continuar o doutoramento numa boa universidade na minha área, essa foi a principal razão da minha escolha.” (P11, Irão)
“Sim, porque quando eu voltar para o meu país, vão-me perguntar em que universidade estudei... e disseram-me que esta universidade tem uma boa posição no ranking, por isso...” (P12, Síria)
“Sim, sim, era muito bom… eu procurei… entre as 300 e as 400 no ranking.” (P14, Irão)
No entanto, vários alunos referiram que a sua escolha pela Universidade do Minho foi mais influenciada pela reputação de um investigador em particular ou de uma área de investigação específica, sem ter em conta o posicionamento geral da instituição nos rankings.
“Na verdade, em relação à reputação, eu ouvi falar dos professores (...). Ouvi muitas vezes que eram de elevada qualidade, as publicações, os projetos, tudo, eram muito conhecidos (...) Posso dizer que depois de ter terminado o mestrado, tinha outra proposta, mas preferi ficar aqui para o doutoramento, porque trabalhei com um professor e gostei bastante de trabalhar aqui e gostei muito do resultado do meu mestrado e decidi continuar para o doutoramento.” (P2, Irão)
“Claro, se procurares no Google ‘Professor A’ vais encontrar que tem uma ótima reputação. Isso também conta...” (P3, Itália)
“O meu caso talvez seja um pouquinho atípico, é a questão de ter mesmo o Professor A como orientador, ter o know-how da Universidade do Minho.” (P4, Brasil)
“O Professor A é muito conhecido e estimado… quero dizer, todos pensam nisto e julgo que pode fazer a diferença.” (P5, Itália)
“O que me fez escolher o centro de investigação foi mesmo o próprio centro... foi a reputação do instituto.” (P10, Eslováquia)
“Sim, a universidade e absolutamente o professor com quem estou a trabalhar. Decidi vir para Portugal porque este professor é muito famoso e tem uma ótima experiência nesta área de investigação.” (P13, Irão)
“Isto dá-te também reputação quando, por exemplo, estás envolvido [num projeto] com o Professor B, estás envolvido com o instituto X da UMinho, dizem-te ‘sim, conhecemos, conhecemo-lo, vimo-lo numa conferência’.” (P15, Irão)
Apresentamos de seguida uma tabela com o resumo das frequências de codificação no que se refere à reputação académica e qualidade da própria instituição ou do investigador ou área de investigação em particular (Tabela 9).
Tabela 9. Frequências de codificação na subcategoria “Reputação académica e qualidade” (Categoria “Fatores de decisão”)
FAT-RAQ-Instituição FAT-RAQ-Investigador/ Área científica
Concluímos que, para além da reputação da instituição a nível geral, os alunos valorizam também em grande medida a reputação de um investigador ou área de investigação em particular, independentemente da reputação da instituição. Vários alunos mencionaram inclusive ter selecionado a Universidade do Minho como instituição de destino pela reputação em particular de um determinado investigador na sua área científica de trabalho, pelo seu prestígio e pelo prestígio do trabalho realizado na Universidade do Minho naquela área.
No que se refere à oferta educativa e áreas de investigação disponíveis na Universidade do Minho, os alunos referiram essencialmente que procuravam uma oferta de projeto de ensino ou de investigação compatível com os seus interesses académicos. Em particular, a compatibilidade exata entre os interesses dos alunos e as áreas de investigação na universidade de destino teve um papel importante na decisão final de alguns alunos.
“Fui, claro, fui na sequência, fui verificando quem tinha esse doutoramento que eu precisava.” (P1, Brasil)
“Isto é o que quero fazer e é esta a minha opção de carreira e isso… porque a universidade é boa e eu escolhi isto.” (P6, Índia)
“Isso só… por mais que ela não fosse tão, digamos, tão bem conceituada, eu viria mesmo assim por causa do mestrado, que a área era muito específica e até hoje quase nem todas as universidades tem... eu acho que lá no Brasil são 4 as universidades que têm esse mestrado.” (P8, Brasil)
“A investigação tem tudo a ver… tem um nome bem conhecido nesta área… nesse momento eu sabia que queria fazer isto.” (P10, Eslováquia)
“A minha área é engenharia eletrónica mas adoro engenharia mecânica, por isso escolhi mecatrónica aqui, que é a área entre a eletrónica e a mecânica e adoro! É muito interessante!”
(P14, Irão)
“Sim, foi um fator determinante [a oferta educativa], porque aqui teria essa área de investigação de
interface homem-computador diferente lá da Universidade de Coimbra que talvez eu tivesse de migrar para engenharia de software ou outra área.” (P16, Brasil)
Quanto ao custo na instituição, e conforme anteriormente detalhado, definimos esta subcategoria para identificar referências ao custo do ingresso na instituição de destino, nomeadamente a questão da propina. Vários alunos referiram a importância das bolsas de estudo (atribuídas pelas universidades de origem ou pela própria instituição de destino), o que, para além de influenciar a motivação de saída do país de origem pela possibilidade de subsistência noutro país, como já vimos anteriormente, lhes permitiu ainda assegurarem os
“Mas em termos gerais, por exemplo, eu acho que o custo… o custo de se estudar aqui em Guimarães é relativamente baixo, Guimarães e Braga, comparado com outras metrópoles europeias eu acho que ainda é baixo. O custo da propina (…), o custo de vida…” (P4, Brasil)
“Aqui podemos ter uma bolsa de estudo.” (P11, Irão)
“Julgo que a propina noutro país da Europa seria maior, [aqui] é muito mais barato. (…) Em Portugal, o custo… a propina é menor do que noutro país da Europa.” (P14, Irão)
“Outra questão é que aqui eu tinha uma vaga com bolsa, então este é outro fator porque, por exemplo, eu tinha outras opções mas disseram que de início poderia ir mas provavelmente só teria bolsa mais tarde, e aqui era uma das vagas em que eu tinha uma bolsa desde o início.” (P15, Irão)
“O custo de propina, neste caso, sendo uma bolsa do Ciência sem Fronteiras (…) considera que é um pormenor menos relevante, porque no fundo o valor da bolsa é correspondente aquilo que terá que pagar de propina, não é?
Exatamente.” (P16, Brasil)
Relativamente à informação disponibilizada pela instituição, os alunos referiram essencialmente a influência da facilidade de contacto e a prontidão de resposta como fatores bastante positivos e motivadores na sua decisão de selecionar a Universidade do Minho como instituição de destino.
“Principalmente foi pelo contacto... (…) Pela facilidade de contacto. Porque eu mandei... Fui primeiro à UMinho, pensei vou entrar em contacto com eles e se der certo eu fico lá. Caso não desse o processo de comunicação, eu teria ido para outra.
O facto de ter a informação também muito disponível... ou seja, quando quis pesquisar sobre o curso, ter encontrado, as pessoas terem respondido na hora certa, com a informação adequada, foi relevante também na sua decisão?
Totalmente, totalmente relevante... Foi um dos fatores até que fez com que viesse para cá mesmo.”
(P1, Brasil)
“Eu não conhecia ninguém aqui, conhecia só o Professor C, que foi o orientador do meu supervisor do Brasil. Não conhecia ninguém, eu tinha que pagar matrícula, não sabia como fazer transferência de dinheiro e não sei quê e eles fizeram praticamente tudo por mim… e aí cheguei aqui e eles me receberam muito bem, até que estou até hoje, então… Desde 2009.” (P8, Brasil)
“E também o Serviço de Relações Internacionais, deram-me informação geral e sempre que eu tinha algum pedido ou assim, eu enviava-lhes e eles respondiam.” (P9, Argélia)
Nas respostas dos alunos não foi feita qualquer menção à localização particular da instituição no país, nem em termos favoráveis, nem desfavoráveis, sendo que se conclui que este fator não relevou para a decisão dos alunos entrevistados. Não obstante, é de referir que os entrevistados mencionaram a localização da Universidade do Minho num país europeu, o que lhes permitiria estar mais próximos da rede europeia de IES de elevada reputação ou a participação em várias conferências europeias e internacionais.
“A pessoa que mais me motivou foi a minha orientadora… Ela deu-me muita informação, motivou-me dizendo que aqui em Portugal e na Europa em geral eu teria todas as condições para concretizar os meus objetivos.” (P7, Argélia)
“Eu acredito que aqui é mais fácil para que eu possa participar de congressos, eventos na área da região europeia…” (P16, Brasil)
Na subcategoria empregabilidade, é importante estabelecer que este fator se relaciona não só com a colocação profissional, como seria o caso dos primeiros ciclos de estudos (licenciaturas e mestrados integrados), mas, no 2º ou 3º ciclo de estudos, mais com a vertente da reputação académica e progressão na carreira como investigador. Aqui considerámos pois não só as referências a progressão profissional mas também a expetativas de progressão na carreira académica e procurámos explorar de que forma o percurso do aluno na Universidade do Minho poderia ser um fator de destaque dos seus currículos. Os alunos referiram que o facto de terem um grau da Universidade do Minho ou uma experiência de mobilidade nesta universidade melhorará as suas expetativas de progressão, vendo o seu currículo valorizado com esta experiência. No entanto, salvaguardaram que a particularidade de terem sido orientados por um determinado professor poderá ser mais valorizada do que a própria instituição, dado o reconhecimento que alguns dos investigadores detêm nas suas respetivas áreas científicas.
“Para nós [estudantes iranianos] a reputação da universidade depende dos alunos que a frequentam. (…) mas agora acredito que o teu trabalho é mais importante, se mostrares o teu currículo e o teu trabalho e, especialmente, se souberem que o teu professor é mais importante, se ele for conhecido, tu também poderás ser.” (P2, Irão)
“Sim, penso que sim, a experiência no estrangeiro é sempre valorizada. Mas também penso que a qualidade que é garantida aqui… vale a pena. E penso que também será reconhecida no estrangeiro se eu quiser continuar. Mas tenho que sublinhar que é também o professor…” (P3, Itália)
“Pela experiência nesta universidade vou poder pedir o ‘Doutoramento Europeu’ e é muito bom porque com este tipo de doutoramento posso [trabalhar] em toda a Europa e mesmo no mundo porque aqui há professores muito qualificados.” (P5, Itália)
“Certamente! E mesmo… no futuro, eu e o meu orientador decidimos realizar algum trabalho no futuro para continuar a nossa cooperação… Isto é muito bom para mim.” (P7, Argélia)
“Esta experiência vai ser valorizada no futuro?
Absolutamente. (…) Totalmente. Este instituto é um dos melhores da Europa, por isso…” (P10, Eslováquia)
“O ranking desta universidade é muito bom e algumas das condições aqui, por exemplo, o laboratório do departamento é muito bom e a experiência que estou a ter aqui vai ser muito boa para o futuro… quando voltar para o meu país vai ser-me útil. Numa empresa, numa universidade, para dar aulas…” (P11, Irão)
“Acredito que se terminar o doutoramento ou mesmo outro ciclo de estudos num bom nível (...) depois disso teremos muitas oportunidades para continuar, se formos trabalhar ou mesmo mais tarde, muitas mais portas se abrirão pelo mundo fora. (...) Isto melhorará o meu currículo. Especialmente por este professor com quem estou a trabalhar e também por esta universidade, porque estou a aprender outras áreas e a conhecer novos professores muito bons e de alto nível que elevam o nível da própria universidade.” (P13, Irão)
“No meu caso, posso dizer que sim. Porque, por exemplo, pelo menos na altura em que vim para cá, eu sei que provavelmente ninguém conhecia a universidade onde fiz o mestrado. (…) Agora sinto- me mais confortável porque tenho algo de outro país e uma universidade internacional no meu currículo e penso que isso valorizará bastante o meu currículo.” (P15, Irão)
“Nós temos ótimas universidades no Brasil, como as universidades de São Paulo, a USP e a UNICAMP, e a diferença, estando aqui, é que eu estou mais próxima de outros pesquisadores internacionais, e nesse programa do MAP-i a linguagem oficial é o inglês e sempre são convidados professores para nos dar palestras e mostrar outras pesquisas, então eu acredito que aqui é mais fácil para que eu possa participar de congressos, eventos na área da região europeia…
Que valorizam…
Vai valorizar muito, muito…
O seu percurso profissional.
Exatamente.” (P16, Brasil)
Relativamente à influência de outros na decisão do aluno de ingressar na Universidade do Minho, os alunos referiram a importância das recomendações pessoais e o estímulo do seu grupo de referência na escolha pela Universidade do Minho. A influência da experiência de ex-alunos e atuais alunos internacionais da instituição de destino, e ainda do pessoal docente tanto da instituição de destino como da instituição de origem, é de facto preponderante na decisão do aluno. Estas conclusões relacionam-se com a preponderância das fontes de informação interpessoais, analisado anteriormente. Os alunos referem a influência direta dos orientadores na universidade de origem, motivando-os a selecionar a Universidade do Minho, assim como a experiência, por exemplo, de amigos ou familiares que frequentavam já esta universidade, o que terá levado os alunos a não ponderar sequer outra alternativa no seu processo de decisão.
“Todos [os colegas] estiveram no mesmo programa e todos sabem que nesta área muitos dos peritos são da UMinho, por isso quando falei com eles, disseram ‘Sim, é uma boa ideia fazeres o curso cá.’” (P6, Índia)
“Foi muito rápido que eu tive que tomar a decisão e assim que eu entrei em contacto com os professores daqui todos eles se disponibilizaram da melhor maneira possível, mandava email, sempre respondiam… Eu acho que isso influenciou muito, eu já estava com a decisão tomada, era isso que eu queria (..).” (P8, Brasil)
“Sim, o meu orientador encorajou-me a vir para a UMinho.” (P9, Argélia)
“Um amigo apresentou-me a alguns professores daqui e depois disso tive algumas conversas por email com o professor… e ele convidou-me a vir para cá. O meu amigo aconselhou-me a vir, disse que aqui era tudo muito bom.” (P11, Irão)
“Contactei um professor iraniano cá (…) e ele encorajou-me muito a vir para cá.” (P13, Irão)
“Quando falei com o Professor B, ele respondeu-me prontamente e disse-me ‘tenho um projeto de investigação, podes vir para cá.” (P15, Irão)
“[os meus professores] foram-me contando sobre a experiência, o quanto foi importante para eles (…)” (P16, Brasil)
Apresentamos de seguida uma tabela com o resumo das frequências de codificação no que se refere aos fatores de decisão referidos pelos alunos no seu processo de escolha de uma instituição de destino (Tabela 10).
Tabela 10. Frequências de codificação na categoria “Fatores de decisão”
FAT-Custo na
instituição Empregabilidade FAT- FAT-Influência de outros
FAT- Informação da
instituição
FAT-
Localização FAT-Oferta educativa
FAT- Reputação Académica e Qualidade P1 0 2 0 3 0 1 1 P2 1 2 0 1 0 1 2 P3 0 2 1 0 0 0 4 P4 1 3 0 0 0 0 2 P5 0 2 0 0 0 0 3 P6 0 1 1 0 0 1 2 P7 0 1 0 0 0 2 2 P8 0 0 1 1 0 1 1 P9 1 1 2 1 0 0 2 P10 1 1 0 0 0 1 3 P11 1 1 3 0 0 0 2 P12 0 0 0 0 0 1 1 P13 0 2 1 0 0 0 4 P14 2 1 1 0 0 1 2 P15 1 1 1 0 0 0 1 P16 1 2 1 0 0 1 2 Total 9 22 12 6 0 10 34
Como podemos verificar, as subcategorias com maior número de referências são a reputação académica e qualidade da instituição e o impacto da experiência do aluno nas suas perspetivas de empregabilidade ou de evolução em termos de carreira académica. Estes resultados validam os contributos de vários estudos que identificam a reputação académica como um dos principais fatores na escola de uma IES de destino (Briggs & Wilson, 2007; Lam et al., 2011; Maringe, 2006; Mazzarol & Soutar, 2002; Shanka et al., 2005; Soares & Simões, 2010). A valorização do currículo profissional e académico é o segundo fator mais valorizado pelos alunos.
Destacamos ainda a relevância das recomendações e influências de outros, sendo que as recomendações de professores orientadores e a experiência de ex-alunos ou atuais colegas na Universidade do Minho é uma influência determinante na decisão do aluno internacional, o que vai de encontro aos resultados de Lam (2011), Maringe e Carter (2007), Mazzarol e Soutar (2002), Pimpa (2003) e Soares e Simões (2010) no que respeita à influência da rede de referência social do aluno nesta decisão. A imagem positiva acerca da experiência na instituição de destino funciona como altamente motivadora e como fator de atração para potenciais novos alunos.
A compatibilidade dos projetos de ensino e temas de investigação da instituição de destino com as preferências do aluno, assim como o custo da participação nestes projetos e a informação disponível acerca da instituição, são fatores de menor relevância, ainda que ponderados pelos alunos respondentes na sua decisão.